<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749</id><updated>2012-02-28T08:29:30.189-08:00</updated><title type='text'>Amigos de santo Agostinho</title><subtitle type='html'>Agostinho de Hipona é um dos grandes personagens da história universal. Alguém falou dizendo que é o “mais santo dos sábios e o mais sábio dos santos”. 
A idéia deste blog é conhecer melhor a sua vida, os seus ensinamentos, a sua espiritualidade,... 
Também aos seus discípulos, àqueles que desejam viver conforme os seus princípios e estilo de vida, participam do seu jeito de viver, compartilham o desejo de Deus, a inquietude pela Verdade, a vida fraterna, o amor pela Vida e o anseio da Beleza.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>48</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-7464925027734269889</id><published>2012-02-28T08:29:00.001-08:00</published><updated>2012-02-28T08:29:30.671-08:00</updated><title type='text'>20 lições para conhecer a Santo Agostinho</title><content type='html'>&lt;h3 align="center"&gt;&lt;i&gt;14.- O NASCIMENTO DA ORDEM DOS EREMITAS DE SANTO AGOSTINHO&lt;/i&gt;&lt;/h3&gt; &lt;h3 align="center"&gt;&lt;i&gt;(As Uniões de 1244 e 1256)&lt;/i&gt;&lt;/h3&gt; &lt;p&gt;A origem da ORDEM DOS EREMITAS DE SANTO AGOSTINHO é muito obscura. Tudo quanto se sabe está cheio de lendas e narrações pouco fundamentadas. O que se sabe deve-se à história geral da época. Muito pouco é o que sabemos sobre os eremitas e, mais especificamente de suas casas. As investigações históricas, no entanto, avançam lentamente e nos permitem chegar às seguintes conclusões: &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;1. A formação da Ordem foi lenta e difícil;&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;2. Não está direta nem indiretamente ligada às fundações de Santo Agostinho;&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;3. Foi resultado da união de vários grupos eremíticos independentes;&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;4. Nessa união, a Santa Sé teve uma influência decisiva, especialmente através do cardeal Annibaldi.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&amp;nbsp; &lt;h2 align="center"&gt;A Primeira União de 1244&lt;/h2&gt; &lt;p&gt;Os séculos XII e XIII acordaram a Igreja com ideias de renovação cristã. Muitos foram os cristãos que sentiram em suas vidas os desejos de seguir mais de perto os exemplos de Jesus e dos primeiros cristãos. Entre eles alguns se retiraram a lugares afastados para levar um estilo de vida eremítico onde a contemplação constituía uma forma fundamental do encontro com Deus. Diversas regiões e Itália, França e Alemanha ficaram cheias de muitos conventos deste tipo. &lt;p&gt;Nestes grupos, unidos pelo fato de serem eremitas, que seguiam observâncias distintas e até distintas Regras, temos que ver a origem da Ordem de Santo Agostinho. Deles saiu a iniciativa de pedir ao Papa Inocêncio IV, que lhes concedesse viver conforme a Regra de Santo Agostinho, unindo a todos com o fim de fundar uma Ordem. &lt;p&gt;Diante da perspectiva de com a união criar a força, o Papa viu com bons olhos a proposta e aceitou a petição. Ordenou que todos os eremitas residentes na região italiana de Toscana seguissem a Regra e o estilo de vida de Santo Agostinho no presente e no futuro. Mais ainda, qualquer norma posterior ou as Constituições que pudessem surgir no futuro não podiam estar em contradição com aquele estilo de vida. Assim o estabeleceu o Papa nos documentos titulados &lt;i&gt;Incumbit nobis &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;Praesentium vobis&lt;/i&gt;. Era o ano 1243. &lt;p&gt;A primeira reunião dos representantes daqueles grupos de eremitas, dois ou três de cada convento, ou seja, o momento da fundação da Ordem propriamente falando, teve lugar em Roma no mês de março de 1244. Presidia o Cardeal Ricardo degli Annibaldi, encarregado pelo Papa de dirigir os primeiros passos da Ordem nascente. &lt;p&gt;Posteriores documentos do Papa foram definindo com maior precisão a fisionomia e o caráter da Ordem. No mesmo mês da fundação concedeu-se aos sacerdotes poder confessar e pregar ao Povo de Deus, o que quer dizer que se convertia em uma Ordem Apostólica, sem abandonar o elemento contemplativo que lhes tinha levado a buscar a Deus na solidão. &lt;p&gt;O mesmo Papa foi tirando do caminho os impedimentos que impediam a perfeita convivência entre os membros dos distintos grupos. Como alguns deles tinham professado a Regra de São Bento, o Papa lhes dispensou disso assim como das outras tradições próprias em contraste com o novo modo de viver conforme a Regra recém professada. &lt;p&gt;Pouco tempo depois obtiveram os privilégios que tinham sido concedidos às outras Ordens. O Papa dava proteção às casas da Ordem; libertou-as de alguns impostos; declarou-as isentas da jurisdição dos bispos em algumas coisas, etc. Estes privilégios, concedidos no início só aos religiosos agostinianos que viviam na Toscana, estenderam-se um ano mais tarde às outras partes da Ordem que começava a difundir-se com força. &lt;p&gt;A Santa Sé pôs toda a sua força em protegê-los e ajuda-los a ultrapassar as não poucas dificuldades daqueles primeiros momentos. Ainda mais, o mesmo Papa Inocêncio IV ordenou aos bispos que lhes dessem apoio: obrigou-lhes a respeitar os privilégios que tinham sido concedidos pelo Papa. Seu sucessor, Alexandre IV, teve o mesmo proceder. &lt;p&gt;&amp;nbsp; &lt;h2 align="center"&gt;A Grande União de 1256&lt;/h2&gt; &lt;p&gt;Em março de 1256, por iniciativa do Papa, teve lugar em Roma o que se tem chamado a Grande União. Com este nome conhecem os historiadores a união de outros vários grupos de eremitas à já existente Ordem de Santo Agostinho. Num primeiro momento, o Papa Alexandre IV, somente queria unir aos eremitas da Ordem de São Guilherme, os únicos da Toscana que tinham sido excluídos da união anterior. Mas foram vários os grupos aos que se estendeu esta união. &lt;p&gt;No total os grupos que tomaram parte desta união são os seguintes: &lt;p&gt;EREMITAS DE SÃO JOÃO BOM (1169-1249) &lt;p&gt;João Bom nasceu em Mântua, Itália, por volta do ano 1169. Quando jovem, viveu desordenadamente, percorrendo campos e cidades como comediante. Ao redor do ano 1210, uma enfermidade o induziu a mudar de vida. Retirou-se ao campo para viver só, possivelmente em 1217. Ai foi reunindo discípulos com os quais começou a partilhar a vida penitente dos eremitas da época. Não tinham regra nem vínculos jurídicos especiais. Esta forma de vida, porém, um tanto livre e anárquica, estava em desacordo com as normas da Igreja que, empenhada na organização e sobrevivência da vida religiosa, ordenava, a todos os fundadores de novas casas religiosas, adotassem uma das regras e constituições já existentes. &lt;p&gt;João Bom sentiu a necessidade urgente de dar estabilidade a sua fundação. Escolheu então a Regra de Santo Agostinho e impôs o hábito de eremita a seus companheiros. Todos começaram a viver “regularmente”, ou seja, de acordo com uma regra já escolhida. Isto ocorreu por volta do ano de 1225. Seu estilo de vida variou muito pouco: silêncio, jejuns prolongados, roupa pobre, repetição de orações vocais... Andavam descalços e viviam de esmolas. Nada disto nos há de estranhar, pois esse era o modo como viviam os eremitas da época. &lt;p&gt;Uma nota curiosa: traços agostinianos não apareciam em nenhuma parte. Adotaram a Regra de Santo Agostinho simplesmente porque tinham que adotar uma dentre as já existentes; não, porém, por conhecer e seguir o santo bispo de Hipona. O verdadeiro mestre e fundador continuava sendo João Bom, que tinha fama de líder e santo. &lt;p&gt;Como quase todos os membros desta comunidade eram leigos, o apostolado ficava em um segundo lugar. Pouco a pouco, porém, foram entrando sacerdotes ou eremitas leigos eram ordenados, com os quais o apostolado adquiriu grande importância. O próprio João Bom, ao ordenar-se sacerdote, foi um grande apóstolo. &lt;p&gt;A fundação cresceu rapidamente até que João Bom, já velho, analfabeto e enfermo, teve que renunciar à direção da comunidade que, no ano de sua morte (1249), contava com mais de 15 casas no norte da Itália. Em 1249, a comunidade se dividiu em dois grupos devido a diferenças de opiniões e critérios; porém, voltou a se unir em 1252, preparando-se assim para a GRANDE UNIÃO DE 1256. &lt;p&gt;A Ordem celebra a festa de São João Bom no dia 16 de outubro, junto com a de São Guilherme, o Eremita. &lt;p&gt;EREMITAS DE BRÉTTINO &lt;p&gt;Perto dali, na localidade de Bréttino, a uma distância de 60 km, mais ou menos, e na mesma época, nasce outro grupo, com o propósito de lutar contra os vícios da carne e alcançar a vida eterna. Nada se sabe do fundador, nem origem, número, posição social e primeiros passos destes solitários. Em 1227, dispunham já de uma igreja, dedicada a São Brás, com regra e organização sob a proteção de São Pedro. Nem sua regra, nem seus costumes, porém, eram aprovados pela Igreja. Por isso tiveram que acolher a Regra de Santo Agostinho, a quem, como os anteriores pouco conheciam. Em 1235, já possuíam Constituições e organizações próprias, aprovadas pela Santa Sé. Tinham algum ato comum, porém, o centro de sua vida era ocupado pelo ascetismo, manifestado no hábito humilde, na pobreza particular e comum e nos jejuns severos e prolongados. &lt;p&gt;A pobreza era muito rígida. Viviam do trabalho. Nos momentos de escassez, pediam esmola, como os demais eremitas da época. A este respeito, tiveram problemas com os franciscanos, pois, como vestiam quase o mesmo hábito que estes os fieis os confundiam e lhes davam esmolas achando que eram destinadas aos eremitas de São Francisco. Estes se queixaram à Santa Sé, a qual solucionou o problema, dando-lhes hábitos diferentes para ambos. &lt;p&gt;Assim como outros movimentos eremíticos da época, também os Bretinenses foram evoluindo para uma forma de vida mais apostólica e comunitária, menos eremítica. Por volta de 1238, já estavam muito expandidos pelo norte da Itália. Em 1243 a Santa Sé os aprovou como comunidade apostólica juridicamente organizada, permitindo a entrada de leigos e sacerdotes na Ordem. Em meio a este florescimento, chegaram à GRANDE UNIÃO DE 1256. &lt;p&gt;GUILHERMITAS &lt;p&gt;Devem seu nome a São Guilherme, o Grande, morto em 1157, sobre o qual se teceram muitas lendas. Só se sabe que era um militar francês e que, no início de sua conversão em 1145, se retirou para Pisa, em primeiro lugar, e logo em seguida para Malavalle (Itália), onde levou uma vida penitente e solitária. &lt;p&gt;No momento de sua morte só contava com dois discípulos, um dos quais, Alberto, se encarregou de cuidar de seu sepulcro, transformado em lugar de peregrinação pela fama das virtudes e milagres detidos pelo santo. &lt;p&gt;Logo se foram reunindo mais discípulos ao redor dos dois que havia deixado seu fundador, até que a nova ordem começou a estender-se fora da Itália, pela França, Alemanha, Hungria e outros países. O Papa Gregório IX lhes impôs a Regra de São Bento em 1238. De forma diferente dos outros grupos, os guilhermitas não quiseram dedicar-se ao apostolado nas cidades nem a pedir esmola. Apesar de terem a Regra de São Bento, foram incluídos na Grande União, porém só perseveraram nela alguns conventos alemães. &lt;p&gt;EREMITAS DE MONTE FAVALE &lt;p&gt;Aparecem em 1225. De todos os grupos é o que tem uma origem mais obscura e uma história muito pobre. Consta que o Papa Honório III lhe permitiu viver sob a Regra de São Guilherme, ou seja, com orientação beneditina. Também foram incluídos na GRANDE UNIÃO de 1256, porém imediatamente saíram dela porque já em 1255 haviam pedido para se tornarem cistercienses. &lt;p&gt;EREMITAS DA ORDEM DE SANTO AGOSTINHO DE TOSCANA &lt;p&gt;Quase pela mesma época dos grupos anteriores, aparecem também na Itália, diferentes casas de eremitas. Por estarem isoladas e em lugares desabitados, receberam o nome de “eremos”. &lt;p&gt;Em cada “eremo” viviam vários eremitas, completamente independentes dos demais. Cada “eremo” se regia por leis próprias e levavam diferentes estilos de vida. Nada se sabe sobre sua origem, fundador, posição social, etc. &lt;p&gt;Os “eremos” foram aumentando rapidamente em número, até que os próprios eremitas tomaram a iniciativa de se unirem por um vínculo comum. Como já está explicado anteriormente, com este propósito, enviaram 4 delegados a Roma nos finais de 1243 e o Papa Inocêncio IV aceitou seu pedido, dando-lhes a regra de Santo Agostinho. Deste modo, todos começaram a girar ao redor do bispo de Hipona. &lt;p&gt;Tem-se assim uma primeira união: a de todos os “ermos”, em 1244, com o nome de EREMITAS DA ORDEM DE SANTO AGOSTINHO DE TOSCANA”, terminando assim sua completa independência e unindo-se, não só pela Regra de Santo Agostinho, mas também por outros aspectos: o apostolado, a liturgia, a vida comum, etc. &lt;p&gt;Parece que a união não foi fácil no princípio, já que alguns “eremos” resistiram em entrar nela. Contudo, em 1250, já haviam entrado na união nada menos que 61 “eremos” toscanos; e em todos eles se tinha consciência de pertencer a um único corpo, com a consequente obrigação de vestirem o mesmo hábito, de obedecer a um mesmo prior e de acomodar sua vida e uma mesma regra e constituições. &lt;p&gt;Entre estes, havia sacerdotes e leigos. O Papa Inocêncio IV se preocupou muito para que não se saíssem das linhas agostinianas. &lt;p&gt;A união de 1244 favoreceu enormemente a expansão territorial da Ordem. Em 1245 já havia ultrapassado os limites da Toscana, estendendo-se pela Inglaterra, França, Suíça, Alemanha Bélgica, Espanha e Portugal. Nos fins de 1250, se estabeleceram em Roma. &lt;p&gt;De todos, este é o grupo mais agostiniano e é considerado o tronco da ORDEM DOS EREMITAS DE SANTO AGOSTINHO. &lt;p&gt;&amp;nbsp; &lt;p&gt;&amp;nbsp; &lt;h3 align="center"&gt;O EREMITISMO NA IDADE MÉDIA&lt;/h3&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3" face="Arial Narrow"&gt;Em meados do século XI, o eremitismo ocidental começa um período de esplendor que se prolonga até meados do século XIII. Por todas as partes aparecem almas inquietas, desejosas do absoluto e enamoradas da soberania divina que, em grupos ou solitárias, abandonam a nascente civilização urbana e correm para a solidão. Geralmente, se estabelecem em lugares inóspitos, às margens das selvas, e ali se entregam a uma vida de trabalho, penitência e oração. Outros abraçam o eremitismo para fazer penitência de seus pecados. Outros, em fim, para seguir a corrente da época ou atraídos pelo magnetismo de algum eremita famoso da região.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3" face="Arial Narrow"&gt;O eremita não é necessariamente um ser sem convívio social, inimigo do mundo e todo concentrado sobre si mesmo e sobre uma falsa ideia de divindade. Em geral, é uma pessoa de grande inquietude religiosa, com um alto conceito da majestade de Deus e da perfeição cristã, insatisfeita com os modelos religioso-morais que oferece o mundo em redor. Em consequência, foge do mundo e se refugia na solidão para correr nela com absoluta liberdade atrás de seu ideal. Pratica a hospitalidade. De vez em quando abandona o retiro e percorre campos e povoações pregando a penitência e a conversão. Outras vezes se estabelece à beira dos caminhos ou junto a alguma ermida para prestar ajuda a peregrinos e caminhantes. Quase todos reúnem discípulos, aos quais dirigem pela via da perfeição.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-7464925027734269889?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/7464925027734269889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2012/02/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho_28.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7464925027734269889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7464925027734269889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2012/02/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho_28.html' title='20 lições para conhecer a Santo Agostinho'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-4590632176913436023</id><published>2012-02-18T02:18:00.001-08:00</published><updated>2012-02-18T02:18:05.228-08:00</updated><title type='text'>20 lições para conhecer a Santo Agostinho</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;h3 align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;13.- O MONACATO AGOSTINIANO&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/h3&gt; &lt;h3 align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;EXPANSÃO, ECLIPSE E RESSURGIMENTO&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/h3&gt; &lt;h3 align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;(Séculos IV - XII)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/h3&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;A obra monástica de Santo Agostinho não ficou limitada a seu tempo e a sua diocese: mas, pelo contrário, ultrapassou todos os limites e foi se abrindo passo a passo através dos séculos e em diferentes lugares. Poucas coisas desejou com tanto ardor como o florescimento da vida comum. Durante toda a sua vida lutou por difundi-la, defendê-la e aperfeiçoá-la. Nem mesmo a morte pode com seu afã proselitista. Sua palavra continua ressoando, com brevíssimas pausas, ao longo dos séculos; e ainda hoje encontra acolhida no coração dos homens.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Além dos mosteiros mencionados na lição anterior, já como sacerdote Agostinho estabeleceu outro em Cartago, no ano 392, sob o amparo do bispo metropolitano Aurélio. O que Valério foi para Agostinho em Hipona, Aurélio o foi também em Cartago.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Cartago era então o centro civil, cultural e religioso de toda a África; e Agostinho necessitava consultar seus arquivos e bibliotecas em busca de documentação para suas polêmicas. Os monges poderiam consultá-los com facilidade, recolher o material necessário e remetê-lo a Hipona. As demais ocupações seriam muito semelhantes às dos monges de Hipona.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;A fama dos monges formados por Agostinho fez com que os bispos os aceitassem com agrado em suas dioceses e os utilizassem na pregação, cargo que era próprio dos bispos.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Toda instituição religiosa se propaga, não só por obra de seu fundador, mas também dos amigos e seguidores deste. Assim, Evódio, Severo, Possídio, Profuturo e Fortunato, bispos, fundaram mosteiros clericais em suas sedes episcopais; e alguns deles fundaram também mosteiros de leigos e virgens. Houve inclusive, dois bispos, Novato e Benenato, que, sem serem abertamente discípulos de Agostinho, fundaram mosteiros com o espírito agostiniano, graças às relações que mantinham com o santo. Também Alípio fundou seu mosteiro clerical em Tagaste.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;No ano 411 aconteceu algo digno de menção em Tagaste: um casal de nobres esposos, Melania e Piniano, vindos de Roma, decidiram renunciar ao uso do matrimônio e, movidos pelo exemplo dos monges agostinianos, foram se desprendendo pouco a pouco de suas imensas riquezas, repartindo seu fruto com os pobres e ajudando generosamente aos mosteiros e igrejas da região, enquanto eles mesmos se decidiram abraçar a vida comum. Melania viveu em comunidade com suas 130 servas; Piniano, com seus 80 escravos. Por seis ou sete anos moraram em Tagaste, entregues a uma vida de trabalho e penitência. Melania se distinguiu por sua austeridade e atenção prestada à instrução das monjas e pelo trabalho de transcrição de códices. Da vida de Piniano e seus monges não nos restam detalhes. No ano 417 o nobre casal abandonou África e viajou a Jerusalém para se estabelecerem definitivamente no Monte das Oliveiras. Melania foi santa.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Do mosteiro clerical de Hipona saíram dois sacerdotes, Lepório e Bernabé, que fundaram outros dois mosteiros.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Por volta do ano 400 Cartago tinha já vários mosteiros. Em alguns deles começaram a surgir idéias contrárias ao trabalho manual. O bispo Aurélio pediu a Agostinho que interviesse. Motivado por este fato, Agostinho escreveu sua obra “O trabalho dos Monges”.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Consta que em vida de Agostinho existiam já 17 mosteiros. Cada um estava vinculado ao Santo de maneira diferente. Três deles, ou seja, o de leigos de Tagaste e os dois de Hipona eram obra exclusiva sua. Ele lhes deu o ser, a orientação espiritual e a estrutura jurídico-material. Outros mosteiros tiveram relação com Agostinho apenas ocasionalmente, ainda que seguindo seu espírito.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Existem notícias da existência -com Agostinho ainda vivo- de outros nove mosteiros no Norte de África, embora nada conste de suas relações com o bispo de Hipona. Mas provavelmente seriam frequentes e profundas. Não parece exagerado afirmar que nasceram e cresceram à sombra benéfica do Santo. Todos eles eram fundações de amigos e discípulos seus, que não fizeram mais que transplantar para suas sedes a experiência vivida e assimilada em sua companhia. E, ao instalar-se em suas respectivas dioceses, nenhum rompeu os vínculos com Hipona. Agostinho continuou sendo o mestre e orientador do grupo, a quem se recorria em momentos de dificuldades.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Podem-se contar, portanto cerca de 26 mosteiros existentes enquanto vivia Santo Agostinho, fundados com o ideal do Santo. Estes mosteiros não constituíam unidade jurídica. Não havia entre eles nem regras comuns nem vínculos legais. Não havia surgido na Igreja, ainda, a hora das congregações religiosas. Sentiam-se ligados entre si somente pela origem, pelo reconhecimento da comum ascendência de Agostinho e pelos costumes gerais da época. Além do mais, cada mosteiro era uma comunidade autônoma, que se governava por estatutos particulares e pela legislação dos concílios. O abade gozava de grande liberdade na hora de escolher e aplicar as normas concretas. Os mosteiros clericais dependiam do bispo diocesano.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;O entusiasmo das fundações agostinianas logo começou a retroceder devido às invasões dos vândalos. Um dos reis mais cruéis, Genserico, que reinou de 429 a 477, enfureceu-se particularmente com os bispos e seus mosteiros. Calcula-se que entre os anos 430 e 484 o episcopado africano perdeu quase cem de seus membros, baixando o número de 675 para 584. Os mosteiros que mais sofreram foram os de clérigos e de virgens.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Em fevereiro de 484 Honerico deu o golpe final deportando a quase totalidade dos bispos e entregando aos mouros os mosteiros de homens e mulheres.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Mas a perseguição não acabou com os mosteiros africanos. Precisamente a perseguição do ano 484 nos revela a existência de dos mosteiros: em Gafsa e em Bigua, os quais a nossa Ordem considera de inspiração e vida fundamentalmente agostinianas. O primeiro, de Gafsa, era uma mosteiro de leigos e clérigos, habitado por sete monges: Liberato, Bonifácio, Severo, Rústico, Rogato, Septimo, e Máximo. Este mosteiro tem especial importância, para nós agostinianos, devido ao martírio de seus membros. Enfrentando as provações, foram mortos em Cartago, dando grande exemplo de fortaleza de fé e de unidade fraterna. Todos eles selaram suas vidas com o martírio e foram sepultados no mosteiro cartaginês de Bigua. Celebramos a festa destes mártires a 26 de agosto.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Entre os mais importantes e antigos santos agostinianos se encontra São Fulgêncio (462-527). Nasceu em Thelepte (hoje Medinet-el-Kedima, Túnis), em 462 da família senatorial Gordiani, de Cartago. Muito jovem ainda começou a exercer o cargo de procurador em sua cidade natal. Este cargo levava consigo a responsabilidade de administrar a coisa pública entre os vândalos e a cobrar os impostos. Atraído pela vida religiosa, decidiu-se definitivamente depois de ler a exposição de Santo Agostinho sobre o salmo 36. Após algum tempo, lá por 499, resolveu unir-se aos solitários do Egito, na Tebaida. Na viagem passando pela Sicília, dissuadiram-no daquele propósito pelo influxo monofisita que existia entre aqueles monges. Antes de voltar à África, visitou Roma no ano 500. Em torno de 502 foi feito bispo de Ruspe. Por duas vezes esteve, com outros bispos, exilado na Sardenha pelo rei Trasamundo. Cultivou intensamente a doutrina agostiniana, como se deduz de suas obras. Sua vida monástica ajusta-se, em linhas gerais, à mentalidade e ai estilo de vida de Santo Agostinho. Foi chamado, portanto, com razão “Agostinho menor”. Amou profundamente a vida de comunidade e a comunhão de vida. Não conseguia viver senão rodeado de monges. Por isso fundou vários mosteiros, tanto em sua pátria, como no exílio. Morreu em Ruspe no dia 1º de janeiro de 527, depois de longa e penosa enfermidade. A Ordem celebra seu culto a 3 de janeiro.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Com a morte de São Fulgêncio, o monge mais ilustre da África depois de Santo Agostinho, as trevas voltam a cobrir a história do monacato agostiniano. Os esforços de arqueólogos e epigrafistas não conseguem aclarar este período obscuro. Escavações e inscrições nos oferecem dados úteis, mas não suprem a quase total carência de documentação literária. Existem notícias passageiras acerca da existência de mosteiros durante o século VI. Sobre o século VII as informações são, no entanto, mais fragmentadas. Nem um só documento escrito chegou até nós sobre o monacato africano de orientação latina e agostiniana. No entanto, sabe-se de existência de uns 12 mosteiros africanos dessa época; e não há dúvida de que havia muitos outros.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Além da África, houve mosteiros de orientação agostiniana também na Itália, Espanha e França. Não foram somente os vândalos que prejudicaram o desenvolvimento do monacato agostiniano. Também os árabes, durante o século VII, lhe deram alguns dolorosos golpes. Mas semelhantes catástrofes não conseguiram tornar opaca a figura de Santo Agostinho. Sua influência segue de pé em algumas das regras monásticas da época, como a de São Bento e outras.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Durante os séculos VII e VIII o monacato em geral não possuía uma estrutura definida. Cada mosteiro era autônomo e se governava por leis próprias; não se podia, portanto, falar de uma ordem religiosa clara e definida.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Pouco a pouco foi-se impondo a reforma monástica. Contribuíram para isto os imperadores, especialmente Carlos Magno, que no ano 787 mandou tirar uma cópia autêntica da regra de São Bento multiplicando-a e dando-a a conhecer a ponto de Santo Agostinho e seu monacato ficaram relegados a um segundo plano.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Mas a vida religiosa não era vivida somente pelos monges. Havia um grupo de clérigos que também a viviam: eram os chamados cônegos, ou conselheiros do bispo. Estes preferiram o ideal de Santo Agostinho e não o de São Bento, pois lhes chamava mais a atenção a vida comum perfeita e a pobreza individual proclamada por Santo Agostinho.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;No entanto, nem todos os cônegos compartilhavam o ideal de pobreza. Houve muitas reformas e divisões entre eles mesmos. Uns, os não reformistas, se converteram em clero diocesano; outros, os reformistas, seguiram o ideal agostiniano: foram os CÔNEGOS REGULARES DE SANTO AGOSTINHO. Regular significa aquele que segue uma regra. Estes, depois de muitas experiências optaram por ficar com a regra de Santo Agostinho, a qual suplantou pouco a pouco às demais regras, até por volta de 1120-1130.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;A partir do papa Inocêncio II (1130-1142), a Santa Sé fixa a regra de Santo Agostinho a todas as comunidades de cônegos. Com isto recupera Santo Agostinho um posto eminente na história religiosa ocidental; e sua regra recomeça uma brilhante carreira que chega até os dias de hoje. Em fins do século XII e princípios do século XIII a adotam várias congregações novas dedicadas ao serviço dos enfermos, à redenção dos cativos ou à pregação.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Mas a regra de Santo Agostinho não teve a mesma importância em todas as congregações. Em uma delas alcançou, no entanto, um destaque muito grande. A falta de um fundador concreto e de prestígio induz seus membros a acentuar a veneração à pessoa de Santo Agostinho e o estudo de sua doutrina. Aos poucos essa congregação vai identificando Santo Agostinho como fundador e pai e para ele volta os olhos em busca de inspiração e ideais. Assim nasce a ORDEM DOS EREMITAS DE SANTO AGOSTINHO.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;font size="4"&gt;A REGRA DE SANTO AGOSTINHO&lt;/font&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;font face="Cambria"&gt;Desde o início, as comunidades religiosas se constituíram em torno de uma regra de vida. As regras, algumas vezes são escritas pelo próprio fundador; outras vezes, por algum discípulo do fundador, mas aprovada por este; ou são, ainda, escritas por vários autores, mas sempre aprovadas pelo fundador. Em outras ocasiões, uma congregação toma a regra de outra, como o que ocorreu com a de Santo Agostinho.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font face="Cambria"&gt;Santo Agostinho escreveu sua própria regra, chamada “Regra aos servos de Deus”, possivelmente para os monges do mosteiro de leigos de Hipona. Estas informações não são completamente seguras, mas são as mais prováveis. É o documento monástico mais importante de Santo Agostinho, mas também o mais controvertido. Uns dizem que é adaptação da carta 211 dirigida às monjas de Hipona; outros, que é uma simples acomodação dos sermões 355 e 356 de Santo Agostinho. Depois de muitas investigações, os estudiosos agostinianos descobriram que a referida regra foi escrita diretamente por Santo Agostinho, e para homens. É composta de 8 capítulos e inicia assim: “&lt;i&gt;Antes de tudo, caríssimos irmãos, amemos a Deus; depois, também ao próximo, porque estes são os principais mandamentos que recebemos&lt;/i&gt;”.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-4590632176913436023?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/4590632176913436023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2012/02/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/4590632176913436023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/4590632176913436023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2012/02/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho.html' title='20 lições para conhecer a Santo Agostinho'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-500551613280147420</id><published>2012-01-24T07:23:00.001-08:00</published><updated>2012-01-24T07:23:29.549-08:00</updated><title type='text'>20 lições para conhecer a Santo Agostinho</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;h1 align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;font size="5"&gt;12.-&lt;i&gt;A HERANÇA DE SANTO AGOSTINHO: &lt;/i&gt;&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/h1&gt; &lt;h1 align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;font size="5"&gt;&lt;i&gt;O MONACATO&lt;/i&gt;&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/h1&gt; &lt;p&gt;Já se disse que Santo Agostinho, quando morreu, não deixou patrimônio, exceto a biblioteca e as recomendações sobre a custódia da mesma. &lt;p&gt;Conservamos, no entanto, seu espírito: essa maneira característica de ser cristão, de ser santo, de ser pastor... e de ser monge! Aqui está o mais precioso de sua herança, não só para os Agostinianos, mas também para toda a Igreja Universal. &lt;p&gt;Não é fácil resumir o ideal monástico de Santo Agostinho. Entre todos os seus escritos não encontramos um sequer, que seja dedicado expressamente ao monacato. Suas ideias sobre o mesmo se encontram espalhadas ao longo de suas obras. &lt;p&gt;Ser monge no bispo de Hipona é ser Agostinho mesmo, isto é, toda a vida está ligada a esta ideia. Antes e depois da conversão, durante o sacerdócio e os longos anos do episcopado, em suas pregações ao povo, em suas cartas polêmicas e demais escritos, vibra sempre o ideal de ser monge. Por isso a Santo Agostinho pode ser dado o título de Monge e Pai dos Monges. &lt;p&gt;Santo Agostinho era intelectualmente curioso, mas com uma curiosidade do divino. Seu afã de ser monge só se entende à luz da busca de Deus. Já se falou também de suas lutas em busca da verdade. Ser monge, em Santo Agostinho, significa penetrar no mistério de Deus, conhecê-lo pela fé e possuí-lo através do amor. &lt;p&gt;Pouco antes de converter-se, faz uma primeira tentativa de vida comum. Mas tudo vai por água abaixo, ante as dificuldades apresentadas pelo matrimônio. Depois de convertido em Cassiciaco, em Tagaste e durante os primeiros anos em Hipona, consegue fazer com que a ideia do monacato seja uma realidade um pouco idealista: se comove ante a beleza da natureza, vive um tanto separado de luta diária de seus contemporâneos, absorto na reflexão sobre a alma de Deus. A experiência pastoral, a polêmica antimaniqueia e o estudo mais atento de São Paulo lhe abrem um panorama mais real e universal. &lt;p&gt;A ordenação sacerdotal muda, em Agostinho, sua conceição sobre o monacato. Ele se dá conta de que deve se libertar dessa espécie de “egoísmo espiritual” e se entregar à obra da Igreja. Queria dedicar-se por inteiro à oração, à meditação-contemplação e ao estudo da Sagrada Escritura; mas a imensa comunidade chamada Igreja é mais importante que a pequena comunidade agostiniana. Por causa do serviço à Igreja de Cristo é necessário, às vezes, sacrificar o retiro e a tranquilidade do mosteiro. &lt;p&gt;Neste estilo de vida, acolheu quem quisesse viver a sua herança espiritual. O membro da comunidade tinha que saber ser religioso e pastor, ativo e contemplativo, estudante e mestre, homem de oração e missionário. Tudo isto ao mesmo tempo. Mas tem que ser antes de tudo obediente: à Igreja e à comunidade. &lt;p&gt;Santo Agostinho teve que percorrer todo um caminho para chegar a converter-se em Monge e Pai dos Monges. Chamamos isso de ‘itinerário monástico do santo”. &lt;p&gt;O descobrimento de sua vocação de monge aconteceu no ano 386, aos 32 anos de idade quando Ponticiano, “&lt;i&gt;cristão de longas e frequentes orações&lt;/i&gt;” (Conf. VIII, 6, 4), narrou a Agostinho alguns detalhes da vida de Antão, o eremita e de outros mais, do qual Agostinho nada sabia. A narração ficou gravada de tal maneira em sua alma que desencadeou nela aquela feliz tempestade que o levou à conversão definitiva. &lt;p&gt;Agostinho já era crente antes do encontro com Ponticiano. Acreditava em Deus, em Cristo, na espiritualidade da alma e em outras verdades do cristianismo. O exemplo de Antão e dos cortesãos de Trévis, que haviam abandonado suas noivas para consagrar-se a Deus na vida monástica, veio em ajuda de sua fraca vontade, sacudiu sua covardia, proporcionou-lhe desapego da carne e o conduziu à vitória final. &lt;p&gt;Depois de convertido, Agostinho jamais seria um cristão comum. A luta o havia renovado e saia dela “&lt;i&gt;sem desejo de mulher nem esperança alguma neste mundo&lt;/i&gt;” (Conf. VIII, 12, 30) &lt;p&gt;Em Cassiciaco, Agostinho inaugura um plano de vida que não corresponde plenamente a nenhum modelo precedente. Neste sentido, se pode falar de Santo Agostinho, não só como fundador, senão como inventor de um estilo de ser monge. Em companhia de seus amigos, dedica longas horas ao estudo das Escrituras, ao trabalho manual, à oração dos salmos e à contemplação religiosa. Era, porém, um primeiro ensaio que necessitava urgentemente de retoques, correções e complementos a Agostinho não tardará em introduzi-los. &lt;p&gt;A experiência e o estudo lhe manifestam pouco a pouco o verdadeiro rosto do monacato. Lembremos as viagens que fez, conhecendo diferentes estilos de vida monacal para escolher o seu. &lt;p&gt;Admira os anacoretas pelo retiro e solidão, mas não se sente atraído por eles. Também tem simpatia pelos cenobitas, que são anacoretas de vida comum, mas também não o satisfazem plenamente. Ele tem suas preferências: a vida comum, a concórdia dos corações, o desprendimento dos bens da terra, a moderação e liberdade no uso das coisas, o estudo e, sobretudo, a caridade. A caridade é a rainha dos mosteiros. Ela regula os alimentos, as palavras, os vestidos, o semblante. Quando se ofende a caridade, se é imediatamente expulso do mosteiro, pois sabem que “Cristo e os Apóstolos a recomendam tanto que, onde falta, tudo é vão; e onde está presente, tudo é pleno” (costumes da Igreja Católica, I, 33, 73) &lt;p&gt;Este será o estilo do monacato agostiniano: uma cópia o mais fiel possível do estilo de vida dos primeiros cristãos (At 4, 32-35). &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;FUNDAÇÕES MONÁSTICAS NO TEMPO DE SANTO AGOSTINHO&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;a) Tagaste:&lt;/b&gt; No final de 388, Agostinho funda seu primeiro mosteiro em Tagaste e começa a viver em comunidade com seus amigos. Infelizmente, pouco sabemos deste grupo, da sua vida quotidiana. Não temos os horários e regulamentos que nos informem sobre a distribuição dos dias e horas, sobre os requisitos para entrar e fazer parte da comunidade, sobre as obrigações de seus membros e suas relações com os superiores. Nem sequer quantos eram e se estavam batizados. Apenas consta com certeza a presença de Adeodato, o filho de Agostinho, Alípio, Evódio e Severo. São Possídio faz um resumo de como viviam. &lt;p&gt;Em Tagaste, o que fez Agostinho foi um ensaio de vida comum, muito mais estruturada que em Cassiciaco, mas ainda sujeita a mudanças e transformações. &lt;p&gt;&lt;b&gt;b) Hipona&lt;/b&gt;, mosteiro do horto. Em Tagaste, Agostinho era um simples monge, contente em ser “o último da casa do Senhor”. Mas, no ano 391 sua vida deu uma volta de 90 graus. Com a ordenação sacerdotal ele se dá conta de que não pode dedicar-se inteiramente ao que ele chama de “ócio santo”, isto é, vida de oração e contemplação da Verdade Suprema. &lt;p&gt;A ordenação sacerdotal foi a causa que arrastou por água abaixo o ideal monástico do santo, já que em seu tempo a vida sacerdotal era incompatível com a vida monástica. Era um ou outro, nunca os dois ao mesmo tempo. Felizmente, o velho bispo Valério compreendeu a necessidade que sentia Agostinho de viver em companhia de seus irmãos e lhe deu licença para fundar outros mosteiros junto da igreja de Hipona, no horto, onde continuou a viver como em Tagaste. &lt;p&gt;No princípio este mosteiro se nutriu de monges vindos de Tagaste, embora com certeza só podemos identificar Evódio. Cedo, porém, a pregação de Agostinho encontrou novas vocações, pertencentes a todas as idades e classes sociais. A todos exigia a renúncia dos bens e a perfeita vida comum. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Comecei a reunir irmãos de boa vontade -&lt;/i&gt;diz Santo Agostinho&lt;i&gt;- que, igual a mim, nada tiveram dispostos a imitar meu modo de viver, isto é, assim como eu havia vendido meu pobre patrimônio e havia repartido o fruto entre os pobres, fizeram o mesmo os que quiseram viver comigo para que todos vivêssemos do comum. Desta forma, todos possuiríamos em comum um grande e fertilíssimo campo, o mesmo Deus&lt;/i&gt;” (Sermão 355, 2). &lt;p&gt;Em Hipona, ao seu ideal monástico, se junta o ideal apostólico. Quando a mãe Igreja pede a nossa colaboração não podemos negar: esse era o lema do santo. Ao apostolado ele chama “negócio justo”, assim como à contemplação chama “ócio santo”. &lt;p&gt;&lt;b&gt;c) Hipona,&lt;/b&gt; mosteiro de clérigos. A ordenação episcopal foi outro momento delicado no itinerário monástico de Agostinho. Tinha que conciliar solidão e retiro, próprios dos mosteiros, com a atividade pastoral e exigências sociais do episcopado. Parece que teria que renunciar à vida comum. No entanto, esta renúncia era muito dolorosa. Agostinho não havia nascido para viver só. Necessitava da companhia dos amigos e irmãos e essa necessidade aguçou sua imaginação e lhe permitiu superar o obstáculo, transformando-o em estímulo: abriria as portas da casa episcopal aos clérigos e, com eles, partilharia teto, mesa e roupas. &lt;p&gt;Nela acolheu a quantos clérigos quisessem viver em comum e partilhar o ideal de pobreza evangélica. Este mosteiro lhe serviria também para formar o clero da diocese, segundo o alto conceito que tinha do sacerdócio. &lt;p&gt;A vida neste mosteiro repousa sobre as mesmas bases do horto: vida comum perfeita, absoluta pobreza individual, equilíbrio entre ação e contemplação. Só o trabalho manual desapareceu ou, ao menos diminuiu notavelmente para dar lugar ao trabalho apostólico. Todos os clérigos participam ativamente da vida da diocese. Diariamente vão à igreja para a Eucaristia e oração das horas litúrgicas. Algumas vezes, os sacerdotes substituem o bispo na celebração da Eucaristia, na pregação e administração dos sacramentos. &lt;p&gt;&lt;b&gt;d) Mosteiro de virgens&lt;/b&gt;. A vida virginal apareceu cedo na Igreja Africana. Seus dois grandes doutores, Tertuliano e São Cipriano, a promoveram com entusiasmo, fomentando a união e colaboração entre si. &lt;p&gt;Santo Agostinho fundou pelo menos um mosteiro de virgens em Hipona, do qual foi “priora”, por muitos anos, sua irmã; e do qual fizeram parte também algumas de suas sobrinhas. Não consta a data exata de sua fundação. Santo Agostinho amou este mosteiro com especial afeto. Amor que brotava espontâneo de sua estima pela virgindade e vida religiosa. &lt;p&gt;Muito pouco sabemos de seu estilo de vida e de sua orientação espiritual. Tudo, porém, nos leva a pensar que não se diferenciava muito da vida dos monges. Praticavam a vida comum perfeita e dividiam a jornada entre oração e trabalho, sem excluir talvez, a cópia de códigos e manuscritos antigos. &lt;p&gt;O número de monjas deve ter sido bastante elevado. Agostinho fala de uma “copiosa congregação”. A maioria era de virgens, mas também se admitia algumas viúvas. A irmã de Agostinho entrou depois da morte do marido. Consta também a presença de algumas meninas órfãs. &lt;h2 align="center"&gt;&lt;font size="4"&gt;&lt;/font&gt;&amp;nbsp;&lt;/h2&gt; &lt;h2 align="center"&gt;&lt;font size="4"&gt;O MOSTEIRO AGOSTINIANO&lt;/font&gt;&lt;/h2&gt; &lt;p align="left"&gt;&lt;font size="3"&gt;O mosteiro de Santo Agostinho se converteu num autêntico mosaico de caracteres humanos. Os moradores eram muito diferentes uns dos outros pela idade, ilustração e origem social. A maioria provinha das camadas inferiores da sociedade. Agostinho fala de escravos, libertos, agricultores, operários e artesãos. Mas, não faltavam membros de famílias abastadas e até mesmo senatoriais. Havia monges ilustrados e monges ignorantes, ainda que os analfabetos eram uma exígua minoria. Aquele que, ao ingressar no mosteiro, não sabia ler, era instruído imediatamente. Também a idade variava. Consta a presença dalguns meninos e jovens. Ao que parece, entravam no mosteiro na qualidade de “pulio” e só aos 16 ou 18 anos de idade decidiam seu retorno ao mundo secular ou sua definitiva incorporação ao mosteiro. A quase totalidade dos monges eram leigos, ou seja, irmãos não clérigos. E vez em quando, contudo, é bem provável o ingresso de algum clérigo; e, com certeza, alguns monges foram agregados ao clero. Foram monges no mosteiro do horto: Evódio, Possídio, Severo e Antônio, bispos, respectivamente de Uzala, Calama, Milevi e Fussala, assim com vários outros &lt;/font&gt; &lt;p&gt;Cfr. A. Martínez Cuesta, &lt;i&gt;San Agustín, monge y padre de monjes&lt;/i&gt;: Mayéutica 16 (1980).&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-500551613280147420?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/500551613280147420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2012/01/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho_24.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/500551613280147420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/500551613280147420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2012/01/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho_24.html' title='20 lições para conhecer a Santo Agostinho'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-462342284746620492</id><published>2012-01-03T09:32:00.001-08:00</published><updated>2012-01-03T09:32:53.594-08:00</updated><title type='text'>20 lições para conhecer a Santo Agostinho</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;11.- MARTELO DOS HEREGES ATÉ O FIM&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;(Idade: 76 anos)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Um dos títulos que recebia Agostinho era o de “Martelo dos hereges”, devido a sua luta contra os mesmos. Maniqueus, donatistas e pelagianos formaram o triângulo das heresias mais notáveis de luta agostiniana. Nenhuma delas existe na atualidade, mas em tempos de Santo Agostinho estavam em pleno vigor. Não se pode separar a luta contra as heresias do apostolado do bispo de Hipona, porque delas saíram várias de suas obras mais importantes. Um exemplo é o tratado sobre a graça divina, escrito contra os pelagianos. &lt;p&gt;Já foi feita uma breve alusão aos donatistas e maniqueus (lições 1 e 4). Quanto ao pelagianismo, trata-se da doutrina de um monge irlandês chamado Pelágio. Desembarcou na África em 411. Sua morte deu-se, provavelmente, em 418, no Oriente. Pelágio negava o pecado original. Não admitia o batismo de crianças. Afirmava que o homem é capaz de salvar-se por suas próprias forças, sem necessidade da graça divina. Mais tarde suas doutrinas se estenderam por toda a parte. Santo Agostinho combaterá vigorosamente os partidários de Pelágio. &lt;p&gt;A fama de Agostinho não tinha limites. De todas as partes acorriam a ele em busca de soluções às dificuldades que aumentavam sem cessar. Suas obras são conhecidas em toda a Igreja. São lidas, tanto na Espanha quanto no Oriente, na Itália ou na Gália. E, quando está quase na hora de se reunir o Concílio de Éfeso, lhe é dirigido um convite especial para tomar parte nesta assembleia. Mas o convite chegará a Hipona depois da morte de Agostinho. Este convite constitui um eloquente testemunho da reputação a que chegou Santo Agostinho e que se deve unicamente ao zelo que não deixou de mostrar em favor da verdade católica. &lt;p&gt;É lastimável que Santo Agostinho não tenha podido participar do Concílio de Éfeso (431). Sua contribuição teria sido extraordinária. Especialmente em relação a doutrina sobre a Virgem Maria que, nesse Concílio foi proclamada “Mãe de Deus”. &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;INVASÃO DA ÁFRICA&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Dia 24 de agosto de 410, no meio de uma enorme tormenta, os godos, sob o comando de Alarico, entram em Roma e tocam fogo na cidade. O saque da capital durou três dias e três noites. As crônicas nos falam de uma destruição completa: incêndios, assassinatos em massa, torturas e mutilações. Mas, o que os godos procuravam era, sobretudo, o ouro; e, ao partir, levaram os carros repletos de um valorosíssimo confisco. &lt;p&gt;Não é fácil, depois de quinze séculos estimar as perdas materiais. Sem dúvida que os historiadores exageraram, devido ao sentimento de patriotismo, ao se referir a esse evento. O certo é que a invasão de Roma deve ter causado uma marca profunda nos habitantes das províncias. A triste notícia provocou um eco de comoção e espanto. &lt;p&gt;Os pagãos quiseram acusar à Igreja Católica como responsável pela ruína de Roma. Estes fatos históricos deram a Agostinho motivos para escrever uma das suas obras mais importantes: “A Cidade de Deus”. &lt;p&gt;A invasão da África nos é contada por Possídio de Calama, testemunha ocular dos acontecimentos: &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Algum tempo depois, dispôs a Divina Providência que numerosas tropas de bárbaros cruéis, vândalos e alanos, misturados com godos e outros povos vindos da Espanha com todo tipo de armas e preparados para a guerra, desembarcassem e irrompessem na África. Após atravessar todas as regiões da Mauritânia, penetraram em nossas províncias, deixando em toda parte rastros de sua crueldade e barbaridade, assolando tudo com incêndios, despojos e outros inumeráveis e horríveis males. Não tinham nenhuma distinção entre sexo e idade. Não perdoavam os sacerdotes nem os ministros de Deus, nem respeitavam os ornamentos sagrados, nem os edifícios dedicados ao culto divino&lt;/i&gt;” (&lt;i&gt;Vida de Santo Agostinho&lt;/i&gt;, c. 28) &lt;p&gt;A cidade de Hipona estava solidamente fortificada e preparada para uma longa resistência aos invasores. Por este motivo, se converteu em refúgio aos habitantes dos arredores. Muitos bispos estavam entre os refugiados. &lt;p&gt;O assédio à cidade começou no final de maio do ano 430. Agostinho, também chamado “Águia de Hipona”, já tinha entrado nos seus 76 anos de idade. Embora com as forças diminuídas, não mudou em nada seu regime de vida: orava, escrevei, anunciava o Evangelho, acolhia aos fieis, preparava-se, enfim, para o encontro definitivo com Cristo. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Catorze meses durou o assédio completo, porque bloquearam a cidade totalmente até pela parte do litoral. Lá eu me refugiei com outros bispos e lá permanecemos durante o tempo do assédio. O tema ordinário de nossas conversas era a terrível ameaça dos bárbaros, deixando nas mãos de Deus nossos destinos e dizíamos: ‘Justo sois Senhor, e retos teus juízos’. E misturando nossas lágrimas, gemidos e lamentos orávamos, unidos ao Pai de toda misericórdia, para que dignasse fortalecer-nos em tão tremenda prova&lt;/i&gt;” (Possídio, &lt;i&gt;Vida de Santo Agostinho&lt;/i&gt;, cap. 28) &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Um dia, conversando à noite, Agostinho nos disse: - Haveis de saber que eu, neste tempo de angústias, peço a Deus ou que livre a cidade de cerco dos inimigos ou, se é outro seu beneplácito, fortifique seus servos para cumprir sua vontade, ou me arrebate deste mundo para levar-me consigo. Dizia isto para nossa instrução e edificação. Depois, todos nós levamos à Deus as nossas súplicas’”&lt;/i&gt; (Possídio, &lt;i&gt;Vida de Santo Agostinho&lt;/i&gt;, cap. 29) &lt;p&gt;Deus se dignou escutar as súplicas do seu servo. Antes que terminasse o terceiro mês de assédio, caiu enfermo. Quando sentiu a elevada febre de sua enfermidade, deu-se conta que seus dias estavam contados. Já fazia algum tempo que sua saúde deixava a desejar. Todos sabiam disto e se preocupavam. O conde Dario demonstrou-lhe sua simpatia, enviando-lhe alguns remédios que seu médico lhe havia recomendado. Outros, sem dúvida, fizeram o mesmo. Mas, Agostinho era ancião, e, com o peso da idade, as emoções, as angústias, as privações, já lhe era impossível ter qualquer tipo de ilusão e alimentar esperanças humanas. &lt;p&gt;Por outro lado, que importância teria para Santo Agostinho a vida aqui neste mundo? Desde o momento de sua conversão desejava conhecer e amar cada vez mais a Deus. Buscava contemplá-lo, possuí-lo sem limites. Não cessou de buscar o rosto de Deus. Agora, com alegria, sentia ter chegado o momento de dizer adeus às coisas deste mundo. E pôde fazê-lo com a consciência e o coração tranquilos e cheios de alegria. &lt;p&gt;Nos últimos dias de sua vida, Agostinho revisava todo o seu passado: Patrício, que havia morrido o primeiro da família; Mônica, que havia tido a alegria de ver convertidos, primeiro seu esposo, depois, o próprio Agostinho; seus irmãos que haviam descansado na paz do Senhor. &lt;p&gt;Depois repassava, em sua memória: a adolescência irrequieta, tempo de seus grandes pecados, mas também de grandes graças; a mulher com quem havia vivido durante tanto tempo; seu filho Adeodato; os amigos, Alípio e Nebrídio, que lhe rodearam sempre. Este último havia morrido na flor da juventude. Alípio ainda vivia e Agostinho não cessava de agradecer a Deus por haver-lhe conservado junto de si nos últimos momentos. &lt;p&gt;Vinham a seguir as horas decisivas de sua conversão. Simpliciano e Ambrósio tinham sido para ele, naquelas horas, os mensageiros da graça divina. Ele agora os ia encontrar na luz de Deus e com eles voltaria a cantar, sem interrupção, o eterno louvor de Deus. &lt;p&gt;No leito onde estava deitado, tinha um pouco de descanso e tempo livre para pensar em Deus, para meditar e orar. Tinha pedido a seus amigos e aos que lhe atendiam que o deixassem só, menos na hora em que o médico vinha vê-lo ou quando tinham que medicar-lhe com os remédios ou os alimentos. Embora fosse muito dura esta ordem do doente, todos a cumpriam, já que sabiam que Agostinho desejava dedicar os últimos momentos ao Criador. &lt;p&gt;Também havia manifestado desejos de que lhe copiassem os salmos penitenciais em caracteres grandes para que pudesse lê-los do leito. Assim se fez e as paredes apareceram adornadas com uma cópia dos salmos. &lt;p&gt;Agostinho era pobre. Desde sua chegada a Hipona havia feito a renuncia de todos os seus bens. Viveu sempre em comunidade com seus clérigos, sem possuir nada próprio. Não tinha nada para colocar em testamento. À sua Igreja de Hipona não tinha outra coisa para deixar senão seus livros: tanto os que ele mesmo havia escrito como os que havia adquirido ou recebido de seus amigos. Uma das últimas recomendações foi que conservassem cuidadosamente sua biblioteca para os que viessem depois dele. &lt;p&gt;Após alguns dias, os amigos que lhe atendiam viram que Agostinho não se curaria. A debilidade do enfermo aumentava. Sua mente continuava lúcida até o último momento e não parou de dirigir as suas recomendações espirituais. Incessantemente orava a Deus. Possídio e os que o acompanhavam respondiam às suas preces. &lt;p&gt;Fora das muralhas fervia a luta entre defensores e atacantes. No quarto do enfermo tudo era paz e silêncio. O clero de Hipona de joelhos, recitava em silêncio a oração dos agonizantes. Entretanto o doutor da graça e do amor, depois de 76 anos de vida e 40 de incansável luta em favor da Igreja, cai na agonia para ser recebido com júbilo na Cidade Santa de Deus. &lt;p&gt;No dia 28 de agosto do ano 430, o filho de Patrício e Mônica, Agostinho, bispo de Hipona, dormia na paz do Senhor. Contava com 75 anos, 10 meses e 15 dias... &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;AS RELÍQUIAS DE SANTO AGOSTINHO&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;Os restos mortais de Santo Agostinho foram depositados na Basílica da Paz, em Hipona, onde o santo havia exercido seu ministério pastoral. Depois de quase 70 anos, ante o perigo de profanação por parte dos invasores, os bispos da África os trasladaram para a ilha da Sardenha, onde permaneceram 223 anos na igreja de São Saturnino de Cagliari. Quando a ilha caiu em poder dos sarracenos, o piedoso rei dos lombardos, Luitprando, os resgatou por 70 mil escudos de outro levando-os consigo, no ano 730, para a cidade de Pavia, Itália, e depositando-os na Igreja de São Pedro “in coelo aureo” (no céu dourado).&lt;/em&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;Vários papas proibiram a exibição pública de seus restos mortais, pois estavam sendo roubadas partes dos mesmos. Por este motivo se perderam as notícias e a memória do lugar onde estavam. No ano 1695, no entanto, por ocasião de reforma da Igreja, foram descobertos numa caixa de prata com a inscrição: Augustinus. O Papa Bento XIII declarou-os autênticos.&lt;/em&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;Novos transtornos políticos ocorrem na Itália. Com medo de novas profanações, em 1832, o bispo de Pavia os transferiu para a catedral de mesma cidade. No ano 1900, o padre Tomás Rodrigues, Superior Geral da Ordem Agostiniana, conseguiu que fossem devolvidos à Igreja de São Pedro, propriedade dos Agostinianos, onde repousa atualmente.&lt;/em&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;A estes sagrados restos faltam: o braço, que foi enviado a Cartago em 1842, a pedido de Monsenhor Dupunch, primeiro bispo de Argel; e o coração, que se conserva em Lion.&lt;/em&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt; &lt;p align="right"&gt;&lt;i&gt;Semblanzas de San Agustín&lt;/i&gt;, 500.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-462342284746620492?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/462342284746620492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2012/01/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/462342284746620492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/462342284746620492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2012/01/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho.html' title='20 lições para conhecer a Santo Agostinho'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-4013679758974289778</id><published>2011-12-14T01:09:00.001-08:00</published><updated>2011-12-14T01:09:09.080-08:00</updated><title type='text'>20 lições para conhecer a Santo Agostinho</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;font size="3"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;font size="3"&gt;10.- ESCRITOR E SANTO&lt;/font&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Santo Agostinho estava morto aos olhos dos homens, mas começava a viver aos olhos de Deus. Certamente, sua alma, depois de tantos séculos, continua viva no meio de nós.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Quase sempre, os santos nos são apresentados como “super-homens”, que não conheceram quase nada do pecado, nem sequer da tentação. Santo Agostinho não foi assim. Todas as suas obras nos colocam em contato com um homem semelhante à maioria de nós; exposto, como nós, à concupiscência e vivendo, todos os dias, ante o temor do pecado.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Não nos importa saber até que ponto pôde, apesar de seus esforços, deixar-se vencer pelo mal. Já se escreveram muitas bobagens a respeito disso. Inclusive certos testemunhos do bispo de Hipona a respeito de suas faltas foram interpretadas fora de contexto e sentido reais. Se algumas características nos surpreendem na fisionomia de Agostinho, temos de pensar em seu caráter profundamente religioso.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;As “Confissões” põem em relevo a profunda unidade de sua vida interior. Jamais interrompeu o caminho. Assim, não teve que lamentar seu passado, ao menos em certo sentido. Para ele, como para todos os que amam a Deus, nenhum pensamento, nenhuma ação deixou de estar relacionada com o bem, inclusive os próprios pecados.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Pessoa profundamente religiosa Agostinho, com certeza, buscou Deus, antes de encontrá-lo e possuí-lo. Por muito tempo seu coração esteve inquieto, porque ainda não conhecia o verdadeiro descanso que somente Deus é capaz de proporcionar.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Consagrou, mais tarde, todas as forças de seu amor, ao serviço de Deus e das pessoas. Mas não se contenta em amar aos cristãos. Ama também, com afeto semelhante, aos que não pertencem à verdadeira Igreja. Dirige sempre aos maniqueus, donatistas ou pelagianos, palavras de amor e boa vontade.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;As vezes, fala com um tom mais emocional, mais carinhoso, mais simples, do amor de Deus; e conclui que a única atitude que podemos tomar diante de Deus é a do reconhecimento, do amor. Se Deus nos amou primeiro, também nós devemos amá-lo. Este amor é, precisamente, nossa maior recompensa. Do ensinamento de Agostinho, o que traduz de maneira mais completa as riquezas de seu espírito e de seu coração é uma palavra de amor: “ama e faz o que quiseres!”.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Santo Agostinho é, sem dúvida, o escritor mais fecundo da Igreja Latina. O que São Jerônimo havia escrito a respeito de Orígenes, logo pode repetir Possídio sobre o bispo de Hipona: “o número de suas obras é tão grande, que apenas um grande estudioso pode ler todas elas”.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Os escritos que chegaram até nós podem se dividir, conforme a finalidade e índole do seu conteúdo, em obras:&lt;/font&gt; &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;font size="3"&gt;1. Filosóficas;&lt;/font&gt;&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;font size="3"&gt;2. Apologéticas;&lt;/font&gt;&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;font size="3"&gt;3. Exegéticas;&lt;/font&gt;&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;font size="3"&gt;4. Dogmáticas;&lt;/font&gt;&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;font size="3"&gt;5. Polêmicas;&lt;/font&gt;&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;font size="3"&gt;6. Escritos de moral e pastoral;&lt;/font&gt;&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;font size="3"&gt;7. Oratórias, e&lt;/font&gt;&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;font size="3"&gt;8. Cartas&lt;/font&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Nos últimos anos de sua vida, mais ou menos no ano 427, o próprio Agostinho revisou todas as suas obras publicadas. Sua intenção foi a de examinar atentamente cada uma delas. O fruto deste trabalho foi outra de suas obras, intitulada: “Retratações”, que é única na história da literatura antiga. No final de sua revisão, Agostinho afirma que escreveu 93 tratados em 232 livros. Entre as obras mais importantes estão:&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;a) &lt;b&gt;Os Diálogos de Cassiciaco&lt;/b&gt;, que compreendem todas as obras compostas antes do seu batismo. São elas: “Contra os Acadêmicos”; “Sobre a Vida feliz’; “Sobre a Ordem”; “Solilóquios”. Estas obras, e as que foram escritas logo após o Batismo constituem os “escritos filosóficos”.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;São os escritos compostos no sítio Cassiciaco, perto de Milão, em forma dialogada, quando se retirou para se preparar para receber o sacramento do batismo.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Já dissemos que Agostinho não estava só. Numerosos amigos o acompanhavam. E aquele retiro durou perto de sete meses, sendo verdadeiramente uma vida de paz e contemplação espiritual. Do ambiente essencialmente contemplativo de Cassiciaco e das conversas diárias das pessoas que ali estavam, nasceram estas obras que hoje são lidas com profundo interesse e contentamento espiritual.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Agostinho, depois de ter conversado com seus amigos, quer conversar consigo mesmo. Destas conversas nascem os “Solilóquios”, última das obras escrita no sitio de Verecundo. Os “Solilóquios” são um monumento insigne do gênio de Agostinho. Junto com as “Confissões”, nos ajudam a explorar as mais íntimas profundidades da consciência do nosso jovem, no momento mais crítico de sua vida.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;b) &lt;b&gt;As Confissões&lt;/b&gt;. Podem ser consideradas como uma das maiores obras da literatura universal. Além do valor literário, contêm inestimáveis valores espirituais.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Agostinho sentiu a necessidade de recordar seu passado e rever todos os favores que Deus lhe concedeu. Os treze livros das “Confissões” são um hino de ação de graças, um canto de louvor e reconhecimento a Deus, que criou tudo e orientou tudo para salvar o filho pródigo.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Às vezes, o leitor se cansa com as preces que interrompem o curso da narração. Acontece que Agostinho não quer contar uma história, a história de sua vida; quer, isto sim, dar testemunho da misericórdia de Deus.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;O que são os acontecimentos exteriores em sua vida? Por que foi a Tagaste, a Madaura, a Cartago, a Roma e a Milão? Porque a mão de Deus o conduziu até o momento preciso em que queria manifestar seu poder e misericórdia. Uma só coisa conta a seus olhos: a resposta de Deus. E esta resposta não se produziria se o Senhor não a houvesse pronunciado por sua boca.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;c) &lt;b&gt;A Cidade de Deus&lt;/b&gt;. É um escrito ligado às circunstâncias. Por causa da invasão dos godos e do saque de Roma pelos vândalos de Alarico (410), os pagãos acusaram o cristianismo, culpando-lhe dos males acontecidos. Agostinho ouviu tais acusações; viu-se obrigado a respondê-las e compôs esta obra em 22 livros.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;A Cidade de Deus é um monumento estupendo pela originalidade de forma e do pensamento, pela amplidão de desenhos, pela abundância de fatos e de ideias. Podemos considerá-la como a enciclopédia do século V: não há nada que não seja descrito em suas páginas. Nesta obra colossal se reuniu todo o saber humano. Nela encontramos uma filosofia da história, uma defesa do cristianismo, uma moral, uma física; e, junto a tudo isto, uma profunda erudição sagrada e profana, exposta em estilo eficaz e com eloquência fascinante.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;d) &lt;b&gt;O Epistolário&lt;/b&gt;. As “Cartas” de Santo Agostinho podem ser consideradas como o complemento da maravilhosa produção literária do santo. Apesar das muitas que se perderam, temos uma abundante coleção, que soma 276. Nem todas são de Agostinho: entre essas 276 há 53 em que seus destinatários se dirigem a ele.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;As “Cartas” de Santo Agostinho são, sobretudo, de caráter didático. Sempre tem que demonstrar, esclarecer ou defender a verdade. Daí o tom de gravidade solene, doutrinal, catedrático, que se assemelha um pouco aos tratados e aos sermões.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;As “Cartas” agostinianas são importantes porque nos fazem conhecer a atividade do bispo de Hipona, a evolução do seu pensamento e as condições intelectuais, morais e culturais da época. Uma multidão de religiosos, de leigos, de imperadores, de hereges, de virtuosos, de culpados, escrevem e recebem cartas de Agostinho.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;e) &lt;b&gt;Os Sermões&lt;/b&gt;: Já foi dito algo a respeito dos pronunciamentos de Santo Agostinho (Lição número 9). Normalmente pregava todos os domingos e dias de festa. Em geral, pregava sem levar escrito o que ia dizer; contentava-se em meditar as passagens bíblicas que deviam constituir o esqueleto do discurso.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Enquanto o bispo falava, os fieis escutavam de pé, como nos diz em algumas ocasiões o mesmo pregador. Este costume especial da Igreja africana, diferente da Itália e Gália, e que o próprio Agostinho reprova, pode explicar a brevidade às vezes excessiva, da maior parte dos sermões agostinianos.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Estenógrafos ou taquígrafos de ofício recolhiam as palavras do bispo. Desta maneira, formaram-se coleções de homilias, mais ou menos volumosas, que se difundiram, não só na África, mas por todo o mundo cristão.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Sem dúvida alguma que, sob o nome de Agostinho, começaram a circular outras coleções ou sermões que, certamente, não eram de Agostinho. Dai a confusão que muitas vezes surge com alguns desses sermões que, duvidosamente, se atribuem a Santo Agostinho.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;Ao falar dos “SERMÕES DE SANTO AGOSTINHO” temos que fazer menção dos “Comentários aos Salmos”. Trata-se de sermões ou comentários a cada um dos 150 salmos da Bíblia. São, em geral, muito mais extensos que os mesmos sermões. Os temas são muito variados: catequese, moral, vida espiritual, etc.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;font size="3"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;font size="3"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/b&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;font size="3"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;font size="3"&gt;O PROGRESSO NA IGREJA CATÓLICA POR OBRA DE SANTO AGOSTINHO&lt;/font&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="3" face="Palatino"&gt;Dilatando-se, pois, a divina doutrina, alguns servos de Deus que viviam no mosteiro sob a direção e companhia de Santo Agostinho, começaram a ser ordenados clérigos para a Igreja de Hipona. E mais tarde no auge e resplendor do dia-a-dia da verdade da pregação da Igreja Católica, assim como do modo de viver dos santos e servos de Deus, sua continência e pobreza exemplar, a paz e unidade da Igreja, com grande solicitação começou primeiro a pedir e receber bispos e clérigos do mosteiro que havia começado a existir e florescia com aquele insigne varão. Pois, uns dez santos e veneráveis varões, continentes e doutos, que eu mesmo conheci, enviou Santo Agostinho sob pedido de várias igrejas, algumas de categoria. E eles também, seguindo o ideal daqueles santos, dilataram a Igreja e fundaram mosteiros. E, aumentando o desejo da edificação pela palavra divina, ordenando novos religiosos, proveram de ministros outras igrejas. Assim se expandia por muitos e entre muitos a doutrina saudável da fé, esperança e caridade da Igreja, não só por todas as partes da África, senão também por ultramar. (São Possídio)&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-4013679758974289778?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/4013679758974289778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/12/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/4013679758974289778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/4013679758974289778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/12/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho.html' title='20 lições para conhecer a Santo Agostinho'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-6034497487988822585</id><published>2011-11-18T04:21:00.001-08:00</published><updated>2011-11-18T04:21:09.138-08:00</updated><title type='text'>20 lições para conhecer a Santo Agostinho</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;font size="4"&gt;9.- BISPO E PASTOR&lt;/font&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;font size="4"&gt;(Dos 41 anos em diante)&lt;/font&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Agostinho era um verdadeiro tesouro para a Igreja de Hipona, e o bispo o guardava com terna inquietude. Os fieis tinham medo de perdê-lo. Para prevenir todo perigo, Valério decidiu consagrá-lo bispo, designando-lhe logo como sucessor na sede de Hipona. Isto era contrário não só aos costumes africanos como também às determinações do Concílio de Nicéia. Os méritos de Agostinho, porém, eram tão grandes que bem mereciam uma exceção à regra. &lt;p&gt;Certo dia em que havia se reunido um bom número de bispos dos arredores e, estando de comum acordo com o bispo primado de Cartago, Valério declarou publicamente, na Igreja, sua intenção de associar Agostinho como bispo coadjutor. &lt;p&gt;O povo acolheu a notícia com imensa alegria. O único que se opôs, movido por certos rumores e fofocas, foi Megálio, bispo primado de Numídia. Mas logo se deu conta de que eram calúnias o que houvera e, havendo pedido perdão a Agostinho e seus colegas, ele mesmo o consagrou, tornando-o bispo de Hipona. Era o ano 395. Quatro anos, portanto, depois da ordenação sacerdotal. &lt;p&gt;Agostinho considerou sua consagração episcopal como uma pesada carga que, só por obediência à Igreja, poderia suportar. No fundo, depois de sua conversão, não desejava outra coisa a não ser o sossego e a solidão na meditação de Deus. Só por isso havia abandonado toda glória literária que o esperava. Obrigado pelas circunstâncias e mudar de vida, começou logo a ver em suas novas obrigações um novo meio de elevação e penitência, uma espécie de purificação heroica de todas as suas faltas passadas. Já não pensava em si. Tampouco pertencia a si próprio. &lt;p&gt;Aceitando o episcopado, se entregou por completo à Igreja. As almas, vítimas do erro e da luta interior, tinham necessidade dele. Dedicou, então, todo o tesouro de sua eloquência, parar convencê-las e curá-las. A Igreja se sentia assediada e ameaçada por mil inimigos. Agostinho se apressou em empunhar as armas de sua palavra e luta, sem descanso, em prol da glória e do triunfo de Cristo. Bispo, pastor, diretor de almas: Agostinho não queria ser mais que isto. A essa causa entregou os 35 anos restantes de sua vida. &lt;p&gt;Agostinho, como bispo de Hipona, sentia-se um grande proprietário, pois a diocese possuía muitas casas, enquanto muitos pequenos artesãos estavam quase morrendo de fome e miséria. O bispo precisava desenvolver toda sua habilidade para socorrer e alimentar tantos pobres na sua diocese. A partir do nosso ponto de vista moderno, não podemos nos dar conta claramente sobre este ministério puramente material que o bispo de Hipona exercia entre os membros mais necessitados da comunidade. &lt;p&gt;Além disto, Agostinho, em virtude das recentes constituições imperiais, tinha sobre os cristãos certa jurisdição nos assuntos civis. Por isso, todos os dias precisava ouvir as demandas e litígios e pronunciar as sentenças. O bispo recebia todos que se aproximassem dele. Sua casa estava sempre cheia de gente que buscava um conselho ou queriam dar um jeito em suas causas demandas e litígios. &lt;p&gt;Um dos principais ofícios do bispo era a pregação. Nela resumia e compendiava todo seu ministério apostólico. Agostinho pregava todos os dias. Em algumas ocasiões até mesmo várias vezes ao dia, apresar de sua precária saúde. Em consequência disto, seu peito frágil e a debilidade dos seus pulmões se ressentiam com esse exercício fatigante. Às vezes, se via obrigado a exigir um absoluto silêncio, já que sua fraca voz não podia ser escutada se continuassem comentando suas palavras. &lt;p&gt;O povo o escutava com curiosidade, simpatia, satisfação... E manifestava, com plena liberdade, suas próprias opiniões. Ora gritava, ora aplaudia, às vezes interrompia com aclamações ao pregador. Inclusive alguns começavam a discutir com ele e pediam explicações de alguma passagem bíblica. Agostinho vigiava continuamente seu auditório para não fatigá-lo. Às vezes pedia perdão se prolongava muito seu discurso, ou manifestava uma humilde preocupação ante os louvores e aplausos na Igreja. &lt;p&gt;Preocupava-se com os sentimentos do povo tal como se refletia em seus gestos e olhares. Cuidava para não cansá-los e conquistava seus corações com o atrativo da palavra e de sua eloquência. Agostinho sabia chegar ao íntimo de seus ouvintes. Sua pregação não era seca, nem se reduzia a um frio comentário de salmos ou dos livros da Bíblia. Sua erudição bíblica estava semeada de comparações tomadas da vida corrente, dos costumes populares, de parábolas e exemplos da vida de todos os dias: a verde campina que rodeava Hipona, os burrinhos que brincavam pelo caminho, o calor do clima africano, com sua comitiva de mosquitos, as corridas de cavalo, os combates das feras e gladiadores no circo... Tudo oferecia ao pregador, eloquente e sábio, uma ocasião para tornar mais suaves, mais variada e mais amável sua palavra e a exposição das verdades sagradas. Dizem que Agostinho foi o mais sábio dos santos, o mais santo dos homens e o mais humano dos santos. Sua abnegação aparecia especialmente no modo como cumpria seu dever de diretor de consciência: neste assunto, se via obrigado a doarse inteiramente às almas; estava sempre disposto a responder a todos, fosse por carta ou pessoalmente. &lt;p&gt;O bispo possuía umas qualidades excepcionais para impor a observância da disciplina cristã num ambiente em que inclusive os cristãos, se mantinham mais ou menos ligados às praticas de superstições pagãs. &lt;p&gt;As ocupações que pesam sobre o bispo de Hipona lhe absorvem todo o tempo. Cada uma delas bastaria para ocupar toda a atividade de um homem. Mas esta longe de encher a vida de Agostinho. &lt;p&gt;Naquela época um bispo tinha muitos outros ofícios. Além da administração dos bens de sua igreja, a presidência de um tribunal, o cuidado de seus pobres, das viúvas e dos órfãos, devia também celebrar os ofícios litúrgicos, anunciar a seu povo a Palavra de Deus, visitar sua Diocese, converter os pagãos e hereges, tomar parte nos concílios, etc. E Agostinho fazia tudo isto. Quando terminava, não se dava o direito de descansar, já que as circunstâncias faziam dele, o bispo de uma cidade secundária, o chefe espiritual de toda a Igreja de África e, inclusive, doutor da Igreja Universal. &lt;p&gt;Oficialmente, Agostinho não possuía outro título senão o de bispo de Hipona. Estava mais ou menos subordinado ao bispo de Cartago que exercia, tradicionalmente, uma espécie de primazia sobre todos os colegas africanos. Desde 392, a sede de Cartago estava ocupada por Aurélio, que morre no ano 429 ou 430. Com prazer, fazia seu colega de Hipona pregar em uma ou outra basílica de sua diocese, quando este lhe visitava. &lt;p&gt;Aurélio não era um erudito, não publicou nada. É um homem de ação e um administrador consumado. Nos concílios, que se celebravam regularmente durante seu episcopado, sugeria a seus colegas decisões sábias e prudentes para o governo de suas igrejas e sobre a conduta que deviam observar frente aos dissidentes e hereges. &lt;p&gt;Amigo fiel e devoto de Agostinho, Aurélio lhe deixava as iniciativas intelectuais, a redação dos livros, das cartas, de discursos e discussões que haveriam. Ele reservava para si as iniciativas da administração; isto é, na maioria dos casos ele realizava as ideias que lhe sugeria o bispo de Hipona. &lt;p&gt;Os outros bispos africanos se contentavam também em ser executadores das ideias de Agostinho. Muitos deles são conhecidos nos anais da história agostiniana. Eram precisamente os amigos ou discípulos mais fieis de Agostinho. Depois que Alípio foi nomeado bispo de Tagaste, muitas igrejas africanas vieram a Hipona pedir pastores, seguras da qualidade dos monges formados por Santo Agostinho. Entre estes estão: Profuturo, bispo de Cirta; Evódio, bispo de Uzalis; Possídio, bispo de Calama; Severo, bispo de Milevi; Urbano, bispo de Sicca; Bonifácio, bispo de Cataque. Todos eles estiveram um tempo mais ou menos longo, no mosteiro agostiniano. A simples passagem pela escola do Mestre Agostinho era suficiente para deixar uma marca indelével. Entre eles, sobressai Possídio, que é o tipo perfeito de administrador entusiasta, de ouvinte atento, de amigo fiel e sincero, juntamente com Alípio. &lt;p&gt;Entretanto, até mesmo sobre os que não passaram por sua escola ou não o conheceram, Agostinho exercia uma grande influência. Em sua presença todos se calavam, por causa de seu duplo prestígio: de santidade e de ciência. Deste modo, mesmo nas igrejas que nada tinham a ver com Hipona, nosso bispo podia, não só pregar, mas, inclusive, sustentar controvérsias públicas com hereges. A impressão que se tem é de que, em toda parte, ele mesmo se sentia como em sua própria diocese: podia dizer e fazer tudo que gostava. Para Agostinho, seus colegas eram verdadeiros colaboradores. &lt;p&gt;Sua ação ultrapassa também as fronteiras africanas. Estende-se à Igreja inteira, num instante. O círculo de suas relações é dos mais extensos. Como primeiro meio de expressão, conta com os livros que escreve, cujos exemplares se disputam avidamente, logo que se têm notícias de sua publicação. Inclusive, se propagam nos meios públicos, sem que o autor se dê conta. É o que ocorre com os doze primeiros livros da obra sobre a Santíssima Trindade, que lhe tiraram e puseram em circulação, antes que pudesse revisá-los. &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;ORDENAÇÃO EPISCOPAL DE AGOSTINHO&lt;/b&gt; &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Mas, o bem-aventurado ancião Valério, mais que ninguém transbordava de alegria, dando graças a Deus pelo benefício singular que havia feito à sua Igreja, começou a temer -e isto é coisa muito humana- que lhe enviassem para alguma outra Igreja, privada de sacerdote, consagrando-lhe bispo. E assim haveria de acontecer, sem dúvida, se não houvesse evitado o vigilante pastor, ocultando-lhe num lugar onde não pudessem encontrá-lo. Por isto, mais receoso a cada dia que passava, o venerável bispo, conhecendo sua fraqueza e idade avançada, com uma carta secreta recorreu ao bispo de Cartago, alegando sua idade avançada e gravidade de seus males, e rogando que ele nomeasse Agostinho bispo auxiliar de Hipona, não tanto para que lhe sucedesse na cátedra, mas para que colaborasse com ele no exercício pastoral.&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Por escrito, conseguiu o que desejava e pedia com tanta insistência. Mais tarde, convidado para uma visita e estando presente na basílica de Hipona, o primado da Numídia, Megálio, bispo de Calama, o bispo Valério surpreendeu-o com a manifestação de seu propósito a todos os bispos que, por casualidade, estavam presentes e a todos os clérigos e fieis de Hipona, sendo acolhida a proposta por todos os ouvintes com alegria, congratulações e clamores de aprovação e desejo.&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Somente Agostinho recusava a consagração episcopal alegando que isto ia contra o costume que não permitia outro bispo na diocese, enquanto vivesse seu bispo. Todos lhe convenceram do contrário, dando-lhe exemplos de Igrejas africanas e fatos semelhantes em Igrejas ultramarinas, coisa que ele ignorava. Finalmente, cedendo à pressão de suas razoes e pedidos, aceitou receber em seus ombros o encargo de um grau superior. Porém, depois, disse e escreveu que não deveriam tê-lo consagrado, fazendo isso com ele, estando o bispo vivo...”&lt;/i&gt; &lt;p align="right"&gt;(São Possídio, Vida de Santo Agostinho, c. 8)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-6034497487988822585?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/6034497487988822585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/11/9.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/6034497487988822585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/6034497487988822585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/11/9.html' title='20 lições para conhecer a Santo Agostinho'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-1327803221810958919</id><published>2011-11-01T11:36:00.001-07:00</published><updated>2011-11-01T11:36:12.393-07:00</updated><title type='text'>20 lições para conhecer a Santo Agostinho</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;h3 align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;O REGRESSO À PÁTRIA: O PRESBÍTERO AGOSTINHO&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/h3&gt; &lt;h3 align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;(Dos 34 aos 37 anos de idade)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/h3&gt; &lt;p&gt;A partir da morte de Mônica, a narração das “Confissões”, deixa de ser pessoal, e os quatro últimos livros (X, XI, XII, e XIII) estão consagrados à reflexão sobre o estado de alma de Agostinho no momento em que redige a obra. Com a morte de Mônica, fecha-se um período de sua vida. A partir de então, se inicia um caminho novo. Se quisermos ter em mãos fontes seguras, temos que apelar para outros escritos de Agostinho, sobretudo, para a “Vida de Santo Agostinho”, de São Possídio.  &lt;p&gt;A morte de Mônica mudou os planos de Agostinho. Por causa disto ficou, mais do que pretendia em Óstia, e, estando próximo o inverno, achou perigoso aventurar-se numa viagem pelo mar. Talvez as notícias que chegavam da África, cujas costas estavam bloqueadas pela frota do usurpador Máximo, em luta com o imperador Teodósio, preocupassem os viajantes, temerosos de cair nas mãos do inimigo. &lt;p&gt;Por estas razões, possivelmente, decidiu voltar a Roma, onde permaneceu por um ano. Lá, não esteve inativo. Preocupou-se em converter a Cristo seus amigos que, com ele, haviam participado de tantos erros. Visitou os mosteiros da cidade, estudando sua organização para ver que modelo adotaria para a comunidade que pensava fundar em Tagaste. Recolheu muitos documentos referentes aos maniqueus, e contra eles escreveu dois livros, demonstrando a falsidade de suas promessas e denunciando a vida desregrada de seus prosélitos. &lt;p&gt;Também aproveita sua presença em Roma para escrever novas obras: “Os costumes da Igreja Católica”, “Os costumes dos maniqueus”, “Sobre a quantidade da alma”, e “Sobre o livre arbítrio”. &lt;p&gt;Quando as circunstâncias se tornaram mais favoráveis, Agostinho e seus companheiros embarcaram para a África. Desta vez, o adeus à Itália foi definitivo. Agostinho nunca mais regressou a Roma, nem a Milão, onde passou anos abençoados pela graça de Deus. &lt;p&gt;No final do verão de 388, desembarca em Cartago. Cinco anos antes, havia partido para livrar-se dos “inoportunos” conselhos de sua mãe, e também dos apelos do Senhor. Agora, regressa conquistado pela bondade de Deus e pelo esplendor da santidade católica. &lt;p&gt;Agostinho e seus companheiros se detiveram muito pouco em Cartago. Um antigo advogado do substituto do Prefeito, chamado Inocente, os recebe em casa, onde permanecem uns poucos dias. &lt;p&gt;Logo que chegou em Tagaste, distribuiu aos pobres o pouco que lhe ficou dos bens paternos: a casa e uns campos. Quer, assim, desfrutar da liberdade total e seguir os exemplos dos Padres do deserto. Reserva somente o usufruto da casa, para nela alojar-se com seus companheiros. Seguindo o exemplo dos mosteiros que tinha visto em Milão e Roma, estabelece ai o seu. &lt;p&gt;Agostinho se sente feliz com seus acompanhantes. Pode ler, orar e dedicar-se ao estudo das Escrituras. Parecia-lhe a realização de um sonho acariciado por longo tempo. &lt;p&gt;Em Tagaste, terminou e corrigiu muitos dos tratados didáticos, começados em Milão. Entre estes se encontram os seis “Sobre a música”. Não achou oportuno abandonar as artes e letras profanas, Agostinho, como todo sábio, é humano e modesto; nunca fanático. Trata de extirpar o erro das consciências, mas reconhece a debilidade humana. &lt;p&gt;Dedica-se especialmente a desmascarar aos maniqueus, que continuam proclamando publicamente, nas praças, sua doutrina. Esta idéia deu origem a uma série de tratados escritos, não em forma clássica e elegante, mas num estilo popular e ao alcance dos menos cultos. &lt;p&gt;Agostinho, além disso, é o homem de negócios para todos os seus concidadãos. Em Tagaste é uma autoridade. Todos sabem que ele é muito influente nas altas esferas e a ele recorrem para obter proteção, conselho e orientação. Ele atende a todos. É o pai, o irmão, o amigo paciente e desinteressado... Não esquece os amigos ausentes e escreve cartas a todos. África, Itália, Espanha, Palestina recebem notícias e conselhos do “monge” de Tagaste, como lhe chamam nessa época. Entre tantas ocupações, e em meio a seus estudos, gozava de uma paz que nunca havia encontrado antes. &lt;p&gt;Na campina verde e fresquinha, repunha a saúde de seu peito cansado e enfermo e sua mente ia se preparando para as batalhas que estavam por vir. Sentia, lá, uma confiança enorme em Deus. Ante qualquer espetáculo da natureza, elevava-se a Deus. &lt;p&gt;Assim resume São Possídio a permanência de Agostinho em Tagaste: &lt;h5 align="center"&gt;“&lt;i&gt;Uma vez estabelecido em Tagaste, quase pelo espaço de três anos, renunciando a seus bens, vivia para Deus, com jejuns, orações e boas obras, meditando dia e noite a lei divina. Comunicava aos demais o que recebia do céu com seu estudo e oração, ensinando aos presentes e ausente com suas palavras e escritos&lt;/i&gt;” (Vida de S. Agostinho, c. 3).&lt;/h5&gt; &lt;p&gt;Durante o retiro em Tagaste teve a tristeza de perder seu filho. Não sabemos quando. Parece que foi no final de sua estada em sua cidade natal. Podemos supor a dor intensa que sofreu Agostinho. Mas, como já fez ao contar a morte de sua mãe, também agora fará calar seu coração de pai frente ao dever e esperanças que lhe impunha a fé. O sexto capítulo do livro nove das Confissões está dedicado à recordação de Adeodato. &lt;p&gt;A história de como Agostinho chegou ao sacerdócio está rodeada de cenas curiosas e, ao mesmo tempo, comovedoras. No inicio do 391, fez uma viagem a Hipona, cidade que devia ter seus trinta mil habitantes. É uma antiga cidade fenícia, onde os romanos fizeram uma colônia. Sua importância se deve ao seu porto e aos caminhos que a comunicavam a Cirta, Tagaste, Madaura e Tebeste. &lt;p&gt;O bispo desta cidade, chamado Valério, devido a sua idade avançada já não podia atender aos cristãos. Todos estavam convencidos de que era necessário colocar à frente da Igreja de Hipona um homem jovem, ativo, originário do lugar e, sobretudo, capaz de opor-se aos hereges e cismáticos que abundavam pela cidade. &lt;p&gt;Certo dia, o bispo Valério pregava na Igreja e se lamentava da falta de um sacerdote que lhe ajudasse. Agostinho estava entre os ouvintes. Foi reconhecido e a multidão começou a gritar: Agostinho, presbítero, Agostinho presbítero! &lt;p&gt;Agostinho aceitou a vontade do povo como sinal da vontade divina, embora lhe atemorizasse a gravidade do ofício. Não se sentia com forças para este elevado ministério e, sobretudo, reconhecia não estar preparado. Pediu a Valério que lhe concedesse um pouco de tempo para preparar-se. Valério aceitou e emprestou-lhe uma casa de campo, perto de Hipona. Terminado o tempo, foi ordenado sacerdote, convertendo-se em coadjutor do bispo de Hipona. &lt;p&gt;Sentiu grande dor ao ter que deixar a comunidade de Tagaste. Contudo, logo obteve licença para trazer seus membros para Hipona. Ali estabeleceu nova comunidade e começou a viver com Evódio, Severo, Possídio e Fortunato, isto é, com quase todos que haviam partilhado com ele o retiro de Tagaste. Como Santo Agostinho, também eles foram chamados mais tarde a dirigir outras Igrejas da África, como bispos. &lt;p&gt;É o próprio Agostinho, quem, resumidamente nos refere estes fatos: &lt;h5 align="center"&gt;“&lt;i&gt;Vim, pois, a esta cidade (Hipona) para ver um amigo, a quem queria ganhar para Deus e para nosso convento. Vinha seguro, porque tínheis bispo. Mas, surpreendendo-me, forçaram-me a receber as ordens sagradas, e por este degrau cheguei à dignidade episcopal. Nada trouxe aqui; só vim com a própria roupa. E, como aqui queria viver em comunidade com meus irmãos, o ancião Valério, de feliz memória, conhecendo meu propósito, me deu o horto, onde agora, está o convento. Comecei a recrutar alguns irmãos que tinham vocação, pobres como eu, pois nada possuíam e, imitando o que eu fiz quando vendi e dei aos pobres o preço da minha pequena herança, seguiram o meu exemplo os que quiseram aderir-se a mim para viver em vida comum, sendo grande e abundantíssima a herança de todos: Deus, nosso Senhor&lt;/i&gt;” (Sermão 355, 1-2)&lt;/h5&gt; &lt;p&gt;As normas que seguiam no convento não eram exigentes demais, nem excessivamente frouxas. Com o espírito prático que o caracteriza, Agostinho compreendeu que a melhor regra de disciplina era conservar a justa medida. O estudo, a oração de louvor e o exercício prático da caridade fraterna fazem da comunidade de Tagaste um reflexo vivo da primeira comunidade apostólica mandou escrever na parede do refeitório uma frase em latim que, traduzida, fica assim: “&lt;i&gt;Aquele que gosta de falar mal dos ausentes, saiba que é indigno de sentar-se nesta mesa&lt;/i&gt;”. Um dia, nos conta São Possídio, como alguns de seus amigos e colegas no episcopado houvessem esquecido esta sentença, os repreendeu com severidade e disse, cheio de caritativo rigor, que, ou haviam de apagar-se aqueles versos ou ele se retiraria imediatamente. &lt;p&gt;Agostinho exercia em Hipona o cargo de presbítero, de superior do mosteiro e de apóstolo. Atendia na preparação e na instrução dos catecúmenos; defendia a Igreja contra os dissidentes. Em resumo, assim vivia Agostinho e seus monges: &lt;h5 align="center"&gt;“&lt;i&gt;Fundou um mosteiro junto à Igreja e começou a viver com os servos de Deus segundo o modo e a regra estabelecida pelos apóstolos. Sobretudo, cuidava para que ninguém naquela comunidade possuísse bens, que tudo fosse comum e se distribuísse a cada qual segundo sua necessidade... E São Valério, seu ordenante, não cabia em si de gozo... e lhe deu poder para pregar o Evangelho em sua presença e dirigir freqüentemente a palavra ao povo, contra o uso e costume das igrejas da África... Depois, alguns presbíteros, com a permissão de seus bispos, começaram também a pregar ao povo diante de seus pastores&lt;/i&gt;” (Vida de Santo Agostinho, cap. 5)&lt;/h5&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp; &lt;h3 align="center"&gt;ORDENAÇÃO SACERDOTAL DE AGOSTINHO&lt;/h3&gt; &lt;h5 align="justify"&gt;“&lt;i&gt;Regia, então, a igreja católica de Hipona o santo bispo Valério que, movido pela necessidade de seu rebanho, falou e exortou ais fieis para que providenciassem e ordenassem um sacerdote idôneo para a cidade. Os católicos, que já conheciam o gênero de vida e a doutrina de Santo Agostinho, arrebatando-o, porque se achava seguro no meio da multidão, sem prever o que podia acontecer -pois, como ele mesmo nos dizia quando era leigo, se afastava somente das igrejas que não tinham bispo-, o apressaram e, como acontece em tais casos, o apresentaram a Valério para o ordenasse, segundo o exigiam com clamor unânime e grande desejo. Entretanto, ele chorava copiosamente. Não faltaram aqueles que interpretaram mal as suas lágrimas, segundo nos referiu ele mesmo. e, como para consolar-lhe, diziam-lhe que, embora digno de maior honra, contudo, o grau de presbítero estava próximo de episcopado. Sendo assim, aquele homem de Deus, como sei por confidência sua, elevando-se às mais altas considerações, gemia pelos muitos e graves perigos que via cair sobre si com o regime e governo da Igreja. Assim se fez o que eles quiseram&lt;/i&gt;” (Vida de Santo Agostinho, cap. 4)&lt;/h5&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-1327803221810958919?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/1327803221810958919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/11/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/1327803221810958919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/1327803221810958919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/11/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho.html' title='20 lições para conhecer a Santo Agostinho'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-7628697201878379783</id><published>2011-10-15T11:36:00.001-07:00</published><updated>2011-10-15T11:36:06.692-07:00</updated><title type='text'>20 lições para conhecer a Santo Agostinho</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A PAZ DE CASSICIACO.A DOR DA ORFANDADE&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;(Aos 35 anos de idade)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Depois das angústias pelas quais acabava de passar, Agostinho sente a necessidade de recolher-se no silêncio e na paz. Um de seus amigos, Verecundo, que ensina gramática em Milão e do qual Nebrídio é auxiliar, põe à sua disposição a propriedade de Cassiciaco. Sem vacilar, aceita este generoso oferecimento e, quando fica livre de seus compromissos oficiais como professor, se retira ao campo. &lt;p&gt;Reúne junto a si, em Cassiciaco, um grupo de africanos, entre eles, seu irmão Navígio e seus primos Rústico e Lastidiano. Além deles, há dois jovens, Licêncio e Trigêncio, que foram seus alunos em Milão e que desejam seguí-lo. Alípio, também, é claro. Adeodato, o filho de Agostinho, é o mais jovem de todos e já começa a dar provas de uma inteligência precoce. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Juntamos também a nós Adeodato, filho do meu pecado, a quem tinhas dotado de grandes qualidades. Com quinze anos superava em talento a muitas pessoas maduras e eruditas&lt;/i&gt;” (Conf. IX, 6) &lt;p&gt;E junto a estes jovens, a presença de Mônica dava ao grupo de Cassiciaco um ambiente familiar. Ela é quem prepara as refeições e que assegura o bem estar de todos. É, verdadeiramente, a mãe de toda esta juventude; e, cada vez que aparece no grupo, é recebida com respeitosa alegria. Não falta o trabalho material, já que a propriedade de Verecundo é enorme. Normalmente, é Mônica quem dirige estes trabalhos. O principal objetivo deles, contudo, é o estudo, as discussões filosóficas e a oração. &lt;p&gt;Neste retiro de Cassiciaco, Agostinho escreve suas primeiras obras filosóficas: “Sobre a vida feliz”; “Contra os acadêmicos”; “Sobre a ordem”. &lt;p&gt;Ao aproximar-se a Quaresma do ano 387, todos deixam Cassiciaco para regressar a Milão. Agostinho e seu filho Adeodato têm que preparar-se para receber o batismo, que vai ser administrado por Ambrósio. &lt;p&gt;Não conhecemos os sentimentos de Agostinho durante as semanas que precederam seu batismo. Ele guardou, a respeito disto, absoluto silêncio. Em suas “Confissões”, que tantos detalhes dá de sua vida, sobretudo relativo à sua crise e conversão, nada diz relacionado aos dias que antecederam seu batismo. Resume numa frase suas impressões recebidas no momento do batismo: “&lt;i&gt;Fomos batizados, e desapareceu qualquer preocupação quanto à vida passada&lt;/i&gt;” (Conf. IX, 6) &lt;p&gt;Tudo isto aconteceu na noite de 24 para 25 de abril do ano 387. Durante sua preparação para o batismo, escreveu outras duas obras: “Sobre a imortalidade da alma”; “Sobre a música”. &lt;p&gt;Uma vez batizados, Agostinho e seus amigos já não têm nada a fazer em Milão. O propósito de Agostinho é formar uma comunidade de irmãos entregues à perfeição cristã. Suas posses de Tagaste podiam servir-lhe para esta finalidade, e decide dirigir-se para lá. &lt;p&gt;Deve ter sido doloroso despedir-se do bispo que os havia atendido com solicitude paternal, do generoso Verecundo, que não pode receber com eles o batismo, de Teodoro, a quem dedicou o livro “Sobre a vida feliz”, e de tantos outros que lhe haviam demonstrado um afeto especial. No final do verão (setembro), todo este grupo se vê reunido em Óstia, porto próximo de Roma, onde vão embarcar para a África. &lt;p&gt;Como as ocasiões de atravessar o mar não eram muito freqüentes, tiveram que deter-se alguns dias em Óstia, alojando-se em casa de uma família cristã. &lt;p&gt;Óstia era uma cidade muito importante. Uma multidão cosmopolita, de diferentes línguas e costumes, se agitava em suas ruas, que se enchiam de um barulho ensurdecedor. Barcos carregados de azeite, trigo e todo tipo de mercadorias, enchiam o porto. Nos navios se escutavam as vozes estranhas dos marinheiros. &lt;p&gt;No centro desta cidade agitada e barulhenta, Agostinho e sua mãe saboreavam a oração e a contemplação das coisas de Deus. Apoiados, um dia na janela que dava para o jardim da casa, mãe e filho se entretinham comentando a grandeza de se poder unir a Deus na eternidade. &lt;p&gt;Durante esta conversa das coisas divinas, buscando, juntos, a luz e a verdade e pensando como seria a vida dos santos, de repente se sentiram em êxtase e, imensamente felizes, usufruíram da doçura da presença do Senhor. Que viram naquele êxtase? Ninguém sabe. Mãe e filho, porém se sentiram voar para Deus e chegaram até o céu. Esta cena passou para a história agostiniana com o nome de O ÊXTASE DE ÓSTIA. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Ao aproximar-se o dia de sua morte -dia que só Tu conhecias e nós ignorávamos- sucedeu, creio que por tua vontade e de modo misterioso como costumas fazer, que ela e eu nos encontrássemos sozinhos, apoiados a uma janela, cuja vista dava para o jardim interno da casa onde morávamos, em Óstia Tiberina. afastados da multidão, procurávamos depois das fadigas de uma longa viagem, recuperar as forças, tendo em vista a travessia marítima. Falávamos a sós, muito suavemente, esquecendo o passado e avançando para o futuro. Tentávamos imaginar na tua presença, tu que é a verdade, qual seria a vida eterna dos santos... E subíamos ainda mais ao interior de nós mesmos, meditando, celebrando e admirando as tuas obras. E chegamos assim ao íntimo de nossas almas. Indo além, atingindo a região da inesgotável abundância...