Dos escritos de Agostinho

DEUS É A VIDA DE TUA ALMA

“Tua alma morre perdendo a sua vida. Tua alma é a vida do teu corpo, e Deus é a vida de tua alma. Do mesmo modo que o corpo morre quando perde a sua alma, que é sua vida, assim a alma morre quando perde a Deus, que é sua vida. Certamente, a alma é imortal, e de tal modo é imortal, que vive mesmo estando morta. Aquilo que disse o Apóstolo da viúva que vivia em deleites pode-se dizer também da alma que tem perdido o seu Deus: que vivendo está morta”.

(Com. Ev. de João, 47, 8)

domingo, 10 de junho de 2012

20 lições para conhecer a Santo Agostinho

 

19.- A ORDEM AGOSTINIANA EM AMÉRICA LATINA E NO BRASIL (OALA, FABRA)

Um processo de renovação

 

0.- INTRODUÇÃO

Depois de cinco séculos de presença evangelizadora em América a Ordem Agostiniana está questionando-se a sua presença nestas sofridas terras.

Esta revisão de vida forma parte de um processo maior de adaptação aos tempos novos, à Igreja nova e ao Terceiro Milênio que vai se aproximando rapidamente.

Não é simplesmente uma adaptação superficial, provocada pela progressiva diminuição dos seus membros; responde a uma inquietação muito mais profunda como é a de atualizar a presença agostiniana adaptada aos povos de A.L. Até agora esta presença estava na pratica reduzida a uma vivência de religiosos estrangeiros, principalmente europeus (espanhóis e italianos). A partir de agora se trata de inculturar o espírito agostiniano no meio de esta realidade tão distante da europeia seguindo os apelos da Igreja de se comprometer com os pobres e com os jovens.

Este processo nasceu de uma sugestão do Capítulo Geral Ordinário de 1989 para realizar uma reflexão acerca de A.L., inquietude compartilhada pela OALA e reforçada no Capítulo Geral Intermédio de São Paulo 1992.

Dentro deste processo renovador cabe destacar os seguintes momentos:

 

1.- O ESPÍRITO DE CONOCOTO

No mês de setembro de 1993 teve lugar em Conocoto (Equador) um encontro baseado num inquérito respondido acerca da realidade da Ordem. Foi um encontro significativo e iniciante do processo de revitalização da Ordem em A.L.

Provocou uma grande expectativa em todos os irmãos da Ordem e o impacto foi tal que o Conselho Geral da Ordem assumiu o plano resultante no que diz respeito à objetivos, linhas de ação e meios apresentados como um projeto de toda a Ordem para A.L. Assim o manifesta o mesmo Padre Geral:

Todas as comunidades agostinianas de A.L., a través de uma experiência significativa de diálogo, reconciliação e comunhão, sintonizam com a Nova Evangelização e com as vivências e aspirações da Igreja em A.L., e estão preparadas para um novo projeto de vida m seguimento de Jesus Cristo, baseado na palavra de Deus, o carisma próprio da Ordem e o clamor dos pobres” (Discurso do Padre Geral, 11.11.93)

Participaram 61 irmãos representantes das diversas circunscrições de A.L., os Superiores Maiores, os Provinciais com jurisdição no continente e, como a maioria dos irmãos tem nascido fora de A.L., se convidou a representantes nativos.

O encontro de Conocoto marca um momento histórico na história da Ordem em A.L., já que é a primeira vez que se reflete acerca de nossa presença no continente a nível geral” (Crônica do encontro. Introdução).

O Objetivo orientador do trabalho é:

Refletir sobre a realidade da Ordem em A.L., à luz de santo Domingo como início de um processo de revitalização da Ordem, ao serviço da Nova Evangelização”.

Entre as reflexões feitas no encontro surgem algumas luzes: o trabalho vocacional, a formação, a presença consistente, o interesse da Ordem pela opção preferencial pelos pobres e a promoção humana, a inserção local e o esforço por trabalhar na pastoral latino-americana, a colaboração entre circunscrições, a colaboração com os laicos como novo caminho de evangelização na Igreja local, a valorização da vida comunitária como manifestação do carisma agostiniano, a consciência crítica nascida da leitura da Bíblia, o interesse da Cúria pela revitalização da presença agostiniana em A.L., o ressurgimento da pastoral missional, a crescente dedicação e preocupação pela pastoral juvenil, o reconhecimento do valor dos povos indígenas, e o maior interesse na formação permanente.

Também surgem algumas sombras: a falta de raízes, poucos agostinianos, pouco latino-americanos, não sabemos comunicar-nos, poucas vocações, dificuldades de assumir a opção preferencial pelos pobres, marginalização dos povos originários ao entender-lhes dentro da globalidade.

No fim do encontro os jovens latino-americanos fizeram este manifesto:

Cremos em Deus Pai e Mãe da Vida que se revela em nossos povos.

Cremos em Jesus, nosso irmão, que se encarna nos desejos de libertação e ressurreição de nossos povos.

Cremos no Espírito Santo, que anima e guia a busca da uma humanidade renovada e livre.

Cremos no homem e na mulher que lutam por recuperar sua dignidade e de sobreviver em uma situação de fome, miséria e morte.

Cremos na Igreja, encarnada na vida e no mundo de nosso povo pobre e crente.

Cremos no ideal comunitário de Agostinho de Hipona, nosso inspirador.

Cremos no caminho que nossa Ordem tem percorrido ao longo da história com seus acertos e erros, com o ânimo de ser fieis à vontade de Deus.

Cremos na tentativa de revitalizar a Ordem em A.L..

Cremos na participação ativa e transformadora de nossas comunidades na sociedade, à imagem da Trindade dialogante, recíproca, fraterna e solidária.

Cremos na formação inculturada que resgate os valores das culturas marginalizadas e acentue o espírito comunitário como valor primordial de nossa espiritualidade.

Cremos na opção preferencial pelos pobres que, como Ordem, temos assumido no Capítulo Geral Intermédio de México.

Cremos na urgência de destacar a promoção humana de acordo com a realidade de nosso continente, acima de manter tradições beneméritas, seguindo o espírito do Capítulo Geral Intermédio de Dublin.

Cremos em uma Sociedade onde prevaleçam os direitos humanos, a dignidade das pessoas e a defesa aberta das grandes maiorias débeis e marginalizadas.

 

2.- PROJETO CORAÇÃO NOVO

Dando continuidade a este processo de renovação da Ordem Agostiniana em A.L., em Bogotá no ano 1995, mudou-se a denominação, por outra mais agostiniana e conveniente, e passou a se chamar “Projeto Novo Coração”. A equipe de animadores responsável direto do projeto se reuniu para preparar o processo inteiro que vai contar com as seguintes etapas:

 

FASE PRÉVIA: Projeto de espiritualidade agostiniana (setembro de 1993 - setembro de 1996).

Se trata da convocação do maior número possível de irmãos, para sensibilizar às comunidades para este projeto de renovação. É o começo de tudo.

O Objetivo é: Favorecer uma experiência significativa de diálogo, reconciliação e fraternidade, que nos sensibilize à necessidade de revitalizar a Ordem em A.L., em sintonia com a nova evangelização

 

PRIMEIRA ETAPA: Re-descoberta comunitária da vocação-missão da Ordem em A. L. (setembro de 1996 - setembro de 1999).

É preciso encontrar uma maneira comum, um consenso, sobre o modo de viver a vida religiosa agostiniana, pois até agora cada um tem uma visão particular disso.

Corresponde à tarefa do VER. Desenvolver-se-á em três fases.

Fase A: Analise da realidade. O objetivo é: Reler, a partir da fé, os sinais dos tempos em A.L.

Fase B: Profecia (discernimento). O objetivo é: Re-descobrir a especificidade e atualidade do carisma agostiniano em A.L..

Fase C: Conversão consequente. O Objetivo é: elaborar um modelo ideal da vida agostiniana em A.L.

 

SEGUNDA ETAPA: Em direção à uma renovada forma de presença da Ordem na Igreja na A.L. (setembro de 1999 - setembro 2002)

Uma vez determinado dever ser agostiniano, revisar todas as nossas atividades e presenças e decidir com qual devemos continuar e com qual não.

Corresponde à tarefa de JULGAR. Também tem três fases.

FASE A, que tem como objetivo: Aprofundar o projeto ideal da vida agostiniana em A.L..

FASE B, que tem como objetivo: Revisar a vida e ação agostiniana em A.L. à luz do projeto ideal.

FASE C, que tem como objetivo: Definir o novo estilo de presença agostiniana em A.L.

 

TERCEIRA ETAPA: Presença e animação profética da Ordem na Igreja e na sociedade de A.L. (setembro 2002 - setembro 2005)

O projeto do consenso da Ordem deve ser operativo para cada província e circunscrição, de cada comunidade de cada pessoa.

Corresponde à tarefa de AGIR. Também tem três fases.

FASE A, cujo objetivo é: Adequar e aplicar o projeto operativo à cada comunidade e cada circunscrição.

FASE B, cujo objetivo é: Avaliar o projeto operativo à luz dos novos desafios.

OBJETIVO ÚLTIMO E FINALIDADE: Promover na Igreja, dentro da sociedade, um dinamismo de conversão e renovação permanentes pelo testemunho de santidade comunitária da Ordem em A. L.