&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Assim falávamos, se bem que de modo e com palavras diversas. No entanto, Senhor, Tu sabes como nesse dia, durante esse colóquio, o mundo, com todos os seus prazeres, perdia para nós todo o seu valor, e minha mãe me disse:&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;- Meu filho, nada mais me atrai nesta vida; não sei o que ainda estou fazendo aqui, nem por que ainda estou aqui. Já se acabou toda esperança terrena. Por um só motivo desejava prolongar a vida nesta terra: ver-te católico antes de eu morrer. Deus me satisfez amplamente, porque te vejo desprezar a felicidade terrena e servi-lo. Por isso, o que é que estou fazendo aqui?” &lt;/i&gt;(Conf. IX, 10, 26) &lt;p&gt;Talvez Mônica tivesse o pressentimento de sua morte próxima. De qualquer forma, apenas alguns dias depois de haver deliciado e contemplado, durante um abrir e fechar de olhos, as coisas eternas, ela caiu gravemente enferma. &lt;p&gt;&lt;i&gt;“Não me lembro bem o que foi que lhe respondi. Passados, porém, cinco dias ou pouco mais, ela caiu de cama com febre. Durante a doença, perdeu os sentidos, por alguns instantes não reconhecia os presentes, Acorremos logo, e ela imediatamente, voltou a si. Olhou para o meu irmão e para mim ao lado e, como se procurasse alguma coisa, perguntou-nos: &lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;- onde é que estava? &lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Depois, notando o nosso espanto e tristeza, acrescentou: &lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;- Enterrareis aqui a vossa mãe.&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Permaneci mudo procurando conter as lágrimas. Meu irmão, porém, proferiu algumas palavras, mostrando o desejo de vê-la morrer na pátria e não em terra estranha. Minha mãe repreendeu-o com olhar severo por pensar de tal maneira. E disse aos dois:&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;- Enterrai este corpo em qualquer lugar, e não vos preocupeis com ele. Faço-vos apenas um pedido: lembrai-vos de mim no altar do Senhor, seja qual for o lugar onde estiverdes...&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Pelo nono dia de doença, aos cinqüenta e seis anos de idade, quando eu tinha trinta e três, essa alma fiel e piedosa libertou-se do corpo. Fechei-lhe os olhos e uma tristeza infinita invadiu-me a alma. Estava prestes a transbordar em torrentes de lágrimas. Contudo, por um violento ato de vontade, meus olhos as absorveram até secar-lhes a fonte. Eu me senti mal ao fazer tal esforço. Quando ela exalou o último suspiro, o jovem Adeodato prorrogou em soluços, mas, instado por nós, calou-se. Assim também eu, naquele resto de infância que tendia a manifestar-se em lágrimas, também eu calava, vencido pela voz do adulto, pela voz de espírito. De fato, não nos parecia justo celebrar o funeral com lamentos e choros, pois essas demonstrações servem usualmente para deplorar a morte como infelicidade ou como aniquilamento total, ao passo que essa morte, não era uma desgraça nem era para sempre...&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Quando seu corpo foi levado, fomos à sepultura, e de lá voltamos sem chorar. Nem mesmo chorei durante as orações, quando oferecemos por ela o sacrifício de nossa redenção, com o corpo colocado já ao lado do túmulo, antes do enterro, segundo era costume do lugar. Nem durante essas preces chorei.&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;No entanto, durante o dia todo, me oprimia uma dor íntima e, com o coração perturbado, eu te suplicava, quanto podia, que aliviasses meu sofrimento. E Tu não o fizeste... Pensei então tomar um banho, pois ouvira dizer que o nome “banho” vem do grego “balanion”, porque afasta os sofrimentos da alma. Confesso também isso à tua misericórdia, ó Pai dos órfãos; confesso que sai do banho como estava antes, sem conseguir expulsar do coração essa amarga tristeza,. Depois adormeci. Quando acordei, a dor era bem menor... Depois, pouco a pouco, voltava a recordar os primeiros pensamentos sobre a tua serva, seu comportamento piedoso para contigo... e queria ainda chorar diante de Ti... Afinal, não mais reprimi as lágrimas, que correram à vontade; e sobre elas pousei o coração que nelas encontrou repouso”&lt;/i&gt; (Conf. IX, 11 e 12) &lt;p&gt;Atualmente, em Óstia, há uma pequena capela que, segundo a tradição, aponta o lugar onde estava a casa que habitavam Mônica e Agostinho. Este lugar é glorioso e venerável, porque foi testemunha da morte admirável de uma santa e da dor religiosa e humana de um dos maiores homens que brilharam na história da Igreja e da humanidade. &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;h2&gt;&amp;nbsp;&lt;/h2&gt; &lt;h2 align="center"&gt;&lt;font style="" color="#ff0000"&gt;Santa Mônica, mãe de Agostinho&lt;/font&gt;&lt;/h2&gt; &lt;p&gt;Santa Mônica nasceu no ano 322, de pais católicos, provavelmente em Tagaste. Foi educada com esmero e piedosamente por uma criada já idosa, muito bondosa e fiel, estimada da família por sua prudência e devoção. Santa Mônica foi batizada logo. Sempre levou uma vida irrepreensível quanto aos costumes e piedade. Quando ficou adulta, casou-se com Patrício, pagão ainda, natural de Tagaste. Obedeceu sempre a seu marido como a seu senhor. Empenhou-se em conquistá-lo para Deus com exemplos e bons costumes. Tinha o dom da concórdia e da paz por sua profunda união com Deus. Este dom rendeu ótimos frutos de paciência. Quando Agostinho tinha 16 anos, no ano 370, Patrício estava inscrito no número dos catecúmenos. Morreu, já batizado, no ano seguinte. Santa Mônica estava, então com 40 anos de idade. &lt;p&gt;Como viúva, levou uma vida casta e sóbria, praticando a esmola, a oração pelos pecadores, o serviço à Igreja e aos servos de Deus. Todos que a conheciam louvavam e bendiziam a Deus por sua grande virtude e bons exemplos. &lt;p&gt;Seu fervor deve ter sido extraordinário, porque mereceu a veneração e o respeito de um grande santo: Santo Ambrósio. Ia à igreja duas vezes ao dia, de manhã e de tarde, sempre submergida na oração interior. &lt;p&gt;Finalmente, praticou, ao pé da letra, o que ensinou o Apóstolo São Paulo sobre as viúvas em sua primeira epístola a Timóteo (5, 9-10)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-7628697201878379783?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/7628697201878379783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/10/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7628697201878379783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7628697201878379783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/10/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho.html' title='20 lições para conhecer a Santo Agostinho'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-3028053724643249422</id><published>2011-09-25T07:30:00.001-07:00</published><updated>2011-09-25T07:30:58.165-07:00</updated><title type='text'>20 lições para conhecer a Santo Agostinho</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;b&gt;6ª.- DA LUTA INTERIOR À PAZ DA VIDA NOVA &lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;(De 31 à 32 anos de idade) &lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;O estado de ânimo em que se encontra Agostinho nesse momento é de indecisão. Quer e não quer ao mesmo tempo. Busca e tem medo de encontrar o que busca. Entre os problemas que se apresentam, ao menos um deve ser resolvido o quanto antes: o do matrimônio. Já faz dez anos que vive com a mesma mulher, a mãe de Adeodato, a quem guardou fidelidade. Com esta mulher, porém, segundo o costume de então, não podia constituir um verdadeiro matrimônio por causa de sua condição social.&amp;nbsp; &lt;p&gt;Mônica, que não busca para seu filho senão a paz e tranqüilidade, crê que o único obstáculo é a presença daquela concubina. Trata de afastá-la de seu filho, ajeitando um possível casamento. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Entretanto, insistiam constantemente para que eu me casasse... Quem mais trabalhava neste sentido era minha mãe... insistia junto a mim nesse matrimônio, e foi feito o pedido formal a uma jovem. Faltavam-lhe ainda dois anos para a idade núbil, mas por ser do agrado de todos, ia-se esperando”.&lt;/i&gt; (Conf. VI, 13, 23) &lt;p&gt;Nós não podemos aprovar a atitude de Mônica nesta ocasião. Menos ainda a submissão de Agostinho. O certo é que aquela mulher, deixando seu filho aos cuidados de Agostinho, acabou se separando dele. A separação foi profundamente dolorosa. O coração de Agostinho experimenta uma ferida grave. Sente correr rios de sangue ante o abandono daquela que lhe deu um filho: &lt;p&gt;“&lt;i&gt;No entanto, multiplicavam-se os meus pecados. Quando de mim foi arrebatada a mulher com quem vivia, considerada impedimento para meu casamento, meu coração, que lhe era afeiçoadíssimo, ficou profundamente ferido e sangrou por muito tempo. Ela voltou para África fazendo a Ti o voto de jamais pertencer a outro homem e deixando para mim o filho que me havia dado&lt;/i&gt;”. (Conf. VI, 15, 25) &lt;p&gt;Agostinho, no entanto, depois de haver deixado partir sua mulher sente-se incapaz de guardar castidade e arranja outra mulher. Nas conversas que tem com seus amigos, os problemas do casamento e da castidade ocupam um lugar predominante. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Mas eu, infelizmente, fui incapaz de imitar a esta mulher! Eu não conseguia suportara a espera de dois anos para receber a esposa que tinha pedido. Na realidade eu não amava o matrimônio; eu era, sim, escravo do prazer. E tratei de arranjar outra mulher, não como esposa legítima, para manter e alimentar intacta ou agravar a doença de minha alma até o casamento, e ai chegar sem haver interrompido meus hábitos&lt;/i&gt;”. (Conf. VI, 15, 25) &lt;p&gt;Não era a primeira vez que Agostinho tentava ajeitar sua vida; num esforço por superar-se e de ver-se livre de ataduras humanas, decidiu fazer a experiência, com uns amigos, de viver somente para as coisas sublimes, dedicando-se inteiramente à vida intelectual. Mas, logo abandonam o projeto. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Tínhamos organizado o nosso retiro, de modo a colocar em comum os bens que possuíamos, formando assim um patrimônio único...; parecia-nos ser possível reunir numa única sociedade uma dezena de pessoas, algumas muito ricas, sobretudo Romaniano, meu conterrâneo e grande amigo desde a infância... Mas, quando se procurou imaginar como seria tal idéia recebida pelas esposas, que já alguns tinham e outros, como eu, desejavam ter, o plano tão bem formulado, se desfez em nossas mãos, despedaçou-se e foi abandonado&lt;/i&gt;”. (Conf. VI, 14, 24) &lt;p&gt;Um pouco adiante Agostinho voltará a expressar sua dificuldade em guardar a castidade e continência. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Mas eu, adolescente desventurado em extremo, tinha chegado a pedir-te a castidade dizendo: - Dai-me a castidade e a continência, mas não agora&lt;/i&gt;”. (Conf. VII, 7, 17) &lt;p&gt;Agostinho não conseguia encher o vazio que sentia em sua alma. Buscava Deus que, contudo, lhe parecia estar num cume elevadíssimo, distante. Não havia caminho senão Jesus Cristo, capaz de levá-lo ao cume. Mas Agostinho não sabia disto. Descobriu-o na leitura das cartas de São Paulo. Nelas foi aprendendo que, para unir-se a Deus, é absolutamente necessário que a alma se purifique, sane as debilidades da carne, faça penitência e se humilhe. “Somente um coração contrito e humilhado pode ver a Deus”. &lt;p&gt;Assim como o artista, para poder expressar com nobreza as imagens de sua fantasia, deve antes libertar-se de qualquer pensamento baixo e vulgar, assim o cristão, para penetrar no mistério de Deus, deve purificar-se por meio da humildade e da penitência. &lt;p&gt;Quanto mais lia as cartas de São Paulo, mais se sentia comovido e mais se admirava de sua doutrina. &lt;p&gt;Agostinho, contudo, não encontrava a maneira de libertar seu espírito do turbilhão de seus sentidos. Até então, havia vivido entregue aos prazeres. No princípio, levado pelo impulso de sua natureza ardente e apaixonada; depois, em virtude da inércia, sentia-se ainda preso ao pecado. &lt;p&gt;Eis o que espantava Agostinho: como viver privado, não só dos prazeres da carne, senão também daqueles outros pequenos caprichos que ainda traz consigo? Agostinho se sentia enfermo interiormente. Notava dentro de si uma força que o impulsionara ao mal, a qual era impossível de dominar. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Ficava preso às mais insignificantes bagatelas, às vaidades das vaidades, minhas velhas amigas que me solicitavam a natureza carnal, murmurando: ‘Tu nos vais abandonar?’ E também: ‘De agora em diante, nunca mais estaremos contigo’. E ainda: ‘De agora em diante, não poderás fazer isto ou aquilo’ E que pensamentos me sugeriam, meu Deus, ao dizerem: ‘Isto e aquilo...’&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Do lado para onde voltava o rosto e por onde temia passar, apresentava-se a mim a casta dignidade da Continência, com serena alegria e sem desordem... Encontravam-se ai meninos e meninas, grande número de jovens e pessoas de todas as idades, dignas viúvas, virgens, idosas. Em todas elas não era estéril a continência, e sim a mãe fecunda das alegrias geradas de ti, Senhor seu esposo. E a Continência ria, de mim e ao mesmo tempo me exortava, como se dissesse: ‘Não poderás tu fazer o mesmo que fizeram estes e aquelas...”.&lt;/i&gt; (Conf. VIII, 11, 26-27) &lt;p&gt;Um dia estava Agostinho em companhia de Alípio, quando recebeu a visita de um conterrâneo seu, certo Ponticiano, que ocupava um cargo no Palácio Imperial. Ao ver sobre a mesa as cartas de São Paulo, alegrou-se e começou a falar do ascetismo e, de modo concreto, de Antão, eremita cujo nome andava de boca em boca. Como nem Alípio nem Agostinho conheciam nada do movimento ascético dos desertos de Egito, Ponticiano lhes deixou alguns frutos de santidade que se haviam produzido recentemente. Contou-lhes também a história de dois jovens de Trévis, convertidos pela leitura da vida de Santo Antão. &lt;p&gt;A narração de Ponticiano havia chegado até a última fibra do sentimento de Agostinho. Quando ele partiu, suas palavras continuaram ressoando como um eco e um convite incessante no fundo da sua consciência. &lt;p&gt;Em seguida, Agostinho se volta para Alípio e, perturbado em seu interior e também em seu aspecto externo, lhe diz: &lt;p&gt;&lt;i&gt;“O que é que nos aflige tanto? Que significa isso que também tu acabas de ouvir? Erguem-se os incultos e tomam de assalto o reino do céu, enquanto nós, com o nosso saber insensato, nos debatemos na carne e no sangue! Será que nos envergonhamos de seguí-los porque chegaram primeiro, e não nos envergonhamos de deixar de segui-los?.“&lt;/i&gt; (Conf. VIII, 8, 19) &lt;p&gt;Alípio contemplava em silêncio seu amigo. Na realidade, sua voz tinha algo de estranho e insólito. Seu rosto, seu olhar, seus gestos, a cor do rosto expressavam, com mais eloqüência que as palavras, a luta atroz que se realizava em seu interior. Agostinho desceu ao jardim. Alípio, inquieto e temeroso, o seguiu. Sentaram-se em silêncio afastados da casa, entre as sombras das árvores. Agostinho sentia que tinha chegado o momento de firmar um pacto com Deus. A tempestade das dúvidas rugia em seu interior. Seu espírito retorcia-se delirante, entre o arrependimento e a penitência. Já havia começado a luta da carne contra o espírito. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Quando essas severas reflexões me fizeram emergir do íntimo e expuseram toda a minha miséria à contemplação do coração, desencadeou-se uma grande tempestade portadora de copiosa torrente de lágrimas. Para dar-lhes vazão com naturalidade, levantei-me e afastei-me de Alípio, o necessário para que sua presença não me perturbasse, pois a solidão me parecia mais apropriada ao pranto. Alípio percebeu o estado em que me encontrava: o tom da voz embargada pelas lágrimas, ao dizer-lhe alguma coisa, havia-me traído. Levantei-me, ele permaneceu atônito, onde estávamos sentados. Deixei-me, não sei como, cair debaixo de uma figueira e dei livre curso às lágrimas, que jorravam de meus olhos aos borbotões, como sacrifício agradável a Ti. E muitas coisas eu Te disse, não exatamente nestes termos, mas com o seguinte sentido: E Tu. Senhor, até quando? Até quando continuarás irritado? Não te lembres de nossas culpas passadas! Sentia-me ainda preso ao passado, e por isso gritava desesperadamente: Por quanto tempo, por quanto tempo direi ainda amanhã, amanhã? Por que não agora? Por que não pôr fim à minha indignidade? Assim falava e chorava, oprimido pela mais amarga dor do coração. Eis que, de repente, ouço uma voz vinda da casa vizinha. Parecia de um menino ou menina repetindo continuamente uma canção. Toma e lê, toma e lê. Mudei de semblante e comecei com a máxima atenção a observar se se tratava de alguma cantilena que as crianças gostam de repetir em seus jogos. Não me lembrava, porém de tê-la ouvido antes. Reprimi o pranto e levantei-me. A única interpretação possível, para mim, era a de uma ordem divina para abrir o livro e ler as primeiras palavras que encontrasse. Tinha ouvido que Antão, assistindo por acaso a uma leitura evangélica, sentiu um chamado, como se a passagem lida fosse pessoalmente dirigida a ele: ‘Vai, vende os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me’. E logo, voltei ao lugar onde Alípio ficara sentado, pois, ao levantar-me, havia deixado ai o livro do Apóstolo.. Peguei-o, abri e li em silêncio o primeiro capítulo sobre o qual caiu o meu olhar: ‘Não em orgias nem bebedeiras, nem a devastação e libertinagem, nem nas rixas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis satisfazer os desejos da carne. Não quis ler mais, nem era necessário. Mal terminara a leitura dessa frase dissiparam-se em mim todas as trevas da dúvida, como se penetrasse no meu coração uma luz de certeza&lt;/i&gt;”. (Conf. VIII, 12, 28-29) &lt;p&gt;Tudo isto ocorreu no mês de setembro do ano 386. Só faltavam alguns dias para o fim do curso. Preferindo a chegada das férias, Agostinho continuou, por mais três semanas, as aulas. Desta maneira evitou os comentários de sua repentina conversão e poupou aos alunos e seus pais os inconvenientes de buscar um novo professor. Por outro lado, o estado de saúde seria uma boa desculpa para abandonar o ensino oficial. A umidade do clima milanês produziu-lhe uma espécie de bronquite crônica. &lt;p&gt;Passados, pois, aqueles dias finais do curso, Agostinho, livre de todo compromisso, pode em silêncio e recolhimento, preparar-se para receber o sacramento do batismo. &lt;p&gt;&lt;b&gt;AGOSTINHO SE CONVERTE TOTALMENTE PARA DEUS&lt;/b&gt; &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Marcando a passagem com o dedo ou com outro sinal qualquer, fechei o livro e, de semblante mais tranqüilo, o mostrei a Alípio. Também ele, por sua vez demonstrou o que lhe acontecera e que eu ignorava. Pediu-me que lhe mostrasse a passagem lida por mim. Mostrei-a, e ele prosseguiu além do que eu havia lido, ignorando eu, portanto o que estava escrito. O texto era o seguinte: Acolhei ao fraco na fé. Alípio aplicou-o a si mesmo e o revelou a sim. Fomos imediatamente à minha mãe e lhe contamos o sucedido. Ela ficou radiante. E nós lhe relatamos como os fatos se tinham desenvolvido. E ela exulta e triunfa, bendizendo-Te, Senhor, que és poderoso além do que pedimos. Verificava que lhe havia concedido muito mais do que ela pedira com lágrimas e orações em meu favor.&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;De tal forma me converteste a Ti, que eu já não procurava esposa, nem esperança alguma terrena, mas permanecia firme naquela fé em que tantos anos antes me tinhas mostrado em sonho e minha mãe. Transformaste sua tristeza em alegria. Alegria muito maior do que ela poderia esperar dos netos nascidos de minha carne&lt;/i&gt;”. (Conf. VIII, 12, 30).&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-3028053724643249422?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/3028053724643249422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/09/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho_25.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/3028053724643249422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/3028053724643249422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/09/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho_25.html' title='20 lições para conhecer a Santo Agostinho'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-7563443916020452190</id><published>2011-09-04T08:58:00.001-07:00</published><updated>2011-09-04T08:58:29.057-07:00</updated><title type='text'>20 lições para conhecer a Santo Agostinho</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;5ª - CARTAGO - ROMA - MILÃO&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;(De 22 à 30 anos)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Durante sua permanência em Cartago, Agostinho teve que lutar, desde o princípio, com urgentes necessidades materiais. Tinha que providenciar sustento, não só da mulher e do filho, senão também de sua mãe e, talvez, de seus dois irmãos. Aqui temos Agostinho, dedicado inteiramente a seu ofício de “&lt;i&gt;vendedor de palavras&lt;/i&gt;” (Conf. IV, 2, 2). A atenção dos jovens não demorou em dirigir-se ao novo professor, que dava provas de extraordinárias qualidades oratórias e intelectuais. &lt;p&gt;Na sua escola se encontravam não poucos alunos de Tagaste, aos quais se somaram outros. Assim podemos cita Licencio, filho de Romaniano, Eulógio, Honorato e Alípio, que deve ter sido sucessor, no coração de Agostinho, do amigo que morreu. &lt;p&gt;Ao ensino de retórica unia a doutrina moral. Isso sabemos por ele mesmo. Conta-nos que censurou em uma de suas aulas, aos jogos de circo. Tal censura induziu Alípio, que era muito afeiçoado a tais jogos a abandoná-los (Conf. IV 7, 12) &lt;p&gt;O que atraiu Agostinho ao maniqueismo foi o desejo de encontrar a verdade. Os maniqueus a haviam prometido e ofereceram demonstrações claras e decisivas. No decorrer do tempo, contudo, Agostinho se dá conta de que, quanto mais pensa, mais descobre que as promessas deles não foram e jamais podiam ser cumpridas. &lt;p&gt;As dificuldades eram muitas. Agostinho só conservou-se fiel ao maniqueismo graças à “santidade dos eleitos”. Se estes levavam uma vida moral irreprovável, não constituía isto indicio de que fosse verdadeira a doutrina que os dirigia à santidade? Mas este motivo deixava de ser válido já que, aqueles que faziam profissão de virtude e santidade, não passavam de uns farsantes hipócritas. &lt;p&gt;Agostinho esperava com impaciência a chegada em Cartago, do célebre bispo dos maniqueus, Fausto que, sem dúvida, havia de resolver-lhe as dificuldades que se apresentavam. Era o que lhe prometiam os mesmos maniqueus. E, de fato, conseguiu uma entrevista com Fausto, porém, não foi satisfatório. Fausto contestou as objeções de Agostinho com evasivas e muita ignorância &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Quando finalmente, me foi possível, com alguns amigos, fazer que ele me escutasse num momento oportuno, então lhe apresentei algumas dificuldades que me perturbavam. Descobri logo que ele nada entendia das disciplinas liberais, com exceção da gramática, da qual conhecia apenas o corriqueiro. Tinha lido algumas obras de poetas, e umas poucas de seus correligionários, escritas em latim melhor cuidado. E como se exercitava diariamente na oratória, havia adquirido facilidade de falar, tornada ainda mais agradável e sedutora pelo emprego inteligente de seu talento e de certa graça natural&lt;/i&gt;” (Conf. V, 6) &lt;p&gt;Agostinho já tem 29 anos de idade. Nesta época já escreveu sua primeira obra, “De pulchro et apto”, que se perdeu. &lt;p&gt;Em Cartago encontrou alguns amigos extraordinários. E, no círculo de seus estudantes, descobriu discípulos de uma fidelidade a toda prova. Mas este círculo se quebrou, pelas circunstâncias, à medida que cada um dos alunos terminava seus estudos. Alípio, concretamente, decidiu partir para Roma, onde foi estudar direito. Por outro lado, o ambiente de Cartago, desagradava cada vez mais ao jovem professor, que não se acostumava aos modos grosseiros dos chamados “destruidores” (rebeldes). Seu modo de ser sofre ao ver aqueles tumultos e gritarias. &lt;p&gt;Certamente que, junto com ele, estavam a mulher que ama e o filho. Também sua mãe veio morar na grande cidade. Não sabemos os motivos nem o tempo de sua chegada. Sua influência continua pesando sobre Agostinho, o que não é suficiente. &lt;p&gt;Disseram a Agostinho que, se quisesse, poderia encontrar facilmente em Roma, uma ocupação muito mais importante e um salário muito melhor. O que mais convence Agostinho, no entanto, é a convicção de que os estudantes de Roma eram muito mais responsáveis que os de Cartago. &lt;p&gt;No ano 383 prepara sua viagem; mas de uma maneira pouco digna: enganando à mãe. De fato, sob o pretexto de ir até o porto despedir-se de um amigo e aproveitando que Mônica tinha ido a uma capela próxima para rezar, Agostinho fuge. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;No entanto, somente tu, meu Deus, conhecias os motivos que me faziam deixar Cartago e me levavam a Roma, mas não manifestavas à minha mãe nem a mim. Ela chorou amargamente a minha partida e me seguiu até o mar. Quando me apertou estreitamente, tentando persuadir-me a voltar ao a deixá-la vir comigo, enganei fingindo que desejava acompanhar um amigo que aguardava vento favorável para navegar. Menti a minha mãe, e que mãe! Fugi dela!&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Recusando voltar sem mim, eu a convenci com esforço a passar a noite numa capela dedicada a São Cipriano, vizinha ao lugar onde se achava nosso navio. Nessa mesma noite parti escondido e ela ficou a chorar e a rezar&lt;/i&gt;”(Conf., V, 8, 5) &lt;p&gt;No outono de 383 Agostinho chega, são e salvo, a Roma. Leva cartas de recomendação para alguns personagens influentes da seita dos maniqueus e é recebido na casa de um deles. &lt;p&gt;O começo em Roma não é nada agradável. Logo que chega, cai doente. Tal vez o fraco organismo de que é dotado, não resiste ao incômodo da viagem e à mudança de clima e de alimentação. Durante alguns dias, Agostinho encontra-se entre a vida e a morte. Mais tarde, se lamentará por não ter pedido o batismo, como quando criança, nas mesmas circunstâncias. De qualquer modo, temos de reconhecer que Agostinho sente-se muito debilitado pela febre para ter consciência clara de seu estado. Sobretudo seu pensamento andava muito longe do catolicismo para sentir-se capaz de pedir sua admissão na Igreja. &lt;p&gt;Logo que se recompôs de sua doença quis organizar sua nova vida. Com a ajuda de seus amigos africanos, Agostinho abre, em sua própria casa, uma escola particular; e inaugura o curso. &lt;p&gt;Sua preocupação consiste em reunir alunos. Não é rico e, portanto, tem que assegurar a sobrevivência, tanto pessoal, quanto de sua mulher e de seu filho que vai crescendo. Sem demora consegue reunir alguns alunos que, por sua vez, trazem outros. Mas logo constata que os alunos de Roma não são mais constantes e sérios que os africanos. Além do mais, têm um defeito muito grave: não pagam seus professores. Assistem por algum tempo as aulas e, quando chega a hora de pagar a quota desaparecem de tal forma que torna-se difícil encontrá-los. O inconveniente é muito mais grave ainda para quem, como Agostinho não pode suportar esta falta de delicadeza e busca uma ocasião para abandonar Roma. &lt;p&gt;Tomando conhecimento que na cidade de Milão estão procurando um professor de retórica, não duvida. Com a ajuda de um amigo, se candidata e é aceito. Imediatamente se dirige a Milão. &lt;p&gt;Agostinho tinha então 30 anos, idade em que amadureceram as mais profundas crises espirituais. Prepara-se para ser um dos mais ilustres personagens de seu tempo, numa grandiosa cidade, a segunda capital do império ocidental, residência da corte imperial. &lt;p&gt;Logo em seguida começou o ensino de retórica, que devia durar apenas dois anos. Os jovens milaneses estavam contentes com o trabalho do mestre africano. Admiravam sua eloqüência, embora estranhassem a pronuncia e o sotaque cartaginês. &lt;p&gt;Com freqüência recorriam a ele quando se devia pronunciar algum panegírico de príncipe ou dos mais distintos magistrados do império. “&lt;i&gt;Recitava&lt;/i&gt; - nos diz ele- &lt;i&gt;uma série de mentiras, certo de ser aplaudido por homens que conheciam perfeitamente a verdade&lt;/i&gt;” (Conf. IV, 6, 9) &lt;p&gt;Agostinho chegou a Milão o ano 384. Em 385 chegou também sua mãe, para grande surpresa dele. Lá, ele teve ocasião de conhecer o famoso bispo Ambrósio, defensor incansável dos fracos e oprimidos, guardião zeloso dos interesses da Igreja e da fé. Sentia-se, por toda parte, o peso de sua autoridade. Poucos homens tiveram, como ele, o sentido exato da justiça. O povo o amava muitíssimo e estava pronto a defendê-lo em todo momento. As virtudes do famoso bispo eram proclamadas por todo o povo milanes. Somente uns poucos adversários não cessavam de atacá-lo. &lt;p&gt;Assim que chega a Milão, Agostinho decide visitar o ilustre bispo, médico de almas. Queria encontrar uma pessoa a quem confiar suas angústias, com a esperança de receber algum alívio. Para sua infelicidade a entrevista durou muito pouco. Ambrósio estava sempre muito ocupado, atendendo às pessoas que a ele recorriam em busca de favores, de conselhos e recomendações. Com paternal benevolência, contudo, o recebeu. Mas logo o despediu. &lt;p&gt;Embora não pudesse manter longa conversa com o bispo, Agostinho começou a freqüentar a Igreja onde o bispo pregava, para ouvir-lhe. Assim, pouco a pouco, a doutrina que pregava foi entrando no coração de Agostinho. Desta forma foi descobrindo o valor da Bíblia, cujo significado espiritual exige certa preparação. Neste livro, que antes havia rejeitado, Agostinho acabou por encontrar verdadeiros encantos. &lt;p&gt;Já haviam passado 11 anos desde que o jovem estudante de Cartago havia se sentido perturbado em seu interior com a leitura do “Hortênsio” de Cícero. Desde então, havia brilhado em seu interior a busca da sabedoria e a esperança de romper com as frivolidades de suas paixões.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-7563443916020452190?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/7563443916020452190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/09/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7563443916020452190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7563443916020452190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/09/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho.html' title='20 lições para conhecer a Santo Agostinho'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-8777521349676623774</id><published>2011-08-07T01:16:00.001-07:00</published><updated>2011-08-07T01:16:14.453-07:00</updated><title type='text'>20 lições para conhecer a Santo Agostinho</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;4ª. EM BUSCA DA VERDADE - &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;PROFESSOR EM TAGASTE - O AMIGO FIEL&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;(De 18 a 21 anos)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Agostinho não foi a Cartago só para se divertir. A lembrança da morte do seu pai, que aconteceu pouco tempo depois de sua chegada na cidade, os sacrifícios que implicavam seus estudos para a economia da casa, os desvelos e cuidados da mãe e o agradecimento que devia a Romaniano, amigo e colaborador de sua família, o fizeram refletir. Assim, ele sempre quis lhes mostrar seu reconhecimento por médio do êxito nos estudos. &lt;p&gt;Estudo muito e leu muito também, compreendendo sem esforço as matérias mais difíceis. Ele atribui a Deus sua grande inteligência e nos diz que aprendia sozinho (autodidata), sem sentir dificuldade alguma em assimilar as ciências que seus colegas não compreendiam senão a custa de um grande esforço. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Seguindo o programa normal do curso, chegou-me às mãos o livro de um tal Cícero, cuja linguagem, mais do que o coração, é quase unanimemente admirado. O livro é uma exortação à filosofia e chama-se Hortênsio. Devo dizer que ele mudou os meus sentimentos e o modo de dirigir-me a ti. Ele transformou as minhas aspirações e desejos. Repentinamente, pareceram-me desprezíveis todas as vãs esperanças. Eu passei a aspirar com todas as forças à imortalidade que vem da sabedoria. Começava a levantar-me para voltar a ti&lt;/i&gt;” (Conf. III, 4, 7). &lt;p&gt;No entanto, o Hortênsio não lhe deu a paz buscava: o nome de Cristo não aparecia em suas páginas. Embora afastado de toda prática religiosa, Agostinho havia ouvido demais o nome de Cristo para deixar-se seduzir pela literatura pagã. Inclusive em Cartago, ia à Igreja, atraído por uma espécie de instinto. &lt;p&gt;Sentiu então o desejo de ler a Bíblia, mas foi um grande fracasso: o admirador da eloqüência clássica não podia suportar a leitura daquelas páginas escritas em estilo tão humilde. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Resolvi por isso dedicar-me aos estudos das Sagradas Escrituras, para conhecê-las. E encontrei um livro que não se abre aos soberbos e que também não se revela às crianças. Humilde no começo, mas que nos leva aos píncaros e está envolta em mistério, à medida que se vai à frente. Eu era incapaz de nele penetrar ou de baixar a cabeça à sua entrada&lt;/i&gt;” (Conf. III, 5 9). &lt;p&gt;Agostinho não encontrava paz para sua alma atormentada. Sentia a necessidade de crer; buscava a fé. O ensino de Mônica já não era senão um fraco eco. Indeciso entre a filosofia e a religião, terminou caindo na heresia. &lt;p&gt;Havia, em Cartago, certos pregadores de mentiras que iam gritando por toda parte: “&lt;i&gt;a verdade, a verdade&lt;/i&gt;!”. Era precisamente o que Agostinho buscava. &lt;p&gt;A pregação maniqueia apresentava-se, muitas vezes, com aspecto bom e persuasivo aos olhos de Agostinho, desejoso de achar uma explicação ao mistério do universo, sem recorrer a revelações sobrenaturais, a não ser de acordo com as exigências do entendimento e da razão. &lt;p&gt;Os maniqueus faziam as promessas mais atraentes. Pretendiam saber tudo e explicar tudo: desde a criação do mundo até os mínimos detalhes de seu fim. &lt;p&gt;É obvio que uma doutrina como essa, com essas garantias, estimulou o espírito de Agostinho. Quando se propôs a ler a Bíblia não encontrou senão doutrinas misteriosas; e quando pedia explicações, diziam-lhe que tinha somente que crer. &lt;p&gt;Com bonitos discursos os maniqueus lhe prometiam explicações a todos os problemas. Falavam com ênfase de dois princípios: o do bem e o do mal, que se enfrentam numa luta sem quartel e cuja evidência descobriam em toda parte. &lt;p&gt;Agostinho entrega-se com todo entusiasmo ao maniqueismo e termina os estudos em Cartago. Em vez de ficar na grande metrópole, onde poderia brilhar entre os mais famosos, preferiu voltar a Tagaste e abrir, entre seus conterrâneos, uma escola de gramática. &lt;p&gt;Sua mãe recebeu sua chegada com alegria e também com certa inquietude e tristeza. A conduta do filho, a quem tanto amava, não deixava de preocupar-lhe. Via-se obrigada a permitir ou tolerar que vivesse com uma concubina. Ela própria havia sofrido, durante longo tempo, as infidelidades do marido. Agora não podia reprovar, em seu filho, as debilidades da carne e dos atrativos da paixão. &lt;p&gt;Não podia, contudo, suportar sua adesão ao maniqueismo. Por isto, recusa recebê-lo em sua casa. Agostinho, então, se hospeda na casa de seu amigo Romaniano. &lt;p&gt;Desde seu regresso a Tagaste dedicou seus esforços a ensinar gramática e a pregar por toda parte a doutrina maniquéia, chegando a conquistar várias pessoas de relevo social: Romaniano, seu rico benfeitor, Alípio, um jovem que deve ter sido seu amigo íntimo, Honorato, distinto cidadão. &lt;p&gt;Durante este tempo, Mônica não cessava de rezar por aquele jovem prodígio. Sua vida sempre fora piedosa e caritativa, mas a morte de seu marido fez com que se consagrasse inteiramente à oração e prática de boas obras. Por isso, não podia admitir que Agostinho se constituísse em inimigo da Igreja e arrastasse atrás de si, pelo mesmo caminho, os amigos e conhecidos. &lt;p&gt;A narração seguinte, do próprio Agostinho, nos fala de tudo quanto sofreu Mônica. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Nesse sonho, (Mônica) viu-se de pé sobre uma régua de madeira, e um jovem luminoso e alegre lhe foi sorridente ao encontro, enquanto ela estava triste e amargurada. Perguntou-lhe os motivos da tristeza e das lágrimas cotidianas, não por curiosidade, mas para instruí-la como acontece muitas vezes. E, respondendo, ela disse que chorava minha perdição. Ele a confortou, aconselhando-lhe que prestasse atenção e visse que onde ela se encontrava, ai estava também eu. Ela olhou e me viu diante de si, de pé, na mesma régua&lt;/i&gt;”. (Conf. III, 11, 19) &lt;p&gt;Este sonho, para Mônica, foi de grande consolo. Apressou-se a contara a Agostinho. Este, gozador como todos os jovens, respondeu a sua mãe que a visão significava que ela se converteria ao maniqueismo. Mas, a mãe respondeu-lhe, sem vacilar, que esse não podia ser o sentido do sonho. Não era ela que se aproximava dele, mas Agostinho dela. Este acontecimento deve ter impressionado vivamente o jovem. &lt;p&gt;Mônica, porém, não se contentava em só rezar pelo seu filho. Pedia conselhos por toda parte. E com esta finalidade foi visitar um bispo, especialista no estudo da Sagrada Escritura. Este bispo, muito hábil em controvérsias, sobre a Bíblia, havia conduzido muitos pecadores ao caminho da verdade. No entanto, não aceitou o convite de Mônica para falar com seu filho. Respondeu-lhe simplesmente: “&lt;i&gt;Agostinho se converterá&lt;/i&gt;”. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Minha mãe, porém, não se rendeu a essas palavras, mas insistiu suplicando-lhe com muitas lágrimas, que me fosse ver e tivesse uma conversa comigo, até que o bispo, já um tanto aborrecido, respondeu-lhe: “Vá e viva em paz, pois é impossível que possa perecer um filho de tantas lágrimas&lt;/i&gt;”. (Conf. III, 12, 21) &lt;p&gt;As preces, exortações e os exemplos de sua mãe não eram estéreis no coração e alma de Agostinho. Externamente parecia o mesmo: continuava com suas aulas de gramática e atendia os novos prosélitos que ia fazendo para o maniqueismo. Mas, no fundo, sentia-se conturbado. A segurança de Mônica e o fervor de suas orações acabaram por inquietá-lo. Não sabia muito bem onde se encontrava. Um triste acontecimento produziu nele uma sacudida que seria decisiva. &lt;p&gt;Em Tagaste, tivera um amigo particularmente muito querido. Cresceram e brincaram juntos. Estudaram, desde a infância, na mesma escola e participaram dos mesmos entretenimentos. &lt;p&gt;Aconteceu que este amigo caiu gravemente enfermo. Um dia que estava inconsciente e banhado em suor, temendo um fatal desenlace, administraram-lhe o sacramento do batismo, sem que ele pedisse e nem sequer se desse conta. Agostinho começou a escarnecer daquele batismo e pensou que seu amigo faria o mesmo quando recobrasse a consciência. &lt;p&gt;De fato, quando o doente pode falar, Agostinho quis fazer uma gozação com ele, mas para sua surpresa, no mesmo instante faz uma cara terrível como se tratasse de um inimigo; e com estranha e súbita clareza fez-lhe ver que se queria ser e continuar sendo seu amigo devia deixar de falar-lhe daquele modo. Estupefacto e perturbado, Agostinho escutou a reprovação do amigo e pensou deixar aquelas gozações, ao menos durante a enfermidade. Mas aquele amigo não se curou. Teve uma recaída e, poucos dias depois, morreu. A morte deste amigo o desesperou. Eis aqui parte do relato: &lt;p&gt;“&lt;i&gt;O sofrimento encheu-me de trevas o coração, e eu não via senão a morte em toda parte. A pátria tornou-se para mim um tormento; a casa paterna, motivo de infelicidade, e tudo o que tivera em comum com ele, agora, em ele, transformava-se em sofrimento ilimitado. Meus olhos o procuravam por toda parte sem encontrá-lo; eu odiava o mundo inteiro me aborrecia, porque o amigo não mais existia, e ninguém podia dizer-me: ‘Ai vem ele’, como, quando em vida, se ausentava por algum tempo. Tornei-me um grande problema para mim mesmo e perguntava à minha alma por que estava tão triste e angustiado, mas não tinha resposta. Se eu lhe dizia: ‘Confia em Deus!’, ela não me obedecia, e com razão, pois a pessoa queridíssima que havia perdido era melhor e mais real que o fantasma no qual eu pedia que ela esperasse. Somente as lágrimas me eram doces e substituíam o amigo no conforto do meu espírito&lt;/i&gt;” (Conf. IV, 4, 9) &lt;p&gt;Dificilmente podemos imaginar o estado de ânimo que aquela morte lhe produziu. Não era a primeira vez que se encontrava com a morte. Já tinha visto seu pai expirar no nome do Senhor, pois Mônica conseguiu convertê-lo na última hora. Mas, não havia experimentado tão grande emoção como quando morreu seu amigo. &lt;p&gt;Aconteceu, no entanto, que sua estada em Tagaste ficou insuportável. Sentia a urgência de mudar de lugar. Tagaste, onde havia ensinado à gramática, trazia muitas e tristes recordações. Com a rapidez própria de seu temperamento impulsivo, concebeu uma idéia atrevida: regressar a Cartago e lá abrir uma escola de retórica. Ao final do ano 375 já estava de novo na cidade onde havia de permanecer oito anos. &lt;p&gt;&amp;nbsp; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;O MANIQUEÍSMO&lt;/b&gt; &lt;p&gt;O maniqueismo recebeu este nome de Manês ou Mani, seu fundador, que viveu aproximadamente no ano 216. Ele pretendeu dar solução aos problemas de universo, sobretudo, conhecer e ensinar qual a origem do bem e do mal. Por isso, segundo os maniqueus, o mundo e tudo o que ele contém se acha integrada por dois princípios soberanos e co-eternos: um bom e outro mal. O corpo do homem não procede do Deus bom, mas do mal. Existe no homem uma partícula do Deus bom e uma substância má do Deus mal, a qual se identifica com a concupiscência. As virtudes são triunfos do princípio bom e os vícios, vitórias do princípio mal. Seus seguidores se dividiam em duas classes: os ‘eleitos’ ou ‘santos’, e os ‘auditores’ ou ‘ouvintes’. Não tinham comunicação alguma entre si. Os eleitos eram poucos, mas estavam encarregados de entreter os ouvintes. Agostinho não passou nunca da categoria de ‘ouvinte’, mas chegou a conhecer a fundo toda a doutrina e sua conduta. Por isso, depois de convertido, pode refutar completamente os maniqueus, como o martelo que os desfez.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-8777521349676623774?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/8777521349676623774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/08/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/8777521349676623774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/8777521349676623774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/08/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho.html' title='20 lições para conhecer a Santo Agostinho'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-7278996259028678160</id><published>2011-07-31T03:01:00.001-07:00</published><updated>2011-07-31T03:01:53.019-07:00</updated><title type='text'>20 lições para conhecer a Santo Agostinho</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;3ª.- OS ANOS DIFÍCEIS (16 - 17 anos de idade)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Terminado o estudo de gramática, Agostinho se viu obrigado a voltar para sua casa de Tagaste, onde permaneceu um ano inteiro, Em Madaura não havia professores de retórica que pudessem ensinar-lhe o caminho do porvir e da glória; estes estavam em Cartago. Mas a viagem era longa e a vida muito cara para as possibilidades financeiras de seus pais. Seu pai Patrício, por meio de grandes sacrifícios, podia assegurar a seu filho a educação nas escolas de Madaura; mas para os estudos em Cartago precisava recorrer à generosidade de algum amigo. Enquanto cuidava disso, decorreu um ano. &lt;p&gt;Entretanto, Agostinho, livre dos professores, ocioso e empurrado pelas más companhias, começou a entregar-se aos prazeres com todo o ardor de sua natureza apaixonada. &lt;p&gt;Colocado na funesta ladeira do vício, o jovem Agostinho deixou-se rolar morro abaixo. E, como seus companheiros se vangloriavam de suas próprias faltas e se orgulhavam tanto mais e quanto maiores e mais vergonhosos fossem seus pecados, Agostinho se esforçava em imitar-lhes para não ser inferior a eles. Estes desocupados e ociosos passavam as noites brincando nas ruas e praças. E, logo, cansados de jogos e diversões, se entregavam a coisas menos nobres. Agostinho nunca deixava de estar entre eles. &lt;p&gt;Uma tarde, o filho de Mônica, acompanhado dos amigos de sempre, subiu numa árvore carregada de pêras, num jardim perto do jardim de seu pai. As pêras não eram bonitas, mas estavam maduras. Agostinho podia encontrar melhores no jardim de seu pai; porém, pelos simples gosto de praticar atos de vandalismo, derrubaram ao chão todas as pêras e deixaram a marca de seus dentes em cada uma delas. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Eu, miserável, o que foi que amei em ti, furto meu, noturno delito dos meus dezesseis anos? Não eras belo, pois eras roubo! Mas, realmente és alguma coisa, para que eu possa dirigir-me a ti? As pêras que roubamos, sim, eram belas por serem criaturas tuas, ó Bom Deus, criador de toda beleza, sumo bem e meu verdadeiro bem! Sim, eram belas aquelas frutas, mas não era a elas que minha alma infeliz cobiçava; eu as possuía em abundância e melhores. Eu as colhi somente para roubar, e uma vez colhidas, atire-as fora para saciar-me apenas com a minha maldade, saboreada com alegria. Se alguma tocou meus lábios, foi o meu crime que me deu sabor&lt;/i&gt;”. (Conf. II, 6, 12) &lt;p&gt;Sua mãe, por todos os meios, se encarregava de conduzir seu filho pelo bom caminho. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Envergonhava-me de atender as suas solicitações, porque me pareciam conselhos de mulher. No entanto, eram teus os conselhos, eu não sabia! Eu estava convencido de que tu te calavas, e que era ela quem falava; mas, por meio dela, eras tu que me falavas; e, nela, eu te desprezava, eu teu servo, filho de tua serva&lt;/i&gt;”. (Conf. II, 3, 7) &lt;p&gt;Entretanto, Mônica chorava e rezava por seu filho. E o jovem continuava com suas diversões sem pensar em outras coisas! &lt;p&gt;Para compreender o verdadeiro retrato de Agostinho não podemos nos esquecer de que se trata de um jovem pagão. Certamente o exemplo e os conselhos de sua mãe supõem uma grave acusação ante a atitude do jovem. Ao mesmo tempo, porém, temos que levar em conta a influência dos maus exemplos que ele via em seus companheiros, e as dificuldades que tinha um jovem pagão de evitar as faltas. &lt;p&gt;Sua estada em Madaura, cidade onde pode viver livremente, o despertar das paixões precisamente no ano que permanecia ocioso em sua cidade natal, a companhia de amigos que não eram os melhores da cidade, tudo isso nos faz compreender com mais justiça, as faltas que o mesmo Agostinho recorda em suas Confissões. &lt;i&gt;&lt;/i&gt; &lt;p&gt;Mônica, no entanto, não podia permanecer alheia a isto sem uma profunda preocupação. Falou-lhe seriamente e recomendou-lhe que evitasse toda fornicação. Como Agostinho admirava e venerava sua mãe, os conselhos lhe pareceriam certos. Com a sua idade e com os amigos que tinha, porém, era muito difícil levar isto em consideração. &lt;p&gt;Não podemos determinar até que ponto Agostinho caiu. Ele nos confessa as tristes recordações desse ano de “pecado” e declara que se precipitou no abismo, em grande parte, porque sentia vergonha de ser melhor que os companheiros de sua idade. Os jovens de Tagaste, certamente, não eram santos; e o filho de Patrício estava contente com a companhia deles. Sentia-se feliz com eles e passava os dias e as noites entregues, por completo, às diversões, ao jogo, ao furto e mentiras próprios daqueles jovens transviados. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Mas eu o ignorava para a minha perdição, com cegueira tal, que me envergonhava diante de meus companheiros, de parecer menos depravado que os outros, quando os ouvia exaltando as próprias infâmias, tanto mais dignas de glória quanto mais infames eram. Eu queria fazer o mesmo, não só pelo fato em si, mas pelo louvor que disso resultava.&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Nada é tão digno de censura como o vício! No entanto, para não ser censurado, eu mergulhava ainda mais no vício! Quando não podia me igualar a meus companheiros corruptos, fingia ter praticado o que não praticara, para não parecer desprezível pela inocência, ou ridículo, por ser casto&lt;/i&gt;”. (Conf. II, 3, 7) &lt;p&gt;Ao ler este trecho, que revela as confidências de sua alma, temos a impressão de que, no meio de seus colegas, Agostinho era o melhor e o mais reservado. Podemos mesmo pensar que, muitas vezes, do fundo de sua consciência se elevava a voz do remorso que fazia descobrir a gravidade de suas faltas. Só um estúpido respeito humano o impedia sair daquele estado. &lt;p&gt;A custa de privações e economias, e com a ajuda de um amigo, os pais de Agostinho conseguiram reunir finalmente o dinheiro necessário para que pudesse realizar seus estudos na grande metrópole. &lt;p&gt;Não é necessário imaginarmos o entusiasmo do jovem provinciano ao chegar a Cartago, a esplêndida Cartago, que estava no auge de seu poder e riqueza. &lt;p&gt;Nesta cidade cosmopolita, se encontravam homens de toda religião, raça e língua. E os jovens chegaram em grande número para terminar seus estudos. &lt;p&gt;Quando Agostinho chegou em Cartago, logo se viu envolvido entre os do grupo dos “destruidores”, os que hoje chamamos “arruaceiros” ou “rebeldes”, que sobressaiam por qualquer coisa na cidade. Era impossível librar-se deles, já que eram de sua mesma idade, e seguiam os mesmos estudos. Mas não gostava da companhia deles. Seus costumes grosseiros, a ausência de delicadeza, sua tendência à desordem pública, lhe causaram um grande desagrado. O jovem Agostinho tinha suas fraquezas, mas ao mesmo tempo possuía um espírito elevado e era o suficientemente inteligente para não se deixar levar por uma vida de ociosidade. &lt;p&gt;Entretanto, se em Tagaste havia conhecido as primícias do pecado, em Cartago, seu temperamento ardente e empurrou até os mais baixos prazeres. Não pode resistir às seduções da cidade grande. &lt;p&gt;Contudo, inclusive em suas próprias faltas, Agostinho conservou sempre certa reserva. Não demorou em unir-se a certa mulher, com quem viveu maritalmente e a quem guardou fidelidade. Esta mulher logo lhe deu um filho, que chamou Adeodato (“dado por Deus”). Talvez Agostinho não o quisesse, mas como Deus lho havia dado, não pode deixar de amá-lo com todo seu coração. Sempre o conservou consigo e o educou com sumo cuidado. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Vim para Cartago e logo fui cercado pelo ruidoso fervilhar dos amores ilícitos. Ainda não amava, e já gostava de ser amado, e, na minha profunda miséria, eu me odiava por não ser bastante miserável.&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Desejando amar, procurava um objeto para esse amor, e detestava a segurança, as situações isentas de risco. Tinha dentro de mim uma fonte de alimento interior, fome de ti, ó meu Deus. Mas, não sentia essa fome, porque não me apeteciam os alimentos incorruptíveis, não por estar saciado, mas porque, quanto mais vazio, mais enfastiado eu me sentia.&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Era para mim mais doce amar e ser amado, se eu pudesse gozar do corpo da pessoa amada. Assim, eu manchava e turbava a pureza delas com a espuma infernal das paixões. Não obstante eu ser feio e indigno, apresentava-me num excesso de vaidade, como pessoa elegante e refinada. Mergulhei, então, no amor em que desejava ser envolvido.&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Deus meu, misericórdia minha, como foste bom em derramar tanto fel sobre meus prazeres! Fui amado e cheguei ocultamente às cadeias do prazer; mas, na alegria, eu me via amarrado por laços de sofrimento, castigado pelo ferro em brasa do ciúme, das suspeitas, dos temores, das cóleras e das contendas&lt;/i&gt;”. (Conf. III, 1, 1) &lt;p&gt;Sempre se considerou como “injustas” as referências a Patrício, e demasiadas ‘indulgentes” com Mônica. Destacaram-se os elogios que Agostinho fez de sua mãe e se afirma, quase sempre, que não se expressou bem sobre o seu pai. Mas de um autor se refere à dupla herança de Agostinho, na qual se havia misturado a sensualidade exagerada de seu pai e o suave misticismo materno. Segundo eles, a influência de seus pais gerou na alma de Agostinho aquele dualismo que o encadeou durante nove anos à heresia maniqueia. &lt;p&gt;Tudo isto é demasiadamente simplista. Certamente, Agostinho fala melhor de Mônica que de Patrício; porém, em mais de uma ocasião elogiou seu pai e censurou sua mãe. Narra, com legítimo orgulho, que aquele fez enormes sacrifícios para enviá-lo a Cartago, apesar de sua pobreza; esforço que outros, mais ricos, não faziam pelos seus filhos. Critica, ao contrário, a cristã Mônica por não haver tentado pôr freio à sensualidade do adolescente. Na realidade, tanto Patrício como Mônica acalentavam ambições terrenas a respeito do filho, e estavam decididos a não permitir que se opusessem obstáculos em seu caminho. Por outro lado, não era a primeira vez que Mônica relegava a um segundo plano o progresso moral de seu filho. Não havia ela, afinal, retardado seu batismo? &lt;p&gt;O que não se pode ocultar é o orgulho de Agostinho pela atitude sacrificada de sues pais nesta circunstância. Supõe Agostinho que sua mãe não queria que ele se casasse nessa época porque temia fosse prejudicada sua formação intelectual que era, no modo dela pensar, uma ajuda em sua posterior evolução espiritual. &lt;p&gt;&amp;nbsp; &lt;p&gt;O VERDADEIRO AGOSTINHO &lt;p&gt;A insistência de Agostinho em acusar-se de haver sido um “transviado” durante a adolescência e juventude costuma deixar a impressão de que foi um grande pecador. Mas a verdade é que fica difícil levar a serio as necessidades que tinha quando contava com seus quinze anos. Adolescente ocioso, freqüentava os banhos públicos e corria pelas ruas, quando chegava a noite, com companheiros pouco recomendáveis. Não era, porém, tão viciado como seus colegas, o que já é um indício de dignidade moral e aspiração pelo melhor. Um dos seus futuros adversários, o bispo donatista Vicente de Cartena, conta que Agostinho era conhecido entre os estudantes como um rapaz tranqüilo e exemplar. Juízo este muito mais verosímil que o de muitos autores que, por terem tomado, exageradamente ao pé da letra a retórica agostiniana, pintam-no com um estudante indecente e bagunceiro.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-7278996259028678160?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/7278996259028678160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/07/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho_31.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7278996259028678160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7278996259028678160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/07/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho_31.html' title='20 lições para conhecer a Santo Agostinho'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-5740006415062497586</id><published>2011-07-09T00:58:00.001-07:00</published><updated>2011-07-09T00:58:21.528-07:00</updated><title type='text'>20 lições para conhecer a Santo Agostinho</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;2.- NASCIMENTO, INFÂNCIA E PRIMEIROS ESTUDOS.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;(Até os 15 anos de idade)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;NASCIMENTO&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Agostinho nasceu o 13 de novembro do ano 354. Embora nascido de uma mãe cristã, não foi batizado imediatamente. Era comum, sobretudo na Igreja de África, o costume de se batizar em uma idade mais avançada, porque se acreditava que os pecados cometidos depois do sacramento do batismo não podiam ser perdoados tão facilmente como os cometidos antes. Costume perigoso que a Igreja local se apressou em abolir. Muitos jovens, de fato, animados às vezes por seus pais se abandonavam aos vícios, com a certeza de que, um dia, a água do Batismo lavaria todas as manchas do pecado (Cfr. Confissões I, 11, 18) &lt;p&gt;Mônica, mãe de Agostinho, se conformou com o costume de seu país e com a tradição da Igreja. De qualquer maneira, o menino foi inscrito imediatamente no número dos “catecúmenos”. Segundo o rito, foi feito o sinal da cruz sobre sua testa e se colocou sal em sua boca. Mônica o alimentou na fé e, desde cedo, o fez gostar do nome de Cristo. &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;OS PAIS DE AGOSTINHO&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Entre os pais de Agostinho havia certa divisão: seu pai Patrício era pagão, enquanto Mônica era cristã. Existia, sobretudo, uma grande diferença de caráter: e Mônica teve necessidade de muita paciência e habilidade para conviver com seu esposo. &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Meu pai era, por um lado, muito benigno e amoroso; por outro, muito iracundo e colérico. Quando ela o via irado, tinha o cuidado de não lhe contradizer nem por atos, nem por palavras. Depois, quando a ocasião lhe parecia oportuna e, passado aquele aborrecimento, o via sossegado, então lhe mostrava como tinha se irritado sem refletir&lt;/i&gt;” (Conf. IX 9, 19) &lt;p&gt;Finalmente, a virtude de Mônica restabeleceu a felicidade no lar e, além disso, teve o consolo de ver seu marido abraçando a verdadeira fé e progredindo no conhecimento de Deus. &lt;p&gt;Patrício pertencia ao grupo de dirigentes do município e tinha o título de “decúrio”. Não sabemos exatamente qual era sua posição econômica e social. Podemos supor, contudo, que suas propriedades eram bem modestas, já que nos constam suas grandes dificuldades em reunir o necessário para enviar Agostinho ao que podemos chamar de “universidade” de Cartago. &lt;p&gt;Certamente, você gostaria de saber algo mais sobre a família de Agostinho. De fato, houve outros filhos no lar de Patrício e Mônica. Eles tiveram pelo menos dois filhos e uma filha. Navigio, que se converteu junto com Agostinho, e uma irmã, Perpétua, que se casou, ficou viúva e tornou-se superiora do mosteiro de Hipona. A figura de Aurélio Agostinho, como o chamaram desde o princípio, se destaca, rodeado de uma intensa luz. Seus irmãos ficaram na penumbra. &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A INFLUÊNCIA DE MÔNICA&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Em seus primeiros anos, Agostinho demonstrava ser um menino vivo e muito inteligente. Como todas as crianças, gostava de brincar entre seus companheiros, se destacava pela facilidade de palavra e pelo encanto de sua conversa. Era, sem dúvida, o “cabeça”, da turma: característica de futuro dominador de almas... &lt;p&gt;Entretanto, sua mãe o instruía na fé. Falava-lhe de Deus e da humildade de Jesus ao se fazer homem e morrer na cruz por nós. &lt;p&gt;Estas lições ficaram vivamente impressas em seu coração e em sua fantasia de criança, sobretudo ao ver a incredulidade de seu pai Patrício ser vencida pela piedade de sua mãe. Mônica possuía o dom da persuasão: suas palavras, suas imagens, tinham uma força sedutora tão grande que, dificilmente se podia esquecer. &lt;p&gt;Em certa ocasião, caindo Agostinho gravemente enfermo, com uma violenta febre e fortes dores no estômago, a ponto de temerem por sua vida pediu, com insistência, o batismo. Este gesto parece estranho a uma criança; mas, certamente, trata-se do efeito dos ensinamentos da mãe. Mônica quis satisfazer o desejo do filho, mas logo o doente começou a melhorar e o batismo foi adiado para outra ocasião. &lt;p&gt;A influência de Mônica na formação de Agostinho foi extraordinária. Isso se deve a educação que ela mesma recebeu em sua casa paterna. &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;NA ESCOLA DE TAGASTE&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Já curado, Agostinho voltou a suas brincadeiras e seus amigos. E, quando chegou a idade de ir à escola de Tagaste, começou a aprender os primeiros rudimentos do alfabeto e da leitura. Mais tarde recordará, com tristeza, esses primeiros anos: os bancos da escola, onde devia permanecer sentado horas e horas, sempre sob a ameaça da varinha de um severo professor; o repetir monótono da cantilena: “&lt;i&gt;um e um, dois; dois e dois, quatro...”.&lt;/i&gt; &lt;p&gt;Agostinho detestava a escola e o que nela se ensinava. Os castigos se repetiam todos os dias, sem que se passasse um só dia em que não recebesse golpes da régua do professor. Em sua casa, queixava-se aos pais, mas eles escarneciam dele. Inclusive sua boa mãe ria dele. E o pobre menino não sabia a quem recorrer. Lembrava-se, então, de ter ouvido falar de Deus, daquele Deus infinitamente bom e grande, que protege os pequenos e oprimidos. E com toda a simplicidade de seu coração rezava: “&lt;i&gt;Ó, meu Deus! Não deixe que eu seja castigado hoje na escola&lt;/i&gt;”. &lt;p&gt;Por outro lado, tinha uma paixão tão grande pelo jogo, que isto lhe induzia a enganar seus professores e pais, cometendo inclusive outros atos pouco recomendáveis: &lt;i&gt;“Cometia também furtos na despensa e na mesa de meus pais, ora dominado pela gula, ora para ter com que pagar aos companheiros que vendiam seus jogos, mas que se divertiam tanto quanto eu. E, até no jogo, cometia fraudes, dominado pelo meu afã de sobressair&lt;/i&gt;” (Conf. I, 19, 30). &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;NA ESCOLA DE MADAURA&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Assim, Agostinho foi enviado para estudar gramática na vizinha cidade de Madaura. Talvez fosse a primeira vez que o menino Agostinho saia de sua cidade Tagaste. &lt;p&gt;Madaura apresentava o aspecto aristocrático de uma grande cidade: rica em monumentos, sede importante de estudos e cultura... Por toda parte se via arcos de triunfo, templos, termas, pórticos, estatuas. &lt;p&gt;Agostinho vivia num mundo maravilhoso, onde tantas lendas e tantas obras de arte excitavam sua natural tendência à admiração da beleza. A vida em Madaura não era feita para um jovem católico que quisesse perseverar na sua fé. Lá, o cristianismo era considerado como uma religião de povos bárbaros. A maior parte da população era considerada pagã, como também seus costumes e festas. &lt;p&gt;Neste ambiente, fora de casa, o filho de Mônica ia esquecendo os ensinamentos de sua mãe e, ao mesmo tempo, se distanciava pouco a pouco do cristianismo. &lt;p&gt;O estudo dos diferentes autores se efetuava de acordo com certos métodos tradicionais: era lida uma passagem em voz alta que, depois, era recitada de memória. Dava-se a máxima importância à dicção e pontuação. A pontuação, às vezes, não era exata; então era preciso a ajuda do professor. Como os livros eram copiados a mão, é fácil compreender porque havia muitas variações. O professor escolhia aquela que fosse do seu agrado. Desde cedo, brilhou Agostinho entre seus colegas. E seus mestres descobriram nele um menino de futuro, para não dizer um menino “prodígio”. Um dia, teve que declamar um discurso que ele mesmo havia composto. &lt;p&gt;O discurso tratava da dor e da cólera de Juno que não podia impedir que os Troianos chegassem a Itália. Era um tema clássico. O jovem orador declamou de maneira tão real e emocionante, que seus companheiros não puderam deixar de aplaudir. Patrício e Mônica podiam se sentir orgulhosos de seu filho (Pelo menos de suas qualidades intelectuais). &lt;p&gt;&amp;nbsp; &lt;p&gt;&lt;b&gt;VALOR HISTÓRICO DAS CONFISSÕES&lt;/b&gt; &lt;p&gt;As Confissões de Santo Agostinho não são uma obra autobiográfica, rigorosamente falando, mesmo quando fala a seu favor ou contra si mesmo. Santo Agostinho era de temperamento sincero e amigo da verdade. Quando escreve suas Confissões já se acha nos cumes da santidade. Se, às vezes, se encontram nelas frases de extremo rebaixamento, declarando-se “o mais pecador dos homens”, “um abismo de corrupção” ou “um monstro de iniqüidades”, estas frases não têm, nele, mais sentido que o que tem na boca dos santos; não implicam senão um aspeto parcial e relativo da realidade objetiva. Nas Confissões, temos que distinguir também o “fato” do “comentário”. Santo Agostinho expõe normalmente o fato de modo lacônico e rigoroso e, sobre ele, se estende, em seguida, em amplos e sutis comentários. Veja, por exemplo, o fato do roubo das peras, narrado no capítulo 4 do livro II, ao qual segue um comentário de vários capítulos. Assim começa o livro II: &lt;p&gt;“&lt;i&gt;Quero, agora, recordar as minhas torpeças passadas, as corrupções de minha alma, não porque as ame, ao contrário, para te amar, ó meu Deus. É por amor do teu amor que retorno ao passado, percorrendo os antigos caminhos dos meus graves erros. A recordação é amarga, mas espero sentir a tua doçura, que não engana, doçura feliz e segura; e quero recompor a minha unidade, depois dos dilaceramentos que sofri, quando me perdi em bagatelas, ao afastar-me de tua unidade&lt;/i&gt;”.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-5740006415062497586?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/5740006415062497586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/07/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho_09.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/5740006415062497586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/5740006415062497586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/07/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho_09.html' title='20 lições para conhecer a Santo Agostinho'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-5810922637925828790</id><published>2011-07-05T11:19:00.001-07:00</published><updated>2011-07-05T11:19:04.317-07:00</updated><title type='text'>20 lições para conhecer a Santo Agostinho</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;1ª.- A SUA PÁTRIA&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;PRÉ-HISTÓRIA AFRICANA&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Antigamente, a Europa estava unida à África. De Gibraltar -sul da Espanha- se podia ir a pé até Tanger - Norte da África. A costa de uma e outra, assim como a flora e a fauna, não tinham grande diferença. &lt;p&gt;Tempos depois, no decorrer dos séculos, o mar abriu um caminho através de Gibraltar e, com a mudança que isso supõe, modificou-se o aspecto das terras, deixando de ser frescas e úmidas. O sol foi torrando-as a apareceu o atual deserto do Saara. O litoral continuou sendo fértil. Durante séculos, habitou nestas regiões um povo que, em sua maior parte, tinha olhos azuis, pele e cabelos escuros. &lt;p&gt;Historicamente não podemos precisar com exatidão quando isso aconteceu, nem quando este povo se assentou nas costas africanas. É muito provável que viessem da Europa pelo Estreito de Gibraltar. Talvez cruzassem pelas ilhas do Oeste da Itália... De qualquer maneira, eles se assentaram de modo permanente no Norte da África. Conservaram suas tradições e sua própria língua, e suportaram a dominação de sucessivas culturas. Este povo tinha o nome de “Berberes”. &lt;p&gt;Herdaram o nome de Berberes dos Romanos, que deram a algumas tribos um nome genérico, mais ou menos equivalente a “bárbaros”, embora já os conhecessem com o nome de “Afri” -os africanos- e sua terra se chamava África. &lt;p&gt;É possível que todos estes povos pertencessem ao mesmo grupo racial. No decorrer dos anos experimentaram profundas mudanças e se misturaram com seus sucessivos conquistadores e povos que chegaram até seu litoral. &lt;p&gt;Juntamente com os Berberes, existiam os Númidas -no princípio simples nômades- e os Mouros, que eram de rosto mais vermelho e escuro. Em todos eles se poderiam descobrir as marcas características dos Fenícios, Gregos, Romanos, Judeus e outros povos com os quais mantiveram contato. No entanto, apesar de todos os povos conquistadores eles conservaram substancialmente o mesmo caráter até nossos dias. &lt;p&gt;Não há estudos profundos da língua desse povo, embora se continue falando em muitas partes a dos Berberes de nossos dias. Os filólogos parecem concordar que essa língua pertence à mesma família da língua falada pelos antigos Egípcios. &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;PÁTRIA DE SANTO AGOSTINHO&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Santo Agostinho pertencia a este povo, ou seja, era de raça Berbere. Como estrela refulgente, se levantará no norte da África e contribuirá para engrandecer a Igreja nessa região geográfica, onde o cristianismo era já florescente. &lt;p&gt;Em seu tempo, a influência dos romanos se fazia sentir mais viva, tanto na língua como no aspecto cultural e religioso. &lt;p&gt;Se, em todos os povos do norte da África, se pode afirmar que existe uma estreita relação com o meio-ambiente e o tempo dos romanos, temos que confessar que isso é muito mais exato aplicado ao caso concreto de Agostinho. Por isso, o consideramos cidadão romano. &lt;p&gt;Santo Agostinho viveu quase toda a sua vida na África; somente esteve cinco anos na Itália (Roma e Milão); Tagaste e Hipona são os dois lugares chaves na existência do grande Doutor da Igreja Universal. A partir da cidade de Hipona, ele se interessa por todas as questões de seu tempo; mantêm relações com o Oriente e Ocidente. Recebe mensageiros da Espanha e Palestina; nunca, porém, sentiu a necessidades de sair de sua pátria, nem para visitar os amigos. &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;ÁFRICA ROMANA&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Nos finais do século IV depois de Cristo, o Norte da África estava completamente submetida à dominação romana. De fato, no ano 146 a.C., os romanos, vencedores em Cartago, organizaram lá a mais antiga de suas províncias de ultramar; depois estenderam mais e mais seus domínios. &lt;p&gt;Com muita freqüência, estes povos se expressam em grego, que era o melhor meio de ser compreendido em todo o mundo, algo assim como o que acontece com o inglês hoje em dia. Em todas as cidades de alguma importância, e, sobretudo em Cartago, o elemento grego tem uma grande influência. &lt;p&gt;No entanto, não é o grego, mas o latim, a língua da civilização e da literatura da África romana. Aqueles que acreditavam ter uma boa educação se expressavam em latim. &lt;p&gt;O norte da África era considerado como um dos principais celeiros de Roma. Por isso, foram para lá comerciantes, industriais, importadores e grandes famílias da nobreza romana. Devido a isto, o norte da África vai se latinizando pouco a pouco; debilita-se o elemento nativo e cresce o poder dos conquistadores, ou seja, o progresso da conquista é paralelo ao avanço da romanização. &lt;p&gt;Quando o cristianismo chega a África, lança suas raízes principalmente entre os latinos, inclusive com maior força que na própria Roma. Tradicionalmente, a Igreja da África é uma Igreja Latina. &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;ÁFRICA CRISTÃ&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Não se sabe com segurança quando o Evangelho chegou pela primeira vez ao Norte da África, pois não existem documentos a respeito disso. &lt;p&gt;É provável que Cartago e as principais cidades da costa, tivessem escutado logo a mensagem de Cristo, pois já no ano 180, aparecem documentos que nos mostram a Igreja africana com um longo passado e numerosíssimo grupo de fieis: &lt;p&gt;“No século III, Cipriano era bispo de Cartago (248). Proclamou a colegialidade para lutar contra as cismas ou enfrentar-se passageiramente com Roma (cuja dignidade ele reconhecia) a propósito dos sacramentos. Morreu mártir em 258. O século IV será marcado pela figura do bispo de Hipona, Santo Agostinho. Nascido em Tagaste e batizado em Milão em 387, foi ordenado sacerdote e bispo em 394. Sua atividade de pastor e pregador será determinante para a vida das Igrejas da África do Norte, que infelizmente desapareceram depois dele&lt;i&gt;” (Imagens da Fe&lt;/i&gt;, nº 160, p. 4) &lt;p&gt;Esta Igreja tem uma característica própria: é urbana e latina, ou seja, desenvolve-se, sobretudo nas grandes cidades, pois o elemento nativo não a deixa chegar facilmente até o campo. É latina, enquanto lança suas raízes especialmente entre gente que fala latim, mais que a língua grega. Este fenômeno se explica porque toda a sua força era trazida de Roma, onde o latim era a língua principal. &lt;p&gt;Durante os séculos III e IV a Igreja africana era muito forte e o episcopado muito bem organizado. O número dos bispos era realmente numeroso; por exemplo: no ano 220, se reúnem 90 bispos africanos para julgar um colega seu. No ano 256, com São Cipriano à frente, se reúnem 87 bispos para examinar o problema do batismo administrado pelos hereges. &lt;p&gt;No ano 335 se reúnem, em Cartago, 270 bispos donatistas e, em 394, se reúnem outros 310 na Numidia. No ano 411, numa grande conferência, se reúnem 286 bispos católicos e 297 donatistas (mais adiante veremos algo sobre eles). &lt;p&gt;Aparentemente, as cifras anteriores não têm muito interesse, mas demonstram que a Igreja africana era muito vigorosa e influente nos tempos de Santo Agostinho. &lt;p&gt;No entanto, nem tudo era cor-de-rosa; trabalhar com as massas populares nunca foi fácil, muito menos na África. Em muitas partes, elas se deixaram vencer pela cultura e o Evangelho. No norte da África, ao contrário, essas massas permaneceram rebeldes a tudo que tinha relação com a cultura romana, inclusive com o Evangelho. Se alguma vez se dobravam, era à força e aparentemente. Quando tinham oportunidade, se rebelavam e voltavam aos antigos ídolos. &lt;p&gt;Havia, certamente, muitas igrejas e uma multidão de fieis, mas também um cristianismo muito superficial. Dificilmente aceitavam a Cristo e, facilmente, o abandonavam. &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A ÁFRICA NOS TEMPOS DE AGOSTINHO.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Este caráter do cristianismo africano se manifestou cedo, inclusive com cismas e heresias, como no caso dos “donatistas”, assim chamados devido a seu fundador, o bispo Donato. Como aconteceram estas coisas? &lt;p&gt;Quando morreu Mensúrio, bispo de Cartago, escolheram como sucessor o bispo Ceciliano. Mas alguns opositores não quiseram reconhecê-lo, dentre eles Donato, que era um dos bispos de Numídia. Num concílio que se realizou em Cartago -ano 312- depuseram Ceciliano. Para ocupar seu lugar escolheram a Majorino, ao qual sucedeu o próprio Donato, que organizou muito bem a oposição e deu nome à seita dos donatistas. Ensinavam, entre outras coisas, que os sacramentos administrados por sacerdotes indignos eram inválidos. &lt;p&gt;O donatismo tem muita importância na história agostiniana porque Santo Agostinho, sendo já bispo, lutou contra eles. Santo Agostinho afirmava, por exemplo, que Cristo é o autor dos sacramentos e os sacerdotes e bispos são simples ministros ou canais pelos quais a graça se comunica aos homens. Esta tem sido sempre a doutrina verdadeira da Igreja. &lt;p&gt;É nesta situação, ou seja, quando a Igreja da África se encontrava dividida, que vem ao mundo Agostinho, na pequena cidade de Tagaste, atual Souk-Ahras, na Numídia. &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;u&gt;Leitura&lt;/u&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;u&gt;AS CONFISSÕES DE SANTO AGOSTINHO&lt;/u&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Quando se fala de Santo Agostinho, sempre se associa sua vida com o seu famoso livro autobiográfico: as “Confissões”. &lt;p&gt;Este gênero literário é famoso. Existem confissões filosóficas e confissões piedosas, como também existe uma infinidade de confissões para atrair um público ávido de sensacionalismo. Em qualquer livraria ou banca de revistas, o leitor atual, membro da sociedade de consumo, também encontra este falso alimento para aumentar a onda de erotismo que se estende pelo mundo. E compra este subgênero literário para matar o tempo. &lt;p&gt;As “Confissões” de Santo Agostinho não se parecem com este gênero de literatura fácil que se lê e joga no lixo. Não creia que você vai encontrar relatos impressionantes, cenas escabrosas, como as que se lê em alguma novela, ou algo semelhante ao estilo de uma fotonovela. &lt;p&gt;Para Agostinho, a palavra “Confissões”, mais que confessar pecados, significa “adorar a Deus”. É um verdadeiro hino de louvor de um coração arrependido. Eis suas próprias palavras: ‘&lt;i&gt;Recebe, Senhor, o sacrifício destas confissões, por médio desta língua que me destes e que excitas, para que louve o teu nome... Louve-te minha alma, para que possa chegar a amar-te; que te confesse todas as tuas misericórdias e por elas te louve. Não cessa em teu louvor, nem cala teus louvores, a criação inteira; nem as cala o espírito, que fala pela boca de quem se converte a Ti...&lt;/i&gt;’ (Conf. V, 1, 1). &lt;p&gt;Apesar de narrar seus extravios, seus erros e seus pecados, a intenção é mostrar sua pequenez comparada com a grandeza e a misericórdia de Deus. É mais uma oração dirigida a Deus que um discurso aos homens. Continuamos com suas próprias palavras: ‘&lt;i&gt;Permita-me, no entanto, falar ante tua misericórdia, a mim, que sou pó e cinza; deixa-me falar, pois falo à tua misericórdia e não a um homem escarnecedor que pode rir-se de mim. Talvez apareça risível ante teus olhos, mas Tu te voltarás a mim cheio de misericórdia’&lt;/i&gt; (Conf. I, 6, 7)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-5810922637925828790?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/5810922637925828790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/07/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/5810922637925828790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/5810922637925828790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/07/20-licoes-para-conhecer-santo-agostinho.html' title='20 lições para conhecer a Santo Agostinho'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-1093192503964840545</id><published>2011-06-13T07:10:00.001-07:00</published><updated>2011-06-13T07:10:35.613-07:00</updated><title type='text'>TEU AMIGO, AGOSTINHO 4</title><content type='html'>&lt;p&gt;No fim do verão do ano 388 embarquei, definitivamente, com meu filho e meus amigos, rumo a Cartago e depois para Tagaste. &lt;p&gt;Fazia tempo que notava que Deus queria de mim algo mais que ser apenas um bom cristão. &lt;p&gt;Vendi a herança de meus pais... Uma parte eu a dei aos pobres e com a outra parte me estabeleci com os meus amigos na periferia do povoado. Ali vivíamos pondo tudo em comum segundo o estilo dos primeiros cristãos. A simplicidade de vida, a castidade, a oração, o estudo, o diálogo amistoso, a vida familiar..., foram alguns dos princípios básicos de vida que nos propusemos para alcançar a Deus juntos na amizade. &lt;p&gt;Passei neste primeiro mosteiro uns anos muito felizes, embora não isento de problemas e dissabores. Um deles foi a morte, no ano seguinte de minha chegada a Tagaste, de meu filho Adeodato. Tinha somente 17 anos. &lt;p&gt;Amava-o como filho e como amigo. Tinha uma inteligência prodigiosa e um caráter afável. No lugar dele, o Senhor me deu muitos outros amigos de meu povoado e de outros lugares perto que começaram a viver comigo e com os demais o ideal de vida que nos havíamos proposto. &lt;p&gt;O que mais me inquietava neste momento era que me tornassem sacerdote. Já era demasiadamente conhecido e admirado..., e não me sentia digno nem preparado para esse cargo. &lt;p&gt;Por isso, quando tinha que ir a uma cidade, andava com cuidado para que as pessoas não me vissem e me escolhessem. Por essa ocasião, era o povoado quem elegia aos sacerdotes e os bispos. &lt;p&gt;Certo dia, que por obrigação fui a Hipona, cidade portuária ao noroeste de Tagaste, durante a missa de domingo, o bispo Valério me viu e pediu ao povo que me elegesse seu ajudante. O povo gritou meu nome: Agostinho, Agostinho... Queremos Agostinho!, e embora tenha resistido chorando, não me coube outra possibilidade senão aceitar. Compreendi que essa era a vontade de Deus. &lt;p&gt;Depois de um tempo de preparação e de deixar tudo organizado junto ao grupo de amigos para que minha ausência não fosse notada, fui ordenado sacerdote no ano 391. &lt;p&gt;Em Hipona formei uma nova comunidade de amigos com o mesmo estilo do mosteiro de Tagaste. Vivíamos em uma casa e tínhamos uma pequena horta que o bispo havia deixado. Apesar de ter tido pouco tempo para conviver com eles, foi para mim uma grande ajuda. &lt;p&gt;Minha nova função pastoral de sacerdote consistia basicamente em estar com as pessoas e ajudá-las em seus variados problemas, pregar, ensinar e administrar os sacramentos. Nesta época também escrevi alguns livros sobre diversos aspectos da Bíblia e de doutrina cristã, a pedidos de alguns. Converti-me, a meu pesar, em substituto do bispo, por isso ele -cinco anos depois- fez-me bispo auxiliar de Hipona. Tinha então 42 anos. &lt;p&gt;No ano seguinte à morte do bispo Valério, passei a ser bispo titular de Hipona e minha atividade pastoral cresceu. &lt;p&gt;Ser bispo significava ser pai de todos, cuidar de todos materialmente e espiritualmente. Quem tinha alguma queixa, disputa ou necessidade vinha a mim para que desse a solução. &lt;p&gt;Na África a heresia e o cisma eram já velhos nestes anos, e os católicos nem sempre sabiam dar razões convincentes de sua fé, por isso muitos cristãos, sacerdotes e bispos, pediam-me uma resposta clara e definitiva para estes problemas. "Como você entende disto mais que nós, diziam-me: escreve". Assim nasceram uma serie de livros que bem cedo adquiriram uma grande difusão. Estavam dirigidos, principalmente, contra as doutrinas maniqueístas, arianas, donatistas e pelagianas, que eram os ensinamentos que naquele momento causavam mais dano aos crentes. &lt;p&gt;Estes escritos suscitavam muitas polêmicas e muitas brigas com os chefes destas igrejas, pelo que fui "desafiado" a explicar minhas idéias em numerosas entrevistas, encontros e concílios por toda África. Pouco a pouco, embora não sem dificuldades, riscos e ameaças -mais de uma vez estive a ponto de sofrer um atentado- a verdade se foi impondo e todo a norte da África começou a gozar de mais paz e unidade do que nunca houvesse tido. O amor universal e a unidade da Igreja foram minha obsessão e a de meus amigos. &lt;p&gt;Na pregação cotidiana na igreja de Hipona também expunha ao povo simples a doutrina católica. Mas muitos que desejavam conhecer meu pensamento e doutrina sobre os mais variados pontos do dogma e da Bíblia, e não podiam assistir, solicitavam meus sermões. &lt;p&gt;Mas não se contentaram com isto, também queriam ter uma palavra definitiva sobre assuntos filosóficos, educacionais, dogmáticos, bíblicos, de vida religiosa, e outra série de questões. Assim nasceram a maior parte de meus livros. &lt;p&gt;Logo as pessoas mais diversas do mundo romano, começaram a escrever-me. Centenas de cartas me chegavam solicitando-me esclarecimento, uma resposta, a solução para seu problema... A todos os que pude, respondi. Tinha pouco tempo para mim... &lt;p&gt;Quantas saudades dos dias passados com meus amigos em Cassiciaco e Tagaste. Que tempos aqueles! As pessoas agora, durante o dia, solicitavam-me com os mais variados problemas e necessidades para que os solucionasse. Somente às noites tinha-as livres para dedicá-las a pensar, meditar e orar a Deus, que era meu único bem. &lt;p&gt;O ano 410 foi um ano terrível para o mundo romano. Os godos invadiram Roma. Alguns pensavam que era o fim do mundo. Logo os inimigos da fé cristã culparam-na de ser a causadora do desastre. Vi-me obrigado a defender a fé desta acusação falsa e injusta. Assim nasceu o livro que intitulei "A Cidade de Deus". Este, junto com "As Confissões", que escrevi como ação de graças a Deus por tudo o que me deu, e o livro "A Trindade" são os que mais fama têm tido das 93 obras minhas que atualmente conservam-se. &lt;p&gt;Bom, amigo, não quero cansar-te mais com a narração de minha vida... Simplesmente te direi que tinha 76 anos quando, depois de viver e lutar muito e agradecido a Deus por tudo o que fez em mim, deixei este mundo... &lt;p&gt;Meus últimos dias na terra foram tristes mas esperançosos. Os vândalos de Genserico haviam invadido todo o norte de África matando, roubando, destruindo e desolando tudo. Também chegaram a minha querida cidade de Hipona que foi sitiada totalmente. Eu não vi sua conquista, mas intui que o velho mundo terminava, uma vez que clareava, já, no horizonte, um novo amanhecer. &lt;p&gt;No terceiro mês do cerco, no dia 28 de agosto do ano 430, Deus me chamou para morar para sempre com Ele, em sua Cidade Celeste, a qual também você esta chamado e desde já peço ao Senhor por você e espero-o. &lt;p&gt;Um abraço, &lt;p&gt;Agostinho.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-1093192503964840545?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/1093192503964840545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/06/teu-amigo-agostinho-4.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/1093192503964840545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/1093192503964840545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/06/teu-amigo-agostinho-4.html' title='TEU AMIGO, AGOSTINHO 4'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-3205823700365615345</id><published>2011-05-28T03:02:00.001-07:00</published><updated>2011-05-28T03:02:25.469-07:00</updated><title type='text'>TEU AMIGO, AGOSTINHO 3</title><content type='html'>&lt;p&gt;No ano 383 influenciado por meus amigos e em total oposição à minha mãe, decidi deixar Cartago e dirigir-me à capital do Império, Roma. &lt;p&gt;Ali me disseram que podia ser algo mais que um mero professor de Retórica, ganhar mais dinheiro e sobretudo livrar-me daqueles alunos que com sua desordem, gritos e gracejos, não me deixavam desenvolver boas aulas. &lt;p&gt;Assim que cheguei a Roma peguei uma febre que quase levou-me à morte. Passei muito mal e a recuperação foi lenta. E de novo Deus, a quem eu não "ligava", cuidava de mim como se fosse um filho. Nesta cidade continuei dentro da seita maniqueísta. Eles ajudaram-me muito nestes primeiros momentos difíceis, porém, pouco a pouco, comecei a distanciar-me deles e de suas doutrinas que já não me convenciam como antes... &lt;p&gt;Para sobreviver, recomecei as aulas de Retórica em minha casa. Os estudantes não eram tão bagunceiros como em Cartago; mas eram maus e tortos e, sobretudo, não pagavam as aulas... Devido a isso prestei um concurso que havia em Milão para obter a cátedra de Retórica e também concorri a uma vaga na corte do Império como orador oficial. Passei no concurso e ganhei a vaga. &lt;p&gt;Em Milão, além de meu trabalho de Retórica e orador que eu queria só para ganhar fama e dinheiro, dediquei muito tempo vasculhando onde estava a verdade com Alípio e Nebrídio, dentre outros muitos amigos. A doutrina maniqueísta já não me satisfazia, mas tampouco a católica. Era um mar de dúvidas e optei por não "ligar" para a questão, porém minha maneira apaixonada de ser, não me deixava tranqüilo. O bispo de Milão, Ambrósio, com suas palavras me ajudou muito; mas era eu quem tinha que optar e um dia após outro adiava a decisão para o dia seguinte. Amanhã, amanhã, amanhã!..., dizia-me, mas nunca chegava esse "amanhã". &lt;p&gt;Nesta época planejei, com um grupo de amigos, uma experiência de vida em comum, e quando já tínhamos quase tudo planejado..., não pudemos realizar. As mulheres foram o obstáculo. &lt;p&gt;Também decidi, influenciado por minha mãe que morava comigo e com meu filho, formalizar minhas relações sentimentais, casando-me. Mas a mulher que eu tinha eleito e prometido casamento era muito jovem e não podia casar-se legalmente. Por outro lado, eu tampouco estava nesse momento muito interessado em casar-me. &lt;p&gt;Neste momento crucial de minha vida e sofrendo o que não posso contar, também Deus veio em meu socorro. A leitura de uns livros de filósofos neoplatônicos levaram-me a descobrir em mim mesmo a verdade... Assim fui tirando as dúvidas e os problemas intelectuais que anteriormente me atormentavam... &lt;p&gt;Os escritos de São Paulo completaram esta obra e assim comecei a ver tudo de forma cada vez mais clara. &lt;p&gt;Por fim havia descoberto onde estava a Verdade e o Bem: em Cristo. &lt;p&gt;Mas me faltava o mais difícil e importante, dar o passo... Estava muito apegado aos vícios que havia adquirido nos anos passados: sexo, vaidade, orgulho,... bem, já sabes!, e me custava muito deixá-los. &lt;p&gt;Por esta época, um tal Simpliciano, homem culto -apesar de seu nome- e amigo meu, falou-me de Mário Victorino. Este era um filósofo bastante admirado que se havia convertido ao Cristianismo há pouco tempo. Seu exemplo me comoveu. Também me falaram de Antônio, fundador dos monges de Egito e de outros que como ele abandonaram tudo. Estes exemplos me causaram uma impressão muito forte e quase decisiva. Perguntava-me: Por que eles e não eu? Resistia, no entanto, a dar o passo final e tornar-me cristão, embora eu quisesse. &lt;p&gt;Finalmente, em um dia de agosto do ano 386, Deus, vendo minha indecisão, deu-me o empurrão que faltava. Estando no jardim da casa onde morava, em estado de desassossego interior, de querer e não poder e chorando por ser incapaz de dar o salto definitivo..., escutei umas crianças que cantavam: "Toma e lê, toma e lê!" Interpretei estas palavras como se Deus me as dissesse e assim peguei a carta de São Paulo aos Romanos, que trazia comigo, e a li: "Nada de banquetes e bebedeiras, nada de prostituição e libertinagem, brigas e ciúmes. Mas vistam-se do Senhor Jesus Cristo" (13,13). &lt;p&gt;Estas palavras, como se fossem um raio penetraram em mim e dissiparam todas as minhas dúvidas e vacilações... Desde esse instante, decidi firmemente ser cristão com todas as conseqüências e deixar tudo o que antes havia buscado com tanto esforço. Cristo seria minha única luz, minha única verdade, meu único amor! &lt;p&gt;Estava ainda dando as aulas em Milão. Esperei que chegassem as férias, por ocasião do tempo da vindima, para deixar definitivamente a docência e a cátedra de Retórica. &lt;p&gt;Retirei-me para um lugar tranqüilo, perto de Milão, chamado Cassiciaco. Aqui um amigo deixou-nos, a minha família e meus amigos, sua casa e sua chácara para que estivéssemos à vontade durante o tempo que quiséssemos... &lt;p&gt;Durante seis meses permaneci neste lugar descansando, pensando, orando e conversando em amizade com os meus. Que tempo tão feliz passei aqui! Por aquela ocasião escrevi "Os Diálogos", recolhendo as reflexões e conversas que tínhamos sobre diversos temas da vida. Ao mesmo tempo, durante estes meses, fui-me preparando para receber o batismo. &lt;p&gt;Por fim, a noite de Páscoa do dia 24-25 de abril do ano 387, quando tinha 33 anos, recebi as águas do Batismo na Igreja de Milão... Comigo se batizou meu filho e Alípio, meu amigo. O bispo Ambrósio foi quem nos administrou o sacramento. Foi um grande dia. Minha mãe, Mônica, não cabia em si de tanto contentamento. Suas lágrimas e orações haviam dado resultado. &lt;p&gt;Cedo deixamos Milão a caminho de Roma. Havia decidido com meu filho e meus amigos servir somente a Deus em minha terra -África. Preparando a viagem de regresso, em Óstia Tiberina, porto de Roma, morreu minha mãe. Que grande mulher foi em todos os sentidos! Depois de sua morte senti uma tristeza imensa e um grande vazio me invadiu. Logo chorei. Só me consolava sabê-la ao lado de Deus a quem sempre esteve tão unida. &lt;p&gt;Depois deste acontecimento, adiei a viagem a África. Durante um ano estive em Roma. Ali dediquei-me a conhecer os mosteiros de religiosos que existiam. Impressionou-me sua forma de vida e queria imitá-la em minha terra natal.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-3205823700365615345?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/3205823700365615345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/05/teu-amigo-agostinho-3.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/3205823700365615345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/3205823700365615345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/05/teu-amigo-agostinho-3.html' title='TEU AMIGO, AGOSTINHO 3'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-2161452629030712192</id><published>2011-05-13T09:54:00.001-07:00</published><updated>2011-05-13T09:54:38.623-07:00</updated><title type='text'>TEU AMIGO, AGOSTINHO 2</title><content type='html'>&lt;p&gt;Meus 19 anos, tenho-os muito gravados. O ano 372/3 foi muito importante para mim em todos os sentidos. Li um livro, que hoje, desgraçadamente, perdeu-se, intitulado "O Hortênsio", de Cícero, que era o grande filósofo da época. &lt;p&gt;Este livro abriu-me os olhos... Ajudou-me a amadurecer. Falava de ser "sábio" e feliz... De como saber viver a vida... e deu à minha vida um novo sentido... Também afeiçoei-me a ler e a buscar a "sabedoria" e com ela a verdade e a felicidade. &lt;p&gt;Buscando a "verdade", li a Bíblia e... Pasmem! Que linguagem tão pobre tinha! Era um livro para "beatos", pensei. Logo não lhe fiz nenhum caso e continuei vivendo a meu estilo e à margem de Deus. &lt;p&gt;Em minha busca da "verdade" encontrei-me em Cartago com uma espécie de seita conhecida com o nome dos "maniqueus". Eles só falavam de "verdade" e também ensinavam como consegui-la. Como um bobo caçaram-me e entrei nela. &lt;p&gt;Em poucas palavras e para não cansar-te, direi que suas idéias filosófico-religiosas vinham a sustentar que no mundo e em cada pessoa existem dois princípios em luta: o do Bem (a luz, o espírito) e o do Mal (as trevas, o material). Tratava-se de fazer com que prevalecesse o Bem e para isso era necessário lutar contra tudo o que fosse material, inclusive o corpo, até aniquilá-lo. A doutrina era uma mistura de idéias cristãs, zoroástricas e de outras religiões. Eram uns enrolões, inclusive o chefe: Fausto. &lt;p&gt;Demorei muito -nove anos- ao dar-me conta disso e lhes fiz o jogo. E mais, a alguns de meus amigos consegui convencer e eles entraram na seita. &lt;p&gt;Nem te conto o que sofreu minha mãe quando ficou a par de minha situação. Acredito que preferia ver-me morto a maniqueísta. Com orações e lágrimas pedia a Deus que me convertesse e batizasse. Embora eu me sentisse tão seguro do que cria que nem lhe fiz caso. Coisas de minha mãe!, pensava. &lt;p&gt;Neste mesmo ano, com uma jovem de minha idade, com a qual convivia e a quem guardava fidelidade, tive um filho. Chamei-lhe Adeodato. A ambos quis muito, muito,... &lt;p&gt;No ano seguinte, já terminada minha carreira, voltei a meu povoado e me propus a ensinar o que havia aprendido, convertendo-me num "vendedor de palavras bonitas" -como eu chamo aos retóricos- mas carentes de verdade. &lt;p&gt;Parece mentira, mas nestes anos, sendo todo um professor, tendo-me a mim mesmo por sábio e astuto, comecei a crer na astrologia e demais artes de adivinhação orientando minha vida segundo elas. &lt;p&gt;Nem um médico muito inteligente e famoso com quem falava com freqüência, nem meu amigo Nebrídio, que ria-se de minhas superstições, puderam com minha credulidade... No fundo era como uma criança, teimosa e ingênua a um só tempo. &lt;p&gt;Por um ano estive lecionando em Tagaste. Aqui vivi uma intensa amizade com um colega, até que a morte o separasse de mim. Isto foi para mim um golpe terrível. Creio que com isto Deus ensinou-me, sem que eu soubesse, a pouca consistência de qualquer amizade sem Ele. "Só quem sabe querer seus amigos em Deus, é que não os perde, porque Ele é quem nunca perdemos". &lt;p&gt;Esse acontecimento, junto com o desejo de obter uma cátedra melhor impulsionaram-me a fugir para Cartago para esquecer e ter assim um pouco de tranqüilidade interior. &lt;p&gt;Em Cartago, as aulas -freqüentemente interrompidas pela bagunça dos estudantes-, as leituras do filósofo Aristóteles e de outros pensadores e os amigos, preencheram todo meu tempo. Também escrevi uns livros sobre estética intitulados "O formoso e o apto", que acredito se tenham perdidos, onde expus minhas idéias sobre a beleza.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-2161452629030712192?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/2161452629030712192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/05/teu-amigo-agostinho-2.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/2161452629030712192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/2161452629030712192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/05/teu-amigo-agostinho-2.html' title='TEU AMIGO, AGOSTINHO 2'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-5301905852639437116</id><published>2011-05-02T02:24:00.001-07:00</published><updated>2011-05-02T02:24:49.556-07:00</updated><title type='text'>CARTA DE TEU AMIGO, AGOSTINHO 1</title><content type='html'>&lt;p&gt;Querido amigo: &lt;p&gt;Pedem-me que te fale de minha vida... Dizem que, apesar do tempo, é em muitos aspectos igual à tua... Talvez não seja para tanto... &lt;p&gt;O ambiente em que me coube viver não se parece muito com este; embora em Deus todos somos contemporâneos. &lt;p&gt;Começarei com um pouco de ordem... &lt;p&gt;Nasci em 13 de novembro do ano 354, em Tagaste, um bonito povoado da província romana da Numidia, atual Argélia. &lt;p&gt;Sim, sou africano, embora, este lugar tenha mudado bastante desde então... &lt;p&gt;Economicamente era uma das cidades mais ricas do império e culturalmente podíamos ser quase comparados a Roma. &lt;p&gt;No aspecto religioso a maioria das pessoas era cristã, embora muito divididas e também existia um bom número de nostálgicos adoradores de deuses antigos, dentre eles, meu pai... &lt;p&gt;De minha família... Que posso contar? Meu pai chamava-se Patrício e minha mãe Mônica. Seu casamento não andou muito bem... Eram diferentes em quase tudo: caráter, idade, formação, religião,... Casaram-se por conveniências familiares (na época muito freqüentes) e, especialmente, minha mãe teve que suportar muita coisa que não lhe agradava... Não se divorciaram porque ela, cristã autêntica, não admitia isso... Preferiu calar, tolerar e rezar. Um método aparentemente não muito efetivo mas que deu bom resultado. Com sua tenacidade e constância meu pai chegou a mudar. &lt;p&gt;Éramos três irmãos. Eu era o mais velho. Minha infância foi como a de todos os meninos. Talvez mais inquieto e mais levado do que a maioria... &lt;p&gt;Na época não havia o costume de batizar as crianças. A única coisa que se fazia era dar o sinal da cruz como promessa de que um dia seria cristão. Eu, no entanto, estive a ponto de ser batizado porque tive uma doença bastante grave. Quase morro... Mas tudo passou e as coisas ficaram como estavam. &lt;p&gt;Deus já cuidava de mim sem que eu soubesse. &lt;p&gt;Também fui à escola, como todos, embora prefiro não lembrar. Ali se aplicava o método "se não vai por bem, vai por mal"... Se dependesse dos golpes que apanhei deveria ter-me tornado um sábio. Rezava a Deus para livrar-me dos professores, mas... nada! &lt;p&gt;Meus pais estavam empenhados em que eu estudasse a qualquer custo... Já sabes... Meu pai, que era funcionário da Prefeitura, queria que seus filhos fossem mais do que ele, sobretudo eu, que parecia prometer muito... &lt;p&gt;Esta foi a razão pela qual, uma vez que aprendi tudo o que ensinavam na escola de Tagaste, meus pais enviaram-me a Madaura para prosseguir os estudos. &lt;p&gt;Era uma cidade a 30 km. ao sul de meu povoado; maior, mais culta e importante que Tagaste. &lt;p&gt;Ali passei minha adolescência... &lt;p&gt;Dos estudos de Gramática, que era o que estudava, não posso queixar-me. Meus professores diziam que teria um brilhante futuro. &lt;p&gt;Mas o que mais me entusiasmava era a amizade: fazer amigos e conservá-los... &lt;p&gt;"Amar e ser amado" foi meu lema, ao qual dediquei-me apaixonadamente... &lt;p&gt;Vivi estes anos longe do controle de minha família, à vontade, sem limites, sem freio... Os ensinamentos cristãos que minha mãe tinha-me inculcado estavam esquecidos ou rejeitados. Por que continuar umas normas que pareciam por limites à minha liberdade e aos meus instintos? &lt;p&gt;Quando terminei os estudos, voltei a Tagaste... Levava umas boas qualificações, um punhado de amigos e um monte de defeitos pessoais... Tudo isto cresceu no ano seguinte, em que nada tive a fazer. &lt;p&gt;Meu pai não pode juntar dinheiro suficiente para que eu fosse a Cartago para continuar estudando e perdi o tempo inutilmente... O teatro era a única coisa que me fazia feliz... &lt;p&gt;Deus, naquele momento, significava pouco para mim. Era mais uma idéia que uma realidade viva... &lt;p&gt;Por fim, um amigo de família, Romaniano, pagou-me os estudos em Cartago. Eram estudos superiores... Por essa razão fui a Cartago. &lt;p&gt;Cartago! Depois de Roma, a cidade mais bonita, culta e interessante de minha época. Tudo ali me dizía:"Vive! Desfrute! Divirta-se!" E foi isso que eu fiz. &lt;p&gt;Embora um pouco "caipira" não demorei a entrar em sintonia com o ambiente. &lt;p&gt;Dá-me vergonha dizer que cheguei a ser para meus amigos e colegas um modelo de elegância e de conhecimento das coisas do mundo... &lt;p&gt;Naquele momento passei a fazer parte de um grupo que se chamava "os demolidores"... Divertíamo-nos muito rindo de tudo e de todos... Troças, problemas, algazarra,... todos os dias, mas, no fundo, isto não me satisfazia e logo os deixei. &lt;p&gt;Eu preferia sonhar, ler e fazer poesia, ir ao teatro..., mas sobretudo amar... E no amor era possessivo e gostava de desfrutar dos prazeres da vida com a outra pessoa... Embora, logo, dado o meu temperamento, os ciúmes, as suspeitas, os desgostos..., não me deixavam viver tranqüilo. &lt;p&gt;No ano em que estava em Cartago morreu meu pai, que foi batizado, antes de morrer, por insistência e constância de minha mãe. &lt;p&gt;À sua maneira, foi um bom pai... Embora nunca estivéssemos muito entrosados, reconheço que ele se sacrificou muito por meus irmãos, principalmente por mim, para que nada nos faltasse. &lt;p&gt;O que eu estudava em Cartago era "Retórica", que consistia em saber falar e expressar-se bem, com elegância e distinção. Saber convencer com as palavras. Com estes estudos poderia ser um bom advogado, principalmente porque era o primeiro colocado de minha turma.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-5301905852639437116?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/5301905852639437116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/05/carta-de-teu-amigo-agostinho-1.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/5301905852639437116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/5301905852639437116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/05/carta-de-teu-amigo-agostinho-1.html' title='CARTA DE TEU AMIGO, AGOSTINHO 1'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-8265080562578954114</id><published>2011-04-10T10:10:00.001-07:00</published><updated>2011-04-10T10:10:52.584-07:00</updated><title type='text'>A HERANÇA DE SANTO AGOSTINHO</title><content type='html'>&lt;p&gt;Não existem palavras mais adequadas para dar por terminada uma biografia de Santo Agostinho que aqueles com que a conclui quem foi seu amigo e confidente durante 40 anos, S. Posídio. &lt;p&gt;"Não fez nenhum testamento porque, como pobre de Deus, nada tinha a deixar. &lt;p&gt;Olhando os vindouros, mandava sempre que se guardassem com esmero toda a biblioteca da Igreja e os códices antigos. &lt;p&gt;Os bens que a Igreja possuía em propriedades ou ornamentos, tudo encomendou à fidelidade do presbítero que tinha o cuidado da sua casa. &lt;p&gt;Na sua vida e na sua morte tratou com atenção os seus parentes, religiosos ou leigos; e, se era necessário, do que sobrava, como aos outros, provia‑os, não para os enriquecer, mas para que não passassem necessidades ou para aliviá‑la. &lt;p&gt;Deixou à Igreja clero suficientíssimo e mosteiros cheios de religiosos e religiosas, com a sua devida organização, a sua biblioteca provida de seus livros e tratados e de os de outros santos; e neles se reflete a grandeza singular deste homem dado por Deus à Igreja, e ali os fiéis o encontram imortal e vivo... &lt;p&gt;E certamente nos seus escritos manifesta‑se segundo a luz da verdade que se recebe, como aquele sacerdote tão agradável e amado por Deus viveu segundo a saudável e reta fé, esperança e caridade da Igreja católica e os que lêem os seus livros acerca das coisas de Deus tiram proveito. Se bem que eu creio que, sem dúvida, poderam tirar maior proveito os que o ouviram e viram pregar na Igreja e sobretudo conheceram a sua vida exemplar entre os homens (Vida, 31).&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-8265080562578954114?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/8265080562578954114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/04/heranca-de-santo-agostinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/8265080562578954114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/8265080562578954114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/04/heranca-de-santo-agostinho.html' title='A HERANÇA DE SANTO AGOSTINHO'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-8011363016265598716</id><published>2011-04-09T02:45:00.001-07:00</published><updated>2011-04-09T02:45:13.179-07:00</updated><title type='text'>A VELHICE SEM DESCANSO</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;Vim para esta cidade na &lt;p align="right"&gt;flor da minha juventude. &lt;p align="right"&gt;Então era jovem, agora sou ancião &lt;p&gt;A velhice também bateu à porta de Agostinho e ele não teve outro remédio senão deixá‑la entrar. Velhice salpicada de horas de luz e momentos de amargura. Os monges, aquilo que mais amava, de toda a sua igreja, são fonte de preocupação. Em Hipona, algum, atreveu‑se a fazer testamento, tendo anteriormente feito profissão de pobreza absoluta. Já o lembramos. Em Hadrumeto queriam tirar conclusões exageradas da sua teoria da graça. Outro mosteiro, este de monjas, após o falecimento da irmã de Agostinho, que tinha estado muito tempo à frente do mosteiro, não aceitam a nova superiora. Agostinho teve de intervir combinando caridade com firmeza. Ao mesmo tempo, tem de lamentar um engano seu. Contra o parecer de todos, nomeou bispo de Fúsala um jovem, Antonino, que depois resultou num tirano para a sua comunidade. Teve de suar para desmanchar a embrulhada e contrariar as manobras do culpado. &lt;p&gt;Mas nem tudo é amargura. Da Terra Santa acabaram de chegar os restos do mártir Santo Estevão. A África toda enche‑se de capelas em sua honra. Naqueles momentos de angústia, os pobres habitantes procuram um protetor celeste; não Romaniano, mas Estevão. Os prodígios multiplicam‑se; as curas sucedem‑se umas às outras. Agostinho entusiasma‑se e manda recolher dados sobre cada uma delas. Há que publicá‑las; há que dar‑lhes publicidade. Deus não abandona a sua Igreja, os seus filhos. Sente‑se inspirado a escrever poesia para ornamentar as paredes da capela que Hipona construiu para o seu generoso protetor. &lt;p&gt;A sua atividade intelectual não se diminui. Responde aos que procuram a sua ciência como remédio capaz de resolver todas as questões. Acaba a importante obra A Doutrina Cristã; termina a monumental Cidade de Deus; escreve um importante catálogo de heresias ‑ oitenta e oito ‑ antigas e contemporâneas, a pedido de um diácono de Cartago. Muitas delas refutou ao longo da sua vida. Agora ocupa‑se dos arianos e, sobretudo, dos pelagianos, os últimos hereges citados no catálogo. Emprega muitas horas do dia a combater Julião de Eclana. A compor a sua doutrina sobre a graça. &lt;p&gt;Não lhe chega o tempo. Deseja renunciar a muitos assuntos de administração temporal. Começam a faltar‑lhe as forças físicas. Deseja ter mais tempo livre para a meditação das Sagradas Escrituras e rever os seus escritos. Nomeia um sucessor em 426. Este será o seu substituto e levará sobre os ombros grande parte do peso da diocese. Agostinho poderá dedicar‑se aos seus afazeres. O seu nome é Heráclio, um dos clérigos do seu mosteiro, o construtor da memória de Santo Estevão. &lt;p&gt;Agostinho sabe que a morte se aproxima. Enquanto se é criança pode‑se esperar ser jovem,; depois adulto, homem maduro, por fim ancião. Mas quando se é ancião não se pode esperar nada mais que a morte. Mental e fisicamente conservou‑se ativo. Era consciente do prestígio que as suas obras tinham alcançado. Não ignorava que iam ser o alimento espiritual para os corações vindouros. Ao mesmo tempo sabia as muitas mudanças que as suas idéias tinham sofrido. "Progredindo escrevia e escrevendo progredia". O que noutros tempos tinha sido a ponta firme do seu pensamento agora achava que era erro. Os inimigos não tinham escrúpulo em servir‑se da imprecisão dos seus primeiros escritos, ou simplesmente atribuir‑lhe o que nunca tinha afirmado. Assim empreende a titânica obra de rever todos os seus escritos. Lê‑os de novo. Daqui sai a obra intitulada Revisões. Única e original, como as Confissões, Solilóquios, a Cidade de Deus. Nela indica‑nos quando foi escrita cada uma das obras, em que ocasião e com que finalidade, o que encontra que não está consoante o seu pensamento de homem já maduro; o que ele disse e o que os hereges o fazem dizer. Livro fundamental para conhecer Agostinho. A morte surpreendeu‑o sem o ter deixado acabar. Ficaram‑lhe por rever as suas cartas e os seus muitíssimos sermões e trabalhou até aos últimos momentos da sua vida. De dia compunha a resposta a Julião; de noite revia os seus escritos. &lt;p&gt;A África romana ia sucumbir. Procedentes de Espanha, atravessando o estreito de Gibraltar, tinham passado a terra africana, os vândalos capitaneados por Genserico. Uma a uma iam caindo todas as cidades. O poder romano não era capaz de lhe oferecer resistência. As cenas de horror lembravam as que Agostinho tinha ouvido contar quando do saque de Roma. Os bispos, entre eles Posídio, acorrem a Hipona. Agostinho convida‑os a não abandonarem os fiéis, de quem são pastores. Por fim, os invasores chegam a Hipona. Cercaram‑na durante quatorze meses. Após três meses, Agostinho adoece, aproveita a doença para fazer penitência. "Pondo os cadernos na parede, em frente dos olhos, dia e noite, o santo doente olhava e lia, chorando copiosamente. E, para que nada o distraísse da sua ocupação, mas uns dias antes de morrer, pediu‑nos, na nossa presença, que ninguém entrasse a vê‑lo fora das horas em que o visitavam os médicos ou lhe levavam a refeição" (Vida, 31). &lt;p&gt;Prestes a cumprir 76 anos, a 28 de Agosto de 430, entregou a sua alma a Deus. O seu coração inquieto conheceu o descanso. O seu peso, o seu amor, impelia a sua queda para o alto, para Deus. N'Ele encontrou o repouso procurado, a paz do eterno sábado. &lt;p&gt;"O corpo com o seu peso tende ao seu lugar. O peso não vai apenas para baixo, mas sim para o seu lugar. O fogo tende a subir, a pedra tende a descer. Pelos seus pesos se movem e vão ao seu lugar. O azeite derramado levanta‑se sobre a água a água derramada sobre o azeite submerge‑se debaixo dele. Pelos seus pesos se movem e vão ao seu lugar. &lt;p&gt;As coisas não bem ordenadas estão inquietas; quando se as põe em ordem, descansam. &lt;p&gt;O meu peso é o meu amor; onde quer que vá sou levado por ele. O teu dom incendeia‑nos e leva‑nos para cima; atrevemo‑nos e subimos... &lt;p&gt;Com o teu fogo atrevemo‑nos e caminhamos, porque vamos para cima, para a paz de Jerusalém; porque me ofereci quando me disseram: vamos para a Casa do Senhor. Ali nos colocará a tua boa vontade e não queremos outras coisas senão permanecer ali eternamente" (Confissões, XIII, 9, 10).&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-8011363016265598716?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/8011363016265598716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/04/velhice-sem-descanso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/8011363016265598716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/8011363016265598716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/04/velhice-sem-descanso.html' title='A VELHICE SEM DESCANSO'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-787568349565128716</id><published>2011-04-08T08:46:00.001-07:00</published><updated>2011-04-08T08:46:59.113-07:00</updated><title type='text'>TUDO É GRAÇA</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;Dá‑me Senhor, o que pedes &lt;p align="right"&gt;e pede‑me o quiseres &lt;p&gt;Foi contra o pelagianismo que Agostinho travou a última e mais dura, das suas grandes polêmicas em defesa da fé da mãe Igreja. Três pessoas estão conotadas com este erro: Pelágio, de quem a heresia recebe o nome; Celéstio, que fez estalar a contenda e Julião de Eclana, o mais capaz e mais inteligente dos opositores de Agostinho, o qual continuou a polêmica, mesmo depois dos outros terem deposto as armas. Esta luta, que começou cerca do ano de 411, concluiu com a própria morte de Agostinho, quase vinte anos mais tarde. Esta surpreendeu‑o, de fato, antes de ter podido acabar uma volumosa obra, que por isso mesmo, tem por título: Obra inacabada contra Julião, bispo de Eclana. Incompleta, como está, consta de seis livros. &lt;p&gt;Se compararmos esta controvérsia com as outras grandes controvérsias: as dirigidas contra o donatismo e a contra o maniqueísmo, encontramos vários traços particulares. O primeiro, o caráter internacional por assim dizer. A disputa, que teve e sua origem em África, depressa se estendeu a Itália e até ao próprio Oriente. Fez‑se intervir o Bispo de Roma, o que nunca tinha acontecido nas contendas anteriores. Particular é também o fato de se ter levado a cabo, de forma quase exclusiva, no terreno literário, por meio de livros. Agostinho e os seus opositores conhecem‑se por notícias que outros enviam, pelos respectivos escritos, mas nunca chegaram a encontrar‑se face a face. É típico o elevado tom intelectual, o cristão mediano não estava apto a saber se existia erro e onde. O pelagianismo e a luta que se lhe seguiu foi apenas combatida por personalidades seletas; o povo cristão quase não foi posto em causa de forma direta. &lt;p&gt;Pelágio era um bom cristão, com desejos ascéticos. Aspirava ser perfeito, convencido de que podia chegar a sê‑lo. Visto que era possível, considerava‑o obrigatório, não só para si, mas para todos os cristãos. Ele propunha‑se reformar o povo crente, que se tinha relaxado um pouco nos seus costume, devido principalmente à grande multidão, aquela que, com a chegada de Constantino, se deixou batizar sem estar completamente convencida ou sem preparação suficiente. &lt;p&gt;Queria fazer do povo cristão uma comunidade fervorosa que cumprisse fielmente as leis de Deus. Deus tinha dotado o homem de liberdade; podia, portanto, cumprir livremente aquelas normas que Ele lhe exigia. Normas ou leis que se podiam conhecer claramente; não foi em vão que Deus no‑las tinha deixado escritas na Bíblia. Além disso, tem o bom exemplo de tantos santos profetas e patriarcas do Antigo Testamento. Daqui também conhece os castigos que Deus proporcionou aos que não são fiéis, o primeiro de todos, o sofrido por Adão. Pode imitar, antes de mais, o exemplo de Cristo, obediente ao Pai até à morte na Cruz. Para isso veio ao mundo: para nos dar o exemplo. &lt;p&gt;Se era isto o pensamento de Pelágio, onde está o erro, onde a heresia? Talvez não a tenhas visto, como também não se aperceberam muitos homens, incluindo bispos, do tempo de Agostinho. A ele coube‑lhe a sorte, queremos dizer, a inteligência de trazer à luz o erro de Pelágio, encoberto nas suas palavras. Não só o que expressava mas também aonde podiam levar os seus princípios e pressupostos. &lt;p&gt;Com efeito, ele viu detrás daquelas palavras que exortavam à santidade, o "inimigo da graça de Deus", a negação da mesma, o desprestigiador da obra de Cristo. Para Pelágio e seus sequazes, o homem era completamente livre, capaz de levar a cabo, por si próprio, o bem que se propusesse realizar. Nenhuma força o retraia, pelo menos interior. Admitia, no entanto, que o mau exemplo dos outros podia exercer um efeito negativo sobre nós. Por outras palavras, negava o pecado original, sim, Adão tinha pecado; mas o seu pecado não foi herdado pelos seus filhos. A eles apenas lhes legava o mau exemplo. &lt;p&gt;Compreende‑se, portanto, que negassem a necessidade absoluta do batismo para evitar as penas do inferno, ainda que fosse imprescindível para obter a glória de Deus. Nada havia no homem que tivesse de ser perdoado. Referimo‑nos às crianças porque os adultos têm, logicamente, de responder por todas as suas faltas. Concebiam o pecado como algo de superficial, uma escolha errada, que se pode apagar com outra escolha acertada, em conformidade com a vontade de Deus. Daqui outra figura de Jesus Cristo: era apenas um companheiro que nos tinha dado muito bom exemplo; um mestre que nos deu leis novas e mais perfeitas, mas não o Redentor. Qual a sua necessidade, se o próprio homem era capaz de curar os seus males? Que necessidade havia da graça? Que pouco tinha valido a morte de Cristo! &lt;p&gt;Isto não bastava a Agostinho. Tinha vivido com a experiência do pecado, da luta, da incapacidade de sobrevivência, se Deus não lhe tivesse estendido a mão. Donde provinha tal insuficiências? Deus bom não criou o homem bom? Sim, mas depois Adão pecou. Pecado gravíssimo, visto que vivia na mais completa felicidade. Ele, rico, arruinou‑se e tornou participantes da sua pobreza todos os seus descendentes, chamados a participar da sua riqueza. Todos herdamos o seu pecado. Como prova então os males que vemos à nossa volta. Todos sofremos, mesmo as crianças inocentes. Se não existisse neles um pecado, como é que Deus, que é justo, pode castigá‑los assim? Prova disso são também os vícios que nos arrastam: a inveja, o orgulho, a concupiscência, a morte, etc. &lt;p&gt;"A ser possível tentemos que os nossos irmãos não nos acusem de hereges, coisa que nós ao disputar com eles talvez pudéssemos fazer, se quiséssemos, mas no entanto evitamos. Sofra‑os ainda a piedosa Mãe (a Igreja) com as suas entranhas misericordiosas, para os sarar; guie‑os para os instruir e não os chorar mortos. Porque muito vão avançando: é demasiado, é intolerável, requer-se paciência para os agüentar. Não abusem da paciência da Igreja e corrijam‑se. Como amigos os exortamos, não porfiamos com eles como inimigos. Murmuram contra nós, suportamo‑lo. Já sei que me fizeram alvo das suas iras; sofro‑o. Mas não vão contra o amor das divinas letras, contra a regra da fé; não contradigam a verdade. Não ataquem a Igreja santa, que todos os dias com tanta solicitude se interessa pela remissão do pecado original nas crianças. É uma prática de muito bons fundamentos. Deve‑se suportar ao contendor que erre noutras matérias da Igreja; então o erro é tolerável mas este não deve chegar até minar o próprio fundamento da Igreja. Não chegou ainda a hora oportuna; talvez a nossa paciência ainda não seja censurável; mas também devemos temer que se nos acuse de negligência. Basta isto para a vossa caridade; vós que os conheceis tratai‑os como amigos, como irmãos, pacificamente, com amor e compaixão. Fazei quanto vos sugerir a vossa caridade para ganhá‑los, porque depois não haverá ímpios a quem amar" (Sermão, 294, 21).  &lt;p&gt;A liberdade ficou recortada, limitada. Dentro do homem há algo que o arrasta para o mal. Não se trata apenas de mau exemplo de Adão pecador; mais ainda, dele recebemos uma debilidade interior, que nos torna impossível cumprir, por nós próprios, a lei do Senhor. A vontade não é suficiente, tem de ser empurrada. Não chega que Deus nos dê a conhecer as suas leis; necessitamos da sua força para as cumprir. Nem são suficientes os bons exemplos. Os maus arrastam‑nos tanto ou mais. Era preciso a vinda de Cristo, para que desse remédio à nossa enfermidade. Ele traz‑nos a graça que nos cura, que nos sara, que ajuda. Ele traz‑nos a força: "Vós, diz Agostinho aos pelagianos, enumerais muitos caminhos através dos quais Deus nos socorre, os mandamentos das Sagradas Escrituras, as bênçãos, as curas, mortificações, incitações e inspirações; mas que Ele nos dá o amor e que desse modo nos ajuda, isso não o dizeis " (Carta a Julião, III, 106). &lt;p&gt;Participamos da redenção de Cristo através do batismo; por isso é necessário. O batismo cura‑nos a ferida causada por Adão, mas deixa‑nos a fraqueza. · cura seguirá um longo período de convalescença que durará até ao fim da nossa existência terrena. Também durante este período necessitamos dos cuidados de Cristo médico. Necessitamos da sua ajuda. Sem Ele nada podemos fazer. Todos os nossos tempos são tempos de Cristo e nossos. "Quando Deus coroa os nossos méritos, coroa os seus dons".  &lt;p&gt;Agostinho chegou até ao limite das suas forças na sua luta contra os "inimigos da graça de Deus". Eles não negavam a graça, mas sim a necessidade absoluta da mesma. E em defesa de tal necessidade Agostinho não cessou de agir: assistiu a concílios, escreveu cartas, fez intervir o Papa e acima de tudo refutou as más doutrinas em inúmeros livros. Ele descobriu a heresia e refutou com tanta força, com tanto excesso de trabalho e especulação, com tão profundo estudo da Escritura e da tradição cristã, que com razão lhe é dado o título de DOUTOR DA GRAÇA, que vai sempre junto com o outro de DOUTOR DA HUMILDADE. Que é o homem sem a graça de Deus? &lt;p&gt;No entanto, a vitória não foi fácil. Os inimigos tinham nível intelectual, apesar de a alguns, em certas ocasiões, lhes faltar nível moral. ·s razões especulativas juntavam‑se até os insultos. Mais de uma ver Agostinho perdeu a serenidade. Havia coisas pelas quais não podia passar. Por exemplo, que se metessem com a sua defunta mãe, chamando‑lhe "bêbeda", mal da infância, do qual a graça do Senhor a tinha livrado. A tenacidade de Agostinho fez com que fosse temido pelos seus contrários. E também odiado. É o maior elogio que lhe pode fazer São Jerónimo: "Para a frente! És conhecido em todo o mundo. Os católicos veneram‑te e olham‑te como a um novo fundador da fé e, o que é sinal de maior glória, todos os hereges te detestam" (Carta, 195).  &lt;p&gt;Recordamos, entre as obras que Agostinho escreveu contra os pelagianos, as seguintes:  &lt;p&gt;As conseqüências e perdão dos pecados &lt;p&gt;O Espírito e a letra &lt;p&gt;A natureza e a graça &lt;p&gt;O matrimônio e a concupiscência &lt;p&gt;Réplica a Julião (seis livros) &lt;p&gt;A correção e a graça &lt;p&gt;A predestinação dos santos &lt;p&gt;O dom da perseverança&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-787568349565128716?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/787568349565128716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/04/tudo-e-graca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/787568349565128716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/787568349565128716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/04/tudo-e-graca.html' title='TUDO É GRAÇA'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-4553022981370014336</id><published>2011-04-07T02:49:00.001-07:00</published><updated>2011-04-07T02:49:57.959-07:00</updated><title type='text'>ROMA, DESPERTA!</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;Dois amores edificaram &lt;p align="right"&gt;duas cidades &lt;p&gt;Pouco a pouco, o cristianismo assenhoreou‑se dos corações que antes davam abrigo aos falsos deuses. Os que, anteriormente, acorriam aos templos pagãos, agrupavam‑se agora nas Igrejas cristãs. Quem antes acudia a Esculápio procurando a saúde do corpo, agora recorre a Cristo, médico dos corpos e das almas. Os heróis do paganismo são substituídos pelos mártires cristãos. Na verdade, "o sangue dos mártires foi semente de cristãos" (Tertuliano). &lt;p&gt;No entanto, o paganismo não havia desaparecido completamente. Em muitos corações albergava‑se com a mesma força que em séculos passados. Era a herança dos pais, herança sacrossanta que era preciso conservar. Acaso Roma não chegou à grandeza quando prestava culto àqueles deuses? Por quê abandoná‑los agora? &lt;p&gt;Em outros espíritos o paganismo continuava vivo numa multiplicidade de formas diferentes. Tinham abraçado a fé cristã que não tinha criado raízes. Talvez porque era moda fazer‑se cristão, talvez por oportunismo; ou ainda para ter em Cristo mais um deus que o possa livrar de apuros. Possivelmente para dar gosto a um amigo. Mas, no fundo do seu íntimo, continuavam pagãos. Pagão o seu modo de pensar; pagã as esperanças com que se aproximavam de Cristo, pagãos sobretudo os seus hábitos. No máximo, podia perceber‑se que eram cristãos nos dias de festa; então iam à igreja para ouvir o que dizia o bispo, bater no peito quando ouviam a palavra "confesso", a reconhecerem‑se pecadores. Nos outros dias eram pagãos; não se lembravam da Igreja nem do próprio bispo. Interessava‑lhes mais o teatro e os cômicos. Podiam pensar que até eram cristãos, que acreditavam em Cristo com o fim de obter a vida eterna, enquanto que para assuntos desta terra continuavam a sacrificar aos deuses de sempre. Na melhor das hipóteses podemos pensar que eram cristãos quando tudo corria bem. Quando alguma coisa começava a entortar‑se, renegavam a Cristo e voltavam para os outros deuses a ver se as coisas melhoravam. &lt;p&gt;Contra um e outro tipo de pagãos, Agostinho teve de lutar toda a sua vida de pastor. É interessante ler os seus sermões. Defende‑se, ou melhor, defende a religião cristã contra os ataques de uns e outros; contra as palavras dos primeiros e contra a vida dos segundos. Mostra‑lhes as suas inconseqüências, a falta de lógica; o ridículo dos seus erros. No entanto, teve de acontecer um fato novo que obrigaria Agostinho a atuar com ainda mais energia.  &lt;p&gt;24 de Agosto do ano de 410. Roma, dominadora do mundo durante séculos, a que tinha imposto a sua lei a quase todas as nações, cai em poder do inimigo. A que foi, durante tantos anos, invicta e invencível, foi saqueada pelas tropas do godo Alarico. As notícias, que chegam a Hipona trazida pelos que conseguiram escapar, são horrendas. Tudo foi destruído. Incêndios, violações, sangue que corre pelas ruas. Todos, cristãos e pagãos, estremecem perante tal notícia. Os pagãos apontavam o dedo aos cristãos como sendo os responsáveis da catástrofe: o abandono dos antigos deuses tinha deixado a cidade sem os seus protetores e defensores. &lt;p&gt;Muitos cristãos interrogavam‑se: onde estava o reflorescimento que se esperava para o império, agora que os habitantes, na sua maioria, adoravam o Deus verdadeiro. Até os imperadores se tinham submetido a Cristo e levavam a sua cruz adiante. Talvez a sua fé começasse a vacilar. Ainda os mais seguros das crenças cristãs se interrogavam sobre o significado de tal acontecimento. Que tinha querido Deus dizer por meio daquela página tão negra? Quem seria capaz de ler entre o pó das ruínas e o sangue dos massacres que ali tiveram lugar? Não era ocasião para voltar aos costumes dos pais e restabelecer o culto das antigas divindades? &lt;p&gt;Tal foi a ocasião que levou Agostinho a decidir‑se a escrever uma obra que desde há algum tempo estava projetando, a mais monumental de todas as que compôs: A Cidade de Deus. Nada menos que 12 livros, em cuja composição empregou 24 anos. Através das suas muitas páginas quer dar resposta cabal a pagãos e a cristãos. A estes recorda a fugacidade dos bens deste mundo, que não é pela felicidade nesta terra que servem a Cristo, mas sim pela do Além. Na fé cristã o sofrimento não está desprovido de valor: ressalta o seu valor purificador. Haja o que houver, o cristão nada deve temer porque a Providência rege os destinos da história. Deus tira o bem mesmo dos males. "Escreve direito por linhas tortas" (Santa Teresa). &lt;p&gt;Aos pagãos recorda que se muitos salvaram as suas vidas foi precisamente por se terem refugiado em templos cristãos que os saqueadores não se atreveram a destruir. A causa da destruição hão de procurá‑la nos pecados dos homens. Mais ainda, a clemência de Deus temperou a destruição. Mas acima de tudo, põe‑lhe ante os olhos a vaidade do culto dos deuses, tanto para a vida presente como para a futura. Passa em revista a mitologia romana para mostrar os absurdos e contradições que ali encontra. A grandeza de Roma não foi obra de tais divindades, que não existem, ou não foram outra coisa que homens divinizados depois de mortos. De modo especial aponta a sua lança contra o império romano, expressão da soberba e da vontade de domínio sobre os outros. A sua própria história começou com um assassinato: com a morte de Remo por parte de seu irmão Rómulo. No entanto, nem tudo é condenação. Agostinho reconhece as muitas virtudes que os romanos possuíram, virtudes que só seriam úteis aos habitantes da cidade de Deus. Pois, de que lhes serviram? Tal é o assunto dos dez primeiros livros. &lt;p&gt;Os doze restantes apresentam uma concepção grandiosa de toda a história da humanidade. Dado o delito de Caím dando a morte a seu irmão Abel, nos primórdios da história, todos os homens têm sido consciente ou inconscientemente, moradores de uma das duas cidades, a celeste ou a terrena, as únicas possíveis. Todos militaram sob as ordens de um dos estrategas Deus ou Satanás, defendendo as respectivas bandeiras. &lt;p&gt;"Dois amores fundaram duas cidades, a saber: o amor próprio até ao desprezo de Deus, a terrena, e o amor de Deus até ao desprezo de si próprio, a celestial. A primeira gloria‑se em si mesma e a segunda em Deus, porque aquela procura a glória dos homens e a esta tem por máxima glória a Deus, testemunho da sua consciência. Aquela incha‑se na sua glória e esta diz a seu Deus: Tu és a minha glória. Naquela os seus príncipes e nações sujeitadas, vêm‑se sob o jugo da concupiscência de domínio, e nesta servem‑se em mútua caridade, os governantes aconselhando e os súbditos obedecendo..." (A Cidade de Deus, XIV, 28). &lt;p&gt;Agostinho dedica quatro livros a expor a origem de ambas as cidades, quatro a seu desenvolvimento futuro e os quatro últimos, ao seu destino. A cidade terrena teve origem em Caím que, por inveja, matou o seu irmão e foi‑se prolongando em todos os impérios pagãos que se foram sucedendo até à chegada do império romano que significa a sua mais perfeita expressão. Ao contrário, a cidade de Deus teve a sua origem em Abel e dela fazem parte os profetas, patriarcas e os santos do povo de Israel. Mas a sua plena instituição só teve lugar com a vinda de Cristo e a fundação da sua Igreja. A partir deste momento a cidade do diabo e a Cidade de Deus estão misturadas, só Deus sabe quem pertence a uma e a outra. Apenas no fim dos tempos a separação será definitiva e total. Enquanto as riquezas de Satanás serão condenadas a arder com ele no fogo eterno do inferno, os que militavam sob a bandeira de Deus irão gozar d'Ele por toda a eternidade. "Ali descansaremos e veremos; veremos e amaremos; amaremos e louvaremos. Esta é a essência deste fim sem fim e que fim mais vosso do que chegar ao reino que não terá fim!"(XXII, 30, 5: conclusão da obra). &lt;p&gt;A Cidade de Deus representa uma enciclopédia da cultura antiga. · seriedade das acusações, Agostinho respondeu com a seriedade da defesa. Leu, documentou‑se, refletiu, fez tudo o que estava sob seu alcance para dar uma resposta total e inapelável aos que acusavam a religião cristã. Todos os ramos da ciência antiga serviram para o seu fim. Aos que não podia convencer pela Escritura, por lhes faltar a fé nela, intenta, com enorme gasto de energia e de perspicácia, convencê‑los a partir dos seus próprios instrumentos, das suas próprias crenças. &lt;p&gt;A Cidade de Deus foi o livro que configurou toda a Idade Média. Os estudos atuais sobre esta obra agostiniana contam‑se por milhares. &lt;p&gt;"Oh nobre natureza humana! Escolhe agora o teu caminho a fim de que possas ter uma glória verdadeira, não em ti, mas sim em Deus. Um tempo não te faltou a verdadeira religião a escolher. Acorda! É dia! Acorda como acordaram alguns dos teus, de cuja virtude e de cujos sofrimentos pela fé nos gloriamos. Esses, combatendo contra os irreconciliáveis poderes hostis, vencendo‑os com a sua morte valorosa e com o seu sangue, deram‑nos esta prática.  &lt;p&gt;Nós convidamos‑te, exortamos‑te a vir para esta pátria, para que te contes entre o número de cidadãos cujo asilo é, de certo modo, a verdadeira remissão dos pecados. Não prestes ouvidos aos que de ti degeneraram. São detratores de Cristo e dos cristãos e acusadores destes tempos como calamitosos. É que procuram tempos em que a vida não seja pacifica mas sim bem segura a malícia. Um tempo semelhante nunca tu o quiseste, nem mesmo para a tua pátria terrena. Agora vira‑te para a pátria celeste. Por ela trabalharás muito pouco e nela terás um reino eterno e verdadeiro... Não andes à caça de deuses falsos e falaciosos! Despreza‑os e arroja‑os para longe, elevando‑te à verdadeira liberdade! Não são deuses, são espíritos malignos, para os quais a tua felicidade é um suplício" (Cidade de Deus, II, 29, 1‑2).&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-4553022981370014336?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/4553022981370014336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/04/roma-desperta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/4553022981370014336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/4553022981370014336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/04/roma-desperta.html' title='ROMA, DESPERTA!'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-7911127343580568818</id><published>2011-04-05T01:22:00.001-07:00</published><updated>2011-04-05T01:22:44.714-07:00</updated><title type='text'>REPARTINDO O PÃO DA PALAVRA</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;Vejo‑me forçado a pregar; &lt;p align="right"&gt;se infondo terror é porque eu estou aterrorizado &lt;p&gt;A função primordial de todos os bispos na Igreja antiga era sempre a pregação. Agostinho foi também, e tinha disso consciência, antes de mais, um administrador da palavra de Deus. Os séculos quiseram que chegassem até nós cerca de 1000 sermões do santo bispo. Tal número representa apenas uma mínima parte de quanto na realidade pregou. Exerceu tal ministério sendo simples sacerdote. Nomeado bispo de Hipona já nunca mais pára. &lt;p&gt;Os fiéis de Hipona foram os seus ouvintes privilegiados. Muito afortunados foram também os de Cartago onde Agostinho passou grandes temporadas da sua vida. Escutaram‑no também os cristãos de todas e cada uma das cidades por onde passou nas suas inumeráveis viagens. Em qualquer lugar onde passava, ali devia repartir o pão da palavra de Deus aos que estavam ansiosos por ouvi‑lo. Em mais de uma ocasião se queixou que nunca tinha tido a dita de escutar, sempre lhe tinha cabido falar. &lt;p&gt;Ao contrário dos pagãos da sua época, Agostinho não procurava os aplausos, apesar de lhe agradarem. A sua intenção não era declamar um belo, elegante e bem composto discurso, conforme as normas da retórica clássica. Procurar, antes de mais ensinar e instruir aquela multidão de analfabetos que eram os seus fiéis. Não dispondo de livros, por um lado, supérfluos para muitos, que não sabiam ler, o único meio de instrução religiosa ao seu alcance, encontravam‑no na palavra do bispo. Não tem nada de estranho que passem horas e horas de pé, segundo o costume, interessados nas palavras de Agostinho, cheios de admiração e encanto. Mais de uma vez, depois de um sermão extremamente comprido, as pessoas pediram‑lhe que continuasse. Agostinho mais cansado que eles, apesar de estar sentado ‑ ao contrário dos nossos tempos ‑ teve de lhes dizer que não. "Mais vale que digirais o que já vos dei e o assimileis devidamente" (Sermões, 34, 14). &lt;p&gt;Ensinar e também comover; mover aqueles corações ardentes e inconstantes. Instá‑los continuamente para que vivam em conformidade com a palavra de que se alimentam; conforme aquilo que crêem. Insistir com teimosia, para que cumpram os preceitos do Senhor, para que sejam cristãos de verdade. Por vezes, até se sentiam incomodados pela sua insistência. Ele encontrava sempre resposta apropriada: "Se não quereis que vos mace mais, não erreis, não sigais pelo caminho da perdição" (Sermões, 46, 14). Agostinho era exigente porque sabia que Deus também o era: "Quem te fez, exige tudo de ti" (Sermões, 34, 7). Não queria que nenhum deles perecesse, desejava tê‑los a todos ao seu lado no reino do Pai: "Não quero salvar‑me se não for convosco" (Sermões, 17, 2). &lt;p&gt;Ensinar, comover e agradar. Agradar, não como fim em si mesmo, mas como meio para melhor conseguir os outros dois objetivos. Agostinho dispunha de recursos para tal. A ótima formação que tinha estava disposta para ser empregue ao serviço do povo de Deus. A sua linguagem é viva, por vezes florida, elegante apesar de não desdenhar o uso de palavras que não se encontram hoje no dicionário, mas que aquelas pessoas simples entendiam muito bem. Os jogos de palavras, as comparações, as antíteses, todas as belezas que tinha aprendido nos anos de estudo aparecem ao serviço da verdade e para deleite daquele povo que, como todos os antigos, sabia apreciar melhor que nós hoje, o valor da palavra falada. O nosso pregador sabia encontrar o estilo adequado para cada assunto tratado. Sabia ser sublime, menos sublime e até humilde, se o assunto o requeria. Ninguém disputou a Agostinho o seu valor como orador. Alguém afirmava nunca ter visto nele um cristão, mas sim, sempre, um orador nato e até, para dizê‑lo assim, um deus da eloquência. Esse alguém era maniqueu. &lt;p&gt;A beleza dos seus sermões nunca se tornou incompreensível. Agostinho soube como ninguém utilizar a sua arte, em prol da simplicidade e da fácil compreensão. Os seus sermões podiam ser compreendidos por todos, mesmo quando falava dos mais altos mistérios da fé cristã. Ainda nos maravilhamos com a profundidade e clareza que se unem nas suas palavras. Temas reservados hoje às aulas das universidades são expostos de forma compreensível para um público de ignorantes. Pode afirmar‑se que os sermões de Agostinho são, antes de mais, sermões populares. Agostinho não costumava prepará‑los antes, por escrito, bastava‑lhe a sua meditação habitual sobre as verdades cristãs e a arte da palavra que fluía da sua língua. &lt;p&gt;Os sermões do bispo de Hipona são um diálogo com o público, ainda que só ele fale. Diálogo com os ouvintes, tocando as cordas dos seus sentimentos, ânsias, preocupações e desejos. Às vezes, o diálogo faz‑se mais palpável; os fiéis intervêm ativamente, mas não com palavras, mas com lágrimas, golpes de peito, com gritos ou com aplausos. Com freqüência interrompem‑no; quando encontra uma expressão feliz, desentranha algum mistério, lhes toca alguma fibra do seu coração demasiado sensível ou lhes fala de um tema que os apaixona. Agostinho não pode deixar de responder a tais aplausos. Aqui está uma de tantas respostas: "Gosto dos aplausos, é humano e não seria honesto se o negasse. Mas não louvores de homens que levam má vida, isso infunde‑me horror e aborreço‑o. Dá‑me desgosto e não alegria... Penso no peso das minhas responsabilidades pois também dos vossos aplausos tenho de dar contas. Louvado sou‑o sempre, mas o que preocupa é como vivem os que me louvam" (Sermões, 339, 1). É um caso excepcional de compenetração entre um povo e o seu bispo. &lt;p&gt;Os temas da sua pregação era inúmeros: as virtudes cristãs; o heroísmo e exemplo dos mártires; as solenidades do ano litúrgico; qualquer versículo da Bíblia eram temas suficiente para um longo sermão a Escritura abastecia Agostinho mesmo quando exortava à prática das virtudes ou exaltava um mártir ou celebrava um mistério do Senhor. Queria alimentar as suas ovelhas com a sua própria palavra. Não tinha à sua disposição a palavra de Deus? Esta e só esta, pretenderá transmitir aos seus filhos. &lt;p&gt;Objeto predileto desta atividade foram os pequenos, as crianças na fé: os catecúmenos, os quais se preparavam para receber o batismo. Ele instruía‑os durante os compridos dias da quaresma. Explicava‑lhes os artigos da fé, o credo que tinham de aprender de cor antes de serem batizados. Destas pregações aos catecúmenos saíram os mais formosos comentários ao Pai Nosso que igualmente tinham de aprender de cor antes de serem iluminados pela água batismal na mais sagrada de todas as noites: a noite de Páscoa. Através dos seus sermões poderem perceber ainda quão difícil se tornava para muitos aprender as poucas linhas do Credo ou do Pai Nosso. Ele exortava‑os e dava‑lhes normas sobre a maneira de proceder para que não se lhes esquecesse. &lt;p&gt;Lendo as suas homilias revive‑se um ambiente totalmente familiar. Era também muito importante o modo como se deviam comportar uma vez que já eram plenamente cristãos: o que deviam fazer, o que deviam evitar quando já pertenciam à Igreja de Cristo: "Agora que sois membros de Cristo, exorto‑vos e aviso‑vos. Temo por vós e não tanto por causa dos (maus) cristãos. Escolhei vós no povo de Deus a quem ides imitar" (Sermões, 224,1). &lt;p&gt;No entanto, não lhe era agradável "Ter que pregar, recriminar, admoestar, sentir‑me responsável de cada um de vós; isto é um fardo pesado, um grande peso para mim, uma dura fadiga" (Sermões, 339,4). A palavra de Deus atava‑o; nada dela podia deixar no esquecimento. Mesmo o que não agradava aos seus ouvintes tinha que proclamá‑lo e com maior energia. &lt;p&gt;Fruto da sua pregação, além dos Sermões, são os &lt;p&gt;Comentários aos Salmos &lt;p&gt;Comentários ao Evangelho de S. João &lt;p&gt;Comentários à 1ª Carta de S. João. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-7911127343580568818?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/7911127343580568818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/04/repartindo-o-pao-da-palavra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7911127343580568818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7911127343580568818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/04/repartindo-o-pao-da-palavra.html' title='REPARTINDO O PÃO DA PALAVRA'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-6334676802163172919</id><published>2011-04-03T08:57:00.001-07:00</published><updated>2011-04-03T08:57:52.364-07:00</updated><title type='text'>O GOZO É COMUM</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;A Igreja começa a levantar a cabeça &lt;p&gt;Agostinho "ensinava e pregava, em privado e publicamente, a palavra da salvação. Cheio de confiança combatia as heresias de África, sobretudo os donatistas, maniqueus e pagãos, com livros ou conferências improvisadas. Os católicos sentiam‑se cheios de admiração e louvores e, onde lhes era possível, divulgavam‑no aos quatro ventos. &lt;p&gt;Com a ajuda, pois, do Senhor, a Igreja de África que desde há muito tempo jazia reduzida, humilhada e oprimida pela violência dos hereges, sobretudo dos donatistas, que rebatizavam a maioria dos africanos, começou a levantar a cabeça. &lt;p&gt;Estes livros e tratados multiplicavam‑se por graça admirável de Deus. A abundância dos seus argumentos e a autoridade dos textos bíblicos que citava, fazia com que os próprios hereges corressem junto com os católicos para, cheios de entusiasmo, o ouvirem. Os que queriam e podiam, com a ajuda de estenógrafos, tomavam apontamentos do que dizia. Deste modo, a sua preclara doutrina e a suave obra de Cristo estendeu‑se e manifestou‑se por toda a África, alegrando‑se também a Igreja do outro lado do mar, assim que lhe chegava a notícia. Pois, assim como quando padece um membro, todos os membros se compadecem, também quando um é glorificado, todos os outros participam da sua alegria" (Vida, 7). &lt;p&gt;O que Agostinho significou para a Igreja africana fica recolhido neste texto de S. Posídio. Antes de mais, deu‑lhe confiança em si própria, como primeiro passo para um novo ressurgimento.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-6334676802163172919?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/6334676802163172919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/04/o-gozo-e-comum.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/6334676802163172919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/6334676802163172919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/04/o-gozo-e-comum.html' title='O GOZO É COMUM'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-8712304147700623618</id><published>2011-04-01T15:04:00.001-07:00</published><updated>2011-04-01T15:04:09.925-07:00</updated><title type='text'>O MISTÉRIO DE DEUS</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;Quem isto ler, se tem a certeza, avance comigo; &lt;p align="right"&gt;indague comigo, se duvida: volte a mim, &lt;p align="right"&gt;se reconhecer o seu erro e endireite os meus passos quando me extravie &lt;p&gt;A maior parte da obras de Santo Agostinho tiveram a sua origem na vida da Igreja. Defesa da fé, refutação dos erros dos hereges, ensino dos fiéis, exortação aos indecisos, condescendência ao amor que a todos devia; estavam sempre ao serviço da mãe Igreja. &lt;p&gt;Não obstante, Agostinho amadurecia projetos no seu coração. Um deles, O Tratado sobre a Santíssima Trindade, o De Trinitate. Uma da poucas obras agostinianas escrita por necessidade interior do santo, sem causa exterior imediata que o impulsionasse a fazê‑lo. A obra era grandiosa na sua concepção e foi‑o na sua realização. Consta de 15 livros. Empregou mais de 20 anos na sua composição. "Comecei‑os na minha juventude e conclui‑os sendo já velho." (Carta, 174). O tempo escasseava. Outras necessidades urgentes da Igreja obrigavam‑no a interromper continuamente o trabalho. Sobre o assunto já se tinha escrito muito, mas quase tudo em grego, língua que ele não dominava. As dificuldades aumentavam ao tentar encontrar os códices. A obra tinha, portanto, de amadurecer à base do tempo, da meditação. Sem dúvida a mais profunda de quantas escreveu o santo, revela a sua enorme capacidade de reflexão e especulação. &lt;p&gt;Como todos os seus escritos, também este gozou de uma aceitação sem limites. Compreende‑se. A sua fama tinha ultrapassado as estreitas fronteiras da sua diocese; tinha‑se estendido por toda a África e atravessado o mar. Os seus admiradores mostraram‑se impacientes. Até conseguiram roubar‑lhe o manuscrito antes de ele o ter completado e revisto. Gesto de admiração que não agradou muito a Agostinho que prometeu deixá‑la incompleta. Mas ele não era pessoa para cumprir promessas nascidas de um impulso momentâneo. Bastou que os amigos lhe pedissem a conclusão do tratado para que não soubesse recusar. Assim concluiu a tarefa. &lt;p&gt;Esta obra foi sem dúvida o maior monumento que Agostinho levantou a Deus: Deus Uno e Trino. Unidade de essência e Trindade de Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Cada uma das Pessoas é Deus e no entanto não existe mais que um só Deus. Assim aparece claramente nas Sagradas Escrituras, a razão humana pode chegar a vislumbrá‑lo. Trindade que deixa vestígios da sua presença em toda a criação; de modo especial no homem, especialmente nas suas partes superiores: memória, inteligência e vontade. Trindade sempre presente onde há amor. Isto não seria possível sem um que ama, sem algo amado e sem o próprio amor. Não é Deus amor? &lt;p&gt;Deste modo Agostinho apresenta a resposta mais completa e harmônica ao Arianismo. Doutrina herética que durante o século anterior tinha atormentado a Igreja, negando o dogma mais intocável que havia: o da Santíssima Trindade. Jesus ‑ dizia ‑ não foi filho natural de Deus; foi‑o como os outros homens, por adoção. Só o Pai é Deus; o Filho e o Espírito Santo são as mais excelentes das criaturas, mas criaturas apenas. &lt;p&gt;A luta, no entanto, teve de prosseguir. O santo gasta engenho e agudeza, a par de um conhecimento profundo da Palavra de Deus, para levá‑los à verdadeira fé ou, pelo menos, para impedir que os que não estavam contagiados se manchassem com o lodo do erro. Na época de Agostinho o arianismo ainda não estava muito arreigado em África, o que eqüivale a dizer que não se tinha implantado. Afirmava‑se com a chegada dos vândalos. No entanto, nos últimos anos da sua vida teve de pôr‑se a escrever para sair ao encontro das afirmações de alguns arianos, não duvidando em desafiá‑los para debates públicos, na presença de pessoas que escreviam o que se dizia. Coisa que os hereges nem sempre achavam do seu agrado, ao ficar escrito o que afirmavam, perdiam a liberdade de mentir e declararem‑se vencedores, quando a realidade os declarava derrotados. &lt;p&gt;A obra de Agostinho é um esforço gigantesco para compreender o que já crê. A fé é o princípio, a compreensão é a meta aonde pretende chegar: "Crê para que possas entender". A fé é o degrau para chegar ao andar superior onde é possível conhecer o mistério íntimo de Deus. Esse Deus que invoca, ao qual dá graças e pede perdão nas Confissões; na Cidade de Deus, o Deus, meta e satisfação das aspirações do homem; de tudo que se encontre insatisfeito, quer dizer de todos; simplesmente, Deus. &lt;p&gt;"Senhor meu e Deus meu, minha única esperança, ouve‑me para que não sucumba no desalento e deixe de te procurar. Anseie sempre pelo teu rosto com ardor. Dá‑me forças para a procura. Tu que fizeste que te encontrasse e me tens dado esperanças de um conhecimento mais perfeito. Diante de ti está a minha ciência e a minha ignorância; se me abres, recebe quem entra; se me fechas, abre ao que chama. Faz que me lembre de ti, te compreenda e te ame. Aumenta em mim estes dons até á minha completa reforma" (conclusão da obra).&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-8712304147700623618?