Este processo é um processo aberto, não é um processo fechado, pois cada pessoa, cada circunscrição está aberta ao espírito e aos seus novos chamados desde a História e desde a Igreja.

Algumas datas importantes deste projeto:

Ano 1994: Exercícios espirituais.

Ano 1995: Curso de animadores preparando os exercícios espirituais e guias para os retiros das comunidades. O tema será Identidade e renovação da Vida Religiosa Agostiniana.

Ano 1996: Evento Casiciaco. Nele se trata de reviver experiência significativa do diálogo, reconciliação e comunhão, com a finalidade de pôr em contato com as raízes da espiritualidade agostiniana e com nossa identidade, todo o qual é simbolizado pelo lugar na periferia de Milão.

Ano 1996: Encontro Hipona em México com superiores maiores e representantes nativos de cada circunscrição.

O Projeto “Hipona, Coração Novo” é um projeto comum, com linhas comuns e metas aceitas por todos. Dele tomam parte todos os irmãos do continente, para construir desde as bases a visão da vida e serviço apostólicos que acreditam respondam o que Deus espera dos Agostinianos.

Hipona é o começo dum processo. Significa a mudança de vida, a conversão, pois em Hipona Agostinho mudou de vida ao ser escolhido como pastor.

O acontecimento foi tão importante que, como em Conocoto, participaram todos os membros do Conselho Geral, os superiores ou delegados das Circunscrições de A. L. e das províncias implicadas e também representantes dos religiosos nativos.

 

A OALA

(Organização dos Agostinianos de América Latina)

A OALA é uma organização formada por todas as circunscrições da Ordem existentes na A. L.

Nasceu depois do Concílio e do Capítulo Geral de Vilanova em 1968, onde se adaptaram as Constituições aos tempos novos. Foi fundada no ano 1969 em Quito, e ao longo de todos estes anos tem ido adaptando-se e reformando-se até chegar à estrutura atual.

Podemos dizer que a OALA é mais um elemento da Ordem para animar e renovar a vida religiosa agostiniana em América, que tem umas características especiais. Essa dimensão de animação e renovação pode descobrir-se a partir das várias finalidades que aparecem nos seus estatutos: Fomentar e consolidar nas comunidades e nos religiosos de A.L a vida agostiniana e apostólica; promover o desenvolvimento da Ordem por meio da unidade, ajuda mútua e serviços comuns; criar e promover a consciência crítica e profética nas comunidades e seus membros à luz dos documentos da Igreja e da Ordem; coordenar trabalhos comuns em benefício da Igreja e da Ordem; incentivar as boas relações, intercâmbio de experiências e conhecimento mútuo entre todos os irmãos que trabalham no Continente Americano.

Para realizar melhor essas funções todas as circunscrições tem um delegado que participa da direção e faz de elo de ligação entre a OALA e seus irmãos. É o encarregado de animar e levar à prática as decisões de OALA.

Para funcionar melhor, devido a que as distâncias em A. L. são tão grandes, foi dividida em três regiões (Sul, centro e Norte), que facilitam a mobilidade dos seus representantes e a possibilidade de realizar encontros e reuniões. Também tem diversas áreas para ajudar nesse trabalho de animação e renovação. Estas áreas são: Formação e vocações, pastoral urbana e missionária, pastoral educativa, e Justiça e paz.

Cada coordenador e cada representante das regiões tem como responsabilidade a animação da vida agostiniana na sua área respectiva, para o qual deverá realizar encontros o enviar materiais ou qualquer tipo de iniciativa que ajude a caminhar aos Agostinianos na A.L.

ORAÇÃO PELA RENOVAÇÃO DA ORDEM AGOSTINIANA EM A.L.

Deus, Criador nosso, que nos amas:

Ajuda-nos a experimentar teu amor na comunidade

e a dar testemunho a todos do teu amor.

Jesus, Senhor e irmão nosso,

que viveste entre os pobres,

ajuda-nos a estar atentos à realidade onde vivemos,

a inculturar-nos e optar pelos mais necessitados e excluídos.

Espírito Consolador, anima nossas comunidades

e ajuda-nos no processo de diálogo, reconciliação e comunhão,

para poder responder com fidelidade ao que nos pede a Igreja de nosso Continente:

Uma Nova Evangelização a partir de tua Palavra

e a partir de nossa espiritualidade agostiniana.