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/8712304147700623618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/04/o-misterio-de-deus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/8712304147700623618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/8712304147700623618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/04/o-misterio-de-deus.html' title='O MISTÉRIO DE DEUS'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-6419733601985121481</id><published>2011-03-29T23:44:00.001-07:00</published><updated>2011-03-29T23:44:35.856-07:00</updated><title type='text'>PROMOTOR DA UNIDADE</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;Judas batiza? É Cristo quem batiza! &lt;p&gt;Quando nos referimos à África em que viveu Santo Agostinho, não podemos falar da Igreja sem acrescentar mais qualquer coisa. Como conseqüência da perseguição de Diocleciano deu‑se uma cisão na Igreja Africana. A faísca saltou ao ser consagrado Ceciliano, bispo de Cartago, consagração essa efetuada por alguém que, para evitar o martírio, tinha entregue os Livros Sagrados, sabendo que iam ser lançados às chamas. Por isto, um grupo de bispos negou o valor de tal consagração e separou‑se da unidade da Igreja formando a pars Donati, a Igreja donatista, assim chamada pelo nome do segundo bispo cismático, Donato. &lt;p&gt;A partir daquele momento, em quase todas as cidades do Norte de África, apesar de todas adorarem o mesmo Deus, crerem no mesmo Jesus, proclamarem a mesma esperança, lerem as mesmas Escrituras, administrarem os mesmos sacramentos, etc., existiam duas igrejas, dois bispos, dois cleros, duas celebrações simultâneas do culto divino. Por outras palavras, não existia a unidade. E foi assim que Agostinho encontrou Hipona, quando chegou para exercer o ministério sacerdotal e episcopal. Como em tantos outros lugares, também ali o donatismo era a Igreja com mais força, enquanto os católicos constituíam uma minoria. &lt;p&gt;"Somos a Igreja pura, imaculada, sem mancha". Assim diziam os donatistas. Auto‑proclamavam‑se a Igreja dos mártires devido às perseguições que sofreram, por parte do imperador, como hereges e cismáticos. Consideravam‑se como o povo eleito, que se tinha preservado sem se contaminarem com o mundo impuro. Portanto, a única Igreja de Cristo, a única que possuía o Espírito Santo, a única que podia dá-Lo na administração dos sacramentos. Só seria válido o batismo se fosse administrado por um donatista, porque pertencia a uma Igreja pura, que possuía o Espírito Santo. &lt;p&gt;Ao mesmo tempo, consideravam a Igreja Católica como a Igreja dos pecadores, dos "traidores", dos que entregaram os Livros Sagrados, Igreja perseguidora, porque o imperador a apoiava, não a perseguida como o tinha sido a de Cristo anteriormente. Portanto, encontrava‑se desprovida do Espírito. Os sacramentos administrados pelos católicos eram, em conseqüência, nulos. Quem pode dar o que não tem? Como é que um, que não é santo, pode fazer outro santo? Daqui, que todo o católico que, desertando, se passava para as fileiras de Donato, fosse por eles rebatizado. &lt;p&gt;A restabelecer a unidade do redil de Cristo dedicou Agostinho muitos dias e muitos anos da sua vida. Pregava, escrevia livros, rebatia os dos contrários, procurava debates com eles, na presença dos fiéis de um e outro grupo; escrevia folhetos e colocava‑os à porta da basílica para que todo aquele que entrasse pudesse tomar conhecimento do assunto; escrevia poesias para que deste modo, com música, as pessoas retivessem melhor a posição dos católicos, etc. Valia‑se de todos os meios que a sua rica inteligência e imaginação lhe ofereciam, para afastar os católicos dos donatistas e atrair estes à Igreja Católica. &lt;p&gt;Aos católicos informava, com documentos na mão, como se tinham passado, na realidade, as coisas. Mostrava‑lhes as calúnias dos adversários. Demonstrava‑lhes que aquilo de que eram acusados pelos donatistas, estes o haviam cometido anteriormente. Mas, acima de tudo, o seu afã era devolver a unidade a quantos se gloriavam do nome de cristãos, restituir à Igreja a unidade que Cristo desejou para ela e pela qual tinha orado ao Pai. &lt;p&gt;Mostrou aos donatistas que Cristo redimiu todo o mundo com o seu sangue, não apenas aos africanos e que, portanto, a Igreja de Donato não podia ser a verdadeira. Tentou fazer‑lhe ver como a Escritura tinha anunciado a expansão da Igreja por todo o globo, haviam de querer todos os povos e raças. Esforçou‑se por lhes demonstrar que era um sonho a Igreja pura, sem mancha, que eles pretendiam; que isso só se realizará na vida futura, enquanto aqui, segundo o Evangelho, a cizânia está sempre misturada com o trigo; que na pesca do Senhor sempre houve peixes bons e maus. &lt;p&gt;Sobretudo pôs‑lhes ante os olhos a sua presunção: querer fazer depender a obra de Cristo da liberdade humana. Porque um homem é pecador, já Cristo não pode atuar por meio dele? Não pode Ele, todo poderoso, escolher o instrumento que deseje? Cristo é superior a tudo e serve‑se mesmo dos pecadores para conceder a sua graça. Os católicos possuem o Espírito com mais direito que os donatistas, porque não se separaram do Corpo de Cristo, porque têm amor e não romperam a unidade. Quando os católicos administram os Sacramentos, estes são válidos. Porque, "Pedro batiza? É Cristo quem batiza. Judas batiza? É Cristo quem batiza." Quem batiza é sempre Cristo, por meio dos homens, mesmo pecadores. Como Ele é Santo, Ele faz santos. Quem dirá que é inválido o sacramento administrado por Cristo? Quem se atreverá a declará‑lo nulo? Tal é a doutrina de Agostinho. Portanto não se deve repetir. Cristo ao batizar pôs na alma do cristão um selo que não se apagará jamais, ainda que ele renegue a Cristo. Cristo tomou posse dele para sempre. &lt;p&gt;Agostinho estava disposto a tudo com o fim de restabelecer a unidade. Disposto até a deixar o episcopado de Hipona ou a compartilhar a cátedra com o colega donatista. A pergunta surge: conseguiu o seu objetivo? Em Hipona, conseguiu, em poucos anos, que os católicos fossem maioria; foi reduzindo ao silêncio os seus opositores. A sua atuação incansável no resto de África preparou o caminho para a desaparição que teve lugar, oficialmente, em 411, depois de um século de luta, com a ajuda da autoridade imperial. Agostinho era temido por todos e por todos evitado. Até lhe prepararam armadilhas para o matar, das quais se livrou graças a um erro do guia. &lt;p&gt;"Falem o que quiserem contra nós: nós amamo‑los ainda que não queiram. Compreendem que não têm fundamento na sua causa e dirigem as suas línguas contra mim. Muitas são as coisas que sabem e muitas as que ignoram. As que sabem são já passadas, pois fui algum tempo néscio, incrédulo, afastado de qualquer boa obra. Não nego que, louco e insensato, estive em erro perverso, mas quanto não nego a minha vida passada tanto mais louvo a Deus que me perdoou. Por quê, ó herege abandonas a tua causa e te enfrentas com o homem? Que sou eu? Que sou? Acaso sou eu a Católica? Por ventura sou eu a herança de Cristo estendida por todas as nações? Basta‑me estar dentro dela. Censuram‑me as minhas maldades passadas, que fazer de extraordinário? Mais severo sou eu com os meus vícios que tu; o que tu vituperaste, eu condenei. Oxalá quisesses imitar‑me para que o teu erro se fizesse nalgum tempo passado! Aqui vivi mal, confesso. E enquanto gozo da graça de Deus, que direi das minhas iniqüidades passadas? Doem‑me? Doer‑me‑ia se ainda permanecesse nelas. Mas que direi então? Alegro‑me? Também não posso dizer isso. Oxalá nunca tivesse cometido tal coisa!" (Comentário ao Salmo 36, III, 19). &lt;p&gt;Sempre foi benévolo com eles. Sempre esperou levá‑los à unidade sem o uso da força. Recusava que se os obrigasse a passar para a Católica. Sempre pediu misericórdia para eles. Sempre foi contrário à pena capital, mesmo para os delitos comuns. Nunca queria vê‑la aplicada. A sua atividade foi ininterrupta para conseguir que se mitigassem as penas dos que estavam sob o rigor da justiça. &lt;p&gt;Contudo, no final da luta aceitou o uso da força para conduzi‑los á unidade da Igreja. Mas só depois de ter visto que de outro modo os êxitos eram muito relativos. Depois de conhecer que muitos não passavam para a Católica, apesar de convertidos, por medo aos seus antigos companheiros e suas vinganças. Depois de ter observado a alegria de algumas aldeias que tinham sido obrigadas a abandonar o donatismo. Se aceitou o apoio da força imperial deve‑se, antes de mais, a sentir‑se pressionado pelos pareceres de muitos dos seus companheiros no episcopado. Estes, por sua vez, com tal atitude, procuraram salvar a sua própria vida que viam ameaçadas por uma parte dos donatistas: os fanáticos circunceliões. &lt;p&gt;Depois de 411, o donatismo deu‑lhe menos trabalho. A Igreja tinha conseguido a unidade. Não só pela força. A situação estava já preparada pela intensa atividade de Agostinho. Assim, o bispo de Hipona conseguiu restabelecer o que mais amava para a Igreja de Cristo: a unidade. Se não existe unidade não há amor. Se não há amor, ali não está Cristo e por tanto não se pode falar da Igreja de Cristo. E onde não está Cristo, que resta? &lt;p&gt;Das muitas obras escritas contra os donatistas recordamos: &lt;p&gt;Salmo contra os donatistas &lt;p&gt;Réplica à carta de Parmeniano &lt;p&gt;O batismo contra os donatistas &lt;p&gt;Réplica ás cartas de Petiliano &lt;p&gt;A unidade da Igreja. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-6419733601985121481?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/6419733601985121481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/promotor-da-unidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/6419733601985121481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/6419733601985121481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/promotor-da-unidade.html' title='PROMOTOR DA UNIDADE'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-6701065115575615686</id><published>2011-03-29T10:57:00.001-07:00</published><updated>2011-03-29T10:57:53.175-07:00</updated><title type='text'>AGOSTINHO E A ESCRITURA</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;De aquela cidade a que nos dirigimos foram‑nos enviadas cartas,  &lt;p align="right"&gt;as Santas Escrituras nos exortam a viver bem &lt;p&gt;Para Agostinho, viver cristãmente significa relacionar‑se com Deus. A vida de um cristão tem de ser um diálogo ininterrupto com Ele. O homem fala a Deus com os seus afetos, os seus bons desejos, as suas palavras, com a sua oração: "quando oras, falas com Deus" (Comentário ao Salmo 87, 7). Por sua vez, Deus fala com o homem de infinitas maneiras: com a própria vida, com as coisas que nos rodeiam, com chamamentos interiores, com o exemplo dos outros; mas acima de tudo, pela sua palavra, a Sagrada Escritura: "quando lês, Deus fala‑te" (id..). Qualquer leitura pode ser uma palavra de Deus; ler a Bíblia é sempre ouvir a palavra de Deus. &lt;p&gt;Uma pessoa afastada de outra a quem ama, para tornar mais suportável a separação, comunica com ela através de cartas. Por meio delas, encurta ou anula as distâncias, tornando‑se presente ao seu amado. Nós estamos longe da nossa pátria, peregrinamos por este mundo. Na terra para onde nos encaminhamos esperam‑nos os que amamos: os santos; espera‑nos quem mais nos ama: Deus. Daquela bendita terra Ele escreve‑nos uma carta. Conta‑nos quanto nos ama, quem Ele é, o que nos promete, que temos de fazer para o conseguir, para chegar até Ele. Esta carta é a Sagrada Escritura. Por isso Agostinho ama‑a até à loucura, toda inteira. No entanto, houve partes privilegiadas. Quem descreverá a ternura com que lia e comentava os Salmos? E já no Novo Testamento, será preciso lembrar os laços que uniam o Apóstolo das Gentes, ao pregador da Graça, ao que foi chamado, mais tarde, Doutor da Graça? Não podemos deixar de mencionar a força da simpatia que o levava a comentar e a pregar sobre os escritos de S. João, que se tinha reclinado sobre o peito do Senhor na Última Ceia e, naquela fonte, tinha bebido as águas salutares do mistério do Verbo e de Deus, até chegar a descobrir o que Deus é: Deus é amor. &lt;p&gt;De que fala a Escritura? Para Agostinho, a Escritura fala só de Cristo e do seu Corpo, a Igreja. O Antigo Testamento é o Novo, ainda encoberto e o Novo é o Antigo, já manifestado. Apenas faz falta saber ler, para reconhecer a Cristo, já na sua própria pessoa, já na de seus membros. Com freqüência há que ultrapassar o significado literal das palavras e penetrar no mistério que se oculta por detrás delas, porque "humilde a entrada, o seu interior é sublime e envolto em mistério" (Confissões III, 5, 9). &lt;p&gt;Deus, na Escritura, fala de múltiplas maneiras e nem todos estão aptos para as entender todas. Encontramo‑nos perante uma mistura maravilhosa de claridades e escuridões; claridades, para que todo aquele que se aproxima revestido de humildade, possa conhecer a Deus através das suas palavras; obscuridades, para evitar que os indignos cheguem ao conhecimento de tão sublimes mistérios e, também, para estimular e impelir os mais ousados a cavar mais fundo, sabendo que a palavra de Deus é inesgotável e que é sempre possível descobrir significados mais profundos. A Bíblia é como uma floresta ainda por explorar na sua maior parte e cuja riqueza de conteúdo é inexaurível. Só é preciso procurar, meditar. Mas este trabalho não haverá o homem de o fazer sozinho; necessita da ajuda de Deus; precisa que Ele o guie. Que nos deixemos levar pela mão do Senhor. &lt;p&gt;"Para mim não há nada melhor; nada me é mais doce que contemplar o tesouro divino, na tranqüilidade e sem pressas: isto é verdadeiramente bom, isto é verdadeiramente doce" (Serm. Frang. 2, 4). Doce contemplação considerada como um serviço: "Eu alimento‑me para poder alimentar‑vos. Sou o servo, o que traz o alimento, não o dono da casa. Eu exponho diante de vós aquilo de que eu próprio recebo a vida" (id.). Agostinho estuda, medita, para depois alimentar os seus fiéis. A Bíblia é, pois, como o alimento que a mãe toma para depois dá‑lo, transformado em leite, a seus filhos. Agostinho nunca foi um estudioso desinteressado da Escritura: "Tudo o que possuo desta ciência (Sagrada Escritura) administro‑o imediatamente ao povo de Deus" (Carta 73, 2, 5). &lt;p&gt;Os contatos de Agostinho com a Sagrada Escritura duraram toda a sua existência. Tanto o Antigo como o Novo Testamento foram objeto dos seus trabalhos. Comentava-os ele próprio e ensinava aos outros as normas que hão de reger toda a explicação. Umas vezes tomava ele a iniciativa, outras o estímulo era‑lhe proporcionado pelos pedidos dos que admiravam a sua ciência e a sua disponibilidade. &lt;p&gt;Entre as obras escriturísticas recordamos: &lt;p&gt;Comentário ao Gênesis em réplica aos maniqueus. &lt;p&gt;Comentário literal ao Gênesis (12 livros). &lt;p&gt;A concordância dos quatro evangelistas. &lt;p&gt;O sermão da montanha. &lt;p&gt;A doutrina cristã. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-6701065115575615686?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/6701065115575615686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/agostinho-e-escritura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/6701065115575615686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/6701065115575615686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/agostinho-e-escritura.html' title='AGOSTINHO E A ESCRITURA'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-7082330224873921223</id><published>2011-03-28T01:38:00.001-07:00</published><updated>2011-03-28T01:38:03.907-07:00</updated><title type='text'>TUDO É BOM</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;Eu não posso ser cruel convosco &lt;p&gt;Durante o seu sacerdócio e episcopado, Agostinho continuou a tarefa que encetara mal fora batizado: refutar o maniqueísmo, a religião que o teve prisioneiro durante nove anos. Ninguém se achava em melhores condições que ele, para o fazer. A sua adesão tinha sido fervorosa e com exemplar aplicação dedicara‑se à leitura dos livros da seita. &lt;p&gt;O maniqueísmo, grupo religioso procedente da Pérsia, tinha‑se difundido, com surpreendente rapidez, por todo o império romano do oriente e ocidente. A clandestinidade tinha sido o seu meio de vida normal. Proscrito pelas leis imperiais, os pagãos olhavam‑no com horror e os cristãos ortodoxos com temor e ódio. Era um concorrente perigoso; também ele se fazia passar por cristão, aceitando a seu modo o Novo Testamento e recusando o Antigo como ignominioso. &lt;p&gt;A doutrina de Manes, o seu fundador, baseava‑se no dualismo; no começo existiam dois princípios, dois reinos, inimigos e irreconciliáveis entre si; um bom e outro mau; o "reino da luz" e o "reino das trevas". Este último, invejoso da felicidade do primeiro, ataca‑o. O outro, para se defender, entrega‑lhe uma parte de si próprio, que é instantaneamente devorada pelo princípio mau. Uma parte da luz encontra‑se aprisionada nas trevas. É neste momento que começa a história. A criação do mundo foi levada a cabo para executar a libertação. Todos os seres vivos contêm esses dois princípios: a matéria, intrinsecamente má porquanto é formada por elementos do reino das trevas, e uma parte de luz, portanto boa. &lt;p&gt;O homem não é excluído, dentro de si há um elemento bom e outro mau, que obram respectivamente o bem e o mal. Para o homem maniqueísta não existe liberdade. Não é o homem quem peca, mas sim o princípio mau que habita no seu interior. Não é de estranhar que Agostinho achasse esta doutrina atraente, que lhe explicava, por um lado, a origem do mal ‑ não procede do Deus bom, coisa inconcebível ‑ e, por outro, acreditava que o libertava da responsabilidade dos seus pecados. &lt;p&gt;"Sejam cruéis convosco os que ignoram quanto custa encontrar a verdade e quão difícil é evitar os erros. &lt;p&gt;Sejam cruéis convosco os que desconhecem quão poucas vezes e com quanta dificuldade acontece poder superar as imagens carnais com a serenidade de uma mente piedosa. &lt;p&gt;Sejam cruéis convosco os que não sabem o que custa sarar o olho interior do homem, de modo que possa ver o seu sol. Não este a quem vós adorais, dotado de um corpo celeste, que brilha e emite os seus raios aos olhos carnais de homens e animais, mas aquele de quem escreve o profeta: nasceu‑me o sol de justiça; e no Evangelho: a luz verdadeira que ilumina todo o homem que vem a este mundo. &lt;p&gt;Sejam cruéis convosco o que desconhecem quanto é preciso suspirar e gemer até chegar a poder compreender alguma coisa de Deus. &lt;p&gt;Finalmente, sejam cruéis convosco os que nunca se viram apanhados no erro no qual vos vêem a vós.". &lt;p&gt;Contudo, o maniqueísmo tinha uns deveres muito concretos: Libertar o seu deus. Libertar do poder da matéria a partícula de luz presente em toda a criação; nas pedras, nas plantas, nos animais, no próprio homem. No maniqueísmo não é Deus que redime o homem; é o próprio homem que redime a Deus! &lt;p&gt;Daqui procedem as normas, a que deve ajustar a sua conduta todo o fiel maniqueu: os ouvintes, categoria inferior, na medida do possível, e os eleitos, ou perfeitos, de forma absoluta. Tais normas eram contidas no que eles chamavam os três selos: da boca, das mãos e do ventre. Pelo selo da boca era‑lhes proibido blasfemar e comer carne por se considerar que pertencia ao reino das trevas. Pelo selo das mãos era‑lhes proibido tirar a vida a qualquer ser vivo, mesmo vegetal, por exemplo: apanhar figos, porque era maltratar a Deus. O do ventre proibia‑os de contrair matrimônio, pois gerar filhos significava aumentar o número de prisões para a divindade. &lt;p&gt;Os eleitos, a quem era proibido romper qualquer destes selos, eram alimentados pelos ouvintes e de forma totalmente vegetariana. Nas oficinas dos seus estômagos efetuava-se a desejada libertação. A partícula de luz que tinha recobrado a liberdade era levada ao reino do Pai. O meio de transporte era o sol e a lua que periodicamente efetuavam o seu percurso. Quando esta se achava em quarto crescente, ia; quando em minguante, vinha. Assim seguiam com uma série enorme de mitos que Agostinho se encarregava de pôr a ridículo, interpretando‑os em sentido literal. &lt;p&gt;Como nas restantes controvérsias, os caminhos seguidos por Agostinho para combater o erro foram múltiplos: livros, pregação, encontros pessoais com membros do grupo opositor, debates públicos, etc.. &lt;p&gt;Não é difícil enumerar as verdades, das quais Agostinho se tornou advogado contra os maniqueus. Antes de mais demonstrou o caráter de fábula e mítico de toda aquela construção, que se opunha ostensivamente a todas as afirmações da ciência, em especial da astronomia. Aos que, no seu modo de ver, dotes científicos exigiam que acreditassem no que ia contra as verdades mais certas e seguras das ciências. &lt;p&gt;Nega‑lhes o nome de cristãos. Não pertence aos que não aceitam íntegros o Antigo e o Novo Testamento, nem os que recusam a Cristo, tal como aparece nos Evangelhos, quer dizer, um Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, de carne e osso. O Cristo deles era uma espécie de fantasma, sem carne, ainda que a aparentasse. Também não se podiam arrogar o nome de cristãos aqueles que negavam verdades fundamentais que Agostinho defendeu, com afinco, contra eles. &lt;p&gt;Princípio Supremo só há um, o Deus bom, criador de tudo quanto existe, com absoluta liberdade. Criador por amor, não por necessidade. &lt;p&gt;Por conseqüência, a criação é boa. Tudo quanto existe, enquanto criado por Deus, é bom. &lt;p&gt;O mal moral tem a sua origem na vontade do homem, que decidiu livremente afastar‑se de Deus. Não procede de nenhum outro princípio. O mal físico procede do próprio ser de criaturas, ser deficiente, não pleno como o de Deus. &lt;p&gt;O homem é livre para escolher o bem ou o mal. Deus ao criá‑lo dotou‑o com esse dom. Nenhuma força irresistível o ata. O mal que o homem sente dentro de si e que o inclina ao pecado, teve a sua origem no pecado de Adão. &lt;p&gt;O verdadeiro Redentor é Cristo, não o homem. O redimido é o homem, não Deus. &lt;p&gt;Os três selos maniqueus são um absurdo evidente. A carne é obra de Deus: portanto é boa e pode comer‑se. A criação foi posta pelo Senhor nas mãos do homem para que este se sirva dela. Nada impede matar animais ou servir‑se de plantas para o próprio sustento. O matrimônio é coisa santa e boa. Proibi-lo é afastar‑se da verdade. O que não obsta que muitos, procurando uma perfeição superior renunciem a ele, para se entregarem total e integralmente a Deus. &lt;p&gt;"Mas eu, que inchado por uma enorme jactância durante muito tempo, por fim pude contemplar em que consiste aquela sinceridade que se percebe sem necessidade de fábulas vazias de conteúdo. &lt;p&gt;Que miserável, mal merecia com a ajuda de Deus vencer as vãs imaginações da minha mente presa pelas mais variadas opiniões e erros. &lt;p&gt;Que, para dissipar as névoas da minha mente, demorei tanto em submeter‑me ao médico, cheio de clemência que me chamava e me afagava. &lt;p&gt;Que chorei por muito tempo para que a Substância imutável que não pode admitir mácula alguma, que fala nas Sagradas Escrituras, se dignasse persuadir o meu coração. &lt;p&gt;Que, finalmente, procurei com curiosidade todas aquelas ilusões, que vos têm atados e prisioneiros na força do hábito, que as escutei com muita atenção e as acreditei sem tirar delas proveito e trabalhei sem descanso para convencer a quantos pude e defendi‑as com constância e valentia contra outros. &lt;p&gt;Eu não posso ser cruel convosco, a quem agora devo suportar como, noutro tempo, a mim próprio e com quem devo ter tanta paciência quanta tiveram comigo aqueles que viviam a meu lado, quando errava no vosso erro, cheio de raiva e cegueira." (Réplica à Carta de Manes, chamada "Do fundamento", 2‑3, 3‑4). &lt;p&gt;Na sua luta contra os maniqueus, Agostinho serve‑se de todos os meios de que dispunha a sua ótima preparação. Dá razões, apresenta textos bíblicos aceites pelos adversários, mostra os despropósitos que se seguem da sua doutrina, do seu modo de obrar, ironiza, satiriza, etc., mas, ao mesmo tempo respeita‑os. A sua intenção era destruir o erro e salvar o que erra, recuperá‑lo para a verdadeira fé de Cristo. Princípio que foi norma constante da sua vida. "Odeia o erro e ama o homem que erra". Esta é a sua doutrina: "não ames no homem o erro, mas o homem, pois o homem é obra de Deus; ao contrário o erro é obra do homem. Ama a obra de Deus e não ames a obra do homem. Quando amas o homem, arranca‑lo do erro; quando o amas ajuda‑lo a emendar‑se". (Comentário à Carta I de João, 7, 11). &lt;p&gt;Entre as obras contra o maniqueísmo recordamos: &lt;p&gt;Os costumes da Igreja Católica e os dos maniqueus. &lt;p&gt;Réplica à Carta "do Fundamento". &lt;p&gt;Réplica a Fausto, o maniqueu (33 livros). &lt;p&gt;A natureza do bem. &lt;p&gt;Resposta ao maniqueu Secundino. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-7082330224873921223?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/7082330224873921223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/tudo-e-bom.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7082330224873921223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7082330224873921223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/tudo-e-bom.html' title='TUDO É BOM'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-393664999420613158</id><published>2011-03-27T07:29:00.001-07:00</published><updated>2011-03-27T07:29:07.785-07:00</updated><title type='text'>NO MOSTEIRO</title><content type='html'>&lt;p&gt;"Suas vestes, calçado e enxoval doméstico eram modestos e adequados: nem demasiado preciosos nem demasiados vis, porque estas coisas costumam ser para os homens motivo de jactância ou de abjeção, ao não procurar por elas os interesses de Jesus Cristo mas os próprios. Mas ele, como já se disse, ia por um caminho intermédio, sem virar para a esquerda nem para a direita. &lt;p&gt;A mesa era parca e frugal, onde abundavam as verduras e os legumes, e algumas vezes carne, por delicadeza para com os hóspedes e as pessoas fracas. Não faltava o vinho, porque sabia e ensinava como o apóstolo que porque tudo o que Deus criou é bom, e não é para desprezar, contanto que se tome em ação de graças, pois é santificado pela palavra de Deus e pela oração ( I Tm, 4. 4‑5). &lt;p&gt;De prata só usava as colheres; todo o resto da baixela era de barro, madeira ou mármore; e isto não por uma indigência forçada, mas sim por pobreza voluntária. &lt;p&gt;Também se mostrava sempre muito hospitaleiro. &lt;p&gt;E, à mesa atraia‑o mais a leitura e a conversa que a vontade de comer e beber. Contra a peste da murmuração tinha este aviso escrito em verso: &lt;p&gt;O que é amigo de roer vidas alheias &lt;p&gt;Não é digno de se sentar e comer a esta mesa. &lt;p&gt;E convidava os presentes a não salpicar a conversa com contos e maledicências. Certa ocasião, em que uns bispos, muito de sua casa, davam rédea solta às suas línguas, indo contra o prescrito, admoestou‑os muito severamente, dizendo com pena que, ou tinha de se apagar aqueles versos ou ele se levantaria da mesa e se retiraria para o seu quarto. Desta cena fui eu testemunha e outros comensais. &lt;p&gt;Nunca esquecia os companheiros na sua pobreza, socorrendo‑os do que se provia ele e os seus comensais, isto é, ou dos rendimentos e bens da Igreja, ou das ofertas dos fiéis. E, como por causa dos bens, o clero era alvo da inveja, como costuma acontecer, o Santo pregando aos seus fiéis, costumava dizer‑lhes que preferia viver das esmolas do povo a ter a administração e o cuidado das propriedades eclesiásticas e que estava disposto a cedê‑las para que todos os servos de Deus vivessem do serviço do altar. Mas os fiéis nunca aceitaram tal proposta." (Vida, 22‑23). &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-393664999420613158?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/393664999420613158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/no-mosteiro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/393664999420613158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/393664999420613158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/no-mosteiro.html' title='NO MOSTEIRO'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-4263092597170335566</id><published>2011-03-26T03:10:00.001-07:00</published><updated>2011-03-26T03:10:06.448-07:00</updated><title type='text'>DEUS BASTA‑NOS</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;Quão formoso e alegre é o convívio dos irmãos juntos &lt;p&gt;Agostinho já é clérigo: mais exatamente, sacerdote. Mas sacerdote monge para toda a sua vida. Na intenção e na realidade. Será também, portanto, um bispo monge. Convivem com ele no mosteiro fundado no horto junto à Igreja, antigos companheiros ainda que não todos. Alípio voltará depressa para a sua cidade natal da qual em breve será bispo. Assim escreve Posídio, um dos seus acompanhantes: "Ordenado, pois, presbítero, logo fundou um mosteiro junto à Igreja e começou a viver com os servos de Deus, segundo o modo e regra estabelecidos pelos Apóstolos. Acima de tudo olhava a que ninguém naquela comunidade possuísse bens, que tudo fosse comum e se distribuísse a cada qual de acordo com as suas necessidades, como o tinha ele praticado primeiro, depois de regressar de Itália à sua pátria" (Vida, 5). &lt;p&gt;O tipo de vida que este grupo de amigos levava não podia deixar de ser influenciado pela nova situação em que se encontrava a alma de tudo: Agostinho. Ordenado sacerdote está ao serviço direto da Igreja. Os trabalhos puramente filosóficos cessaram de todo. Não foi em vão que passou três meses de dedicação exclusiva ao estudo da Sagrada Escritura. Daqui tomará a inspiração. Ela lhe indicará as exigências da vida cristã, o que é bom e o que é melhor. Propor‑lhe‑á o ideal a seguir, o exemplo a imitar. &lt;p&gt;Ideal e exemplo que encontra na vida da primitiva comunidade cristã de Jerusalém, tal como é relatada por S. Lucas nos Atos dos Apóstolos, 4, 32: "A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma. Ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas, entre eles, tudo era comum... Pois todos os que possuíam terras ou casas vendiam‑nas, traziam o produto da venda e depositavam‑no aos pés dos Apóstolos. Distribuía‑se, então, a cada um, conforme a necessidade que tivesse". Uma vez lido este texto em público, Agostinho acrescentará: "Já vedes aquilo que procuramos. Orai para que possamos realizá‑lo" (Sermão, 356, 2). Sobre tal texto ergue o Santo a sua idéia sobre a instituição monástica. Sobre aquele texto modela a sua comunidade de forma liminar na intransigência: &lt;p&gt;"Meus irmãos, se quereis dar alguma coisa aos clérigos exorto‑vos: oferecei a todos o que queirais, oferecei‑o espontaneamente. Mas será comum e distribuir-se-á a cada um conforme a necessidade o pedir. Cuidai a caixa das esmolas e todos teremos o suficiente. É uma coisa que me deleita de sobremaneira: essa caixa é o nosso presépio, nós somos o rebanho de Deus e vós o campo de Deus. Ninguém ofereça uma mitra ou uma túnica ou coisa semelhante, mas apenas coisas que possam ser comuns. Também eu tomo tudo do comum, pois sei que é do comum tudo o que tenho. Não quero que a vossa santidade ofereça coisas que apenas eu possa decentemente utilizar, por exemplo, uma mitra preciosa. Talvez convenha ao bispo, mas não a Agostinho, homem pobre, nascido de pobres." (Sermão 356, 9). &lt;p&gt;Os que optem por viver com Agostinho hão‑de ser continentes, isto é, hão‑de renunciar ao casamento; hão‑de submeter‑se ao superior e obedecer‑lhe; mas acima de tudo hão‑de fazer voto de pobreza. Assim vive Agostinho. Assim quer os que convivem com ele. Antes de entrar hão‑de dar todos os seus bens. A quem quiserem; podem dá‑los aos pobres, à Igreja, ou ao próprio mosteiro. Ao entrar neste hão‑de ir dispostos a viver da Igreja. Ela os há‑de alimentar. Do mesmo modo que a comunidade de Jerusalém se mantinha com as coletas das outras Igrejas, assim o mosteiro e os que nele vivem, hão‑de subsistir com as esmolas dos fiéis. &lt;p&gt;Ninguém há‑de possuir nada próprio. Fazer o contrário seria um roubo. Tudo, absolutamente tudo, há‑de ser comum e cada um há‑de receber consoante a sua necessidade. A comunidade de bens abarca tanto os temporais como os do espírito. Até a alma há‑de ser comum. O monacato de Santo Agostinho surgiu de um grito "como é formoso e alegre o conviver dos irmãos juntos" (Salmo 132, 1). O monacato tem também uma finalidade: "para isto vos haveis congregado em comum: para que tenhais uma só alma e um só coração em, e para Deus". Assim começa a Regra de Agostinho. Deus, portanto, é a meta última a conseguir em unidade de corações, impelidos pela caridade. Deus será para os monges "a grande e riquíssima possessão". Quem vive com Agostinho não terá mais bens que Deus. Mas Deus basta e sobra para todos. &lt;p&gt;Os meios para atingi‑lo não são diferentes dos que têm os restantes cristãos para chegar a Deus. Os monges de Agostinho, não são seres estranhos, são cristãos como os outros. Na Igreja primitiva, a comunidade de Jerusalém vivia de uma forma mais perfeita, que as outras comunidades, que também eram cristãs. Os que entram no mosteiro agostiniano tentarão imitar aquela comunidade donde saiu a fé para o mundo. &lt;p&gt;O monge que deseja viver como Agostinho propõe, não está fora da vida da Igreja. Ao contrário é a parte mais viva da mesma. É o coração do Corpo Místico de Cristo. Vive dentro dela e para ela. Nela encontra a Deus. Por meio dela recebe o Espírito Santo, que infunde em cada um o amor para que possa conseguir essa unidade de corações e assim alcançar Deus. Sem a Igreja não haveria monacato agostiniano porque também não haveria nem Espírito, nem caridade. &lt;p&gt;Agostinho concebeu o monacato como sendo, antes de mais, um serviço à Igreja. Eram leigos os que entravam no seu mosteiro. Mas tinham de estar preparados para responder dignamente se algum dia a Igreja precisasse dos seus serviços especiais. A grande novidade de Agostinho consistiu em transformar os seus mosteiros em "seminários". A Igreja católica africana, até então, estava humilhada pelo donatismo. A única forma de levantar a cabeça era começar pela reforma do clero. Era preciso afastar do povo muitos costumes menos cristãos que os adversários da Igreja Católica não cessavam de reprovar. Para isso era preciso sacerdotes e bispos capazes. Era também necessário corrigir os vícios do clero, em especial o seu orgulho de casta e a avareza. Por isso, nada melhor que ter onde escolher e convocar apenas os mais dignos. Era preciso uma vida casta e uma instrução conveniente. Havia que afastar a ignorância dos pastores duma forma completa e definitiva. Destes mosteiros saiu a reforma da Igreja africana. Os mosteiros de Agostinho proveram de bispos numerosas cidades africanas. Assim a Igreja Católica começou de novo a reviver. &lt;p&gt;Quem era chamado ao sacerdócio devia continuar a ser monge, vivendo no mosteiro em pobreza. Nisto Agostinho não admitia excepções. Deveriam viver com ele no mosteiro, como os outros monges não ordenados. Vivendo apenas do comum. &lt;p&gt;Agostinho vivia, pois, no mosteiro com os seus monges. Mas tinha de prestar os serviços de hospitalidade para com os hóspedes e peregrinos, os quais não queria introduzir no mosteiro. Talvez, se tratava de bispos, para que lhe não levassem os seus melhores monges para as suas dioceses. Ou para que não lhe levassem os maus, os quais ele não permitia que fossem ordenados. Para os poder receber funda um segundo mosteiro em Hipona. A casa episcopal será agora mais um mosteiro onde Agostinho viverá com os seus monges clérigos. &lt;p&gt;A rigidez que Agostinho mostra em assuntos de pobreza foi a causa de que houvesse alguns hipócritas, que possuindo bens, fizessem testamento. Isto levou‑o a fazer primeiro uma inspeção a todos os seus monges. Encontrou a situação melhor do que diziam as más línguas. Mas este fato fez com que mudasse o seu modo de atuar. Não será tão intransigente. O clérigo que assim o deseje poderá abandonar o mosteiro e viver dos seus bens. São palavras suas: "Sei como os homens gostam de ser clérigos; não lhe será tirado ao que se negar a viver em comum comigo. Mas quem quiser ficar comigo terá Deus. Se está disposto a deixar‑se alimentar por Deus, por meio da Igreja, a não ter nada próprio, repartindo tudo pelos pobres, ou amando‑se em comum, fique comigo. Quem não quiser, é livre, mas veja se poderá conseguir a felicidade eterna" (Sermão 355, 6). &lt;p&gt;"Viviam com ele os clérigos, com casa, mesa, enxoval comum. Para evitar os perigos de perjúrio nos que estavam habituados ao juramento, instruía o povo fiel, e aos seus, tinha‑lhes mandado que ninguém se excedesse, nem sequer à mesa. Se alguém tinha um deslize nesta matéria, perdia uma porção das permitidas, tanto para os que moravam com ele como para os convidados, estava limitada a quantia de vinho que podiam beber. Corrigia ou tolerava as transgressões à regra conforme a prudência, insistindo acima de tudo em que se deviam evitar as palavras maliciosas..." (Vida, 25). &lt;p&gt;Para Agostinho, o homem era livre de escolher, ou não, o caminho da perfeição. Mas, uma vez escolhido, não restava outra opção senão escolher também a perfeita pobreza. Por necessidade, o clérigo há‑de ser aspirante à perfeição e, em conseqüência, há‑de viver em pobreza. Donde a advertência de Agostinho: "Veja se poderá obter a felicidade eterna". &lt;p&gt;Mas Agostinho não queria ter hipócritas dentro de casa. Aquele que falta a um voto, deu só meia queda; mas quem simula o que não tem, caiu de todo. Portanto quem quiser ficar com ele sabe com o que conta. E Agostinho também: "Se alguém vive com hipocrisia, se alguém é proprietário, não lhe permito fazer testamento, mas riscarei o seu nome da lista dos clérigos. Pode citar contra mim mil concílios, ou navegar contra mim para qualquer pais, mas tenha a certeza: Deus me ajudará para que, onde quer que eu seja bispo, ele não possa ser clérigo. Já o haveis ouvido, já o têm ouvido." (Sermão, 356, 14). &lt;p&gt;Palavras duras e claras. O bispo de Hipona não suportava a hipocrisia a seu lado. O monacato há‑de apoiar‑se na verdade e na sinceridade. A disposição interior de cada um, que entra no mosteiro agostiniano, há‑de ser sempre a de quem está disposto, em cada momento, a interrogar o seu coração. Quer dizer, a jogar jogo limpo. A verdade é um pressuposto irrenunciável. Verdade, que por sua vez, é conquista permanente. &lt;p&gt;No monacato agostiniano tudo é de todos. E todos fazem tudo. Todos contemplam, todos se dedicam ao serviço ativo da Igreja. Todos trabalham manualmente. Senão na sua pessoa, na de seu irmão. Basta que ames o que é do irmão e isso será teu. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-4263092597170335566?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/4263092597170335566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/deus-bastanos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/4263092597170335566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/4263092597170335566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/deus-bastanos.html' title='DEUS BASTA‑NOS'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-8192390492179374548</id><published>2011-03-24T05:04:00.001-07:00</published><updated>2011-03-24T05:04:16.365-07:00</updated><title type='text'>O TEMPO PRECIOSO</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;De dia trabalhava, de noite meditava &lt;p&gt;O grande número de obras escritas por Agostinho podem levar‑nos ao engano. Podem fazer‑nos crer que a maior parte das horas do dia eram ocupadas a estudar e a escrever. Nada mais afastado da realidade. Para Agostinho isso era apenas um sonho, o desejado. Tinha outras ocupações mais trabalhosas e menos agradáveis para ele. &lt;p&gt;A maior parte do dia e dos dias passava administrando justiça, resolvendo pleitos e contendas. Agostinho era uma figura vital da sua comunidade. O bispo era uma pessoa importante na cidade. Perante a corrupção geral e a lei do mais forte, ele apresentava‑se como o árbitro que não se deixa subornar; que administra justiça com retidão, rapidez e por amor; sem acepção de pessoas. Eram numerosíssimos os que recorriam a ele, sobretudo os indefesos, tanto pagãos como cristãos, católicos ou hereges. Todos se entendiam para lhe tirar o seu precioso tempo. "Às vezes a audiência durava até a hora de almoçar; outras, passava o dia em jejum, ouvindo e resolvendo pleitos", diz‑nos S. Posídio (Vida, 19). &lt;p&gt;Outros afazeres gastavam o já escasso tempo de Agostinho: visitava as prisões, intercedendo em favor dos que ali se encontravam, para que não fossem mal tratados. Fazia‑o "com tanta modéstia e recato que não causava nenhum incômodo e pesar, mas sim admiração" (Vida, 20). Para o bem daqueles infelizes submetidos à terrível justiça, ou injustiça, do tempo, teve de se enfrentar, não poucas vezes, com autoridades pagãs ou donatistas, pelas quais não era bem visto. Nem sempre as respostas foram as que esperava e desejava. &lt;p&gt;"Nas visitas guardava a moderação recomendada pelo Apóstolo, indo só visitar as viúvas e órfãos, que sofriam alguma tribulação. Se algum doente lhe pedia que rezasse por ele e lhe impusesse as mãos, fazia‑o sem demora" (Vida, 27). &lt;p&gt;Também não lhe era possível empregar a seu gosto as horas que ficavam livres de tais trabalhos. Agostinho viajou e por razões diversas. Fê‑lo pelos caminhos mais insólitos de África. Mais que horas, foram muitos os dias seguidos, que passou a cavalo. Os motivos de tais viagens eram diversos: assistir a concílios, tratar de assuntos políticos, encontrar‑se com outros bispos para traçar planos de ação; visitas pastorais para instruir e fortalecer a fé dos católicos, para discutir com representantes de seitas heréticas, etc.. Viajou em todas as direções: de Cartago a Cesareia da Mauritânia; a este, a oeste e ao interior; quando era jovem e quando os anos já lhe pesavam. Em trinta anos visitou Cartago em trinta e três ocasiões. Às vezes os fiéis mostravam‑se ciumentos e desgostosos pelas longas ausências do seu bispo. Seria curioso chegar a conhecer quais os livros que tiveram a sua gênese sobre o dorso de um cavalo. &lt;p&gt;Os irmãos que vivam no mosteiro também foram uns ladrões de tempo para Agostinho. Apesar de cansado por muitos e graves problemas atendia‑os sempre com gosto e sem reparar nas horas. Eram a menina dos seus olhos. &lt;p&gt;O cultivar da correspondência: aqui está outra das múltiplas ocupações do santo. Quando ainda não havia jornais, nem rádio, nem televisão, nem qualquer tipo de revista, a correspondência constituía o único meio de se manter em contato com o mundo exterior. Era necessário procurar a notícia, informar‑se, pedir aquilo de que se necessitasse. Era imprescindível para manter o calor da amizade, para exercer a própria influência. Por outra parte, Agostinho era o sábio do seu tempo nas ciências profanas e nas religiosas. A ele acudiam numerosas pessoas. Umas, para que lhe resolvesse as suas questões; outras para se fazerem valer perante ele e merecerem o louvor da sua pena; outras para o por à prova: será a ciência tanta quanta o vulgo apregoa? Deste modo ficaram‑nos numerosas cartas que mostram o Agostinho homem, amigo, culto, filósofo, teólogo, apologista, polemista; ansioso de aprender e de dar quanto possui. Cartas de grande interesse para conhecer uma época e o homem que marcou essa mesma época. &lt;p&gt;Por último há que considerar também o tempo empregue na pregação e atividade litúrgica. &lt;p&gt;Que lhe restava para fazer os seus estudos, as suas leituras? A noite. À luz da lamparina de azeite porque a do sol alumiava outros assuntos. "Tal era a sua ocupação: trabalhando de dia e meditando de noite" (Vida, 24). &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-8192390492179374548?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/8192390492179374548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/o-tempo-precioso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/8192390492179374548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/8192390492179374548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/o-tempo-precioso.html' title='O TEMPO PRECIOSO'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-7362026720577187535</id><published>2011-03-23T00:51:00.001-07:00</published><updated>2011-03-23T00:51:24.525-07:00</updated><title type='text'>UMA VOCAÇÃO: SERVIR A IGREJA. DEUS O QUER</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p align="right"&gt;Amaram em mim terem ouvido que me havia convertido à livre servidão de Deus desdenhando as possessões paternas&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Chegava a um porto, o segundo de África, depois de Cartago. Aqui embarcou Agostinho para uma viagem que duraria toda a sua vida. O seu destino já não será Roma, mas sim, o serviço direto da Igreja. A condição não será a de um simples passageiro. Sem o pretender nem o querer, nomeiam‑no timoneiro. A ele competirá conduzir o navio. &lt;p&gt;Com efeito, saíram errados os cálculos da viagem a Hipona. Por dois motivos: o personagem que quer ganhar para a sua causa não se mostra muito convencido, nem Agostinho consegue persuadi‑lo. Por outro lado, o bispo é velho, fala mal o latim, por ser grego. Os donatistas estão a ganhar terreno. Precisa de alguém que o ajude, alguém que fale bem. Expõe ao povo a urgência desta necessidade. Agostinho está presente na Igreja. As pessoas conhecem‑no. Reconhecem nele a pessoa de quem precisam. É escolhido para sacerdote, ninguém melhor preparado do que ele. Professor de retórica noutros tempos, agora servo de Deus. Que o demonstre ao serviço da Igreja. Agostinho chora. Abusaram, não contaram com a sua opinião nem com os seus amigos, que também o queriam a seu lado. Estilhaçaram os planos que tinha traçado para a sua vida. Chora. Não falta quem pense mal; tentam consolá‑lo. Agostinho considera que é a vontade de Deus. Só Ele pode exercer este tipo de violência. É impossível resistir‑lhe. Cede. &lt;p&gt;"Prenderam‑no e como ocorre nestes casos, apresentaram‑no a Valério para que o ordenasse, consoante o exigiam o clamor unânime e grandes desejos de todos, enquanto ele chorava copiosamente. Não faltaram aqueles que interpretaram mal as suas lágrimas, segundo ele próprio nos referiu e, como para o consolar, diziam‑ lhe que, ainda que fosse dignos de maior honra, no entanto o seu grau de presbítero era próximo do episcopado, sendo que aquele homem de Deus, como sei por confidência sua, gemia pelos muitos e graves perigos que via o iam cercar com a administração e governo da Igreja: e por isso chorava. Assim se fez o que eles quiseram" (Vida, cap. IV). &lt;p&gt;Agostinho é ordenado. Mas antes põe condições: que lhe seja permitido viver com os amigos. O velho bispo Valério consente. Permite‑lhe erguer um mosteiro numa pequena quinta, propriedade da Igreja. Agostinho volta a Tagaste. Tem de dar a triste notícia aos seus companheiros. Não vai poder viver com eles como dantes. Quer levar consigo alguns para que o ajudem a erguer o novo mosteiro. A comunidade vai ser dividida. Nem Agostinho nem os outros querem que ele volte logo para Hipona. Escreve uma carta ao seu bispo. Necessita de um prazo de pelo menos três meses para ler e estudar em profundidade a Escritura. Não quer ver‑se condenado: tal é a responsabilidade. "Atrevo‑me a confessar que com plena fé retenho o que atinge a minha própria saúde. Mas, como hei‑de administrar aos outros sem procurar a minha própria utilidade mas sim a salvação dos outros?... Como se pode conseguir isso, a não ser pedindo, chamando e procurando, quer dizer, orando, lendo e chorando, como o próprio Senhor mandou? Com esta finalidade me vali de meus irmãos para solicitar da tua sinceríssima e venerável caridade algum adiamento, por exemplo, até à Páscoa; agora repito o meu pedido por estas preces. Acaso terei de responder ao divino juiz: «Não me pude informar convenientemente, pois mo impediram os assuntos eclesiásticos»? Ele me replicará: «Mau servo supõe que te tivesse aparecido um pretendente aos bens da Igreja, na qual tanto trabalho se emprega par recolher os frutos...» (Carta, 21, 4, 5). &lt;p&gt;Agostinho volta a Hipona. Dedica‑se em cheio à atividade sacerdotal, sobretudo à pregação. Chovem as críticas. É contra o costume de toda a África que um sacerdote pregue estando presente o bispo. Segue adiante com o apoio do próprio bispo. Recolhe os primeiros triunfos e as primeiras desilusões. Dirige a palavra a um concílio de bispos e continua a escrever. Os temas agora já não são escolhidos por ele. São‑lhe impostos pela vida e necessidades da Igreja. A sua fama estende‑se com uma velocidade insuspeita. Até o próprio Valério teme que Agostinho volte a ser violentado, que outras cidades sem pastor lho arrebatem. Para o evitar consagra‑o bispo de Hipona, também contra as normas estabelecidas. Era o ano de 395. Será o seu sucessor, quando da sua morte, sendo já ancião, apenas um ano mais tarde. Nem todos fora de Hipona estão de acordo. Os mais invejosos levantam acusações e declaram nula a consagração de Agostinho. A verdade triunfa: tratava‑se de pura calúnia. Para sempre será já o bispo de Hipona. &lt;p&gt;Onde estão os planos de há poucos anos! Tanto mudaram as coisas! Que sonho tão belo teria sido poder dedicar‑se à contemplação da verdade, livre de todo o cuidado temporal.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-7362026720577187535?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/7362026720577187535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/uma-vocacao-servir-igreja-deus-o-quer.