Santa Maria, Mãe do Bom Conselho,

Senhora da América Latina,

intercede por nós. Amém

 

A FABRA (FEDERAÇÃO AGOSTINIANA BRASILEIRA)

A FABRA, ou Federação Agostiniana Brasileira, congrega todos os membros da Grande Família Agostiniana no Brasil. Fazem parte dessa organização os diversos grupos, Ordens e Congregações de inspiração agostiniana presentes no Brasil.

Os grupos que formam parte da FABRA são, atualmente, os seguintes: da Ordem de Santo Agostinho (OSA): Vicariato do Brasil, Vicariato da Consolação, Vicariato de Castela e Região de Malta; da Ordem dos Agostinianos Recoletos (OAR): Província de Santa Rita de Cássia, Vicariato Santo Tomás de Vilanova e Missão da Província S. Nicolau de Tolentino; da Ordem dos Agostinianos Descalços (OAD): Delegação do Brasil; Congregação dos Agostinianos da Assunção (AA): Vice-Província do Brasil e Região de Rio de Janeiro; Congregação das Agostinianas Missionárias (AM): Província de Cristo Rei; Congregação Missionárias Agostinianas Recoletas (MAR): Província de Santa Rita; Ordem das Cônegas Regulares do Santo Sepulcro (ORSS): Priorado de Campinas; Congregação das Irmãs Oblatas da Assunção (OA): Vice-Província do Brasil e Ordem dos Cônegos Regulares Premonstratenses (Opraem): Priorado de Jaú e Priorado de Montes Claros e Irmãs Negras: delegação do Brasil.

Todos esses grupos estão espalhados por quase todo o território nacional e trabalham nos mais diferentes campos de apostolado: paróquias colégios, missões, obras de assistência e promoção humana, social e religiosa; imprensa; catequese especializada; radiodifusão; retiros; universidades; direitos humanos, justiça e paz.

A ideia de reunir os membros dos vários grupos que integram a Grande Família Agostiniana do Brasil aconteceu pela primeira vez em 1975, de 14 a 17 de janeiro, no chamado I Encontro Nacional Agostiniano, em Itaicí - SP. Naquele ano celebravam-se os 75 anos da chegada dos Recoletos e dos Agostinianos ao Brasil. O tema central do encontro foi: “A reflexão vivencial sobre a vida e a doutrina de Santo Agostinho”.

Essa feliz iniciativa produziu um inquieto desejo de novos encontros. Assim, o II Encontro, em 1981, teve como tema: “Oração, contemplação e vida comunitária em S. Agostinho”. Em 1984, o III Encontro, já chamado Congresso: “Eclesiologia no pensamento do Hiponense”. O IV Congresso, de 1987 era celebrado nas comemorações do XVI Centenário da Conversão de Santo Agostinho.

Esse congresso deu um passo a mais em relação aos anteriores, com a proposta da criação da FEDERAÇÃO AGOSTINIANA BRASILEIRA - FABRA, que se efetivou na reunião fundacional de 25 de fevereiro de 1988, na Residência da então Vice-Província do Santíssimo Nome de Jesus, no Brasil, em São Paulo, na presença de Superiores(as) Maiores de treze circunscrições agostinianas.

A federação nascia com o propósito de dinamizar os encontros e promover o intercâmbio de experiência e a colaboração mútua entre os diversos grupos que viessem a integrá-la (dezessete atualmente), além de estimular outras atividades comuns, como a edição das obras de Santo Agostinho em português.

Criaram-se várias comissões, como a de Direção, de História, de Liturgia e Devocionário. Muito ativa tem-se mostrado a Comissão de Educação que congrega os dezesseis colégios agostinianos do Brasil, com os encontros em diversos setores: diretores, supervisores e orientadores pedagógicos, pastoral e jovens. Além dessas comissões, tem acontecido também os Encontros dos Formandos Agostinianos, ou seja, dos Agostinianos (as) jovens, ainda em etapa de formação.

Depois da criação da FABRA, aconteceram ainda outros congressos agostinianos: em 1990, o V Congresso, com o tema: “Santo Agostinho, Pastor de Almas”. Em 1993, o VI Congresso: “Espiritualidade Agostiniana”. E em 1996, o VII Congresso: “Oração e Compromisso em S. Agostinho”.

Alem de muitas Ordens e Congregações que seguem a Regra de Santo Agostinho, também presentes no Brasil, há ainda algumas outras que têm uma especial vinculação com a herança agostiniana, haurida no mesmo tronco histórico comum aos grupos que formam a Assunção, as Cônegas de Santo Agostinho, a Congregação das Servas de Maria Ministras dos Enfermos, a Congregação das Filhas do Amor Divino, a Congregação das Religiosas Concepcionistas Missionárias do Ensino, a Congregação das Irmãzinhas da Assunção, Congregação dos Irmãos da Misericórdia de Maria Auxiliadora.

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