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7362026720577187535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7362026720577187535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/uma-vocacao-servir-igreja-deus-o-quer.html' title='UMA VOCAÇÃO: SERVIR A IGREJA. DEUS O QUER'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-2592540243612623184</id><published>2011-03-18T01:33:00.001-07:00</published><updated>2011-03-18T01:33:19.701-07:00</updated><title type='text'>SERVO DE DEUS</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;Meditando dia e noite a divina lei &lt;p&gt;Na companhia de seu filho e amigos regressou a Tagaste. Como primeira medida, vende as propriedades de seus pais, dá o produto aos pobres, ficando apenas com a casa para viver com os seus amigos, como servo de Deus. &lt;p&gt;Os bens a que Agostinho renunciou não foram com certeza muitos, porque não os tinha. Mas ele deixará escrito mais tarde que "muito abandona quem não só abandona o que tem mas até o que deseja ter" (Comentário ao Salmo 103, III, 16). É a expressão de um estado de ânimo pronto a sacrificar nas aras do serviço do Senhor. Com efeito, tinham chegado a Tagaste como "servos de Deus". Poder‑se‑ia pensar no primeiro ensaio dum mosteiro agostiniano. &lt;p&gt;O que tinha experimentado por pouco tempo e noutras circunstâncias Cassiciaco, vai tornar‑se agora, nos seus planos, em realidade duradoura. A procura da sabedoria chamar‑se‑á, daqui em diante, por outro nome: procura e conquista de Deus. Cristo e a Escritura abrirão o caminho. A razão avançará por essa estrada aberta, sem se afastar dela, nem para a direita nem para esquerda. Sair dela será o equivalente a entrar no erro. A viagem é comprida; é necessária a purificação. É preciso desprender‑se de tudo. A alma tem de caminhar livre, sem nada que atrase a partida ou lhe detenha a passada. &lt;p&gt;Mas agora já não estão em Cassiciaco. Os projetos de antigamente não bastam. África é um campo de batalha. Ele é membro de uma Igreja que se encontra em tribulação. O maniqueísmo, o donatismo e os pagãos ameaçam afogá‑la. Há que conseguir a ascensão pessoal a Deus; mas é também necessário formar um exercito que lute em defesa desta Igreja. A ambas as coisas se dedicará Agostinho. &lt;p&gt;Em Tagaste vive‑se num ambiente ascético, onde tudo é comum. O corpo é domado pelos jejuns e a alma é alimentada pela oração e meditação. Ali estuda‑se, reflete, lê‑se, consulta‑se, recolhe‑se cada um no seu interior até chegar a "ver a Deus" através das coisas criadas. Novos interesses penetraram na pequena cidade da Numídia. O conjunto dos amigos forma um centro de estudos. O trabalho intelectual ocupa a maior parte das horas do dia. Agostinho é o pai comum de todos eles, o "diretor espiritual", o mestre de filosofia e teologia e de Sagrada Escritura. O que ele recebe do céu no seu estudo e oração reparte‑o pelos outros. Aos de dentro pela sua palavra e pelos seus escritos. Através destes, também aos de fora. &lt;p&gt;"Depois de receber o batismo juntamente com outros companheiros e amigos, que também serviam o Senhor, aprouve‑lhe voltar a África, à sua própria casa e herança; e, uma vez ali estabelecido, pelo espaço de quase três anos, renunciando aos seus bens, em companhia de outros que se lhe tinham juntado, vivia para Deus com jejuns, oração e boas obras, meditando dia e noite a divina lei. Comunicava aos outros o que recebia do céu com o seu estudo e oração, ensinando aos presentes e ausentes com a sua palavra e escritos." (Vida de Santo Agostinho, escrita por Posídio, capítulo III). &lt;p&gt;A primeira instrução é filosófica. São variados os temas propostos à discussão e ao diálogo: a existência de Deus, os graus de ascensão até Ele, a liberdade, a origem do mal, o mestre interior, a providência, etc.. Agostinho dirige, aclara, distingue, explica, sintetiza. Junto com os temas filosóficos vão os teológicos: relação entre a fé e a razão, a Trindade e a Encarnação, pecado original e graça, credibilidade da Igreja Católica, sinais da verdadeira religião, etc. A teologia converte‑se em apologética contra pagãos e hereges. Serve‑se a Igreja. &lt;p&gt;O jovem Adeodato morre. Tinha dado provas do seu talento no livro intitulado O mestre. Falece também, em Cartago, o amigo Neonídio, que não tinha podido acompanhá‑los no retiro de Tagaste. Foram duas perdas dolorosas para Agostinho. &lt;p&gt;Os interesses dos que vivem reunidos vão mudando. As questões bíblicas preocupam‑nos. Estão imensamente interessados em conhecer a Escritura, o seu significado. Isto não é fácil; em todas as partes vêem passagens obscuras e questões difíceis. São as questões do dia, as armas que os hereges usam contra a Igreja. A melhor razão que se lhes pode contrapor é a autêntica palavra de Deus. É indispensável conhecê‑la. O que antes era instrumento de perfeição pessoal, está agora ao serviço da Igreja. Agostinho responde como pode às perguntas. Improvisa com freqüência e mais tarde terá de mudar de opinião. Ensina as normas para interpretar a Escritura, para entender os antropomorfismos, a diferença entre o Antigo e o Novo Testamento, etc.. &lt;p&gt;Os livros de Agostinho são copiados, oferecidos, correm de mão em mão. A sua fama estendeu‑se por toda a província. Todos o conhecem, admiram e louvam; pela sua ciência e pelo seu estilo de vida. Outros odeiam‑no; os maniqueus contra os quais já escreveu várias obras; descobriu os seus erros e até os meteu a ridículo. &lt;p&gt;Agostinho não quer renunciar ao seu estilo de vida. Ao mesmo tempo esforça‑se por ganhar novos membros para o seu ideal. Vai buscá‑los pessoalmente. Tomou as suas precauções antes. Sabe onde pode ir e onde não. Conhece as cidades onde há bispos e onde o necessitam. evita as últimas. Podia ser perigoso para ele. Mas Hipona ainda tem pastor. Portanto não há nenhum perigo que o capturem para o serviço pastoral daquela cidade. E vai sem maior cuidado. Era o ano 391 cuidado Era o ano de 391.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-2592540243612623184?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/2592540243612623184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/servo-de-deus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/2592540243612623184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/2592540243612623184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/servo-de-deus.html' title='SERVO DE DEUS'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-6709672569904068349</id><published>2011-03-17T00:56:00.001-07:00</published><updated>2011-03-17T00:56:48.374-07:00</updated><title type='text'>NOVO RUMO</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;Quantos lerem isto, lembrem‑se diante do vosso altar, de Mônica. &lt;p&gt;Com efeito, a permanência em Milão foi breve. Passado pouco tempo, Agostinho e os seus empreenderam a viagem para Roma, como primeira etapa do projetado regresso a Tagaste. Em Hóstia, junto a Roma, tomariam o barco que os reconduziria às costas africanas. Mas o porto estava bloqueado pela armada do usurpador Máximo. Tal imprevisto obrigou‑os a ficar ali até que fosse possível a navegação. Entrou em contato com nobres famílias cristãs e provavelmente hospedou‑se em casa de uma delas. &lt;p&gt;Dois acontecimentos de sinal diferente tiveram lugar em Hóstia. O primeiro, o êxtase de Agostinho e Mônica. Assim nos é contado por ele: "Aproximava‑se o dia da morte de minha mãe. Aconteceu que ela e eu nos encontrávamos sós, apoiados numa janela, donde se avistava o jardim interior da casa que habitávamos... Conversávamos a sós, muito docemente. Falávamos da sabedoria de Deus, que desejávamos com ardor e chegamos a tocá‑la um pouco com o nosso coração" (IX, 10, 23‑25). &lt;p&gt;O segundo foi a morte de Mônica. Passado pouco tempo cai doente e após nove dias de enfermidade, quando contava ela 56 anos de idade e Agostinho com 33, "aquela alma religiosa e piedosa foi desatada do corpo" (IX, 11, 28). &lt;p&gt;A emoção e a pena que sentiu foram imensas. Enquanto lhe fechava os olhos, afluía ao seu coração uma enorme tristeza, que se transformava em lágrimas. O esforço para contê‑las era grande e esta luta aumentava ainda mais a sua dor, como a aumentava escutar o pranto do filho Adeodato quando a avó deu o último suspiro. &lt;p&gt;Mônica foi sepultada ali mesmo. Durante o funeral Agostinho conseguiu conter as lágrimas. Mas depois no decorrer do dia viu‑se oprimido pela tristeza. Para a afastar decidiu ir tomar um banho. Tomou‑o, mas assim como se encontrava assim se encontrou depois. Não foi capaz de fazer transpirar do seu coração a amargura da tristeza. "A seguir adormeci ‑ dirá ‑ e ao acordar encontrei a minha dor mitigada" (IX, 12, 32). &lt;p&gt;Grande tinha sido o amor da mãe pelo filho, mas não menor o do filho pela mãe. As seguintes palavras de Agostinho, de grande beleza e riqueza de sentimentos, são sinal disso: "Senti vontade de chorar na presença de Deus sobre e por ela, sobre mim e por mim. Dei rédea solta às lágrimas que tinha reprimidas para que corressem quanto quisessem, fazendo delas um leito para que o meu coração descansasse, que nele efetivamente encontrou repouso, porque ali estavam os ouvidos de Deus, não os de qualquer homem que interpretasse depreciativamente o meu pranto. Agora, Senhor, to confesso neste escrito. Quem quiser leia‑o e interprete‑o como quiser. E, se acharem pecado que eu chorasse durante uma pequena parte de uma hora a minha mãe recém falecida diante dos meus olhos, a minha mãe que durante tantos anos me tinha chorado diante dos Teus; não se ria: antes, se tem caridade, chore também ele pelos meus pecados, a Ti, Pai de todos os irmãos em Cristo" (IX, 12, 33). &lt;p&gt;Agostinho volta para Roma até que seja possível fazer‑se ao mar. Aí passa os dias a visitar os mosteiros que existem nos arredores, ao mesmo tempo que se entrega à atividade literária. Possuímos obras de caráter filosófico e apologético escritas por ele neste período. O mesmo fervor que anos antes o tinha impelido a difundir o erro maniqueísta, desdobra‑o agora para o refutar e contrastar com a verdade da Igreja Católica. Não pode tolerar que os maniqueus convertam o seus costumes, que ele tão bem conhece, em apologia da verdade da sua religião. O argumento é válido mas está mal aplicado. É vida dos cristãos e acima de tudo a caridade dos monges a que dá testemunho da verdade católica, dir‑lhes‑ á. &lt;p&gt;Por fim chegou a hora de atravessar, pela segunda e última vez para Agostinho, as águas do Marenostrum (como lhe chamavam os romanos) o mar Mediterrâneo. Em 388 chegava a Cartago, isto é, cinco anos depois de ter enganado a sua mãe naquele mesmo porto. O que agora regressava não era o mesmo que tinha partido. A nave da sua vida acabava de tomar um novo rumo. &lt;p&gt;Desta vez a estadia em Cartago foi curta. Tagaste esperava‑o. O s seus projetos iam tornar‑se realidade.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-6709672569904068349?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/6709672569904068349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/novo-rumo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/6709672569904068349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/6709672569904068349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/novo-rumo.html' title='NOVO RUMO'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-7062495169682625476</id><published>2011-03-14T05:13:00.001-07:00</published><updated>2011-03-14T05:13:14.639-07:00</updated><title type='text'>UM IDEAL: CONHECER A DEUS NA TRANQÜILIDADE COM OS SEUS AMIGOS</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;O porto da filosofia &lt;p&gt;A decisão de Agostinho era definitiva: entregar‑se totalmente à conquista da sabedoria, vivendo só para Deus. A sua alma já estava livre das preocupações, de ambicionar honrarias, de ganhar dinheiro, "de revolver‑se e coçar‑se da sarna da lascívia". Deus era já a sua honraria, a sua riqueza, a sua saúde. Restava por fazer outra opção ainda mais concreta: continuar como professor até que chegasse o fim do ano letivo ou "romper estrondosamente". Não lhe pareceu esta última, a mais adequada. Por sorte, faltavam já poucos dias para as férias da vindima. Resolveu suporta‑los com paciência e retirar‑se no tempo habitual e "resgatado por Deus, não voltar a vender‑se" (IX, 2, 2). &lt;p&gt;Encontrou uma desculpa fácil e ao mesmo tempo um motivo real. Por causa do excessivo trabalho das aulas, naquele mesmo verão, os pulmões começaram a ressentir‑se e a respirar com dificuldade. As dores no peito que sofria indicavam que havia alguma lesão. O certo era que não podia falar com voz clara e firme durante muito tempo. Ao princípio isto tinha‑o preocupado porque o obrigaria a renunciar, quase por necessidade, ao ensino, ou pelo menos, a interrompê‑lo. Mas agora alegrava‑se que se lhe deparasse esta desculpa verdadeira que diminuiria o desagrado dos pais ao verem os filhos ficarem sem professor. &lt;p&gt;Assim chegou o dia em que renunciou efetivamente à cátedra da retórica. Deus libertou a sua língua daquilo de que já tinha libertado o seu coração. Como tinha pensado, acabadas as férias da vindima, avisou os milaneses que procurassem para os seus estudantes outro "vendedor de palavras", porque ele, por causa da dificuldade da respiração e a dor no peito, não tinha forças. A causa também, ainda que esta não a tenha dito, era a determinação de servir a Deus. &lt;p&gt;Abandonada a sua antiga profissão, Agostinho e o seu circulo de amigos retiram‑se para uma quinta que, nos arredores de Milão, possuía o amigo Verecundo que a tinha posto à sua disposição. O seu nome é já célebre: Cassiciaco. Depois de resolver os últimos assuntos na cidade dirigem‑se para lá nos primeiros dias de Novembro. Com ele iam dois alunos: Licencio, filho de Romaniano, seu benfeitor de outros tempos, e Trigécio; os primos Rústico e Lastidiano; Alípio, Adeodato, seu irmão Navígio e a mãe, Mônica. &lt;p&gt;A estadia em Cassiciaco foi para Agostinho um período de férias. Nada mais justo, terminado o ano letivo e com problemas de saúde. Nada mais necessário, depois de longos meses de angústia e de tensão, de problemas intelectuais e de incertezas morais, de luta e agonia interior, cuja dureza só é conhecida por quem a tenha experimentado. O seu espírito necessitava de paz e tranqüilidade até voltar a encontrar a serenidade completa. &lt;p&gt;Foi também um período de penitência, de oração e meditação. Na nova situação Deus passava a ser o personagem de primeira linha; tinha‑se tornado o principal interlocutor de Agostinho. Com Ele tinha de repensar o passado, programar o futuro. Tinha sentido a sua mão libertadora, era preciso dar‑Lhe graças. Experimentada a própria incapacidade, não podia prescindir d'Ele para o futuro. Qualquer projeto tinha de ser visto à Sua Luz e à luz da experiência e dos erros passados. Agostinho era dado à introspeção. Tinha de projetar a luz recém descoberta sobre si mesmo, sobre as pessoas que o rodeavam, sobre a natureza e o mundo inteiro que o cercavam, agora que o via de uma forma diferente. Tudo formava uma formosa melodia, bastava entendê‑la; as suas tonalidades, os seus sons. Durante muitas das horas da noite ele meditava e orava. &lt;p&gt;Aquele período de uns cinco meses, significou para Agostinho, ver realizado o que antes tinha vislumbrado como sendo apenas um sonho: viver em comum com um grupo de amigos, todos interessados na busca da sabedoria. Às horas de trabalho manual, de refeições, de oração, sucediam‑se as empregues em conversas, na discussão de problemas profundos. Conservam‑se os livros escritos naquele tempo, fruto da participação de todos, incluindo a avó Mônica. Três diálogos formosos, nos quais Agostinho tem a parte de leão: Contra os cépticos, A vida feliz, A ordem. Aparecem os temas que preocupavam e ocupavam aqueles amigos: o da verdade: podemos estar seguros de conhecer a verdade?; a felicidade: que é?, em que consiste?, como consegui‑la?; a ordem presente na criação, o mal e a providência; um programa de estudos, etc. . &lt;p&gt;Daquele tempo é também a obra famosíssima, chamada Solilóquios e que consiste num diálogo entre a razão e a alma de Agostinho. Original em tudo, começando pelo próprio título. É o primeiro auto‑retrato escrito para os amigos e para a posteridade. Encontramos aí as metas intelectuais a que se propunha chegar. ‑Que desejas conhecer? ‑Desejo conhecer a Deus e à alma. ‑Nada mais? ‑Nada mais. &lt;p&gt;Deus a quem começa invocando com uma oração que adquiriu fama pelo seu conteúdo e pela sua forma. Alma que deve purificar‑se para poder chegar ao gozo de Deus. A meditação do antigo professor prolonga‑se com reflexões sobre a imortalidade da alma. A obra ficou incompleta. &lt;p&gt;Nas obras a que temos feito referência, vê‑se um Agostinho que evolui, que se vai adaptando à nova situação criada na sua vida. Cristo tem já a máxima autoridade. Todo o saber há de assentar sobre dois pilares: a razão e a autoridade de Cristo, que impedirá aquela de se extraviar. Sente‑se membro da Igreja. Por outras palavras, o Agostinho "pagão" vai dando lugar ao Agostinho cristão. A procura da sabedoria identifica‑se com a procura do Deus de Jesus Cristo; a purificação da alma é levada a efeito pelo cumprimento dos seu mandamentos. &lt;p&gt;No entanto, as férias de Cassiciaco foram, antes de mais, um período de preparação para o batismo. Com anterioridade tinha escrito ao bispo S. Ambrósio informando‑o dos seus antigos erros e do seu atual propósito, para que lhe aconselhasse quais os livros da Escritura lhe seriam mais úteis ler como preparação para receber o sacramento. Recomendou‑lhe a leitura do profeta Isaias porque ‑ pensou Agostinho ‑ anuncia com mais claridade que os outros, o Evangelho e a vocação dos gentios. Agostinho seguiu o conselho do Santo, mas não entendeu a sua leitura. &lt;p&gt;Mais tarde ao aproximar‑se a quaresma, quando deviam inscrever‑se no número dos candidatos ao batismo, deixando o campo, voltaram para Milão. Finalmente, depois de ter assistido à catequese dirigida pelo bispo, Agostinho foi batizado pela mão de S. Ambrósio. Era a noite de 24 para 25 de Abril do ano de 387. Com ele entrou a formar parte da Igreja de Deus, Alípio, "revestido já de humildade cristã e grande domador do seu corpo, até ao ponto de se atrever a percorrer descalço o solo gelado de Itália" e, com os dois, Adeodato "nascido carnalmente de mim, fruto do meu pecado" (IX, 6, 14). &lt;p&gt;Receberam o batismo e fugiu deles toda a intranqüilidade pela vida passada. Foram dias de entusiasmo em que Agostinho não se cansava de pensar na grandeza do plano salvador de Deus. "Quanto chorei, ao ouvir os vossos hinos e cânticos, fortemente comovido pelas vozes da tua Igreja, que cantava com suavidade! Entravam aquelas vozes nos meus ouvidos e a vossa verdade derretia‑se no meu coração; com isto inflamava‑se o afeto de piedade e corriam as lágrimas e com elas sentia‑me bem" (id.). É Agostinho quem fala e é Deus aquele com quem está a falar. &lt;p&gt;Na época em que escreve As Confissões, ainda conserva fresca a memória: "Quando penso nas lágrimas que derramei ao ouvir os cânticos da Igreja, pouco tempo depois de ter recobrado a fé, reconheço uma vez mais a utilidade deste costume de cantar na Igreja. Ainda agora me comovo, não com o canto, mas com as coisas que se cantam, quando se faz com voz suave e modelada" (X, 33, 50). &lt;p&gt;Mas na sua mente já pensava abandonar aquelas terras. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-7062495169682625476?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/7062495169682625476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/um-ideal-conhecer-deus-na-tranquilidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7062495169682625476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7062495169682625476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/um-ideal-conhecer-deus-na-tranquilidade.html' title='UM IDEAL: CONHECER A DEUS NA TRANQÜILIDADE COM OS SEUS AMIGOS'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-7569242435665318896</id><published>2011-03-13T05:21:00.001-07:00</published><updated>2011-03-13T05:21:09.805-07:00</updated><title type='text'>TOMA E LÊ</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;Atira‑te a Ele; Ele não se afastará para que não caias &lt;p&gt;Agostinho tinha encontrado a Deus e o meio para chegar a Ele. As suas aspirações serão, portanto, outras. O que desejava não era já estar mais certo de Deus, mas sim, mais unido a Ele. Descoberta a meta procurava o modo de percorrer o caminho que conduz a ela. Teve uma inspiração: dirigir‑se ao sacerdote Simpliciano, que considerava um santo servo de Deus. A ele poderia contar todas as suas aflições que não tinha podido contar a Ambrósio. Também ele lhe poderia indicar a maneira mais adequada de andar pelas sendas do Senhor. &lt;p&gt;Colocava‑se‑lhe o problema de escolher a forma de vida para o futuro. Sabia que podia servir a Deus de múltiplas maneiras dentro da Igreja. Qual escolher? A mais perfeita? Algumas correntes o prendiam. "Estava descontente ‑ escreve nas Confissões ‑ com o que estava a fazer. Era para mim um fardo muito pesado. Já não tinha, como antes, o afã das riquezas nem a esperança da glória, que me ajudassem a suportar aquela servidão. Estas coisas já não causavam deleite, uma vez conhecida a doçura e a formosura de Deus. Mas continuava ainda tenazmente acorrentado à mulher. O Apóstolo não me proibia o casamento, mas exortava‑me a algo melhor, desejando com ardor que todos os homens fossem como ele. Eu, fraco como era, escolhi a vida mais suave. (VIII, 1, 2). &lt;p&gt;Aproxima‑se de Simpliciano que o recebe paternalmente. Como um avô, conta‑lhe histórias da sua juventude, histórias que tinham causado grande sensação no seu tempo. O grande orador Mário Vitorino, tinha‑se convertido e preferiu abandonar a sua carreira antes de renegar a Cristo. A emoção repete‑se, agora, no interior de Agostinho. Depois de escutar a narração da boca do ancião, arde em desejos de o imitar. Agora já vê com clareza e não lhe servem, portanto, as desculpas de antes, para não se entregar a Deus. Mas continuava agarrado à terra e recusava alistar‑se nas hostes de Deus ‑ são palavras suas ‑ e temia ver‑se liberto daquelas cadeias, tanto quanto temia ver‑se preso por elas. "O Senhor fazia‑me ver a verdade e convencido dela não tinha absolutamente nada a responder, a não ser palavras preguiçosas e sonolentas: «Agora, agora mesmo; deixa‑me um pouco», mas aquele «agora, agora» não chegava nunca; e aquele «deixa‑me um pouco» ia sendo muito" (VIII, 15, 12). &lt;p&gt;Noutra ocasião recebe a visita de um oficial do palácio, Ponticiano, africano como ele e Alípio, que naquela altura o acompanhava. Encontra‑o com o livro das Cartas do apóstolo S. Paulo. E o visitante a contar‑lhe o caso de Santo Antão, célebre monge do Egito. Apesar do seu nome andar já de boca em boca, Agostinho e os seus companheiros nunca tinham ouvido falar dele, coisa que surpreende Ponticiano. Depois fala‑lhe da multidão de cristãos, que já então povoavam os mosteiros, "do perfume divino das suas virtudes", assunto sobre o qual eles nada sabiam. Nem sequer sabiam que na própria cidade de Milão, ainda que nos arrabaldes, havia um mosteiro, "povoado de bons irmãos", e governado por S. Ambrósio (VIII, 6, 14‑15). &lt;p&gt;A conversa prolonga‑se. Agostinho e o seu companheiro ouvem também como os servidores da corte imperial, residentes em Tréveris, se tinham entregue a Deus. É o início de um novo combate, mais violento no seu interior. "Então, ‑ relata ele ‑ produziu‑se dentro de mim uma grande luta, que eu próprio tinha provocado. Com o rosto e a alma perturbados, aproximei‑me de Alípio e, aos gritos, disse‑lhe: «Que é isto que nos acontece? Que é isto que temos ouvido? Levantam‑se os ignorantes e conquistam o céu e nós, com a nossa ciência, sem coração, chafurdamos na carne e no sangue! Vamos ter vergonha de os seguir, apenas porque nos ultrapassaram? Teremos tão pouca vergonha para nem sequer ir atrás deles? » Se não são exatas, pelo menos foram parecidas, as palavras que pronunciei e entristecido, afastei‑me de Alípio que, assombrado me olhava e calava. Via que eu não falava como era meu costume e, mais que as palavras que dizia, era a fronte, a face, os olhos, a cor e o tom da voz, o que demonstrava o estado em que se encontrava a minha alma" (VIII, 8, 19). &lt;p&gt;E afastou‑se para a horta de sua casa, para ali, só, ser ele a única testemunha da batalha que se travava no seu coração. Alípio, pé ante pé, foi atrás dele. Como é que o ia deixar sozinho naquele estado. Ambos se sentaram o mais longe de casa que lhes foi possível. &lt;p&gt;Uma vez mais serão as próprias palavras de Agostinho a descrever a sua situação naquela altura. "Retinham‑me coisas frívolas e sumamente vãs, antigas amigas minhas. Puxavam pela veste da minha carne e diziam‑me baixinho: «Vais deixar‑nos? A partir de agora já não estaremos contigo? Desde este momento já não te será lícito isto ou aquilo?» E que coisas me sugeriam, Deus meu, no que eu chamo isto ou aquilo! Que coisas me sugeriam Deus meu! Que a tua misericórdia as afaste do teu servo! Que sujidades me sugeriam! Mas já não as ouvia todo o meu ser, apenas uma parte. Não se punham já diante de mim para me tolher o passo, mas sim, bichanavam nas minhas costas e quando me afastava, beliscavam‑me como que às escondidas, para que voltasse os olhos e as visse. Mas atrasavam‑me, porque hesitava em arrancar‑me e sacudi‑las e passar de um salto para onde o Senhor me chamava. O costume, que sempre exerce violência, continuava a dizer‑me: «Pensas tu poder viver sem estas coisas? »." &lt;p&gt;Mas já o dizia com pouco entusiasmo. Naquele lugar, para onde eu tinha dirigido o meu olhar, desvendava‑se‑me a beleza da castidade, serena e alegre sem leviandade. Abria para mim, para me receber e abraçar, as suas piedosas mãos, cheias de múltiplos bons exemplos: numerosas crianças, gente jovem e de todas as idades, veneráveis viúvas e anciãs virgens. Em todos eles resplandecia a castidade, que não é estéril, mas mãe fecunda de filhos... Ela troçava de mim e com humor alentava‑me dizendo: «Não poderás tu o mesmo que estes e estas? Acaso estes e estas podem por si mesmo e não no Senhor seu Deus? O Senhor teu Deus entregou‑me a eles. Porque te apoias em ti se não podes ter‑te de pé? Atira‑te a Ele, não temas; não se afastará para que tu não caias; atira‑te seguro que Ele te receberá e te curará». Senti eu grande vergonha de mim mesmo porque ainda sentia o murmúrio daquelas coisas frívolas e continuava indeciso e suspenso... Mas Alípio, colado a meu lado, esperava em silêncio o desenlace daquela agitação desacostumada em mim" (VIII, 26, 27). &lt;p&gt;Agostinho necessitava estar completamente só. Levanta‑se de onde estava Alípio, porque a solidão lhe parece mais adequada para chorar e retira‑se para longe, onde nem a sua presença o estorve. Deita‑se sob uma figueira, dá rédea solta às lágrimas e "saltaram dois rios dos meus olhos...". Perguntava‑se com voz lastimosa: "Até quando? Até quando direi: amanhã, amanhã? Porque não agora? Porque não ponho neste momento fim à minha torpeza?"(VIII, 12, 28). &lt;p&gt;O momento é decisivo. As conseqüências são imensas, não só para Agostinho, mas para a Igreja. Agostinho está quase a romper com todos os laços e a deixar‑se cair nas mãos de Deus. Mas deixemos que sejam as suas próprias palavras a contarem‑nos: "Enquanto dizia isto, o meu coração chorava com amarga contrição. De repente, duma casa vizinha, ouço uma voz, não sei se de menino ou menina, que dizia cantando e repetindo muitas vezes: «Toma e Lê, Toma e Lê». Reprimidas as lágrimas, levantei‑me. Interpretei aquele canto como a voz de Deus que me convidava a abrir o livro e a ler o primeiro capítulo que encontrasse... Por isso voltei a toda a pressa ao lugar onde Alípio estava sentado, onde tinha deixado o livro que continha as Cartas do apóstolo S. Paulo. Agarrei‑o, abriu‑o e li, em silêncio, o primeiro capítulo que caiu sob os meus olhos: Não em comida e na embriaguez, não em desonestidade e dissoluções, não em contendas e ciúmes. Revesti-vos antes do Senhor Jesus Cristo e não vos preocupeis com a carne para lhe satisfazerdes os apetites (Rm., 13, 13‑14). Não quis ler mais nem foi necessário porque mal li esta frase difundiu‑se sobre o meu coração uma luz de segurança e dissiparam‑se as trevas da dúvida." &lt;p&gt;Então, pondo o dedo ou não sei que outra marca, fechei o livro e já com rosto sereno, contei tudo a Alípio. Por sua vez ele disse‑me o que se estava a passar consigo sem que eu o suspeitasse. Pediu‑me para ver o que eu tinha lido. Mostrei‑lho e ele continuou a ler um pouco mais para diante. O texto continuava com estas palavras: Recebei o débil na fé. Aplicou‑o a si próprio e indicou‑mo tranqüilo e sem tardar associou‑se à minha decisão e propósito, que estava perfeitamente de acordo com os seus costumes, em que desde há muito se me tinha adiantado" (VIII, 12,30). &lt;p&gt;Depois vão ter com Mônica e contam‑lhe o sucedido. Como é fácil de compreender ela transborda de alegria. &lt;p&gt;Tal cena tem lugar em finais de Julho ou princípios de Agosto do ano de 386. Agostinho contava 32 anos. Ia começar uma nova etapa da sua vida.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-7569242435665318896?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/7569242435665318896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/toma-e-le.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7569242435665318896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7569242435665318896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/toma-e-le.html' title='TOMA E LÊ'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-1869625709833980809</id><published>2011-03-11T00:23:00.001-08:00</published><updated>2011-03-11T00:23:47.181-08:00</updated><title type='text'>OS PROBLEMAS DA INTELIGÊNCIA</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;Antes duvidaria de que vivo &lt;p&gt;Agostinho estava atormentado não apenas por estas hesitações sobre o plano de vida a realizar. Outros problemas de ordem puramente intelectual ocupavam a sua mente. O primeiro de todos: como conceber o ser de Deus? Afastava a idéia de que Deus tivesse forma de homem; ao mesmo tempo dava como certo que o ser divino era incorruptível, imutável. Mas sendo incapaz de se representar um ser espiritual, via‑se obrigado a imaginá‑lo como algo corpóreo, que se estendia pelo espaço. As imagens que circulavam pela sua mente eram as mesmas que lhe passavam pelos o olhos. &lt;p&gt;Entretanto continuava a procurar razões e argumentos para afastar de uma forma definitiva o fantasma do Deus maniqueísta, e os outros que se lhe seguiam, segundo uma lógica precisa. Preocupava‑o de um modo especial o problema do mal. Quem tinha plantado no seu interior "um alfobre de amargura", dado que tinha sido criado por Deus, que era extremamente doce? Com tais pensamentos afundava‑se cada vez mais e quase se afogava, mas já sem se submergir naquele "inferno do erro maniqueísta". &lt;p&gt;A ignorância em torno da origem do mal encontrava‑se unida a não poucas certezas; algumas nunca o tinham abandonado; outras reconquistadas naquele período de pesquisa e reflexão. "Eu ‑ são palavras suas ‑ continuava a procurar a origem do mal sem encontrar saída. Mas Deus não permitia que as vagas daqueles pensamentos me afastassem da fé pela qual cria na sua existência, que o seu ser não estava sujeito a qualquer mudança, que tinha providencia de todos os homens e que os havia de julgar. Conservava a fé em Jesus e acreditava nas Sagradas Escrituras tal como a Igreja as explicava. Estava já convencido de que nelas Deus tinha posto o caminho para a salvação eterna" (VII, 7, 11). &lt;p&gt;Depressa se lhe aclararam os enigmas e se somaram às certezas. Quis Deus que caíssem nas suas mãos os livros de alguns filósofos neoplatônicos. Um famoso orador pagão, Mário Vitorino, tinha‑os traduzido do grego para o latim e tinha‑os tingido do Evangelho. Tais livros resolveram‑lhe problemas que pouco antes lhe pareciam quase insolúveis. Permitiram‑lhe conhecer o verdadeiro ser de Deus, ser espiritual. Deus fez‑lhe ver algo que antes não era capaz de ver. Com expressão sua, Deus deslumbrou os seus olhos débeis, reverberando em cheio neles, e estremeceu de amor e de horror. Compreendeu que se encontrava numa região distante donde Deus lhe falava para lhe dizer "Sou alimento de grandes: cresce e comer‑me‑ás. Mas tu não me transformarás em ti, como o alimento da tua carne, mas sim, te transformarás tu em mim" (VII, 10, 16). &lt;p&gt;A certeza adquirida foi absoluta e total. Ouviu isto "como se ouvem as coisas no coração, sem poder de modo algum duvidar. Antes de duvidar da existência daquela verdade, duvidaria que estou vivo" (idem). Descoberto o verdadeiro Deus, descobre o verdadeiro ser das coisas, participação do ser de Deus, que portanto, são boas como Ele e que só a sua existência é um canto de louvor a quem as criou. &lt;p&gt;Ao mesmo tempo, encontrou soluções para o problema do mal. O mal físico, lógica conseqüência do fato de que a criação não é Deus. Todo o criado participa do ser, não é o ser; num sentido é e noutro não é. Neste não‑ser consiste o mal; é a falta de perfeição. Também achou solução para o mal moral. Não é outra coisa senão um desvio da vontade, que se afasta de Deus para se voltar para o que não é Deus, para as criaturas. &lt;p&gt;Os progressos realizados eram grandes, mas o caminho ainda não estava livre para se entregar totalmente a Deus. Já não amava um fantasma no lugar de Deus, mas sim a Deus mesmo. Mas alguma coisa ainda o impedia de gozar com plenitude e de se confiar sem reservas. Era o peso do hábito carnal que o mantinha apegado à terra. &lt;p&gt;Agostinho tinha descoberto a Deus, pátria e gozo definitivo. Averiguou para onde deve caminhar mas ignora por onde; desconhece o caminho que conduz, não apenas a vislumbrar a pátria bem‑aventurada, mas também a habitá‑la. &lt;p&gt;O caminho não é outro senão Jesus. Mas d'Ele tinham Agostinho e Alípio uma opinião errada. Ainda não sentiam a respeito de Cristo o mesmo que sentia a Igreja. Enquanto ela vê em Jesus o Filho de Deus, o Verbo do Pai e, portanto, Deus como Ele, Agostinho via n'Ele um homem extraordinário cuja sabedoria ninguém podia igualar; homem extraordinário também conquanto nascera maravilhosamente de uma virgem para dar‑nos o exemplo de como desprezar as coisas terrenas para alcançar as eternas. Por tudo isto tinha merecido ser considerado como um grande mestre. Mas ainda não compreendia o que queria dizer aquilo que tantas vezes ouvira: o Verbo se fez carne. Mais ainda, nem o podia suspeitar. Como é possível a sua ignorância neste campo? Não lhe tinha Mônica ensinado a verdadeira fé da Igreja? Tão longe o tinha levado o seu erro? &lt;p&gt;A solução definitiva encontrou‑a no único sítio onde a podia encontrar. Depois de lidos os livros dos platônicos, pôs a ler com entusiasmo as Sagradas Escrituras, em especial o apóstolo S. Paulo. Começou então a compreendê‑las. Já não via contradição entre uns livros e outros, entre o Antigo e o Novo Testamento. "Desvendou‑se a meus olhos ‑ dirá ‑ o único rosto das castas palavras de Deus e aprendi a alegrar‑me com temor" (VII, 21, 27). Que diferença entre esta leitura e a primeira vez que teve acesso à Bíblia! Não foi em vão que tinham já passado mais de dez anos de angústias e de fome espiritual. &lt;p&gt;Ultrapassado o materialismo, as dúvidas da sua inteligência estavam dissipadas. Seria capaz de se entregar a esse Cristo totalmente descoberto na sua divindade? Quem lhe iria impedir tal generosidade? Melhor, quem o ajudaria a dar o salto vital até às mãos de Deus?&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-1869625709833980809?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/1869625709833980809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/os-problemas-da-inteligencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/1869625709833980809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/1869625709833980809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/os-problemas-da-inteligencia.html' title='OS PROBLEMAS DA INTELIGÊNCIA'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-2087439307762097576</id><published>2011-03-09T15:20:00.001-08:00</published><updated>2011-03-09T15:20:45.504-08:00</updated><title type='text'>III.- UM DESEJO: ENCONTRAR A DEUS. QUE FAZER?</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;Tínhamos pensado viver juntos pondo tudo em comum. &lt;p&gt;Agostinho compartilhava os seus problemas com os amigos, especialmente com Alípio e Nebrídio, aos quais o uniam fortes laços de amizade. Lamentavam‑se mutuamente da situação de incerteza em que se encontravam. &lt;p&gt;Ambas as amizades duraram tanto como as suas vidas. A de Nebrídio pouco, porque morreu não muito depois. Alípio será, por sua vez, o seu braço direito durante os anos de episcopado. Tinha sido seu discípulo em Tagaste e em Cartago. O afeto era recíproco. Alípio amava a Agostinho porque o considerava bom e sábio. Agostinho a Alípio pelo seu bom caráter e bondade, que o faziam destacar em relação aos outros. O torvelinho dos costumes de Cartago tinham feito dele um fanático dos jogos de circo, loucura da qual o próprio Agostinho o libertaria. &lt;p&gt;Nebrídio tinha abandonado a sua casa e a sua mãe e tinha‑se mudado para Milão para se consagrar, juntamente com Agostinho, ao estudo da sabedoria e à procura da verdade. Participava dos desejos e ânsias do grupo e caracterizava‑se por ser um ardente investigador da vida feliz sem se deter perante qualquer tipo de dificuldade. &lt;p&gt;Eram "três bocas famintas" que suspiravam por um alimento mais sólido do que aquele que lhes oferecia a dúvida em que viviam. As trevas espirituais constituíam o meio ambiente em que se desenvolvia a sua vida. Misturava‑se neles a ânsia de encontrar algo de novo com a preguiça de mudar. O que tinham não os satisfazia mas onde encontrar algo que os realizasse mais? &lt;p&gt;Não podemos transcrever as formosas páginas das Confissões, que descrevem o seu estado de ânimo, recordando os onze anos que tinham transcorrido desde que começou a ter gosto pela sabedoria, após os quais ainda não levantara vôo. São as hesitações de um homem que tem esperança no amanhã, que examina os progressos feitos e o muito que lhe falta avançar; que não encontra nada seguro; o que antes lhe parecia absurdo, as Escrituras, agora já não se lhe apresentam assim. É o homem que se anima a si próprio para continuar procurando, mas as dificuldades vêm ao seu encontro: quem o ajudará? onde irá buscar tempo? quem lhe emprestará os livros? quando preparará as aulas que os estudantes lhe pagam? porque não abandonar tudo e ocupar‑se totalmente na procura da sabedoria, da verdade? ou não será melhor esperar até ter um bom lugar, arranjar um casamento rico e depois entregar‑se com maior liberdade à sabedoria, uma vez resolvido o problema da subsistência? &lt;p&gt;Planeiam projetos concretos. Pensaram e até se propuseram afastarem‑se do ruído mundano e viverem na tranqüilidade de um lugar afastado. Trata‑se de viver juntos, pondo tudo em comum, de modo que, em virtude da sincera amizade que os une, tudo seja de todos e não uma coisa de um e outra de outro. O que se obtenha com a doação de cada um há de ser todo de cada um e tudo de todos. O grupo é constituído por uns dez amigos. O seu protetor de outros tempos, o rico Romaniano, é um deles. Ele, além disso, tomará a seu cargo a resolução do problema econômico. Estava tudo programado mas quando começaram a falar das mulheres, aquele projeto tão perfeitamente planeado como que se lhes caiu das mãos e fez‑se em pedaços. Uns, com efeito, já eram casados e outros, como Agostinho, pensavam fazê‑lo. Mudadas as circunstâncias o projeto tornar‑se‑á realidade uns anos mais tarde. &lt;p&gt;Insistiam para que se casasse. Mônica, sua mãe, foi quem mais se movimentou nesta direção, procurando encontrar‑lhe uma noiva . Chegou a pedir a mão de uma menina a quem faltavam dois anos para se poder casar, segundo a lei romana. Agostinho tinha trinta anos e ela apenas dez! O sacrifício que lhe foi exigido para isso foi enorme: abandonar a mulher que o tinha acompanhado ao longo de doze anos. Ele conta‑nos com estas palavras: "Quando arrancaram do meu lado, como estorvo para o matrimônio, a mulher com quem eu costumava partilhar o meu leito, o coração ficou dilacerado pela ferida. Ficou chagado e sangrando. Ela foi para África, fazendo voto a Deus de não voltar a conhecer varão e deixou comigo o filho que tínhamos tido. Eu, desgraçado, sendo incapaz de imitar uma mulher, não podendo esperar tanto tempo, procurei outra, até que pudesse tomar a que estava destinada a ser minha esposa... Mas a ferida, que me tinham feito ao arrancar a primeira do meu lado, não se curava; pelo contrário, passado o agudíssimo ardor e dor iniciais, começava a apodrecer; uma dor mais fria mas mais desesperada" (VI, 15, 25). Página emocionante que nos mostra com que intensidade Agostinho a amava&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-2087439307762097576?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/2087439307762097576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/iii-um-desejo-encontrar-deus-que-fazer.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/2087439307762097576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/2087439307762097576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/iii-um-desejo-encontrar-deus-que-fazer.html' title='III.- UM DESEJO: ENCONTRAR A DEUS. QUE FAZER?'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-4957083961665869270</id><published>2011-03-07T01:17:00.001-08:00</published><updated>2011-03-07T01:17:32.265-08:00</updated><title type='text'>AQUELE HOMEM DE DEUS: SANTO AMBRÓSIO</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;Ele não conhecia as minhas aflições &lt;p&gt;Chega a Milão. Em breve irá visitar o bispo da cidade, Santo Ambrósio, já célebre em todo o mundo. A ele era levado por Deus, sem o saber, diz Agostinho, para ser levado a Deus por ele, sabendo‑o. Aquele santo homem recebe‑o paternalmente e interessa‑se pela sua vinda. Depressa o africano começa a amá‑lo. A princípio não como a um mestre da verdade, porque ainda não tinha esperança de a encontrar na Igreja Católica. Amava‑o apenas como a um homem que tinha sido afável com ele. &lt;p&gt;Assistia aos seus sermões, que escutava com interesse, ainda que apenas para comprovar se falava tão bem como se dizia. Ficava suspenso das suas palavras, apesar de não prestar atenção ao conteúdo das mesmas. Naquela altura desprezava‑o. Mas, a pouco e pouco, foram‑se gravando na sua alma as verdades contidas naquelas palavras, que ouvia com agrado. "Ao abrir o coração para perceber quão brilhantemente falava, ao mesmo tempo percebia com quanta verdade falava" (V, 14, 24). Foi, sem dúvida, um processo lento. Agora pensava que se podiam defender coisas, que antes lhe pareciam absurdas. O sentido espiritual, em que era mestre Santo Ambrósio, explicava muitas passagens obscuras da Bíblia. Isto fez Agostinho refletir sobre a falta de fundamento da sua desconfiança em encontrar a verdade nas Escrituras. Era o primeiro passo e era importante. Mas ele estava todavia longe de se decidir a seguir o caminho dos católicos, pois ainda que a religião de sua mãe não lhe parecesse vencida, também não a dava por vencedora. &lt;p&gt;Escutando a Ambrósio, aumenta também a sua desconfiança perante os maniqueus, até se tornar total. Agora compreende a falsidade de muitas das acusações contra a doutrina católica. Em conseqüência, ainda no meio de muitas dúvidas, toma a decisão de se desligar por completo deles. A sua doutrina parecia‑lhe completamente insustentável . Mas também não quis entregar‑se aos filósofos para que lhe curassem a alma doente, porque nos seus escritos não encontrava o nome de Cristo. No meio de estas incertezas, optou por fazer‑se catecúmeno da Igreja Católica, ao menos até encontrar outra via melhor. Iniciava assim o regresso à fé de Mônica. &lt;p&gt;Nesta situação encontrou‑o sua mãe, que tinha ido ao seu encontro, seguindo‑o por mar e por terra, confiando no Senhor em todos os perigos. Logo se pôs em contato com Ambrósio "a quem amava como a um anjo de Deus", amor que demonstrou submetendo‑se a todas as normas dadas por ele, mesmo quando eram contrárias às que anteriormente tinha seguido em terra africana. &lt;p&gt;Durante este período Ambrósio ocupava permanentemente o pensamento de Mônica e, sobretudo, o de Agostinho. Ainda que não compreendendo o seu celibato, considerava‑o um homem feliz, porque toda a gente, incluindo as mais altas autoridades do império, o honrava e respeitava. Mas, dirá o mesmo Agostinho, "eu não podia suspeitar as lutas que sustinha contra as tentações da sua própria grandeza". É certo que também Ambrósio não tinha idéia das aflições que atormentavam Agostinho, nem tinha razão para conhecê‑las. Muitas vezes o professor africano tentou encontrar‑se com o bispo e expor-lhe pormenorizadamente a sua situação, mas não lhe foi possível. Sempre o encontrava ocupado a atender as multidões que acorriam ao seu gabinete ou, quando lhe ficava algum tempo livre, além do empregue nas refeições, absorvido na leitura. Muitas vezes quis entrar em diálogo com ele, mas ao passar o limiar da porta, vendo‑o tão absorto nos livros, dava meia volta e deixava‑o para outro dia. Mas o tal dia não chegou. &lt;p&gt;Para Agostinho era a ocasião de abrir bem os olhos da sua inteligência e de estabelecer as fronteiras precisas entre o certo e o incerto. O importante era que ele se tivesse dado conta que os maniqueus atribuíam à Igreja Católica aquilo que ela não professava. As Escrituras diziam uma coisa e os seus adversários faziam‑na dizer outra. Nem a Bíblia nem a Igreja concebiam Deus em forma humana. Pelo contrário, o homem é que foi criado à imagem de Deus. Não há nada na Escritura que seja absurdo, imoral ou indigno de Deus. Somente há que entender o texto. É preciso levantar o véu místico e interpretá‑lo em sentido espiritual, como fazia Ambrósio. &lt;p&gt;Agostinho aprendeu bem a lição, se bem que, com medo de um novo descalabro, não ousava decidir‑se. "Costuma acontecer, escreverá ele próprio, que quem tenha caído nas mãos de um mau médico, desconfie mesmo de um bom" (VI, 4, 6). Agostinho, enganado pelos maniqueus, temia cair de novo nas mãos de outros aldrabões. &lt;p&gt;O resultado disto foi a aceitação das Escrituras, da sua autoridade e da autoridade da Igreja, que as conservava. Acima de tudo, Agostinho aceita a fé. Uma da causas da sua queda no erro maniqueísta tinha sido a pretensão de tudo querer explicar pela razão. Entre a razão e a fé tinha escolhido a primeira. Agora tinha compreendido que estava fora do bom caminho. Colocar o dilema: a razão ou a fé, é um erro. O mais importante é compreender mas, em primeiro lugar, é preciso crer. Começa crendo e acabarás compreendendo. &lt;p&gt;Tinha superado o racionalismo. No entanto, as dúvidas de Agostinho subsistem. Adiante se verá. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-4957083961665869270?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/4957083961665869270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/aquele-homem-de-deus-santo-ambrosio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/4957083961665869270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/4957083961665869270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/aquele-homem-de-deus-santo-ambrosio.html' title='AQUELE HOMEM DE DEUS: SANTO AMBRÓSIO'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-8549470659746437373</id><published>2011-03-06T07:28:00.001-08:00</published><updated>2011-03-06T07:28:05.674-08:00</updated><title type='text'>DA CAPITAL DA ÁFRICA À CAPITAL DO IMPÉRIO</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;Procurava uma falsa felicidade &lt;p&gt;Muitas vezes, em Cartago, Agostinho teria visto os navios zarparem rumo a Roma. Em mais de um ocasião ele teria sonhado em fazer‑se ao mar, vencendo o horror que sentia àquela enorme mole de água, personificação do mal. Para além do perigo estava Roma, a grande Roma, a capital do império. Acostumado ao triunfo, deve ter pensado que os seus dotes deveriam ter ali mais ressonância; os seus méritos podiam chegar com mais facilidade aos ouvidos do imperador; as portas das honrarias eram mais numerosas e era preciso estar presente para poder entrar por elas. Portas que conduziam igualmente às riquezas. Que importância tinha que fosse africano? Não tinha triunfado ali Hiério, provinciano como ele, sírio, para ser mais exato? &lt;p&gt;Os seus amigos não devem ter tido de se cansar muito para o convencerem a abandonar Cartago. Não lhe faltavam motivos. Não partiu dele a idéia de abandonar África. Foram os amigos que o impeliram a mudar‑se para Roma e a ensinar o que ensinava em Cartago. Ali ser‑lhe‑ia mais fácil enriquecer. Mas, se bem que isto também influísse no seu ânimo, não foi, no entanto, a razão principal que o decidiu a seguir os desejos dos seus amigos. Outras coisas pesaram mais na sua mente. Decepcionado e quase desvinculado interiormente do maniqueísmo, encontrava‑se contrafeito no cenário do seu proselitismo. Além disso, tinha ouvido dizer que os estudantes romanos tinham melhores costumes e eram mais disciplinados; que não entravam de roldão nas aulas dos que não eram seus mestres, nem saiam delas de forma inesperada. Os costumes que não quis aceitar como estudante, também não os queria passar como professor. Por isso agradou‑lhe a idéia de ir para Roma. Depois de nos ter narrado estas coisas, Agostinho, com uma frase digna de si, reflete sobre tudo isto: "Eu, que em Cartago detestava uma miséria verdadeira, procurava em Roma uma falsa felicidade" /V, 8, 14). &lt;p&gt;Mônica opôs-se a tal viagem e Agostinho tem de se servir de uma mentira para se desembaraçar dela. Enquanto ela vai rezar a uma capela perto do porto, ele finge ir despedir‑se de um amigo, que esperava vento favorável para se fazer ao mar. Quem, de fato, se faz ao mar é ele próprio. Passaram os anos e Agostinho continuará a sentir tal mágoa de ter enganado a sua mãe que na manhã seguinte sentiu profundamente a punhalada da traição, que tentou lavar com súplicas e lamentos, "Assim menti a minha mãe, e a que mãe!" (V, 8, 15). &lt;p&gt;Lamentos e súplicas que não foram em vão. Agostinho atribui‑lhes o terem‑lhe salvo a vida, evitando‑lhe assim uma morte afastada dos braços de Deus. A sua saúde ressentiu‑se ao chegar a Roma. Caiu gravemente doente, mas desta vez, não pediu o batismo, como tinha feito em circunstâncias idênticas quando era criança. &lt;p&gt;À medida que passava o tempo, Agostinho estava cada vez mais desiludido a respeito dos maniqueus, apesar deles o terem recebido e de se ter hospedado em sua casa. Sentia‑se defraudado. Tinham‑lhe prometido a verdade e deram‑lhe um conjunto de fábulas mais ignominiosas do que quanto punham na boca dos católicos. Oferecendo razões exigiam‑lhe credulidade. Não é para estranhar que já não defendesse o maniqueísmo com o entusiasmo de outros tempos. Mas a amizade que o unia a membros da seita tornava‑o preguiçoso para procurar a verdade noutro lugar. Pensar na Igreja Católica, da qual os maniqueus o tinham separado, era uma possibilidade posta de lado. E a sua posição era muito compreensível, considerando que o que ele pensava da fé católica estava muito longe da verdadeira realidade. &lt;p&gt;Com dúvidas potentes acerca do maniqueísmo e com uma desconfiança total na Igreja Católica, Agostinho abandona‑se ao cepticismo. Que se pode afirmar com certeza, se em toda a parte encontrei o erro? Melhor será abster‑se de fazer afirmações, duvidar de tudo; assim se evitará todo o equívoco. &lt;p&gt;Agostinho continuava exercendo em Roma a sua atividade de professor de retórica. Se os estudantes tinham sido um dos motivos que o levaram a deixar Cartago, estes mesmos tornariam ingrata a sua estadia na capital do império. Muito depressa teve conhecimento de que, em Roma, sucediam coisas que não tinha tido de agüentar na capital africana. Era certo, como lhe tinham assegurado, que não havia aqueles alvoroços provocados pelos estudantes. Mas, não seria mais desagradável ainda, que os alunos não lhe pagassem o devido pelo seu trabalho? Quando chegava a hora de pagar punham‑se de acordo entre eles e passavam para outro professor. Isto fez com que também não se sentisse bem. &lt;p&gt;Depressa se lhe deparou a ocasião de abandonar Roma. De Milão, então residência do Imperador, tinham pedido ao Perfeito da urbe, um professor de Retórica. Os seus amigos maniqueus movimentaram‑se para que ele fossa designado. Assim aconteceu depois de um exame. Sem dúvida ao Perfeito Símmaco, pagão que se esforçava por restaurar a religião dos seus antepassados, deve ter‑lhe parecido uma solução muito aceitável: um anti‑católico que podia fazer frente e sombra ao indomável Ambrósio. &lt;p&gt;E pôs-se a caminho de Milão. Era o outono do ano de 384. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-8549470659746437373?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/8549470659746437373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/da-capital-da-africa-capital-do-imperio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/8549470659746437373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/8549470659746437373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/da-capital-da-africa-capital-do-imperio.html' title='DA CAPITAL DA ÁFRICA À CAPITAL DO IMPÉRIO'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-2436904472948344884</id><published>2011-03-05T08:24:00.001-08:00</published><updated>2011-03-05T08:24:52.997-08:00</updated><title type='text'>SEMPRE CARTAGO</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;Conversar e rir‑mo‑nos juntos &lt;p&gt;Com o coração profundamente ferido prossegue a sua vida em Cartago enquanto espera a cura. Só o reanimava e confortava a consolação dos amigos. Encontrava alívio a conversar com eles e rir‑se em sua companhia e nas mútuas atenções de amizade e em tantas outras coisas que ele nos descreve: "Ler juntos livros amenos; brincar uns com os outros dando‑nos provas de estima recíproca; discutir sem paixão; ensinar ou aprender alguma coisa com o outro; ter saudades dos ausentes; recebê‑los com alegria no regresso. Com estes e outros sinais semelhantes, que nascem do amor do coração daqueles que se amam uns aos outros e o manifestam pela expressão, pela palavra, pelo olhar e outros mil gestos agradáveis, fundiam‑se, com o seu calor, as nossas almas e de muitas se fazia uma só." (IV, 8, 13). &lt;p&gt;A amizade foi o bálsamo que a pouco e pouco curou as suas feridas. &lt;p&gt;Durante esta segunda estadia na capital africana, a dos 26 ou 27 anos, compõe a sua primeira obra, que se perdeu para nós, O belo e o conveniente, e foi dedicada a um famoso orador de Roma. Apesar de não o conhecer pessoalmente apreciava‑o pela fama da sua doutrina. Mas o que mais lhe agradava era o fato de os outros gostarem dele ao ponto de se fazerem arautos da sua arte e de se admirarem que, tendo sido educado na eloquência grega, tivesse chegado a ser orador admirável na língua latina. &lt;p&gt;Em Cartago abre uma escola de retórica. O tempo que lhe sobra emprega‑o em completar a sua formação intelectual. Não lhe bastava o que tinha recebido na escola. Agora interessa‑se sobretudo pela filosofia, concretamente, por Aristóteles. O seu talento privilegiado poupa‑lhe a necessidade de mestres. A prova disto está em que com vinte anos lê e compreende, sem que ninguém lho explicasse, um livro do mencionado filósofo, que lhe veio parar às mãos, intitulado As dez categorias; livro que outros só com dificuldade conseguiam entender, mesmo depois de lhes ter sido explicado de muitas maneiras por sábios mestres. &lt;p&gt;Lia todos os livros que lhe chegavam às mãos. Não só de filosofia mas também do que então se chamavam as artes liberais: a retórica e a dialética, a geometria, a música e a aritmética. Tudo percebia sem que ninguém lho expusesse, prova evidente duma lúcida inteligência, como o prova a seguinte confissão do próprio Agostinho: "Só quando tive de explicar aos outros me dei conta de quão difíceis são de entender mesmo para pessoas estudiosas e inteligentes. Entre os meus alunos, era o melhor aquele que não tardava em seguir a minha exposição" (IV, 16, 30). &lt;p&gt;Diante disto, a pergunta de Agostinho, dirigida a Deus, soa assim: "Que me aproveitava, pois, então a inteligência desperta para aquelas ciências e o ter posto a claro, sem auxílio de nenhum mestre humano, tantos livros cheios de dificuldades, se na doutrina da religião, errava monstruosamente e com sacrílega maldade?" (IV, 16, 31). &lt;p&gt;Ainda que pergunte, fingindo não saber, Agostinho não desconhecia que o proveito que tirou foi imenso. O estudo das ciências deu‑lhe capacidade para perceber a falsidade das doutrinas maniqueístas. Pelo menos, começou a ver a oposição entre a fé de Manes, o fundador da seita, e as afirmações da seita. Manes, a seus olhos cai em descrédito. Agostinho não pára de pôr questões de todo o tipo a que ninguém sabe responder. Os que lhe tinham prometido dar explicações de tudo, convidam‑no a esperar. Esperar pelo grande doutor da seita, de seu nome, Fausto. Mais tarde, Agostinho falará dele como de uma hábil armadilha do demônio em que muitos caiam, enganados pela suavidade das suas palavras. Tinha‑lhe sido apresentado como muito douto em todos os ramos do saber e bastante instruído nas artes liberais. Entretanto não perdia o tempo. Consoante o fio das suas leituras, ia comparando mais e mais o que diziam os filósofos com as inúmeras fábulas dos maniqueus. É fácil de entender que já lhe parecia mais razoável o que diziam os primeiros do que os sonhos dos segundos. &lt;p&gt;Os últimos anos, que Agostinho viveu no maniqueísmo, foram os anos de espera pela chegada de Fausto. Eram muitas as coisas que esperava tratar em diálogo franco com ele. Procurava soluções para problemas pessoais e outros não tão pessoais, mas igualmente importantes. &lt;p&gt;Por fim, chegou o momento do esperado encontro. O resultado foi uma desilusão. Depressa compreendeu que era ignorante nas artes em que o julgava sábio. O que significava que tinha de ir perdendo a esperança de achar solução para as questões que o inquietavam, como de fato aconteceu. Mas Agostinho louva a prudência do maniqueu. Reconhecendo a sua ignorância declinou responder a quanto se lhe perguntava. Desconhecia aquelas questões e não se envergonhava de o dizer. Não ignorava de todo a sua ignorância, dirá Agostinho. Não quis entrar num combate que o poria em apertos e donde não lhe seria fácil encontrar uma saída, sem ter qualquer possibilidade de retirada. Foi este o gesto que mais agradou ao jovem. E dá a razão: "porque mais formosa é a modéstia de uma alma que se conhece a si própria, do que a ciência que eu desejava conhecer" (V, 7, 12). &lt;p&gt;Já bispo, Agostinho escreveria uma obra monumental para refutar o bispo maniqueu: Contra Fausto. Mais importante para nós agora é o resultado deste encontro. Apaga‑se o entusiasmo com que se tinha aplicado a estudar os escritos de Manes. A sua desconfiança estende‑se a todos os doutores da seita. O empenho que tinha resolvido pôr, para progredir nela, vem‑se abaixo ao conhecer aquele homem, se bem que ainda não vai ao ponto de se separar totalmente dos maniqueus. Mas só até descobrir outra coisa melhor. A decisão é provisória. &lt;p&gt;A vida de Agostinho foi a de um inquieto pesquisador. Conheceu muitas coisas que, se o deixavam insatisfeito, o estimulavam a continuar a busca. Mas, ainda que não fossem do seu total agrado nunca as abandonava até ter encontrado algo superior. Isso encontrá‑lo‑á dentre em breve e noutro lugar. &lt;p&gt;Por razões, que diremos a seguir, Agostinho muda‑se para Roma. Era o ano de 383. Contava então 29 primaveras.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-2436904472948344884?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/2436904472948344884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/sempre-cartago.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/2436904472948344884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/2436904472948344884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/sempre-cartago.html' title='SEMPRE CARTAGO'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-7669915009054785331</id><published>2011-03-04T10:22:00.001-08:00</published><updated>2011-03-04T10:22:19.334-08:00</updated><title type='text'>UMA INQUIETAÇÃO: DESCOBRIR A VERDADE. DE NOVO EM TAGASTE</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;Tive um amigo a quem amei excessivamente &lt;p&gt;Quando Agostinho voltou para casa de sua mãe ‑seu pai tinha morrido três anos antes‑ não voltou só. Viajavam com ele as teias de aranha do erro maniqueísta, que o impediam de ver a verdade e lhe fecharam as portas da casa materna. &lt;p&gt;Com ele viajava também uma mulher, cujo nome nunca nos quis revelar, e o filho que lhe tinha dado, a quem chamou Adeodato, que significa "dado por Deus". &lt;p&gt;Junto com a "superstição" maniqueísta, acompanhava‑o a fé nos astrólogos. &lt;p&gt;Mas principalmente era acompanhado por tudo o que tinha acumulado nos estudos daqueles anos, feitos com seriedade e que, no dia de amanhã, tanto o iriam ajudar. Dedicou‑se ao ensino, também sem dúvida para ganhar o seu sustento e não ser pesado a Romaniano, sempre benfeitor, que lhe tinha oferecido a sua hospitalidade. Dava aulas de retórica, isto é, ensinava a arte de bem falar. Com expressões suas, "a arte de vencer pela palavra" ou "a arte de enganar" (IV, 2, 2). Este juízo, tão severo, é emitido por Agostinho, já bispo. Sem dúvida ele desempenhava o seu ofício com dignidade e seriedade. Põe Deus por testemunha da sua boa fé no ensino. &lt;p&gt;Finalmente, acompanhavam‑no também os seus amigos. A todos quantos giravam à sua volta e a outros que se lhes juntaram mais tarde, conseguiu arrastar para a fé maniqueísta, incluindo o próprio Romaniano. A sua personalidade era avassaladora. No entanto conhecemos duas excepções: a sua mãe Mônica, e a sua amante. &lt;p&gt;Entretanto, Mônica chora a morte de seu filho e não cessa de rezar para que volte ao verdadeiro redil de Cristo. É para ela uma obsessão, refletida no sonho que Agostinho nos conta. Está muito triste e desfeita em lágrimas, de pé sobre uma trave de madeira. Aproxima‑se dela um jovem, resplandecente, de rosto alegre e risonho. Pergunta‑lhe a causa do seu desgosto e das suas lágrimas para lhe poder dar alívio. Ela responde que chora a perda de seu filho. O jovem roga‑lhe que não se aflija, que abra os olhos e observe que onde ela está, está também o filho. Mônica olha com atenção e vê a seu lado Agostinho, de pé, sobre a mesma trave. A partir de então, a certeza de Mônica acerca da conversão de seu filho é total, ao ponto de decidir admiti‑lo novamente sob o seu tecto. De nada serve que Agostinho tente torcer as palavras daquele jovem. Ela replica em seguida "não me disse onde está ele estarás tu; mas sim: onde tu estás estará ele" (III, 11, 20). &lt;p&gt;A sua estadia em Tagaste não durará muito. O desgosto causado pela morte de um amigo fá‑lo‑á voltar para Cartago. &lt;p&gt;Desde os seus dias de escola em Tagaste, Agostinho conservava ali um amigo íntimo. Tinha sido seu companheiro, era da mesma idade e ambos estavam na flor da juventude. Tal amigo morreu pouco mais tarde e, para maior infelicidade do jovem maniqueu, faleceu depois de ter recebido o batismo católico e não permitindo que ninguém troçasse dele. Nada melhor que as suas palavras para narrar os sentimentos de então: "O meu coração encheu‑se de trevas e em todas as coisas via a morte. A terra onde nasci era para mim um suplício e a casa paterna tornara‑se insuportável. As coisas que tinha partilhado com ele tinham‑se tornado num crudelíssimo tormento sem ele. Todas as coisas tornaram‑se odiosas porque não encontrava o amigo entre eles, nem me podiam dizer:«olha‑o, aí vem», como antes, quando voltava depois de uma ausência. Cheguei a tornar‑me insuportável a mim próprio... Só o choro me era doce e, no lugar do amigo, fazia as delícias da minha alma" (IV, 4, 8). &lt;p&gt;Admirava‑se que os outros mortais vivessem, tendo morrido aquele a quem tinha amado como se nunca tivesse de morrer. Admirava‑se também de ele próprio continuar a viver, tendo morrido o amigo que era o outro ele. Porque sentia que a sua alma e a do amigo era uma só em dois corpos. Por isso a vida causava‑lhe horror: porque não queria viver com metade do seu ser; e talvez por isso, tinha medo de morrer, porque significaria a morte total daquele a quem tão exageradamente tinha amado. &lt;p&gt;Ainda que sejam bastante literários são formosos estes pensamentos com que Agostinho, muitos anos depois, recorda aqueles acontecimentos como são os que vamos transcrever para concluir este capítulo. "Tudo me causava horror, até a própria luz. Tudo o que não era aquele homem era‑me insuportável e odioso. Só a gemer e a chorar encontrava repouso. Assim, fugi da minha terra natal, pensando que os meus olhos o procurariam menos em sítios onde não era costume vê‑lo. Da cidade de Tagaste fui para Cartago" (IV, 7, 12). Era o ano de 376. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-7669915009054785331?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/7669915009054785331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/uma-inquietacao-descobrir-verdade-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7669915009054785331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/7669915009054785331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/uma-inquietacao-descobrir-verdade-de.html' title='UMA INQUIETAÇÃO: DESCOBRIR A VERDADE. DE NOVO EM TAGASTE'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-1505454956386534107</id><published>2011-03-02T23:53:00.001-08:00</published><updated>2011-03-02T23:53:09.157-08:00</updated><title type='text'>A GRANDE CIDADE: CARTAGO</title><content type='html'>&lt;p&gt;Amar e ser amado &lt;p&gt;Um rapaz da aldeia chega à grande cidade; um mundo abre‑se ante os seus olhos. Os mármores brancos multiplicam, com os seus reflexos, os raios de sol. Habitantes de todos os cantos do império encontram em Cartago o lugar ideal para vender as suas mercadorias ou as suas filosofias, ou ainda, procurar novos adoradores de divindades imigrantes, que competem com as antigas ainda bem arraigadas. Os navios carregados de trigo, levando consigo os temores e medos de quem sente um tétrico respeito às ondas e aos seus caprichos. Não menos freqüentemente esses navios transportam, não já alimentos, mas sim, homens famintos, senão de pão, ao menos de glória, de honrarias à sombra do imperador ou da administração imperial, de letras ou, simplesmente, de alunos mais tranqüilos e estudiosos. Podemos supor que Agostinho se dirigia, com freqüência, ao porto para aí passear, à procura de qualquer novidade que chegasse da outra margem do mar. &lt;p&gt;Em Cartago, Agostinho entregou‑se ao estudo da retórica. Esperava sobressair nesta disciplina, como antes noutras coisas. Ela poderia deste modo ir alimentando a sua vaidade humana. Uma vez mais o êxito e o triunfo foram os seus doces companheiros. "Era eu o primeiro da classe de retórica. Cheio de gozo, orgulhava‑me e inchava de vaidade" (III, 3, 6). &lt;p&gt;Continuou a cultivar a amizade dos seus companheiros de estudo. Os seus dotes naturais tornavam‑no perfeitamente capaz de distinguir entre os deveres da amizade e o aprovar tudo quanto faziam os amigos. Como norma mantinha‑se afastado das selvajarias dos seus revoltosos companheiros, apesar de experimentar certa vergonha de não ser como eles. Contudo andava com eles e tinha prazer na sua amizade. Mas detestava as suas façanhas. De um modo particular sentia‑se incomodado pelas partidas que pregavam aos caloiros recém‑chegados à capital, vindos de sítios diferentes. Sem motivo algum insultavam‑nos e ridicularizavam‑nos, fazendo deles objeto de partidas e divertimentos. &lt;p&gt;Mais longe ainda dos conselhos de sua mãe, dos quais talvez tivesse continuado a não fazer caso, a sua inquietação juvenil dispersa‑se ainda mais. Cartago era um remoinho. Ele compara‑a a uma panela onde fervem todo o tipo de amores impuros. E nela caiu Agostinho. "Ainda eu não amava mas amava amar... Procurava o que amar, amando o amar... Amar e ser amado era mais doce se gozava também do corpo do amado." (III, 1, 1). Com estas belas expressões descreve as suas ânsias daquela época e censura‑se o ter manchado a fonte da amizade com a imundície da concupiscência, turvando as suas águas com o lodo remexido da luxúria. Mas agora preocupa‑se com alguma coisa mais: apesar de ser desonesto, tudo faz para parecer elegante e cortês, "ressumando vaidade". &lt;p&gt;Os espetáculos teatrais entusiasmam‑no. Eram a lenha que aumentava a chama das paixões que sentia arder no seu interior. &lt;p&gt;Contudo, Agostinho encontra‑se insatisfeito. Nem o êxito nos seus estudos, nem a amizade dos companheiros enchem o seu vazio interior. Nem mesmo os espetáculos de teatro, nem o cultivo das suas paixões. O terreno está suficientemente preparado para a leitura do Hortênsio. Segundo a ordem habitual dos estudos, chega ao momento de ter acesso a este livrinho de Cícero que consiste no convite à sabedoria. O livro muda os seus afetos e desejos; endereça a Deus todas as suas súplicas e faz que sejam outras as suas aspirações a curto e a longo prazo. De momento, começa a parecer‑lhe desprezível tudo aquilo por que até então suspirava. Com incrível entusiasmo, decide entregar‑se à conquista da sabedoria. &lt;p&gt;A leitura de Cícero foi decisiva para a posterior evolução de Agostinho. Significava nada menos que o convite a abandonar os bens exteriores para se entregar plenamente à procura dos do espírito. Só uma coisa lhe parecia fria no meio de tantos ardores: não encontrava no livro o nome de Cristo. A razão é‑nos dita por ele próprio: "esse nome havia‑o bebido o meu tenro coração com o leite de minha mãe e tinha‑o profundamente gravado" (III, 4, 8). Não é de estranhar, portanto, que não o satisfizessem de todo, qualquer escrito onde estivesse ausente esse nome ainda que fosse elegante, polido e erudito. &lt;p&gt;Agostinho não despreza o convite e lança‑se à conquista dessa sabedoria. Antes de a pedir a outros, pede‑a a Jesus através da Bíblia. Com efeito, resolve entregar‑se ao estudo das Escrituras para ver como são. Mas... a seu modo de ver não se podem comparar com os escritos de Cícero. "A minha vaidade recusava a simplicidade e a minha vista curta não penetrava até o seu interior" (III, 5, 9). Para aproximar‑se dela é necessário apresentar‑se como uma criancinha. Ele, ao contrário, desdenhava ser pequeno e "cheio de presunção tinha‑me por grande" (id.). &lt;p&gt;Não é de estranhar que o jovem estudante, habituado a ler os clássicos da língua latina achasse aquela leitura insuportável. A tradução era feita a partir do grego, quase sempre por pessoas simples e pouco cultas. O latim resultante aparecia salpicado de termos gregos latinizados, além de expressões, modismos e palavras da língua vulgar que destoavam na boca de quem pretendesse passar por educado e culto. O certo é que recusou as Escrituras mas não a Jesus. &lt;p&gt;Desiludido por este primeiro contato com a palavra de Deus, sempre à procura da sabedoria foi parar junto de uns homens que também falavam de Jesus. Apesar do seu coração e da sua cabeça estarem vazios dela, não cessavam de repetir: Verdade, Verdade!. "Muitos a nomeavam, mas nunca estava neles" (III, 6, 10). Por outras palavras, fez‑se maniqueu. A doutrina deste grupo será exposta mais adiante; agora basta‑nos recordar a rede estendida a Agostinho. Apresentavam‑se como vendedores de uma religião para pessoas doutas, quer dizer, onde não havia nada para crer; pelo contrário, era tudo racional, tudo compreensível pela razão. A religião católica, diziam os maniqueus, só pede fé, nunca dá explicações. Sobretudo a respeito da origem do mal, problema que o atormentava. Além disso a sua doutrina é absurda; Deus é apresentado com traços humanos; as Escrituras contradizem‑se; o Antigo e o Novo Testamento não são concordes. Neste último ponto, os maniqueus obtinham fáceis e rotundos triunfos sobre os cristãos simples. &lt;p&gt;Agostinho, jovem de dezanove anos, encontra‑se confrontado com o seguinte dilema: ou fé ou razão. Ele opta pela segunda, recusa, portanto, a fé dos católicos e adere à suposta ciência dos maniqueus. Terá de passar uma dezena de anos para que se dê conta de ter colocado mal o problema e de ter sido enganado. &lt;p&gt;Com a doutrina maniqueísta, pensava o jovem saciar a sua fome de Deus. Para isso apresentavam‑lhe muitos e volumosos livros. Foi grande a sua surpresa e decepção quando se encontrou com outro manjar diferente do procurado e apetecido. Em vez de lhe apresentarem Deus, de quem Agostinho tinha fome, falavam‑lhe do sol e da lua. Obras de Deus; obras formosas, sem dúvida, mas não o próprio Deus. &lt;p&gt;Nunca desejos melhores arrastaram mais lúcida inteligência para pior destino. &lt;p&gt;Naquele período da sua vida, Agostinho une‑se a uma mulher com quem vive em matrimônio, apesar de ser de segunda categoria, mulher que mais tarde poderá abandonar facilmente. A lei romana não permitia que se casassem pessoas de diferentes classes sociais, aprovando no entanto, esta forma de vida em comum. Mas deixemos que o próprio Agostinho nos conte: "Por aqueles anos comecei a viver com uma mulher a quem não estava unido em legítimo matrimônio. Foi a paixão cega que a procurou. Mas, isso sim, tive só uma e guardei‑lhe lealdade como a uma esposa. Nela experimentei, por mim mesmo, a diferença que existe entre o matrimônio legítimo, que se contrai para procriar filhos e a outra união, fruto do amor lascivo, onde nascem filhos contra a vontade dos pais, ainda que, depois de nascidos, obriguem que os amem" (IV, 2, 3). &lt;p&gt;Não há que ver nisto mais uma prova da perversão de Agostinho. Tudo quanto foi dito mostra, pelo contrário, o seu equilíbrio, um certo autodomínio, a sua capacidade de amar a uma pessoa. Não era freqüente, naquele tempo, que um jovem, como Agostinho, mantivesse tal fidelidade a uma mulher que não ia ser sua esposa para sempre e que a amasse com tanta força, como deixará ver quando tenha de separar‑se dela. Foi um caso excepcional. Não de paixão e de pecado, mas sim, de fidelidade e de entrega. &lt;p&gt;Concluídos os estudos volta de novo à sua terra natal. Era o ano de 375. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-1505454956386534107?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/1505454956386534107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/grande-cidade-cartago.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/1505454956386534107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/1505454956386534107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/grande-cidade-cartago.html' title='A GRANDE CIDADE: CARTAGO'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-9097388293532782054</id><published>2011-03-01T07:42:00.001-08:00</published><updated>2011-03-01T07:42:41.801-08:00</updated><title type='text'>AQUELE DÉCIMO SEXTO ANO DA MINHA VIDA</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp; &lt;p&gt;“Doce é também a amizade dos homens com nó de amor &lt;p&gt;porque faz de muitas almas uma só” &lt;p&gt;Madaura está situada a poucos quilômetros ao sul de Tagaste. Passou à posteridade como pátria do poeta latino Apuleio. Os costumes e os ânimos dos seus habitantes achavam‑se ainda impregnados de paganismo. Aqui continuou Agostinho a sua marcha pelos caminhos da cultura e da formação literária, uma vez terminados os estudos elementares na sua terra natal. Ele, como seus pais, sonhava com Cartago, coisa impossível naquele momento. Terminada a sua instrução em Madaura e sem meios para continuar os estudos na capital da África romana, teve de voltar para Tagaste. &lt;p&gt;Ali vive com os seus pais, que nunca como então, lamentaram a sua pobreza. Para Agostinho, com os seus dezasseis anos, emerge uma vida nova com o despertar de um inesperado e mais intenso sentido social. Esforça‑se por parecer agradável aos homens; descobre o prazer de amar e de sentir‑se amado. Porém, inexperiente, foi incapaz de manter o equilíbrio e, com palavras suas, " ultrapassa a barreira luminosa das exigências da amizade" (II, 2, 2). Nada estranho que recolha os frutos da inatividade. Sem nada que fazer, sem ocupação estável a que dedicar‑se, os espinhos da lascívia ou impureza encontraram terreno fértil na natureza pujante da sua adolescência. "Cresceram mais altos que a minha cabeça e não houve mão que os arrancasse" (II, 3, 6). Se não houve mão que os arrancasse, foi devido, talvez, a que ele o não tenha deixado. Em vão, Mônica tentava manter o filho dentro da lei do Senhor; em vão, se cansava para que não se afastasse de Deus. Os seus conselhos pareciam‑lhe coisa de "beatas" e até se teria envergonhado de segui‑los. Mais tarde ao contrário, sentirá vergonha de não o ter feito. &lt;p&gt;À falta de ocupação útil, emprega o tempo fazendo tropelias com os companheiros. Havia junto da vinha de seu pai uma pereira carregada de fruto. Nem o aspecto em o gosto chamavam a atenção. Isso não foi obstáculo para um grupo de moços, entre os quais estava Agostinho, decidirem ir, uma noite, despojar a árvore das suas pêras. Sacudiram‑na e levaram grande quantidade, não para comê‑las, mas sim para as atirar aos porcos. Significava ser mau sem razão. Como ele dirá, não havia outra causa para aquela maldade, senão a própria maldade. "Era uma risota, como umas cócegas no coração, ver que estávamos enganando quem não suspeitava que fizéssemos tais coisas e que o ia levar muito a mal" (II, 9, 17). &lt;p&gt;Quem leia estas páginas e outras, que não estão transcritas aqui, poderá tirar a conclusão que Agostinho foi um jovem pervertido. Nada menos certo. Agostinho escreve as Confissões quando já era bispo, à luz de Deus, diante de quem todo o pecado é monstruoso. A sua fé carregava de cores negras qualquer ação contra a lei do Senhor. Entre os seus companheiros devia ser pouco menos do que um santo, a julgar pelas suas próprias palavras. Entre os da sua idade, envergonhava‑se de ser o menos desavergonhado. Quando ouvia a outros pavonear as suas malandrices e gabarem‑se delas, tanto mais quanto piores eram, tinha vontade de fazer outras parecidas. Não só pelo gosto de fazei-las mas também para ser louvado. Fazia‑se vicioso para que os companheiros não troçassem dele. Até ao ponto que, quando não tinha feito nada que se pudesse comparar às façanhas dos outros, gabava‑se diante deles de coisas que apenas tinham tido existência na sua imaginação. Tinha medo que ao parecer inocente fosse considerado cobarde, incapaz e a sua conduta pouco viril. &lt;p&gt;Até no roubo das pêras, que pinta com cores tão negras, brilha uma faceta típica da sua personalidade. Não amou o furto, apenas a companhia dos amigos. Assegura‑nos que sozinho nunca o teria feito e põe a Deus por testemunha da veracidade dessa afirmação. Ele sozinho nunca teria cometido aquele furto em que não tinha prazer no objeto do roubo, mas sim no ato de roubar. Nem sequer lhe teria agradado ter tido de o fazer sozinho. Portanto não o teria feito. Ele próprio tirou a conclusão: "Logo, o que amei naquele furto, foi a companhia dos cúmplices com quem o cometi. Basta que alguém diga «vamos, façamo‑lo» e ficasse logo envergonhado de não ser desavergonhado" (II, 9, 17). &lt;p&gt;Agostinho não podia viver sozinho. Necessitava o afeto. "Que outra coisa me deleitava senão amar e ser amado" pergunta‑se. Formosa realidade mas torvada pelo modo concreto como a levava a cabo. Tão nobre desejo de amor não ia pelos limpos caminhos da amizade autêntica mas achava‑se envolto no lodo da concupiscência da carne. Em plena puberdade não era capaz de distinguir a luminosidade do amor casto da escuridão da impureza. &lt;p&gt;Finalmente, Patrício e Mônica conseguiram os meios econômicos que iriam permitir‑lhe a viagem para Cartago, graças à ajuda de um homem rico da terra, Romaniano. E Agostinho partiu para uma terra nova, ignorando o que o futuro lhe tinha reservado. Era o ano de 371.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-9097388293532782054?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/9097388293532782054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/aquele-decimo-sexto-ano-da-minha-vida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/9097388293532782054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/9097388293532782054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/03/aquele-decimo-sexto-ano-da-minha-vida.html' title='AQUELE DÉCIMO SEXTO ANO DA MINHA VIDA'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-5296459988585756110</id><published>2011-02-28T06:59:00.001-08:00</published><updated>2011-02-28T06:59:07.879-08:00</updated><title type='text'>INFÂNCIA E MENINICE</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp; &lt;p&gt;Gozava da amizade... &lt;p&gt;Fugia da ignorância... &lt;p&gt;Agostinho viu a luz do dia a treze de Novembro do ano de trezentos e cinqüenta e quatro. Como qualquer outra criança, logo após o nascimento, saboreou o prazer do leito materno. Então, dirá ele próprio, "não conhecia eu outra coisa além de mamar, gozar esse prazer e chorar quando me sentia incomodado no corpo. Nada mais." (I, 6,7). &lt;p&gt;"Depois, prossegue, comecei a rir; ao princípio enquanto dormia, depois acordado. Assim me disseram que eu fazia. Acredito‑o porque é o que vejo nas outras crianças... Queria exprimir os meus desejos aos outros para que os executassem e não podia. Por isso agitava as pernas e os braços e gritava. Quando não me satisfaziam, zangava‑me com os meus adultos porque não me obedeciam e vingava‑me deles chorando. Aos outros, muitos, que não faziam caso dos meus sinais e caprichos, tentava fazer‑lhes o maior mal possível batendo‑lhes com as minhas mãozinhas. Não sabia que, se tivessem obedecido aos meus desejos, teria sido para meu mal" (I, 7, 11). Por fim, "entre as carícias dos meus e as brincadeiras e festas dos que se riam comigo, observando‑os, fui aprendendo a falar" (I, 14, 23). Aqui acabou a sua infância. &lt;p&gt;Também a meninice de Agostinho foi igual à dos outros meninos. Os seus pais preocuparam‑se com a sua educação, com os seus estudos. Em Tagaste teve de ir à escola. Aí o levaram para que aprendesse a ler e a escrever. "Eu, triste de mim, escreverá mais tarde, não sabia qual a utilidade que tinha" (I, 9, 14). O medo dos açoites era a única razão que o obrigava a estudar. É conhecido de todos o ditado que diz "a letra com sangue entra". Tais açoites, além de o impelirem a estudar, conduziam‑no a Deus. Na escola, Agostinho menino, aprendeu a experimentar, na medida das suas possibilidades que Deus é um Ser Grande; ainda que não se manifeste aos nossos sentidos pode ouvir‑nos e socorrer‑nos. Deste modo, já desde pequenino, rogava a Deus, com não pequeno afeto, que não o açoitassem na escola. &lt;p&gt;Pois, desde rapazinho, recebeu também educação cristã. "Já então eu acreditava em Deus, acreditava a minha mãe e toda a casa, exceto meu pai... Pois, mal sai do ventre de minha mãe, fui assinalado com a cruz e provei o sal bendito" (I, 11, 17), quer dizer, fez‑se catecúmeno ou candidato ao batismo. A fé era profunda. Tendo ainda poucos anos e sentindo‑se, de repente fatigado por uma opressão no peito, com grande fé e não menos fervor, pediu que o batizassem. Mas em seguida começou a melhorar e, em conseqüência, não se lhe administrou então o batismo, segundo o costume da época. Pensavam todos, e Mônica a primeira, que muito provavelmente iria perder logo a graça batismal e que o pecado de um batizado é sempre maior. Decidiram pois deixá‑lo para mais tarde depois de passadas as turbulências da adolescência. &lt;p&gt;Os açoites que Agostinho tanto temia não eram de todo injustificáveis, a julgar pelas suas palavras: "Pecávamos, escrevendo, lendo ou pensando no estudo menos do que nos era pedido. E não era por falta de memória ou de inteligência, que Deus no‑la tinha dado em grau suficiente para aquela idade. A causa era que nós gostávamos de brincar" (I, 9, 15). Agostinho, já bispo, contava as suas travessuras de então: "Pecava eu, Deus meu, desobedecendo às ordens de meus pais e mestres que queiram que eu aprendesse. Se desobedecia, coisa freqüente, não era para fazer algo melhor do que me mandavam, mas sim, por amor à brincadeira" (I, 10, 16). Ansiava por triunfar sempre. Fascinava‑o todo o tipo de contos, sentia‑se cheio de curiosidade e os olhos iam‑lhe atrás de todo o espetáculo. Gostava de tudo menos das letras e que lhas obrigassem a estudar. Muitos anos mais tarde, reconhecerá que com isso lhe proporcionaram um bem imenso. E reconhecerá que quem não agia com retidão era ele ao não estudar senão quando o forçavam. "Porque, diz, o que age contra a sua vontade não age bem apesar de ser bom o que faz" (I, 12, 29). Do seu erro em não querer estudar se servia Deus para castigá‑lo. "Tinha‑o bem merecido eu, menino tão pequeno e tão grande pecador" (id.). &lt;p&gt;O estudo do grego começava, naquela época, desde os primeiros anos. A Agostinho nunca lhe agradou. Detestava a língua de Homero que lhe amargurou os primeiros anos de escola. Em vez disso, afeiçoou‑se ao latim, não à gramática mas sim à literatura. Porque aprender a ler, escrever ou contar foi para ele menos aborrecido ou enfadonho do que o grego. No entanto não tinha dificuldade em aprender de cor os poetas latinos, especialmente Virgílio. Gozava recitando as aventuras de Eneias e até chorando a morte de Dido, que se suicidou por amor. Grande incoerência, escreverá mais tarde. "Se perguntasse o que seria mais prejudicial para alguém, se esquecer‑se de ler e escrever ou esquecer‑se daquelas fábulas, quem não responderia que o primeiro?" (I, 13, 22). &lt;p&gt;A inteligência de Agostinho era grande e ele próprio estava convencido disso. Todos afirmavam dele "era uma criança de grandes esperanças" (I, 17, 27). Se alguma coisa roubava aos companheiros era os aplausos. Quase sempre vencedor nos concursos, ele arrebatava todos os aplausos. Tal talento, no entanto, devia ser causa freqüente de muito aborrecimento. Na verdade, o "um e um, dois; dois e dois, quatro" era para ele uma cantilena insuportável. &lt;p&gt;Já na sua idade madura, o bispo publica candidamente os pecados da meninice. "Entre os meus companheiro quem mais travesso do que eu? Enganava com inúmeras mentiras o pedagogo, os professores, os meus pais. Tudo por amor da brincadeira e pelo gosto de ver espetáculos inúteis e depois imitar o que tinha visto. Fazia também furtos na despensa da casa e da mesa. As vezes pela guloseima; noutras ocasiões para dar qualquer coisa aos rapazes para me deixarem brincar com eles. No jogo, vencido pelo desejo de me salientar, fazia batota. por sua vez nada me era mais insuportável que descobrir outro fazendo a mesma batota que eu tinha feito. Atirava‑lho à cara violentamente. Se pelo contrário me apanhavam a mim e mo censuravam, antes que ceder, preferia enfurecer‑me" (I, 19, 20). &lt;p&gt;Quem reconhece os seus pecados conhece também os seus valores e agradece‑os a Deus. "Não queria ser enganado, tinha boa memória, ia adquirindo facilidade para falar, gozava da amizade, fugia da dor, da afronta, da ignorância" (I, 20, 31). &lt;p&gt;Madaura esperava‑o para aí continuar os seu estudos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-5296459988585756110?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/5296459988585756110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/02/infancia-e-meninice.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/5296459988585756110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/5296459988585756110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/02/infancia-e-meninice.html' title='INFÂNCIA E MENINICE'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-2435135611835856141</id><published>2011-02-25T15:16:00.001-08:00</published><updated>2011-02-25T15:16:21.983-08:00</updated><title type='text'>E ESTES OS SEUS PAIS</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p style="line-height: 18pt; margin: 0cm 0cm 0pt; mso-hyphenate: none" class="MsoNormal" align="right"&gt;&lt;span style="font-family: " lang="PT-BR"&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;&lt;font style="font-size: 12pt"&gt;Meus pais nesta luz;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="line-height: 18pt; margin: 0cm 0cm 0pt; mso-hyphenate: none" class="MsoNormal" align="right"&gt;&lt;span style="font-family: " lang="PT-BR"&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;font style="font-size: 12pt"&gt;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;font style="font-size: 12pt"&gt;meus irmãos no seio da mãe católica,&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="line-height: 18pt; margin: 0cm 0cm 0pt; mso-hyphenate: none" class="MsoNormal" align="right"&gt;&lt;span style="font-family: " lang="PT-BR"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: normal; font-family: ; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: pt-br; mso-fareast-language: es-trad; mso-bidi-language: ar-sa" lang="PT-BR"&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;&lt;font style="font-size: 12pt"&gt;meus concidadãos na Jerusalém eterna&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="line-height: normal; font-family: ; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: pt-br; mso-fareast-language: es-trad; mso-bidi-language: ar-sa" lang="PT-BR"&gt;&lt;font size="3" face="Times New Roman"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O lar em que Agostinho veio ao mundo era formado por Patrício e Mônica. &lt;p&gt;Patrício era "por um lado extremoso no carinho; por outro, arrebatado na ira" (IX, 9, 19). Em Tagaste, o seu nome andava de boca em boca, quase sempre para o elogiarem. Gastou quanto foi necessário para que seu filho pudesse seguir os estudos sem que lhe importasse a escassez dos seus bens. Outros vizinhos seus, bem mais ricos do que ele, nunca se tinham dado a semelhante trabalho. Amava o seu sangue, que queria ver continuado na sua descendência, donde a sua alegria quando descobre, em Agostinho, os sinais de um homem que lha pode proporcionar. Morrerá assim que Agostinho chegue a Cartago para continuar o estudo da retórica. Nas Confissões, o filho recordá-lo-á apenas de passagem. &lt;p&gt;Mônica foi educada na fé cristã desde a infância. Segundo o costume da época, casou‑se com quem lhe deram por marido, não com o homem livremente escolhido por ela. Mas serviu‑o como teria servido o próprio Senhor. Esforçou‑se por o cativar para Deus, falando‑lhe d'Ele com os seus modos e hábitos. Eram estes que a tornavam formosa, amável e digna de admiração aos olhos do marido. Amava os filhos e ansiava tê‑los sempre a seu lado. "Deseja ter‑me consigo, como é costume das mães, mas muito mais do que a maioria delas" (V, 8,15). &lt;p&gt;Patrício e Mônica não se pouparam a sacrifícios em prol da educação de Agostinho. Ambos viviam na esperança de ver nele um sábio. Ambos desejavam ardentemente que fosse bom estudante: o pai porque, não pensando em Deus, fazia castelos no ar a respeito do filho; a mãe porque estava convencida que os estudos não são um impedimento, antes uma grande ajuda, para chegar a Deus. &lt;p&gt;Mãe piedosa e fiel serva de Deus, chorava os desvarios do filho "mais que outras mães choram a morte do corpo" (III, 11,19). Viúva casta e sábia "como as que Deus ama", não cessava de chorar por ele diante de Deus em todas as suas orações. Rezava e atuava. Visitava bispos, pedindo‑lhes que se dignassem a falar com Agostinho para refutar os seus erros e ensinar‑lhe a sã doutrina. Não lhe fizeram caso, mas de um deles ouviu esta consoladora resposta "Vai em paz, mulher; não é possível que pereça um filho que tem custado tantas lágrimas" (II, 12, 21). &lt;p&gt;Chora amargamente a separação do filho quando este parte para Roma. No entanto o que mais dor lhe causou foi ter‑se sentido enganada. Segue‑o, por terra e por mar, animando os marinheiros quando se levantava alguma tempestade, primeiro até Roma e depois a Milão. Freqüentava devotamente a Igreja e ficava suspensa das palavras de S. Ambrósio, a quem obedeceu em tudo. Insiste com Agostinho para que se case deixando‑se levar, talvez, de ocultos egoísmos. Como todos os filhos de Adão também teve as suas debilidades. &lt;p&gt;É ela a primeira a receber a notícia da conversão do filho. O seu regozijo é imenso e o seu júbilo sem limites. Dá graças a Deus porque lhe tinha concedido mais do que costumava pedir nas suas orações, acompanhadas de lágrimas. Também conquistou para Deus o seu marido. Pouco antes de morrer, Patrício entrou na família cristã por meio do novo nascimento do batismo. &lt;p&gt;Mônica morre em Hóstia Tiberina, junto a Roma, e o seu testamento foi: "Enterrai este corpo em qualquer parte. Não vos preocupe mais o seu cuidado. Só vos peço que onde quer que estejais vos lembreis de mim diante do altar do Senhor" (IX, 11, 28). Ela contava 56 anos e Agostinho 33. Os seus restos mortais repousam hoje na Igreja de Santo Agostinho de Roma. &lt;p&gt;Isto é quase tudo o que Agostinho refere acerca de seu pai e algumas coisas, poucas, das muitas que deixou escritas sobre sua mãe. Como se explica tal desproporção? &lt;p&gt;Patrício foi pai, Mônica duas vezes mãe. Ambos lhe deram a vida do corpo. Mônica, além disso, deu‑lhe a da alma, a fé cristã. Com a educação dada desde a primeira infância, com o exemplo, com as suas lágrimas e súplicas quando estava no erro. A Agostinho, convertido e bispo da Igreja Católica, importavam‑lhe menos os nove meses que o trouxe no seio do que os nove anos do seu erro maniqueu, durante os quais ela o trouxe no coração. Apreciava muito que tivesse dado o seu contributo para fazer e alimentar aquele corpinho, mas apreciava, infinitamente mais, que tivesse semeado, na sua alma, a semente da fé cristã e a tivesse regado com as suas lágrimas e feito descer o orvalho divino pelas suas orações até que, um dia, brotou e cresceu a árvore frondosa de uma vida consagrada a Deus. Nisto Patrício não teve parte alguma, já foi bastante não ter posto obstáculos à influência piedosa da mãe sobre o filho. Ele não era crente, mas nunca se opôs a que Agostinho pertencesse à Igreja. Agora compreende‑se a razão de tantas páginas dedicadas a Mônica. A vida da mãe corre a par da do filho, como se verá no que se segue. &lt;p&gt;O livro IX das Confissões é um canto de louvor às virtudes da mãe e ação de graças a Deus que lha deu. Poucas vezes, a grandeza do filho obteve tanta grandeza para a mãe, a exemplo do Filho e Mãe de Deus. &lt;p&gt;Fruto do matrimônio de Patrício e Mônica foram também Navígio e Perpétua. Agostinho é muito sóbrio ao falar deles. O brilho da sua figura ofuscou os que tinham o mesmo sangue. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-2435135611835856141?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/2435135611835856141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/02/e-estes-os-seus-pais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/2435135611835856141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/2435135611835856141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/02/e-estes-os-seus-pais.html' title='E ESTES OS SEUS PAIS'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804572586858809749.post-8348942085654026202</id><published>2011-02-24T00:18:00.001-08:00</published><updated>2011-02-24T00:18:44.986-08:00</updated><title type='text'>UM ENCONTRO COM A VIDA. ESTA FOI A SUA PÁTRIA</title><content type='html'>&lt;h2&gt;&amp;nbsp;&lt;/h2&gt; &lt;h2&gt;O Africano &lt;/h2&gt; &lt;p&gt;Santo Agostinho foi filho da África, abundantemente regada com o sangue dos mártires. A sua terra natal foi Tagaste. Na atualidade, é uma pequena vila da Argélia com cerca de dois mil habitantes chamada Souk‑Ahras. Quando Agostinho ali viu pela primeira vez a luz do dia, era uma pequena vila sem importância de maior, cujo número de habitantes não podemos indicar. Pertencia à província da Numídia, uma das muitas em que estava dividido o imenso império romano. Situada numa meseta, a setecentos metros de altitude, o sustento necessário era‑lhe fornecido pelos pequenos vales dos arredores, cobertos de searas e olivais. Entre os seus habitantes e o Mar Mediterrâneo, situado a pouco mais de 300 kms, interpunham‑se grandes pinhais.  &lt;p&gt;Apesar dos cereais e das azeitonas aquela gente conhecia a pobreza. Trabalhava a terra, ganhava com o suor do seu rosto o pão, que iam comer os cidadãos ociosos de Roma ou os soldados que se encontravam junto do Reno ou do Danúbio, defendendo as fronteiras do império, constantemente ameaçadas pelos bárbaros. Os impostos e as taxas oprimiam os pobres camponeses. No entanto, não lhes faltava tempo para assistir, no anfiteatro, aos jogos e caçadas de feras organizadas pelos ricaços das vilas, "os únicos que viviam", à sombra dos quais procuravam proteção. Em troca dela, os senhores apenas pediam uma vênia ou um simples descobrir‑se. Outras vezes conformavam‑se com a glória de ver levantada uma estátua em sua honra no foro da cidade.  &lt;p&gt;O império, que agora lhes comia o pão, havia-lhes dado outro: o da cultura. Ali falava‑se o latim, se bem que muitos camponeses falassem também o púnico ou, talvez só, o púnico, medida que se avançava para o interior isto era o mais freqüente.  &lt;p&gt;O cristianismo tinha já penetrado com firmeza. Poucos anos antes do nascimento de Agostinho, a cidade tinha sido donatista na sua totalidade, mas logo voltou à unidade católica como conseqüência das leis imperiais. A conversão foi algo mais do que oportunista. Agostinho escreveria, mais tarde, que os seus habitantes detestavam tanto o donatismo que dava a impressão de nunca terem estado do seu lado. Mas Cristo ainda não tinha entrado em todos os lares nem em todos os corações, como veremos na família de Agostinho. Agostinho só passou uma parte mínima da sua vida na terra natal. Depressa procurará horizontes mais amplos. O mar, que agora estava longe, far‑lhe‑á companhia durante muitos anos da sua afanosa existência.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-8348942085654026202?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/8348942085654026202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/02/um-encontro-com-vida-esta-foi-sua.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/8348942085654026202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/8348942085654026202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/02/um-encontro-com-vida-esta-foi-sua.html' title='UM ENCONTRO COM A VIDA. 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As suas ocupações de bispo tomam‑lhe muitas horas do dia mas ainda encontra tempo para escrever cartas aos amigos, resolver questões doutrinais difíceis, refutar hereges, comentar as Escrituras, celebrar o culto, etc.. E, o que mais nos interessa aqui, para escrever as suas Confissões, a mais famosa das suas obras, a que se lê com mais gosto, a que sempre nos comove como também o comovia a ele.  &lt;p&gt;Que são as Confissões? Eu diria que são um diário de Agostinho e uma "biografia" de Deus. É difícil averiguar se Agostinho fala mais de si próprio ou de Deus. Também não interessa muito, porque fala o suficiente de ambos. Nas Confissões, deixou‑nos um diário dos seus sentimentos; ou melhor ainda, do seu coração. Não são uma vida de Agostinho, mas sim a vida do coração de Agostinho: o que amou e o que odiou; o que amou mais e o que amou menos; o que amou bem e o que amou mal. Pessoas, coisas e idéias, tudo. Deixou‑nos tudo isto escrito ao longo de treze livros. Os nove primeiros tratam da sua vida até à sua conversão e batismo, o décimo fala‑nos dos seus anos de escritor; os três últimos são dedicados à Sagrada Escritura. Agostinho, bispo, repensa a sua vida. Para que nada fique obscuro, fá‑lo à luz de Deus, que tudo penetra e tudo ilumina. Assim no‑la apresenta para que a possamos ver e contemplar. Para que possamos conhecer quem foi Agostinho e como é Deus.  &lt;p&gt;As Confissões são também uma "biografia" de Deus. A Ele são dirigidas todas e cada uma das linhas desta obra. Linhas que são freqüentemente a Sua própria palavra. Foram arrancadas da Bíblia e transcritas aqui. As Confissões são uma oração a Deus, escrita com palavras de Deus. O Deus que se oculta ou se manifesta, mas que está sempre presente; que Agostinho conhece ou desconhece mas que procura sempre; que castiga ou corrige mas que ama sempre. O Deus vivo e providente, que se preocupa com as suas criaturas e segue os seus passos, não o Deus dos filósofos, desinteressado deste mundo. O Deus a quem Agostinho entoa um cântico de louvor, de ação de graças e outro de súplica de perdão, que são: as Confissões. O Deus a quem Agostinho pode dirigir‑se com estas palavras: "Chamaste e clamaste e rompeste a minha surdez; relampejaste, resplandeceste e afugentaste a minha cegueira; exalaste perfume, respire-o e suspiro por ti; provei‑te e tenho fome e sede; tocaste‑me e abrasei‑me em desejo da tua paz" (Confissões, X, 27, 38).  &lt;p&gt;Assim, as Confissões apresentam‑nos duas vidas, dois corações que se movimentam em torno de amores distintos e que acabam por se unir. Dois caminhos divergentes que de forma maravilhosa, terminam unindo‑se. Dizemos dois mas poderíamos dizer infinitos. Quantos não se têm sentido refletidos nas páginas das Confissões? A história de Agostinho tem sido a de muitos jovens e continua a ser a de muitos mais. O bispo de Hipona sabia‑o; por isso, se propôs escrever este livro com o coração nas mãos e com a tinta das suas lágrimas.  &lt;p&gt;Enquanto Agostinho compunha a obra do seu coração, queria associar os seus amigos ao canto de louvor, de ação de graças e de súplica de perdão: "Que muitos te dêem graças por mim e muitos te roguem por mim". Não vamos rogar por ele porque não o necessita, mas sim, em vez disso, continuaremos a dar graças a Deus porque obrou maravilhas em Agostinho e agradeceremos a Agostinho o ter‑nos deixado as suas Confissões, guiados pelas quais vamos traçar esta imagem biográfica.  &lt;p&gt;" As confissões das minhas malfeitorias passadas que Tu me perdoaste cobrindo‑as com a tua indulgência, para me fazeres feliz em Ti, transformando a minha alma com a fé e o teu sacramento (batismo), quando se lêem ou se ouvem despertam o coração para que não adormeça no desespero, não diga NÃO POSSO, mas sim, que esteja vigilante, no amor da tua misericórdia e na doçura da tua graça, com a qual é poderoso todo o homem fraco que chega, por ela, a conhecer a sua fraqueza. E aos bons é deleitoso ouvir os males passados daqueles que já escaparam deles (Confissões, X, 3, 4). &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804572586858809749-6786951182906017104?l=amigosdesantoagostinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/feeds/6786951182906017104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/02/para-comecar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/6786951182906017104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804572586858809749/posts/default/6786951182906017104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amigosdesantoagostinho.blogspot.com/2011/02/para-comecar.html' title='Para começar'/><author><name>roberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11892128533494089534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-2vhkOiJOmAg/TsYohpjCQZI/AAAAAAAAACg/sfRW8HV_agg/s220/robertocaricatura.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
